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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Promotoria denuncia policiais acusados de seqüestrar traficante em Campinas (SP)

MAURÍCIO SIMIONATO
da Agência Folha, em Campinas

Três policiais civis de Campinas (93 km de SP) são acusados pelo Ministério Público de seqüestrar uma traficante de drogas para extorquir R$ 15 mil do chefe da suposta quadrilha. Dois dos investigadores estão presos e um, foragido.

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público denunciou os três agentes por extorsão mediante seqüestro há cerca de 20 dias. A prisão dos policiais foi decretada na semana passada e um deles foi preso na última quarta-feira.

O investigador Itamar Gomes da Silva foi preso pela Corregedoria da Polícia Civil de Campinas. O policial Márcio da Silva Passos já tinha sido preso há um mês em razão de outra acusação de extorsão. O terceiro policial investigado, Edson José Casteletti, está foragido.

A suposta extorsão ocorreu em abril. O caso começou a ser monitorado pela Promotoria após a interceptação de um telefonema feito pelos policiais ao suposto chefe da quadrilha, Alan Diego da Silva, o "Bebê", que tinha o celular monitorado em outra investigação sobre tráfico na cidade.

Segundo a denúncia, os policiais prenderam uma traficante conhecida como "Loira" e a levaram para a sede da Dise (Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes). Telefonaram para o celular de Silva e pediram dinheiro em troca da liberdade da mulher.

O suposto traficante enviou um representante para negociar com os policiais em um bar. Embora os promotores não tenham flagrado pagamento, "Loira" foi liberada no mesmo dia. Os policiais mantiveram a mulher na delegacia sem anuência do delegado responsável pela unidade, segundo a Promotoria.

"É uma inversão de valores. Em vez de agir como policiais e prender os traficantes, eles exigiram dinheiro para libertá-la.", disse o promotor do Gaspar Pereira da Silva.
"Loira" responde a processo por tráfico e foi incluída em um programa de proteção a testemunhas. "Bebê" foi preso após a denúncia dos promotores.

A Corregedoria da Polícia Civil em Campinas informou que abriu uma investigação disciplinar sobre o caso, que pode terminar com a exoneração dos policiais. A reportagem não localizou advogados dos policiais.

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