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sábado, 16 de julho de 2011

RIO 2010: Após cinco anos, Ana Paula Arosio volta aos cinemas em filme gay

Ana Paula Arósio (São Paulo, 16 de julho de 1975)
01/10/2010 01h58


Heitor Augusto, enviado especial ao Rio de Janeiro

Como Esquecer
Foto: Divulgação























Noite de caça às celebridades, ou melhor, à celebridade, no Festival do Rio. O Cine Odeon, na Cinelândia, abrigou um batalhão de fotógrafos em busca da ilustre presença da noite: Ana Paula Arosio, protagonista de Como Esquecer, longa-metragem exibido nesta quinta-feira (30/9) no Festival do Rio.

Enquanto Robert Guimarães ainda apresentava O Bolo, curta-metragem que antecedu a exibição do filme de Malu de Martino, boa parte do público ainda buscava cadeiras para sentar. Tanto o nível inferior quanto o mezanino estiveram lotados. No palco, uma parte significativa da equipe, além dos atores Murilo Rosa e Natália Lage, companheiros de Arosio no filme.

Pulando o papo dos flashes e quem foi ou deixou de ir à première, Como Esquecer procura investigar justamente o que indica o título: quando se perde um amor, qual é a saída para superar o passado?

O curioso do filme começa pelo elenco principal: Ana Paula Arosio, que explodiu na televisão interpretando uma prostituta avassaladora em Hilda Furacão, é o oposto do que costumamos ver: introspectiva, de beleza escondida, mais triste do que feliz, mais feia do que bela. Ela é Julia, professora universitária que foi abandona por sua parceira de longa data.

Já Murilo Rosa, presença um pouco mais constante no cinema, vive Hugo, personagem muito diferente de seus tipos arrasa quarteirão da TV. Quem completa o time é Natália Lage, a alternativa Lisa, também interessante, porém personagem-escada. Imagino que Como Esquecer tenha sido uma experiência rica para Arosio e Rosa, atores segmentados a papeis parecidos na televisão. O filme certamente deu a eles oxigênio na profissão.

A produção lésbica, algo raríssimo no cinema brasileiro, tem um argumento inteligente, algo que se deve também ao livro no qual é baseado, Como Esquecer: Anotações Quase Inglesas, de Myriam Campelo: enquanto muitos filmes apresentam um personagem que perde alguém e aprende a se recuperar quando uma nova pessoa surge em sua vida, Como Esquecer decide falar desse intervalo entre a tragédia e o que acontece com um novo outrem.

Nesse caminho, o longa-metragem de Malu de Martino vive uma relação de tapas e beijos com a dramaturgia. Ora o texto do livro no qual se baseia consegue ser absorvido pelo filme, ora o ruído entre teatro X literatura X cinema é tão grande que só falta o contrarregra desmontar o cenário atrás dos personagens para nos mostrar que se trata de uma peça de teatro, não de cinema.

Claro que é complicado transpor um livro narrado em primeira pessoa para um filme, implicando sérias decisões tanto de roteiro quanto de direção. Mas no casso desse filme a transposição das linguagens tem atritos e ainda cria um engessamento na interação cênica: personagem A fala e dá a deixa para personagem B. O personagem A aguarda até chegar a sua vez de responder, e assim vai. Fica aquela sensação de que a direção gera um filme de desenvolvimento tenso, teso, que fecha a porta para qualquer improviso.

Justamente por esse engessamento e pela narração contínua, em off, da personagem de Ana Paula Arosio, em momentos o filme deixa de ser uma reflexão íntima sobre a dor da perda e se torna um guia de auto-ajuda de “como sair da lama”. Claro que não era intenção de ninguém fazer um filme pocket book, mas Como Esquecer tem seus momentos rasos.

Em compensação, há duas boas surpresas no filme, personagens que vem de fora e abalam o trio de protagonistas: a aluna Carmen Lygia (Bianca Comparato) e a prima de Lisa, Helena (Arieta Correa). Quando essas duas entram no jogo, o filme fica bem mais interessante, justamente porque carregam o imprevisível em suas trajetórias. Com as duas não sabemos para onde as trajetórias vão se encaminhar: elas dão aquela saudável sensação de vida no cinema.

Para quem já esteve em um relacionamento longo, com amor e afeto, Como Esquecer coloca uma questão séria: justamente como esquecer? Apagar o passado? Tem momentos que compartilhamos dessas inquietações, em outros dá vontade de pedir para o filme deixar de ser didático.

Uma observação: interessante termos dois filmes protagonizados por personagens homossexuais não marginalizados competindo pelo Troféu Redentor do Festival do Rio, Como Esquecer e Elvis e Madona, além do curta-metragem hors-concours Eu Não Quero Voltar Sozinho. Mais curioso ainda é que a sexualidade não é a matéria-prima desses filmes: cada um a seu modo, as três histórias falam de pessoas que amam e choram como todo mundo.

Sinal de que o cinema brasileiro avançou ou de que ainda é preciso filmes que partam para o confronto?





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