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sábado, 21 de junho de 2008

HAMLET - PARA SEMPRE

WAGNER MOURA - A QUALIDADE DA EMOÇÃO

Acabo de sair do Teatro FAAP, onde assisti o Hamlet de Aderbal Freira – Filho, melhor dizendo, o Hamlet de Wagner Moura. Em minha vida já vi inúmeros Hamlet. Um privilégio do tempo. Vi Jean Louis Barrault no Teatro Santana, derrubado pela fúria imobiliária. Jean Louis era dicção. Seu monólogo chegava ao poleiro onde me encontrava com alguns colegas da Faculdade de Direito. Depois, vi o Sergio Cardoso. Como lembrou-me Silney Siqueira, o ator andava pelos fundos do palco, nunca chegava ao centro. Era uma sombra de si mesmo vagando pelo palco, numa bela interpretação. Laurence Olivier, também o vi, pontuava com a tradição inglesa, conceitos e melancolia, deixando vazar pelas frestas de um lábio fino, tanto o autor, Shakespeare quanto seu personagem preferido.
Wagner Moura tira o seu personagem da farsa, da própria representação dentro da representação. O personagem que ele produz nasce do próprio teatro. Do amor ao teatro que o personagem cultua e Wagner transforma em vida. Poucas vezes fiquei tão emocionado num teatro. Desde as primeiras falas, aos monólogos, à histeria, tudo é convincente e mesmo emocionante no desempenho de Wagner Moura.
A montagem de Aderbal Freire é tão competente que haver interpretações de menor porte não tem a menor importância. Tudo tem harmonia em torno da luz de Hamlet. Sem contar que o tônus de Polônio é muito interessante. Não se curva ao maneirismo bajulador mas ao humor profundo do serviçal. Ofélia é menos inglesa, é uma Ofélia brasileira, jogada às piranhas.
E, o que é muito, muito bom. Shakespeare aparece, transparece e tatua com impiedade a nossa pobre alma. Cada monólogo é uma lição de modernidade. Serve para a vida e para a conjuntura. Não é imortal enquanto dura, é imortal porque perdura. Bênçãos a uma dramaturgia que produz um Wagner Moura.

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