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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Chávez diz que vai tentar reeleição em 2012

Caracas, 2 dez (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou hoje que tentará a reeleição no pleito de dezembro de 2012, após insistir em que seus partidários modifiquem a Constituição em um referendo para permitir a reeleição contínua.

"As candidaturas devem sair das bases e é preciso respeitar a disciplina (...) e desde já me apresento como pré-candidato presidencial para 2012", manifestou.

O chefe de Estado esclareceu que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do qual é presidente, decidirá nos próximos dias uma via para isso.

A Constituição venezuelana aprovada em 2000 obriga a autoridade eleitoral a submeter a referendo as emendas 30 dias depois de elas serem oficialmente apresentadas.

Os pedidos de emenda podem ser feitos por 30% dos integrantes da unicameral Assembléia Nacional, por 15% dos eleitores ou diretamente pelo chefe de Estado.

Chávez já fez uso desta última opção quando há um ano sua proposta de reformar a Carta Magna com esse mesmo fim foi rejeitada nas urnas, no que se tornou seu primeiro revés eleitoral.

Se a reforma do texto constitucional for rejeitada mais uma vez pelos eleitores, o líder venezuelano deverá deixar o poder ao término de seu atual mandato, em fevereiro de 2013.

Seu desejo de aprovar a reeleição contínua foi repudiado pela oposição venezuelana.

O líder opositor Manuel Rosales, que perdeu para Chávez as presidenciais de dezembro de 2006, disse hoje que a Venezuela "não quer um rei".

"Este povo não quer um rei, não quer um homem coroado como rei, quer alternância no poder, quer ter a oportunidade de escolher seu presidente", afirmou Rosales, eleito recentemente prefeito de Maracaibo, capital do estado de Zulia.








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Seu blog está bloqueado

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26/10/2008 free counters

da Folha Online

A Defesa Civil divulgou nesta segunda-feira uma lista com os produtos necessários para ajudar as vítimas das chuvas, que provocaram mortes e deixaram milhares de desabrigados e desalojados em Santa Catarina.

Em Santa Catarina, as prefeituras das cidades atingidas e a Defesa Civil do Estado criaram postos de arrecadações. Para saber onde ficam, entre em contato com a Defesa Civil pelo fone (48) 4009-9886 ou pelo 199.

O órgão pede doações sobretudo de produtos de higiene pessoal e artigos para limpeza das casas e residências atingidas pelas chuvas.

Segue a relação de produtos:

-sabonetes;
-escova de dente;
-creme dental;
-rolos papel higiênico;
-caixa cotonete;
-xampus;
-pentes;
-toalhas de rosto;
-absorventes/ fraldas geriátrica;
-vassouras;
-rodos;
-panos de chão;
-baldes;
-sabão em pó;
-água sanitária;
-sacos de lixo (50 e 100 litros);
-fraldas;
-bicos;
-mamadeiras;
-vela/ fósforo;
-colchões;
-travesseiros;
-cobertores;
-pratos de plástico (duráveis);
-copos de plástico (duráveis);
-talheres;
-sacos de plástico de 3 e 5 litros, que não sejam de lixo, já que é para realização de kits de higiene pessoal;
-lonas plástica.

Dinheiro

Além da doação de produtos , a Defesa Civil abriu contas bancárias para angariar fundos para o auxílio às vítimas das enchentes e deslizamentos no Estado. Segundo balanço divulgado pelo governo do Estado na manhã de hoje, as doações ao Fundo Estadual da Defesa Civil --em dinheiro-- chegavam a R$ 5.714.157,51.

As doações em dinheiro estão sendo recomendadas pela Defesa Civil como forma de ajudar as vítimas pelas chuvas e para movimentar a economia local. Oito contas bancárias estão recebendo as doações vindas de todo o país. Os interessados podem realizar os depósitos nas seguintes contas:

- Itaú - Agência 0289, conta corrente 69971-2;
- Caixa Econômica Federal - Agência 1877, operação 006, conta corrente 80.000-8;
- Banco do Brasil - Agência 3582-3, conta corrente 80.000-7;
- Besc - Agência 068-0, conta corrente 80.000-0;
- Bradesco Agência 0348-4, conta corrente 160.000-1
- Sicoob/SC - Agência 1005, conta corrente 2008-7
- Sicred - Agência 2603, conta corrente 3500-9
- Santander - Agência 1227, conta corrente 430000052

Em nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual da Defesa Civil, CNPJ - 04.426.883/0001-57

Postos de doações

O posto da PRF (Polícia Rodoviária Federal) de Biguaçu, na região da Grande Florianópolis, está recebendo doações de alimentos não-perecíveis para as vítimas da enchente. A mercadoria arrecadada será entregue à Defesa Civil Estadual.

O Beto Carrero World, no litoral norte do Estado, também montou uma base de arrecadação de alimentos, roupas, medicamentos, colchões e cobertores na entrada do parque. A assessoria de comunicação informou que qualquer doação pode ser enviada à rua Inácio Francisco de Souza, 1.579, na Praia de Armação, na cidade de Penha. O telefone é (0xx47) 3261-2222.

As secretarias regionais da região do Alto Vale do Itajaí (Blumenau, Brusque, Itajaí, Jaraguá do Sul, Joinville e Timbó) também montaram bases de arrecadação e distribuição. As pessoas interessadas em doar materiais devem ir nos seguintes locais:

- Colégio Victor Hering
Rua Antônio Cândido Figueiredo, 399, Bairro Vila Nova --Blumenau;

- Fenarreco
Rodovia SC-486, próximo à Havan, centro --Brusque;

- Parque da Marejada
Av. Vicotr Konder, s/n, Bairro Fazenda --Itajaí;

- Arena Multiuso Jaraguá
Rua Gustavo Hagedorn, s/n, Centro --Jaraguá do Sul;

- Colégio Osvaldo Aranha
Rua Lindóia, Bairro Glória --Joinville;

-Depósito da Secretaria Regional
Rua Nereu Ramos, 913, Centro --Timbó.

Doação de Sangue

A Secretaria de Estado da Saúde também alerta para a necessidade de doações de sangue. A secretaria divulgou a relação de locais onde é possível realizar doações de sangue. O horário de atendimento nos postos é das 7h30 às 18h30.

- Hemoesc Florianópolis
Rua: Othon Gama D'eça, 756, centro --Florianópolis. Contato: (48) 3251-9711

- Hemocentro Regional de Chapecó
Rua São Leopoldo, 391, Quadra 1309, bairro Esplanada --Chapecó. Contato: (49) 3329-0550

- Hemocentro Regional de Joaçaba
Avenida 15 de Novembro, 23, centro --Joaçaba. Contato: (49) 3522-2811

- Hemocentro Regional de Lages
Rua Felipe Schmidt, 33 --Lages.

- Centro Hemoterápico de Blumenau
Rua Marechal Floriano Peixoto, 300, anexo ao hospital Santa Isabel, no centro de Blumenau.

Para doar, é necessário, entre outros itens, ter entre 18 e 65 anos, estar em boas condições de saúde e evitar alimentação gordurosa nas quatro horas que antecedem a doação.

São Paulo

A Cruz Vermelha Brasileira e a Comdec (Coordenadoria Municipal da Defesa Civil-SP) anunciaram a criação de postos para arrecadar doações para as vítimas das chuvas que atingem Santa Catarina.

A arrecadação funciona 24 horas na sede da Comdec --na rua Afonso Pena, 130, no bairro Bom Retiro--, e na sede da Cruz Vermelha Brasileira --na avenida Moreira Guimarães, 699, no bairro de Indianópolis, na região da Saúde (zona sul de SP). As defesas civis das subprefeituras receberão doações em horário comercial.

Além da sede da Cruz Vermelha Brasileira, é possível fazer doações nos seguintes postos da entidade (horário comercial):

- Colégio Santo Ivo
Rua Paço da Pátria, 1705, Alto da Lapa

- Iolanda e Marcelo
Avenida Henrique Franco, 135

- Limoeiro - São Miguel Paulista pelo fone: 2025-7369

- ACM - Associação Cristã de Moços
Avenida das Flores, 453 - Jd. das Flores --Osasco

- Restaurante Mostarda
Av. Luis Carlos Berrini, 483, Brooklin Novo

- Escola Oriental de Massagem e Acupuntura
Avenida Dioderichen, 1000, Jabaquara próximo ao metro Conceição

- Felicita Beauty
Rua Dr. Cesário Mota Jr, 383, Vila Buarque
Consolação

- Supermercado Papini,
Avenida Professor Papini, 232, Cidade Dutra

- Condomíno Jd. Office Tower
Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 881, Jardins

A Força Sindical Nacional montou um posto de arrecadação em sua sede em São Paulo, na rua Galvão Bueno, 782, na Liberdade.

A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) também está recebendo doações de alimentos não perecíveis, roupas e cobertores nas estações de trem de maior movimento em São Paulo: Luz, Brás, Barra Funda, Osasco, Santo Amaro, Santo André.

A empresa se responsabilizará pelo transporte das doações, que serão entregues à Defesa Civil de Santa Catarina. As doações podem ser depositadas nas caixas instaladas nas estações ou entregues a um agente operacional.

Água Potável

A Polícia Militar de São Paulo também está recebendo doações. A prioridade, segundo a assessoria da PM, é para a arrecadação de água potável. Para doar, basta procurar um Batalhão da Polícia Militar mais próximo de sua casa. A relação completa está no site da Polícia Militar.

Também é possível realizar doações no Depósito do Fundo Social da Solidariedade em São Paulo, na avenida Marechal Mário Guedes, 301, Jaguaré (das 9h às 16h).

Outros Estados

A Cruz Vermelha Brasileira também está recebendo doações para as vítimas das chuvas de Santa Catarina em outros Estados. O endereço das outras filiais estão no site da entidade.

Recomendações da Defesa Civil

A Sedec (Secretaria Nacional de Defesa Civil), vinculada ao Ministério da Integração Nacional, divulgou nesta quinta-feira uma lista de orientações para os interessados em ajudar. Segundo o órgão, a idéia é evitar problemas gerados pela 'doação desorganizada' como a não correspondência das doações com as necessidades reais dos atingidos.

Veja as recomendações:

-Antes de efetuar doações procure informações de necessidades levantadas pela Defesa Civil do seu Estado ou município, ou em quartéis de Bombeiros ou Polícia Militar, por exemplo;

-Atentar para a qualidade do material doado;

-Estabelecer uma comunicação eficaz entre o doador e autoridade de Defesa Civil local onde ocorreu o desastre;

-Consultar as autoridades que estão gerenciando a situação para averiguar a real necessidade de doação de gêneros e da quantidade, antes de iniciar qualquer campanha de arrecadação.


James Tavares - 26.nov.2008/Secom











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26/10/2008 free counters

Trailer legendado de "O Curioso Caso de Benjamin Button"

Click na imagem : site oficial



Trailer legendado de "O Curioso Caso de Benjamin Button" ("The Curious Case of Benjamin Button"), com Brad Pitt, Cate Blanchett e direção de David Fincher (de "Clube da Luta" e "Zodíaco"). O filme é baseado no romance homônimo de F. Scott Fitzgerald, de 1922, e conta a história de Benjamin Button, um homem que já nasce com mais de oitenta anos e misteriosamente começa a rejuvenescer. A estréia nos EUA acontece no dia 25 de dezembro. No Brasil, o filme chega aos cinemas no dia 16 de janeiro de 2009.© 2008 Warner Bros. Pictures.

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26/10/2008 free counters

Paulo Renato: "cota racial vai dar errado"




TV Estadão 01.12.2008

Deputado do PSDB prefere o critério da cota social, definido pela renda familiar

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26/10/2008 free counters

Quem ganha até R$ 2 mil terá juro menor para comprar casa


Custo passará de TR mais 6% ao ano, para TR mais 5%. Para quem tiver conta do FGTS, taxa será de TR mais 4,5%

Isabel Sobral, da Agência Estado


SÃO PAULO - Quem ganha até R$ 2 mil terá juros mais baixos para o financiamento imobiliário. O Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) aprovou nesta terça-feira, 2, a redução das taxas nos financiamentos habitacionais com recursos do FGTS. Para esta faixa salarial, o custo dos empréstimos passará de Taxa Referencial (TR) mais 6% ao ano, para TR mais 5% ao ano. Para quem tiver conta do FGTS, a taxa de juros cairá para TR mais 4,5% ao ano. A medida vale a partir de 2009, considerando imóveis avaliados em até R$ 80 mil.

O Conselho aprovou ainda uma linha de crédito de R$ 3 bilhões para construtoras em 2009. Esta operação será feita pela compra de debêntures (títulos emitidos pelas construtoras) ou cotas de fundos imobiliários que vierem a ser criados pelas construtoras como forma de repassar os empréstimos. O objetivo da medida é compensar a escassez de crédito no mercado bancário.

O custo nessas operações para as construtoras será de TR mais 7% ao ano, quando se tratar de projeto de habitação popular. O custo sobe para TR mais 9% ao ano nos demais tipos de projetos habitacionais. O Conselho autorizou a compra de até 80% do empreendimento por meio desta linha.

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26/10/2008 free counters

Justiça condena Daniel Dantas a dez anos de prisão por tentativa de suborno

da Folha Online

O juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal, determinou nesta terça-feira a prisão do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, a dez anos de prisão por corrupção ativa. Ele é acusado de tentar subornar um delegado da Polícia Federal para ter seu nome excluído das investigações da Operação Satiagraha, da Polícia Federal.

Também foram condenados o consultor Hugo Chicaroni e o assessor de Dantas, Humberto Braz. De acordo com a denúncia, os três tentaram subornar o delegado da PF Victor Hugo Rodrigues Alves. Todos ainda podem recorrer da decisão.

No último dia 19, o advogado do banqueiro, Nélio Machado, pediu a De Sanctis acesso à gravação da reunião na superintendência da Polícia Federal, que decidiu pelo afastamento do delegado Protógenes Queiroz do comando da Operação Satiagraha.

O pedido da defesa de Dantas adiou, assim, o fim do processo contra o banqueiro na 6ª Vara Criminal, que poderia acontecer naquele dia com a entrega das alegações finais por parte dos acusados.

A Operação Satiagraha, deflagrada em julho deste ano, resultou na prisão de Dantas, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (PTB) e do investidor Naji Nahas. Todos conseguiram foram libertados depois.

A operação resultou ainda em outros dois inquéritos diferentes. Um por supostos crimes financeiros cometidos por Dantas e outro por crimes que teriam sido cometidos por Nahas.

A reportagem tentou localizar os advogados de Dantas para comentarem a decisão, mas eles não atenderam às ligações. A assessoria do Opportunity também não foi localizada.

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26/10/2008 free counters

Presos gaúchos fazem jejum para auxiliar vítimas em SC

Por Solange Spigliatti

São Paulo - Os detentos do Presídio Central de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, vão passar o dia em jejum na próxima quinta-feira para doar alimento às vítimas das chuvas em Santa Catarina, segundo informações da Defesa Civil do Estado. De acordo com a direção do Presídio Central, a decisão partiu dos próprios presos.

Representantes dos apenados fizeram reunião ontem com a diretoria da casa prisional para comunicar a ação. Mais de uma tonelada e meia de alimentos como arroz, feijão, farinha de mandioca e de milho serão revertidos para doações

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26/10/2008 free counters

Solange Couto passa bem e será transferida para SP


São Paulo - A atriz Solange Couto recupera-se bem da isquemia cerebral transitória e será transferida ainda hoje para o Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, segundo a assessoria de imprensa da artista. Solange passará por uma série de exames na cidade. De acordo com a assessoria, Solange "está falante" e "tudo não passou de um grande susto". No domingo à noite, Solange foi internada no hospital Samaritano, em Porangatu, Goiás e depois no hospital especializado em neurologia Santa Mônica, em Goiânia, com dificuldades de locomoção e fala.

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26/10/2008 free counters

MP abre inquérito contra chefe-de-gabinete de Lula


Objetivo é apurar vazamento de informações da Satiagraha

Folha
A procuradora da República Ana Carolina Roman, lotada em Brasília, abriu um inquérito civil para investigar Gilberto Carvalho, o chefe-de-gabinete de Lula.

Deve-se a novidade ao repórter Ricardo Brito (só assinantes do Correio).

A investigação visa apurar a suspeita de que Carvalho teria vazado dados sigilosos da Abin, relacionados à Operação Satiagraha.

Uma suspeita que nasceu de um grampo telefônico feito pela Polícia Federal em aparelho usado pelo ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).

A serviço de Daniel Dantas, principal investigado da Satiagraha, Greenhalgh telefonara para o auxiliar de Lula em 28 de maio de 2008.

Queria saber se um agente da Abin, de codinome Marcos, fora acionado para seguir os passos de um cliente dele.

Greenhalgh não disse o nome do cliente. Mas tratava-se de Humberto Braz, um preposto de Daniel Dantas. Que, dois meses depois, seria pilhado numa tentativa de suborno de delegado da PF. Coisa de R$ 1 milhão.

Greenhalgh e Carvalho travaram o seguinte diálogo, captado pela escuta da PF:

Gilberto: Luiz?

Greenhalgh: Oi..

Gilberto: O general [Jorge Félix, chefe do Gabinete de Segurança Institucional] me deu o retorno agora... É o seguinte: não há nenhuma pessoa designada na Presidência... na Abin...com esse nome, a placa do carro não existe é fria, tá? Eles aqui acham que a única alternativa é que tenha sido caso de falsificarem documento... eles não consideram possível que seja da Abin, eu não falei com o Luiz Fernando [diretor-geral da PF] ainda, mas não tem jeito... a polícia federal não usa a PM, eles não se misturam de jeito nenhum, tá? Então, eu acho que o mais provável é que o cara tava armando mesmo alguma coisa... Mas com documento falso que também, no Rio, é muito comum, porque daqui não tem, eu pedi, insisti, fiz com o máximo cuidado tal.

Greenhalgh: Deixa eu te falar uma coisa. Tá ouvindo o grito da menina?

Gilberto: O grito da vida.

Greenhalgh: Isso é o grito da vida realmente, linda, mas deixa eu te falar: seria bom dar um toque no Luiz Fernando também hein!

Gilberto: Eu vou dá, eu vou dá, amanhã cedo eu tenho que falar com ele vou levantar isso dai também.

Greenhalgh: Tem um delegado chamado Protógenes Queiroz [à época responsável pela Satiagraha] que parece que é um cara meio descontrolado.

Gilberto: Ele tá onde, o Protogenes, agora?

Greenhalgh: Aí, tá aí em Brasília.

Gilberto: Ah aqui em Brasília.

Greenhalgh: É o que saiu na Folha na matéria da Andréa Michael [refere-se a notícia que antecipara detalhes da Satiagraha, inclusive o pedido de prisão de Daniel Dantas]. Mas eu tô indo amanhã pra reunião do diretório [do PT].

Gilberto: Eu te vejo lá, eu tô indo no diretório também.

Greenhalgh: Legal...

(...)

Gilberto: Tá. Eu vejo você lá.

Greenhalgh: Grande abraço.

Gilberto: Valeu Luiz...

Greenhalgh: Obrigado.

O inquérito do Ministério Público foi aberto há uma semana. É conseqüência de uma representação formulada pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).

Na petição, Sampaio pediu o afastamento liminar [antes do julgamento do mérito da causa] de Gilberto Carvalho.

O deputado alega que, ao repassar para Greenhalgh informações relacionadas à Abin, Carvalho teria incorrido em “improbidade administrativa”.

A procuradora ainda não deliberou sobre o pedido de afastamento do auxiliar de Lula. Por ora, apenas abriu o inquérito.

Ouvido, Carvalho disse que está pronto a fornecer ao Ministério Público todos os esclarecimentos que forem necessários.

Na época em que o conteúdo da PF viera à luz, ele já havia emitido uma nota de esclarecimento.

Em 3 de novembro, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República analisara a conduta de Carvalho. A conclusão foi a de que o chefe-de-gabinete de Lula não incorrera em “desvios éticos”.

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26/10/2008 free counters

QUERO SER SELTON MELLO

Que Malkovich que nada! Em sua casa, no Rio, testemunhamos o milagre da multiplicação dos Seltons: "Adoro trabalhar!



“Minha família era mais tradicional, mineiros, né?” Cenas de um menino prodígio: pose para seu 1º book; com a mãe e o irmão Danton no centro da capital paulista; com o finado Lauro Corona em Corpo a Corpo, sua primeira novela, aos 11 anos; show particular na sala de casa sob o olhar do pequeno Danton

Selton Mello vendeu a alma para o diabo. É fato. Para nós, espectadores de suas minisséries de Ibope obsceno, de seus filmes premiados e de suas peças intelectuais, essa é uma ótima notícia.

Nasceu da soma de Selva com Danton, seus pais mineiros que o batizaram Selton Figueiredo Melo. Só depois, com a alcunha artística, é que ele ganhou um L a mais e foi poupado de seu Figueiredo. Há quem acredite que a simples mexida num nome já é coisa do capeta. Que o diga Louis Cyfer, antológico papel de De Niro, um dos atores preferidos deste Mello de L dobrado.

Parido em Passos, Minas Gerais; criado em São Paulo, São Paulo; cidadão do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. É mineiro, paulista, carioca tudo junto. Criança ainda, o primogênito encasquetou que queria porque queria cantar na televisão. Conseguiu: "Fiz todo o circuito dos shows de calouro, do Raul Gil ao Bozo." É irmão mais velho de Danton, ator como ele, mas que seguiu o "caminho do bem". Esse casou, teve filhos, casa, família, esquemão. Selton não. É vaidoso e adora aparecer em público, especialmente em eventos turbinados pelo mulherio como nas duas ocasiões em que comandou a disputada entrega de prêmios do VMB-Brasil da MTV (2004 e 2005). "Nunca me senti usado", diz ele que está solto como o tição.

Selton recebeu o repórter em seu casarão no Alto da Gávea, bairro agradável do Rio. A casa é rústica, escura, muita madeira, poucos móveis, caverna de solteiro. É uma segunda-feira e ele está de ressaca. "Forte." Apesar disso, acende um cigarro atrás do outro. Álcool e fumaça, vai vendo...

Selton costuma dizer em entrevistas que quer ser "profeta de sua própria história", frase bonita de autoria do ex-escritor Raduan Nassar, que ele, Selton, aprendeu quando filmava seu livro Lavoura Arcaica . Aprendeu e não mais esqueceu. Nem da frase nem da experiência da manufatura do filme. Selton gostaria de ser Raduan, ter sua genialidade, complexidade, "ser imortal". Por essas, foi abandonando, lentamente, sua vida pessoal em troca da profissional. "Tudo consciente", confessa o rabudo.

Nas paredes de sua casa, pôsteres bem enquadrados delatam as preferências do mineiro. Tarantino, Coppola, Sganzerla, Kubrick, Wenders, Rocha, Trier, entre tantos... Mello não é modesto, se espelha nos grandes. Seu currículo não é modesto. Novelas como Corpo a Corpo, Tropicaliente, A Indomada. Séries do naipe de A Comédia da Vida Privada, Caramuru, Os Maias, Os Aspones. As peças Esperando Godot, Zastrozzi e O Zelador. E filmes como o próprio Lavoura , O Auto da Compadecida e Lisbela e o Prisioneiro. Quando não está na labuta, porém, este capricorniano é preguiçoso como o cão. O próprio homem-bode, com patas e chifres que adoram uma cama macia.

Selton só quer saber de cinema. Montou uma pequena produtora em sua própria casa com ilha de montagem, monitores, som e o escambau. Dinheiro dos trabalhos mais bem pagos, como as campanhas de publicidade em que estrelou recentemente: Elma Chips, Credicard e Speedy. Um "jovem Midas", dizem os invejosos da noite carioca. »»




Quase Cristo
Mello não é nada mellow. No momento em que o leitor conhece estas páginas, ele ainda estará em cartaz com o longa O Coronel e o Lobisomem; em turnê nos festivais de cinema com Árido Movie; em finalização estará o Desafinados, onde faz um cineasta no novo filme de Walter Lima Jr.; em montagem estará o Cheiro do Ralo, em que Selton co-produz e é protagonista num dos seus papéis favoritos; e em preparação terá ainda mais dois longas para 2006. E tem mais, o danado. Como diretor, estará produzindo e dirigindo a terceira temporada do seu Tarja Preta (Canal Brasil), vencedor por dois anos consecutivos como Melhor Programa da TV por Assinatura no Prêmio Qualidade Brasil; estará lançando o seu segundo clipe, um trabalho solo do amigo e ídolo Nasi (vocal do Ira!); seu primeiro curta, intitulado Quando o Tempo Cair , estará em fase de montagem; e ainda estará lapidando o roteiro de Feliz Natal, seu primeiro longa-metragem em que assina o texto, a produção, a direção e, claro, o papel principal. E pensar que ainda lhe restam algumas semanas antes que o pé-de-gancho arremate a idade de Cristo.

É fato. Profissionalmente, Selton é um belzebu. Só alguém que menospreza a imprensa de celebridades, que rejeita um contrato fixo com a poderosa Rede Globo, que mora sozinho há uma década e não se sente só e que aceita trabalhar de graça em projetos apaixonantes, poderia fazer tanto, tão bem em tão pouco tempo. Nesses vinte e pouco anos de carreira, o finado Figueiredo que estampa estas páginas conheceu os labirintos mais sombrios da mente, caçoou das divinas comédias, abusou das emoções, enganou honestos, convenceu virgens, roubou, mentiu, matou, chorou, vestiu mais de mil faces e, sobretudo, brincou.

É fato. Selton Mello vendeu a alma para o diabo. O diabo das telas, dos palcos, das lentes. O diabo das artes. Graças a Deus!

Acima à esq., ainda adolescente em foto feita por um amigo; on stage no Hipódromo, época de sua banda Vendeta; e com os pais no último Réveillon no Rio

Você começou a trabalhar já na infância, não? Eu tocava violão e queria cantar na TV. Aí pedi pra minha mãe me levar no calouro infantil. Fiz todo o circuito. Cantei no Dárcio Campos, no Raul Gil, no Bozo, no Barros de Alencar... Isso aos 7, 8 anos

Como foi dali para a TV? Nesses lugares vai olheiro, gente de agência. Não demorou e rolou comercial, logo depois, novela.

Mas era isso o que você queria? É. Eu que queria.

E teus pais, o que achavam desse pequeno querendo ser famoso? Eles viam que eu tinha jeito, me davam apoio. Eles tiveram sempre uma relação muito boa com isso. Por ter começado muito cedo, conhecer os muitos altos e baixos da profissão, vi bastante garoto dançar por causa de pais chatos, mãe de miss que enchia o saco de diretor. Os meus ficavam na deles, nunca me cobraram, até se mudaram para o Rio por minha causa.

Por tua causa? É... Meu pai era bancário e minha mãe, dona de casa. Aos 11 anos pintou um lance de vir pra Globo fazer Corpo a Corpo. A família toda veio pro Rio. Avaliando hoje, acho muito corajoso da parte deles e não sei o que teria acontecido com a minha carreira não fosse por isso. Mudaram toda uma vida, uma estrutura, por causa de um garoto de 11 anos...

E aí você encalhou... É, depois dessa novela fiz mais uma coisa em TV e nunca mais fui chamado.

E seus pais? Cara, eles poderiam entrar nessa tipo: "E aí, viemos pro Rio, né? Pô, então procura fulano? Bate na porta do sicrano". Nunca. Não é a nossa vibe. Mineiro, sabe? Se rolar, rolou. »»





No palco com Angelo Paes Leme em Zastrozzi , de George Walker; ruivo-brega na Comédia da Vida Privada ;e com o antes ídolo e agora parceiro Nasi

Seus pais são casados ainda? São. Há 40 anos.

E seu irmão? Meu irmão separou recentemente. Foi casado dos 18 aos 30, tem dois filhos. Pensar em casar e filhos é complicado. Às vezes tenho a sensação de que meu irmão fez isso por mim, deu netos aos meus pais e me liberou, saca? [Ri.]

Vai ficar mesmo pra tio? Tenho uns pensamentos meio modernos. Essa coisa do casamento, família Doriana, mulher, filhos, cachorro, quintal, não sei... Mas tenho vontade de ter filhos.

Você já viveu um relacionamento verdadeiro? Já tive isso com a Danielle [Winits, a atriz global] , bem forte, um relacionamento muito legal. Foram três anos.

Você é muito assediado por mulher? Hum [risos] ... Não tenho do que reclamar.

Você está com alguém no momento? Eu vivo muito bem sozinho e estou sem namorar já há... puta, uns cinco anos, cara.

"TENHO UNS PENSAMENTOS MEIO MODERNOS. ESSA COISA DO CASAMENTO, FAMÍLIA DORIANA, MULHER, FILHOS, CACHORRO, QUINTAL, NÃO SEI..."

A Danielle foi tua última namorada? Não, depois dela teve outras. Uma eu namorei um ano, outra um ano e meio. Casos, rolos, possíveis namoradas, quase casamentos, isso rola, né?

Há quanto tempo você mora sozinho? Há uns dez anos. Tem gente que não suporta a solidão, precisa ter alguém na cola sempre. Não sou assim.

No que você trabalhou durante o período longe da TV? Durante toda a adolescência fui dublador. Entrava de manhã e saía à noite do estúdio.

Quando foi isso? Chegamos ao Rio em 84 e até 86 ainda fiz alguma coisa de TV. De 86 a 92 não fiz nada de televisão, só dublagem na Herbert Ritchers. Achei que a TV tinha sido coisa de criança e que eu seria dublador pra sempre.

E isso na adolescência masculina, época difícil do homem... Como foi essa parada na sua cabeça? Era bem ruim. É meio pirante para uma criança começar bem e depois cair fora. Me sinto meio sobrevivente de verdade, ter conseguido voltar e reconquistar o meu espaço.

Você engordou nessa época... Engordei pra caramba, ficava nessa angústia. Via numa telenovela personagens de 17 anos feitos por atores mais velhos e não entendia, falava: "Porra, tenho 17 anos, porque esse cara de 27 tá fazendo esse papel?".

Um adolescente com essa frustração no trabalho, gordo e vivendo no Rio, a terra do corpo sarado, sofre bastante, não? Por isso tive uma adolescência reclusa, fazendo um trabalho em que só importava a voz. Sofri, mas ao mesmo tempo eu trabalhava, ganhava uma grana, aprendi a reconhecer o valor do dinheiro que você conquista. Consegui comprar o primeiro carro, ajudar em casa, pagar o colégio, porque meu pai era bancário e ralava pra caralho ganhando 500 contos por mês. E nesse período da dublagem, hoje vejo, foi um período em que eu vi muito filme, recebi muita informação. Eu dublava o Anjos da Lei , série com aqueles atores bacanas, tipo Johnny Depp... Eu fazia um dos amigos policiais que era japonês, lembra?

Você também dublou o Charlie Brown, do Snoopy. O cara era meio depressivo, não? O cara é totalmente depressivo, sensacional. Dublei ele dois anos.

Brown se dava mal com as meninas. E você, como era nisso? [Risos] Péssimo. Subnutrição total, não agarrava ninguém.

E quando foi que você começou a virar o jogo? Bem depois. Eu perdi a virgindade tarde, aos 19, com uma namorada. Tarde, né?

Hoje seria inconcebível. [Risos] E foi uma bosta. »»












"Pode ser que uma hora eu sinta falta [de se entregar na vida pessoal] , mas hoje não sinto. Através da arte eu me realizo." Acima, três momentos de realização: em ação no longa Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia, com previsão de estréia em 2006 ("Adoro esse personagem, é escroto pra caralho"); dirigindo Jorge "Zé Bonitinho" Loredo em seu primeiro curta, Quando o Tempo Cair; e assinando produção, direção e câmera de seu programa de TV Tarja Preta

Você é um cara completamente apaixonado pelo que faz, se entrega como ator e agora quer se entregar como diretor. É também um cara de 32 anos que nunca morou com uma mulher e nunca teve filhos. Não acha que essa energia do trabalho tira energia da sua vida pessoal? Sempre tirou.

E é consciente? É consciente. Pode ser que uma hora eu sinta falta, mas hoje não sinto, é assim que eu me realizo, que fico feliz, vibro, é assim que viajo. Através da arte eu me realizo.

Mas a sua matéria-prima não vem das emoções vividas na vida pessoal? Mas sou um observador, sempre ligado em tudo e em todos. Tem uma entrevista com o Raduan [autor do livro Lavoura Arcaica ] em que ele começou a falar uma coisa, parou e disse o seguinte: "Eu boto um olho nos livros e um olhão na vida". Eu não preciso casar para ter essa experiência, eu tô ligadaço no humano, tudo está sendo visto e armazenado e o que vale como ator é o que vale pra diretor também. Eu tô na vida.

O que é felicidade pra você? É isso que eu acabei de te dizer, estar fazendo um trabalho que me complete. Quando eu não estou eu fico perdidaço.

Pra fechar, um breve questionário que chupei por aí... Que trabalho você se arrepende de ter feito? [Selton sempre fecha suas entrevistas no Tarja Preta com este questionário] [Risos] Eu faço essa pergunta e é cruel pra caralho... Muita gente sai da mesma maneira que eu vou sair agora: não dá pra se arrepender de trabalho nenhum porque mesmo nos erros, e às vezes sobretudo nos erros, você aprende. Então não me arrependo.

Imagem de um filme que vem a sua mente agora? Bandido da Luz Vermelha, qualquer cena.

Dorme bem à noite? Durmo mal à noite

Já usou tarja preta? Uso com freqüência.

Para quem prescreveria? Prescreveria não para uma pessoa mais pra todos os governantes do Rio de Janeiro dos últimos anos. Governador, prefeito, tarja preta em toda essa turma.

Resolvi somar algumas outras perguntas ao seu questionário... O que você sonhou esta noite? [Risos] Caralho... Sonhei com os meus cachorros.

Se você fosse passar um ano isolado numa ilha e pudesse levar um livro, um CD, um filme e uma pessoa, o que seria? Que viagem... Cem Anos de Solidão seria o livro; o CD seria Vivendo e Não Aprendendo, do Ira!; o filme, eu levaria o Bandido da Luz Vermelha. A pessoa que é o mais cruel... Levaria o meu irmão.

Se alguém lhe desse uma bela grana para fazer um trabalho sem censura o que faria? Puta!? Bom, seria um filme. Acho que eu ia dirigir um dream team fodão, botava Paulo José com Al Pacino, José Dumond com Benicio Del Toro, Leo Medeiros com Edward Norton. Juntava todos eles numa sala e a gente ficava meses improvisando, e o filme nascia dessa descoberta coletiva [risos].

Por último, tem um grande sonho na vida? O grande sonho é poder continuar, o que não é fácil, a fazer o que eu já venho fazendo - não é pouco. Continuar sendo profeta de minha própria história.

Leia mais sobre Selton na Trip # 139. O ator fala sobre suas manias, pais, seu lado urbano, PT, o trabalho como diretor, a experiência de Lavoura Arcaica , revela que se considera um grande ator.

MAKE/HAIR Ricardo Tavares

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26/10/2008 free counters

Então é Natal

Ao apresentar seu primeiro longa-metragem, Feliz Natal, Selton Mello diz: “Não fiz um filme para ser aprovado ou reprovado, mas quero que ele se instale em corações e mentes dentro e fora do Brasil” Depois de 20 anos na frente das câmeras, o ator Selton Mello estréia na direção de seu primeiro longa-metragem, Feliz Natal. O filme acompanha a saga de Caio (Leonardo Medeiros), que decide voltar ao Rio de Janeiro para passar o Natal com a família, que não vê há anos. Darlene Glória vive Mércia, a matriarca, imersa em uma depressão e movida a altas doses de álcool e remédios. Ela se separou de Miguel (Lúcio Mauro), que gosta de transar com garotas bem mais novas. E Miguel, por sua vez, detesta Caio e não perdoa o erro que ele cometeu no passado. Um filme forte, que trata de uma família desestruturada e perdida e que tem recebido elogios e prêmios desde a estréia, há uma semana. Selton Mello conversou com o site da Tpm sobre a carreira, vontades e expectativas.

Por Fernanda Paola

Você estreou na TV aos 11 anos, na novela Corpo a Corpo, da Globo. Depois disso, aos poucos, foi se tornando um dos mais importantes atores brasileiros. Agora, arriscou na direção e já recebeu elogios. Você tem alguma dificuldade em realizar suas obras?
A dificuldade é manter o brilho nos olhos. Quando você acha que já sabe fazer aquilo é exatamente a hora de reestruturar todos os seus pensamentos e começar tudo de novo. É um eterno recomeço, daí a grandeza da arte. A busca da reinvenção o tempo inteiro. Tento manter o olhar do menino que começou tão cedo a brincar de viver personagens, esse é meu desafio constante.

Cansou de ser ator? Seu negócio agora é dirigir?
Tenho me sentido cansado de tudo e entro agora em um período em que o bem-estar pessoal é mais importante do que fazer filmes etc. Sempre priorizei minha profissão em detrimento da vida pessoal, chegou a hora de inverter radicalmente esse quadro. Estou mais interessado em cuidar das coisas simples da vida e continuar trabalhando de maneira menos insana. Se alguém descobriu esse equilíbrio envie cartaz para a redação, pois estou atrás disso também [risos].

Como foi a escolha do elenco do seu filme? Tarefa difícil ou já tinha alguns nomes na cabeça?
Alguns nomes já estavam na cabeça, como o Leonardo Medeiros, um ator que tenho absoluta confiança e que trabalhou comigo em Lavoura Arcaica. Outros nomes simplesmente aconteceram, como a Darlene Glória e o Paulo Guarnieri. Convidei a Darlene depois de entrevistá-la no Tarja Preta [programa de entrevistas veiculado pelo Canal Brasil]. Fiquei fascinado com a história de vida dela e, mesmo sem papel, queria tê-la no Feliz Natal. Ela topou e, só depois, criei a Mércia, a mãe no filme. O Paulo me ganhou quando eu estava lendo uma revista. Era um momento difícil, seu pai havia acabado de falecer. Vi o olhar do Paulo, lembrei dele quando fazia milhões de novelas e liguei. Já o menino Fabrício Reis foi um daqueles achados inacreditáveis. Mérito do Oberdan Junior, que encontrou esse fenômeno e, depois de alguns testes, foi acolhido no filme. Eu gosto tanto da idéia de resgatar gente do passado, talentosa e muitas vezes deixada à margem, quanto lançar rostos novos. É interessante para a arte ter esse equilíbrio.

Você já tinha se aventurado na direção do curta Quando o tempo cair, além de apresentar o programa Tarja Preta. Com um longa é diferente? Em que sentido?
É muito mais trabalho. Como é tudo muito maior, multiplicam-se as responsabilidades. Fazer um longa-metragem é uma trabalheira e tanto. É um processo caro, muitas vezes longo, que envolve muita gente... E, depois de pronto, ainda tem todo um trabalho para o lançamento, a distribuição. Mas o prazer de apresentar algo tão pessoal é o combustível para ir até o fim.

Diga um momento memorável do período de produção do filme e um nem tão bom assim.
Minha equipe e eu vivemos momentos muito saborosos ao longo de todo o processo. Trabalhamos com delicadeza e muita alegria. E assim nos sentimos seguros para alçar um vôo arriscado, para representar uma família desestruturada. Apenas com o respeito que tínhamos um pelo outro foi possível travessia tão densa, nos proporcionando a sensação de ter vivido algo único.



Tem expectativas sobre a opinião do público em relação a Feliz Natal? Isso é importante para continuar?
Quero que o filme atinja o maior número de pessoas que puder. Esse é meu objetivo: que o filme seja visto. Não fiz um filme para ser aprovado ou reprovado. Isso é pessoal, a arte é muito subjetiva. Fiz para que as pessoas pudessem assistir e se identificar. O termômetro não é gostar ou desgostar, e sim fazer com que Feliz Natal se instale em corações e mentes dentro e fora do Brasil.

O que pode falar de Darlene Glória como Mércia?
Darlene é um vulcão. Não há melhor palavra para defini-la. E diante de uma câmera ou não. Depois que a conheci, não tinha nenhuma hipótese de não tê-la no meu filme. Só se ela não quisesse, mas ela topou mesmo sem eu ter um papel. Criei a mãe da história só depois do sim da Darlene. E hoje nem eu nem ninguém da equipe consegue imaginar Feliz Natal sem uma mãe. Ela paira sobre todos os personagens, está em cena mesmo quando não aparece. É a mãe de todos os males, como eu costumo dizer. Aquela família torta, desestruturada, não poderia ter uma matriarca que não fosse aquele delírio. Darlene em cena é puro delírio.

Já tem planos para o futuro? Quais são?
Não estou pensando em futuro a longo prazo... Mas posso dizer que tenho dois planos – dirigir outro filme e descansar. Não necessariamente nessa ordem [risos].

Há dois anos você deu uma entrevista para a Trip na qual dizia que toda sua energia estava voltada para o trabalho. Continua assim, um workaholic assumido?
Que prazer checar que eu disse isso há dois anos e verificar que agora penso o contrário. Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante [risos]. Hoje estou voltado para mim mesmo. Quero continuar trabalhando sim, mas minha prioridade agora sou eu. Meu corpo pediu isso. Meu espírito pediu isso. Estou muito preocupado com o meu bem-estar. Quero curtir o ócio, ler, ver filmes, namorar, encontrar meus amigos, ficar com minha família, brincar com minhas sobrinhas, fazer exercícios, ficar em contato com a natureza... Estou em um momento de mergulho interno, de autoconhecimento, como talvez nunca estive. E percebi que é vital ter um tempo só nosso, para as nossas coisas. Mudei de workaholic para lifeaholic, se é que essa palavra existe [risos]. E será um prazer dar uma entrevista para a Trip daqui a algum tempo e dizer algo completamente diferente do que eu disse agora... E assim caminha a humanidade...

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26/10/2008 free counters