[Valid Atom 1.0]

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Na reta final, pesou a ausência de apoio entre aliados


O Estado de S. Paulo - 08/06/2011

Menos de 24 horas depois da ganhar do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a decisão de arquivar as representações da oposição, vendando qualquer tipo de investigação do Ministério Público sobre seu patrimônio, o ex-chefe da Casa Civil assistiu de seu gabinete, no Planalto, a um teatro político desalentador. Em vez de uma base unida em torno da sua permanência no cargo, Antonio Palocci viu um PT engalfinhado, um PDT engrossando a lista de assinaturas para abrir uma CPI e o PR dizendo que o Planalto precisava "fazer uma cesariana para tirar a rei da barriga".

Pior: em outro cochilo da base aliada, Palocci quase voltou a ser convocado para depor em outra comissão do Congresso - o Planalto precisou contar com as préstimos do senador Fernando Collor (PTB-AL) para evitar a nova convocação.

A temperatura da fogueira política cresceu quando a oposição, com a ajuda da base governista, começou a engordar a lista de apoio à CPI do Palocci, pulando de 18 para 23 nomes. A oposição estava convicta de que chegaria as 25 assinaturas, a apenas duas do mínimo regimental necessário, 27.

Os primeiros sintomas explícitos do desarranjo da base apareceram com o comportamento das bancadas petistas. Enquanto os deputados apoiaram a permanência de Palocci no cargo, os senadores, sob a liderança informal e desastrada de Marta Suplicy (SP), acabaram, além de retirar apoio ao ministro, criando uma guerra política.

Marta acendeu o pavio da disputa interna ao propor, durante almoço semanal dos senadores petistas, uma nota de apoio a Palocci. A maioria rejeitou a ideia e disse que a função do partido era fortalecer o governo Dilma. O líder do partido, Humberto Costa (PE), irritou-se quando Marta, em minoria, apelou para a presença do presidente do PT, Rui Falcão, acreditando que ele poderia impor a decisão à bancada.

"Isso foi iniciativa de gente que está querendo ser mais realista do que o rei ou protagonista dos fatos", reagiu Delcídio Amaral.

Numa ofensiva ainda mais dura, o senador Clésio Andrade (PR-MG) - que também não conseguia ser recebido pelo chefe da Casa Civil - assinou a requerimento da CPI. Palocci ligou para ele e Clésio retirou a assinatura. Diante desse clima, Palocci chegou ao final do expediente fazendo o que a base dividida recomendava: pedir demissão.

O custo Palocci

Articulação política

O ministro ficaria enfraquecido em qualquer cenário e teria que ceder poderes. A crise que o envolveu tornou evidente as deficiências da articulação política montada pela presidente Dilma Rousseff, já que todos os poderes ficaram concentrados apenas nas mãos de Palocci e o ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, não fazia a ponte com o Congresso e aliados.

Gerência/ação do governo

Com a crise se arrastando por mais de 20 dias, o governo passou a temer a paralisia. Já havia sofrido derrotas no Congresso durante a discussão do Código Florestal e temia, agora, ficar refém da base aliada em votações relevantes. Está em curso, ainda, um debate sobre a mudança de rito das Mps, que Dilma não quer ver avançar no Senado. A presidente lançou o principal programa de seu governo, o Brasil sem Miséria, mas o evento foi totalmente ofuscado pela crise.

Relações com o PT

Palocci nunca contou com o apoio integral do PT, e nos últimos dias as divergências tornaram-se mais explícitas. Um grupo mais próximo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalhou internamente, em vão, para garantir a permanência do ministro. A Executiva Nacional do PT não conseguiu aprovar uma nota oficial de apoio ao petista. E, ontem, nem mesmo a bancada do PT no Senado bancou um manifesto de solidariedade ao ministro.

Relações com aliados

Palocci tinha um passivo de desgastes com o PT, PMDB, PC do B, PDT, entre outros partidos da base aliada. Boa parte da indignação dos aliados ocorreu graças a demora da presidente em definir nomeações de segundo e terceiro escalões. Mas o loteamento de cargos não era a única fonte de insatisfação. Palocci ameaçou os ministros peemedebistas de demissão num telefonema ao vice Michel Temer. No PT, há uma disputa eleitoral e o poder do ministro não interessava a muitos. Os demais aliados não conseguiam mais ter Palocci como ponte para chegar até Dilma.

Investigação

O parecer da Procuradoria-Geral da República que enterrou os pedidos da oposição para investigar Palocci deu apenas uma sobrevida ao petista, mas permanecia, ainda, a ameaça de instalação de uma CPI. A oposição insistiria em novas investigações.






LAST

Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

Nenhum comentário: