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terça-feira, 9 de setembro de 2008

Polícia revela nome do suíço que liderava corrupção na Alstom


Bruno Kaelin é acusado de ter participado de "gestão desleal, corrupção e lavagem de dinheiro"

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo


GENEBRA - Praticamente concluída, a investigação sobre o pagamento de propinas pela Alstom indica que membros da direção da empresa estariam envolvidos em esquemas de corrupção em várias partes do mundo, inclusive em São Paulo. Essa é a principal suspeita do Ministério Público Suíço que, há cerca de três semanas, prendeu de forma preventiva um ex-alto funcionário da empresa.


O nome e a função do funcionário estavam sendo mantidos em sigilo. Mas com o caso praticamente em seu estágio final, fontes na Justiça suíça revelaram ao Estado quem está sendo acusado por ser a peça central do esquema de corrupção e qual teria sido o mecanismo usado para realizar os pagamentos a funcionários públicos no exterior.

Trata-se de Bruno Kaelin, um suíço alemão que, no dia 21 de agosto, foi preso em Einsiedeln, vilarejo nas profundezas dos vales dos alpes da Suíça e conhecida por ter um dos conventos mais antigos da Europa. A acusação é de que teria participado de "gestão desleal, corrupção e lavagem de dinheiro".

Sua prisão envolveu mais de 50 policiais e a Justiça suíça acredita que Kaelin, hoje aposentado, seja a chave para que se possa revelar quem recebeu as propinas pagas pela Alstom para ganhar contratos milionários. Em suas várias atividades dentro da companhia, Kaelin ocupou a função de garantir que os contratos entre a Alstom e as demais empresas e governos estavam de acordo com os interesses da empresa francesa. Mas Kaelin também ocupou um cargo no conselho de administração da empresa, entre 2000 e 2006, o que lhe dava amplos poderes e uma circulação constante entre os principais executivas da Alstom.

Os suíços ainda contaram com a ajuda de investigadores franceses. Juntos puderem reconstituir o esquema que permitia o pagamento de propinas para garantir contratos no exterior. O circuito de corrupção esteve ativo pelo menos desde 1995. Uma das suspeitas da Justiça suíça é de que cerca de US$ 20 milhões teria usado esse esquema apenas para o pagamento de propinas no Brasil e na Venezuela.

Um dos braços utilizados para fazer os pagamentos era a Cegelec, que até 2001 esteve sob o comando da Alstom. Entre 1999 e 2001, o próprio Kaelin foi quem administrou a Cegelec. Hoje, a subsidiária não tem qualquer relação formal com a Alstom. "Não podemos falar sobre o caso porque a Cegelec de hoje não tem qualquer relação com a Alstom. Trata-se de uma empresa totalmente independente desde 2001", afirmou o diretor de comunicações da entidade, Jean-Louis Erneux.

No Brasil, a Cegelec esteve envolvida em muitos projetos, desde a manutenção da fábrica da Novartis em Taboão da Serra ou o túnel Ayrton Senna.



Entenda o caso Alstom

Da redação


SÃO PAULO - A multinacional francesa Alstom está sendo investigada na Suíça e na França por suspeita de pagar propina para obter contratos em países da Ásia e da América do Sul, entre eles o Brasil.

No País, os contratos irregulares seriam o da venda de equipamentos para a ampliação do Metrô de São Paulo, no valor de US$ 45 milhões, sendo US$ 6,8 milhões em comissões ilegais, e o da construção da Usina Hidrelétrica de Itá, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, no valor de US$ 200 milhões, dos quais US$ 30 milhões seriam para pagamento de propina.

1. 'WSJ' revela o caso

Reportagem do jornal The Wall Street Journal, publicada em 6 de maio, informa sobre ampla investigação conduzida pelas autoridades suíças sobre o pagamento de propina pela Alstom para vencer licitações. A publicação informa que a polícia suíça se reuniu com investigadores brasileiros para discutir o suposto pagamento de US$ 6,8 milhões em propina pela gigante de engenharia para obter um contrato de US$ 45 milhões para instalação de equipamentos na obra de expansão do metrô de São Paulo.

2. Ministérios Públicos Estadual e Federal decidem investigar o caso

a) O Ministério Público Estadual iniciou em 8 de maio uma operação para devassar os contratos da multinacional com o Metrô de São Paulo e outras empresas ligadas à Secretaria dos Transportes Metropolitanos. Também seriam analisados negócios da Alstom no setor energético.

São pelo menos 30 contratos com o governo paulista desde 1990, segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE), alguns sem licitação. Estão na lista Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), Companhia Energética de São Paulo (Cesp), Engenharia e Planejamento de Transmissão de Energia (EPTE), Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), Sabesp, Dersa e CPTM.

b) Ministério Público Federal (MPF)também decide investigar o caso, que fica sob responsabilidade do procurador Rodrigo de Grandis. O objetivo é saber se a empresa de engenharia francesa cometeu os crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro no Brasil.

3. Empresa teria usado offshores em propina a tucanos

Reportagem do Estado de 30 de maio informa que seis empresas offshore, duas das quais controladas por brasileiros, teriam sido utilizadas pela multinacional francesa para supostamente repassar propinas a autoridades e políticos paulistas entre 1998 e 2001. Os pagamentos seriam feitos com base em trabalhos de consultoria de fachada.

4.Alstom paga viagem de conselheiro à Copa do Mundo

Em 3 de junho, reportagem do Estado informa que Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), coordenador da campanha eleitoral de Mário Covas em 1994 e chefe da Casa Civil do governo do Estado de 1995 a abril de 1997, viajou para a França em 1998 para assistir aos dois jogos finais da Copa do Mundo com despesas pagas por empresas da Alstom, cujos contratos com a Eletropaulo e o Metrô ele avaliou depois.

5. Disputa política

As bancadas do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp) e na Câmara dos Deputados iniciaram uma ofensiva para investigar as gestões tucanas no Estado de São Paulo sobre o que classificam de relação "íntima e suspeita" da Alstom. O partido não descarta o pedido de instalação de uma CPI para apurar o assunto.






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