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segunda-feira, 28 de março de 2011

ANA DE HOLLANDA 'A Lei Rouanet viciou o mercado'

Ana de Hollanda ''O jogo é violento''

Ministra da Cultura fala sobre as polêmicas de sua recém- iniciada (e já agitada) gestão

27 de março de 2011 | 0h 00
João Bosco Rabello e Julio Maria - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA

Andre Dusek/AE
Andre Dusek/AE
"A Lei Rouanet viciou o mercado", afirma a ministra da Cultura

Ana de Hollanda sabia que o jogo seria violento. Seu irmão Chico Buarque avisou. Seus melhores amigos alertaram. "E, olha, confesso que está sendo mais violento do que imaginei", diz. A vaidade denunciada no cuidado com as unhas e o batom, a voz macia de cantora desde a juventude e a aparência de fragilidade escondem a determinação de enfrentar os conflitos gerados desde sua posse.

Poucas vezes se viu um início de gestão de tamanha turbulência na pasta da Cultura. Antes mesmo de tomar pé dos problemas herdados e ainda sem saber de qual orçamento disporia, foi alvo de furiosa campanha de segmentos insatisfeitos com seu primeiro ato: a retirada do selo Creative Commons do site do ministério.

O CC oferece uma relação mais livre dos usuários com as obras artísticas, mas repassando o custo ao autor, instado a reduzir seus direitos autorais. O gesto lhe valeu a pecha de "ministra do Ecad", para classificá-la de retrógrada.

Esse e outros episódios resultaram na desistência da contratação do sociólogo e cientista político Emir Sader - convidado por ela própria para dirigir a Fundação Casa de Rui Barbosa- que a chamou pelos jornais de "meio autista". Uma ala do PT disse que a dispensa de Sader foi do Palácio do Planalto. Ana, aqui, diz que foi dela.

A aprovação de captação de R$ 1,3 milhão em incentivos para Maria Bethânia elaborar um blog de poesia reabriu velhas e espinhosas discussões referentes à Lei Rouanet. Ana considera o episódio "uma tempestade em copo d"água."

Na semana passada, ela ouviu do governo norte-americano, durante a visita de Barack Obama ao Brasil, preocupações em torno de propostas de flexibilização dos direitos autorais apresentadas por seu antecessor, Juca Ferreira. Na visão dos americanos, elas poderiam representar um estímulo à pirataria.

Nessa entrevista ao Estado, a ministra aborda diretamente esses e outros temas, garantindo que a ação do governo em relação aos direitos autorais terá como limite a não intervenção nas relações contratuais privadas.

A senhora até agora falou pouco e ouviu muito. Está sendo um começo difícil?

Qualquer anúncio de mudança gera insegurança. Por mais que tentemos esclarecer que estamos estudando as questões, as pessoas querem respostas imediatas. Aí começam a sair versões do que poderia estar certo ou errado. Eu nunca tive uma situação como temos agora, de sentar para responder.

Qual foi sua primeira impressão ao ler o projeto de lei do ex-ministro Juca Ferreira, que pede mudanças na atual lei dos direitos autorais?

Aquela proposta me assustou um pouco. O direito do autor está previsto na Constituição, é uma cláusula pétrea. Ele tem que ser respeitado. Comentava-se muito no meio cultural que as mudanças estavam deixando o autor em uma situação frágil em vários aspectos.

Por exemplo?

Quando se falava das cópias de um livro, por exemplo. Se essa obra for editada sem autorização, pela lei vigente, a obra seria recolhida e o infrator pagaria uma multa de, se não me engano, o equivalente a 30 mil cópias. A proposta de reforma já falava em multa de até 30 mil livros. Ou seja, a multa poderia ser de um, dez ou 30 mil. São detalhes que deixam o detentor dos direitos em situação frágil.

As mudanças da lei propostas por Juca davam ao presidente da República poder para conceder os direitos de obras em casos especiais. A senhora já retirou esse poder do presidente e o repassou ao Judiciário. Qual é o limite da participação do Estado em questões ligadas aos direitos autorais?

Sinto ainda que existe uma interferência muito forte do Estado no projeto de lei e isso, de uma certa forma, vai infringir a Constituição. O direito de associação de artistas é permitido pela lei, é livre. Então o intervencionismo do Estado (na fiscalização do Ecad) é muito complicado. Mas entendo que é necessário haver, sim, uma transparência para os autores sobre seus rendimentos.

A senhora está dizendo que o Estado vai fiscalizar o Ecad?

Eles devem apresentar um balanço público (sobre o que arrecadam em direitos autorais).

O que a senhora discutiu com o secretário do comércio dos EUA, Gary Locke, durante a visita de Obama ao Brasil?

Ele estava muito preocupado com a questão da liberação dos direitos. De como a flexibilização no direito autoral pode acarretar mais tolerância com a pirataria. Isso não preocupa só os americanos, preocupa nossa indústria cinematográfica, editorial, fonográfica. Estão com medo de que essa produção seja fragilizada. É muito preocupante essa possibilidade de a gente liberar para o mundo nossa produção. Isso pode desestimular os artistas. Por que vão editar obras no Brasil se o Brasil não as protege?

Foi pensando assim que a senhora mandou retirar o selo do Creative Commons, que propõe maior liberdade nos licenciamentos de obras artísticas, do site do Ministério da Cultura?

Eu achei muito estranha a gritaria que esse caso criou. Aquele selo era uma propaganda dentro do site do MinC. Não existe a possibilidade de você fazer propaganda ali. A responsável agora sou eu e eu não podia permitir que isso continuasse.

A decisão da senhora então não foi ideológica?

Não, foi administrativa.

Então, ideologicamente, o que a senhora pensa dessa nova relação de direitos autorais proposta pelo Creative Commons?

A questão que me preocupa é que a concessão de direitos no Creative é irreversível. Há sempre um prazo para uso de direitos autorais. Eu posso ceder minha obra para tal uso por cinco, dez anos e depois eu posso reaver essa obra. Mas é bom dizer que essa decisão, de usar o Creative Commons, cabe unicamente ao autor.

Palavras da senhora no discurso de posse: "É importante democratizar tanto a produção quanto o consumo da cultura". A reforma na lei dos direitos autorais e o Creative Commons são em tese democratizantes, no sentido de que garantiriam que a cultura chegaria a mais pessoas. Democratizar está sendo mais difícil do que a senhora imaginou?

A democratização é possível sempre, mas ela tem de prever também o pagamento àqueles que criam. Um autor de um livro que trabalha dez anos com pesquisa vive disso. O direito autoral é o salário dele.

A internet foi o paraíso para muita gente, já que o preço de um CD se tornou inacessível para muitos. Como fazer com que esse consumo continue sem prejuízo para os autores?

Essa é uma questão, sim, que tem de ser estudada nos próximos passos que vamos dar. Agora há pouco, vi um estudo no Canadá que sugere cobrança dos direitos de provedores. Estamos nesse impasse entre a proibição absoluta - que é quase impossível, já que as pessoas estão baixando - e uma liberação que não prevê o pagamento de direitos.

Maria Bethânia teve a aprovação do Ministério da Cultura para captar via Lei Rouanet R$ 1,3 milhão para criar um blog de poesia. Qual a opinião da senhora sobre isso?

Isso foi uma tempestade em copo d"água. Projetos assim são aprovados mensalmente. A lei, que tem também modificação pedida no Congresso, prevê essa possibilidade. Não cabe a mim analisar ou interferir em uma questão que é julgada por uma comissão, que antes passa por pareceristas que analisam os preços e se o projeto é cultural ou não. E o mérito não é de qualidade, mas se é cultural ou não é cultural. Se os preços foram aprovados, está ok.

Ninguém contesta que o projeto de Bethânia seja legal, mas esse dinheiro não deveria ser garantido a artistas com menos recursos?

Olha, isso tudo está sendo revisto nessa reforma da lei que está no Congresso. Queremos favorecer mais o Fundo Nacional de Cultura, que poderá facilitar essa divisão melhor e que atenderia aos produtores que normalmente não atraem o patrocínio das empresas privadas. As empresas querem associar seus nomes a artistas consagrados, faz parte das leis de mercado.

E assim os departamentos de marketing acabam definindo a política cultural do País.

Sim, isso. A atual Lei Rouanet tem esse viés, que era necessário ser equilibrado. Chega a ser perigosa porque quase que exclusivamente se faz atividade cultural no País através da Lei Rouanet. Passou a ser imperiosa. Quando falamos da necessidade da cultura ser autossustentável, vejo como a Lei Rouanet foi prejudicial. Qualquer evento que se faz começa a ficar um megaevento e a ter custos mais altos. E para os artistas se inserirem nisso, precisam ter o nome forte. Agora, uma atividade mais experimental, nova, que não estiver no gosto do mercado, vai ter uma difícil aceitação. A Lei Rouanet viciou o mercado a trabalhar só através dela.

A senhora, como cantora, tentou emplacar projetos pela Lei Rouanet?

Eu não. Bem, até vi em um jornal que houve um proponente de um projeto meu que não foi aprovado, também porque a Lei Rouanet tem uma série de trâmites complicados. Acho que isso foi no período em que eu estava com o projeto de um disco e aí depois consegui trabalhá-lo de outras formas. Foi um projeto para ser aprovado, era um disco meu, sim, que depois acabei fazendo.

O grande público, alheio a Creative Commons, Lei Rouanet, direitos autorais, percebe que entra e sai ministério e uma coisa não muda: cinema, shows e teatro são cada vez mais caros. Como se muda isso?

Mas aí você está falando dos grandes, né? A Cinemateca, por exemplo, tem um acervo fantástico que distribui filmes para os pontos de cultura (centros de cultura nas periferias), os cineclubes estão crescendo. Você está falando das grandes estrelas.

Foi da senhora ou do Planalto a decisão de desistir da contratação do sociólogo Emir Sader para a Casa Rui Barbosa? (Em entrevista, Emir se referiu à ministra como "meio autista")?

Não, eu agi. Levei, conversei com o Palácio, sim, mas deixei claro que a decisão era minha, cabia a mim.

A senhora fala muito dos pontos de cultura, mas a situação deles é caótica, o dinheiro de alguns nunca chegou...

Já tive encontro com os representantes dos pontos. É assustador, porque são trabalhos em comunidades carentes. O princípio dos pontos é maravilhoso. O governo vai à comunidade e reconhece um trabalho cultural que já está sendo desenvolvido. Fazemos um trabalho para auxiliá-los, ajudamos a se equiparem melhor. Agora, alguns estão sem receber há algum tempo.

Não chegou o dinheiro de 2010.

Há outros que estão sem receber desde 2008. Alguns com problemas com documentação, mas há uma parte legal. E tem nosso orçamento que está bastante restrito, não só da Cultura, mas houve um corte grande.

Esse dinheiro chega este ano?

Já está sendo liberado. Vamos quitar com eles essa dívida.

Como a senhora, uma artista de formação e berço, chega para fazer política em Brasília?

Eu tive várias etapas da minha vida em que já passei por algumas experiências como esta. Estive envolvida na política pública em São Paulo.

Sim, mas Brasília é diferente. A senhora não sente dificuldades no jogo político?

Olha, em Osasco era um microcosmo disso, eu sentia lá também a pressão da sociedade, dos artistas, do executivo querendo fazer uma coisa mega. Eu sei que vou incomodar, você não pode atender a gregos e troianos. Agora, o fato de ser mulher ou ter um jeito delicado no falar não quer dizer que eu seja fraca ou insegura. Não sou nem um pouco insegura.

A senhora divide assuntos com seu irmão, Chico Buarque?

Eu acho que tudo o que ele não quer é que eu fique falando dos problemas do ministério (risos).

O Chico não queria que a senhora aceitasse o convite para ministra, certo?

Ele ficou assustado não por ele. Aliás, não só ele. Somos sete irmãos, todos ficaram assustados porque sabiam que o jogo era violento. E confesso que é mais violento do que eu imaginava. Porque esses movimentos organizados agiram com uma agressividade muito grande. E estão agindo ainda.

A senhora tem amigos na cúpula da música brasileira. Como ministra, está disposta a comprar briga com eles?

Eu acho que eles não vão brigar comigo, não. Como amigos, eu não os perco.


QUEM É

ANA DE HOLLANDA
CANTORA E COMPOSITORA

Nascida em São Paulo, em 1948, estreou musicalmente em 1964, no palco do Teatro do Colégio Rio Branco, no show Primeira Audição, integrando o grupo vocal Chico Buarque e As Quatro Mais. Já lançou quatro discos.





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26/10/2008 free counters

Um ano após condenação, defesa do casal Nardoni ainda tenta anular júri



Alexandre e Anna Jatobá alegam inocência, diz advogado Roberto Podval.
Pai e madrasta de Isabella estão presos pelo assassinato da menina em 2008.

Kleber Tomaz Do G1 SP


Casal Nardoni em carro da polícia (Foto: Agência O Globo)Casal Nardoni em carro da polícia após primeira
prisão (Foto: Agência O Globo)

Um ano após o julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Jatobá, a defesa do casal ainda tenta anular o júri popular no Fórum de Santana, na Zona Norte de São Paulo, que condenou os dois pelo assassinato de Isabella Nardoni. A menina de 5 anos foi encontrada morta no terraço do Edifício London, em 29 de março de 2008.

Em 27 de março de 2010, o pai da menina morta foi sentenciado a 31 anos, um mês e dez dias de prisão sob a acusação de tê-la jogado da janela do sexto andar do prédio. A madrasta dela recebeu pena de 26 anos e oito meses de reclusão porque a teria esganado antes da queda. A motivação do crime teria sido o ciúmes que Anna teria de Alexandre com Isabella. Os Nardoni estão detidos na Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo.

Segundo o advogado do casal, Roberto Podval, Alexandre e Anna ainda negam o crime que foi atribuído a eles e sustentam que são inocentes. Na época do julgamento, chegaram a cogitar a possibilidade de que Isabella teria sido morta por um assaltante que havia entrado escondido no apartamento ou até mesmo que a queda seria decorrente de um acidente doméstico.

Por esse motivo, o defensor afirmou que aguarda a decisão sobre dois recursos no Poder Judiciário que pedem a nulidade do júri feito no ano passado e, consequentemente, a realização de um novo julgamento. Nesses casos, também existe a possibilidade de se cogitar a liberdade do casal nos pedidos.

Os pedidos foram feitos ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

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Recursos contra o júri
O primeiro recurso, chamado ‘carta testemunhável’, deu entrada em 2010 pediu o reconhecimento do direito a um novo julgamento baseado na possibilidade que existia antes da reforma processual de 2008, intitulado ‘protesto por novo júri’, no qual réus condenados a penas superiores a 20 anos tinham direito a novo julgamento. A lei 11.689 entrou em vigor em 2008 e extinguiu esse direito. A defesa do casal Nardoni argumentava que, como o crime ocorreu antes da publicação da lei, os dois tinham direito a protesto por novo júri.

Como o pedido com a ‘carta testemunhável’ foi indeferido pelo TJ-SP em 2010, Podval recorreu. O advogado entrou em 26 de janeiro deste ano com um recurso extraordinário para que o mesmo recurso seja apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e um recurso especial para análise do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas para que o recurso siga adiante nessas instâncias superiores, ela precisa da admissão do tribunal paulista. Não há previsão para quando isso irá ocorrer.

O outro recurso pendente no TJ é uma apelação ingressada em 28 de maio de 2010. O pedido está com o desembargador Luis Soares de Mello, relator do processo. Para pedir a anulação do júri e a realização de um novo julgamento, Podval argumenta, entre outras coisas, que foram negados pedidos de diligências feitos pela defesa durante a fase processual. Esse pedido deverá ser apreciado ainda neste ano, provavelmente em abril.

“O julgamento do casal Nardoni mostrou que a força social, o clamor público, impediu que se fizesse um julgamento justo. A justiça ainda não foi feita nesse caso”, disse Podval, na sexta-feira (25), por telefone ao G1.

podval (Foto: Juliana Cardilli/G1)Advogado Roberto Podval (Foto: Juliana Cardilli/G1) a foto è péssimaaaaaa, deve ser de proposito, olhos vermenhos, como se fosse demoniaco!

De acordo com o defensor de Alexandre e Anna, os dois se sentem injustiçados. “Tenho tido contato com eles, nos falamos neste ano. Como você acha que eles estão se sentindo sabendo que são inocentes e estão presos por um crime que não cometeram?”, indagou o advogado.

Apesar da comoção popular em querer condenar o casal em 2010 antes mesmo do julgamento, houve quem pensasse o contrário. Os médicos George Sanguinetti e Paulo Papandreu chegaram a trabalhar para os antigos defensores dos Nardoni e até escreveram livros posteriormente para apresentar suas teses para o homicídio que inocentavam Alexandre e Anna.

Mais recentemente, um homem postou um vídeo no site Youtube questionando a linha do tempo apresentada pelo Ministério Público, que colocava o casal na cena do crime.

Nardoni pelos Nardoni
Com a condição de não terem suas identidades reveladas, parentes do casal Nardoni informaram ao G1 que o casal continua se correspondendo por meio de cartas e recebendo a visita dos filhos na prisão masculina e feminina em Tremembé. Os dois meninos estudam em São Paulo. Familiares comentaram que as crianças chegaram a ter dificuldades para serem matriculadas em algumas instituições educacionais por causa do sobrenome, que era visto de modo pejorativo por algumas pessoas.

Amigos da família disseram que os parentes paternos de Isabella ainda visitam o túmulo da menina em dias que não coincidam com datas marcantes, como o dia em que ela morreu (29 de março) e nasceu (8 de abril).

Isabella Nardoni  (Foto: Reprodução)Isabella Nardoni morreu em 29 de março (Foto:
Reprodução)

O G1 não conseguiu localizar a mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, para comentar o assunto.

'Divisor de águas'
O promotor do caso, afirmou na sexta-feira que discorda das razões apresentadas pela defesa dos Nardoni para pedir a anulação do júri. “Todos os direitos dos então suspeitos e depois réus foram respeitados, tanto pela polícia quanto pela Promotoria e Justiça”, disse o promotor.

Para Cembranelli, o caso Isabella e o julgamento do casal foram emblemáticos e um divisor de águas para a investigação criminal brasileira. “O caso foi acompanhado pela população que conheceu a qualidade do trabalho dos institutos da Polícia Técnico Científica. Foi um marco para a investigação policial, que passou a reivindicar aparelhamento melhor. Foi um divisor de águas mostrando que é possível mostrar qualidade no esclarecimento de um crime”, disse.

Na opinião do promotor, o que foi determinante para condenação do casal foi o conjunto das provas técnicas e testemunhais. “Ela permitiu analisar o caso e raciocinar sobre a conclusão lógica do que aconteceu”, disse ele.

Procurado pelo para falar, o juiz Maurício Fossen, que presidiu o julgamento e deu a sentença, informou por meio da assessoria do TJ que não comentaria o caso.

( Não acredito na culpa do casal , principalmete pela conduta da policia , da pericia, e da promotoria, um caso muito explorado pela midia, todo mundo resolveu aparecer, foi um circo completo e resultou na condenação de alguem , menos do assassino, Isabella merecia ser respeitada, mas... o ego e a vingança foram vitoriosos.)

Publicado: 4 junho 2010


Mãe de Isabella Nardoni processa perito thumbnail

Mãe de Isabella pede R$ 100 mil de indenização por livro de Sanguinetti

Ação de danos morais quer impedir publicação e comercialização de livro

Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, assassinada em 29 de março de 2008, entrou na Justiça de São Paulo com uma ação indenizatória por danos morais no valor de R$ 100 mil contra o médico alagoano George Sanguinetti por causa do livro “A morte de Isabella Nardoni – Erros e Contradições Periciais”, que ele escreveu e pretende publicar ainda este ano. A obra, que não teve a autorização da família Oliveira para ser feita, inocenta o casal Nardoni, condenado em março deste ano pela morte da menina, e diz que o assassino foi um pedófilo não identificado. O processo está em segredo.

De acordo com informações do G1, o processo entregue na segunda-feira (24) no Fórum de Santana, na Zona Norte da capital, quer impedir a publicação, divulgação e comercialização da obra literária sob a justificativa de que ela agride a memória da menina morta aos 5 anos de idade e também causa constrangimento à sua mãe. Por telefone, a advogada de Ana Oliveira, Cristina Christo Leite, confirmou à reportagem ter entrado recentemente com uma ação, mas não quis dar mais detalhes sobre ela ou comentar o assunto.

Em 87 páginas, o livro de Sanguinetti discorda da decisão dos jurados. O casal Alexandre Nadoni e Anna Carolina Jatobá, respectivamente pai e madrasta de Isabella, foi condenado a mais de 30 anos de prisão pela morte da menina. Ambos dizem ser inocentes. O texto, ao qual o G1 teve acesso, critica o trabalho dos peritos e volta a reafirmar a existência de uma “terceira pessoa”, mas, desta vez, “revela” que o criminoso é, na verdade, um pedófilo, que abusou sexualmente da garota e a matou.

Procurado pela reportagem, Sanguinetti afirmou que vai esperar ser comunicado oficialmente pela Justiça para informar quais medidas irá tomar sobre a ação que quer barrar seu livro. O autor, no entanto, diz que não quis ofender nenhum familiar da menina.

“Ainda negocio o lançamento do livro com editoras, mas garanto que não há nenhuma alusão que denigra a imagem de Isabella ou sua família. Insistirei na publicação do livro e irei para qualquer tribunal. Estou fazendo o que meu país me permite: a liberdade de expressão. Responsabilizo-me pelo que escrevi. Fiz uma análise meramente técnica de um caso de grande repercussão. E reforço que não precisava pedir aturorização da família porque é um caso público”, declarou Sanguinetti, que já chegou a ser contratado pela família Nardoni para analisar os laudos periciais sobre a morte da menina.

Ana Carolina Oliveira em diferentes momentos de carinho com a filha Isabella

Não é a primeira vez que Ana Oliveira entra com uma ação na Justiça contra um livro sobre o caso Isabella. Em junho de 2009, o gaúcho Paulo Papandreu, que também é médico, publicou “Isabella”, que apresentava outra explicação para a morte da garota: “acidente doméstico”. Segundo ele, a garota caiu sozinha do sexto andar do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo.

O livro, que exibia uma foto de Isabella, não agradou a mãe da menina. Ela entrou com uma ação contra as imagens e o conteúdo da publicação. Em outubro, uma decisão judicial proibiu a venda e determinou o recolhimento dos 10 mil exemplares. O processo, no entanto, só será concluído após a sentença. Cerca de R$ 200 mil foram pedidos de indenização. Se a causa for ganha, a mãe de Isabella disse que doará o dinheiro a uma instituição de caridade.

Precaução
Ganhador do prêmio Jabuti de literatura de 1998 pelo livro “A Morte de PC Farias: O Dossiê de Sanguinetti”, o médico alagoano disse que ainda teve a preocupação de não exibir nenhuma foto de Isabella neste novo livro que trata do caso. “Me precavi. O primeiro passo foi o de não colocar nenhuma foto de Isabella, qualquer citação da família dela ou cópia de documento original do processo. Faço linguagem técnica a partir de achados. A polícia e a perícia deveriam ter investigado uma terceira pessoa”, disse.

Imagem de livro sobre o caso Isabella mostra nudez de uma boneca

“A morte de Isabella Nardoni – Erros e Contradições Periciais” contém fotos de uma boneca para representar a menina e desenhos feitos à mão de um suspeito, apontado como o pedófilo. O restante das páginas é de cópias de documentos de pareceres que Sanguinetti já fez sobre o caso.

“Sim, quem matou Isabella foi um pedófilo. As lesões encontradas no seu órgão genital são iguais a de uma criança abusada sexualmente. Ela caindo sentada, como afirmou a perícia paulista, não teria lesões como as que ficaram em seu corpo”, afirmou Sanguinetti. Os peritos dizem que as lesões na genitália são decorrentes da queda do sexto andar.

Leia abaixo o trecho do livro no qual ele tenta reproduzir como Isabella foi morta possivelmente por um pedófilo:

“A provável e talvez única motivação para o crime, para que ela fosse jogada do 6º andar do Edifício London foi desviar o foco do atentado sexual. Para que não fossem descobertas as lesões na genitália de Isabella e também impedir o reconhecimento do pedófilo. Acredito que a menor estava adormecida na cama, quando o infrator baixou a calça e a calcinha e a vulnerou com toques impúdicos, dedos, manuseios, etc. Ela acorda e grita papai…papai…papai e para…para..para, como foi descrito por testemunhas que ouviram os gritos de Isabella, audíveis até no 1º andar e no edifício vizinho. Os depoentes que ouviram os gritos, testemunharam que foram minutos antes da precipitação. Na tentativa de silenciá-la, de ocultar a tentativa de abuso sexual, a menor é jogada para a morte. Quando iniciei meus trabalhos, relatei meus primeiros achados e divulguei: ‘procurem o pedófilo, procurem o pedófilo,’ mostrando a causa real da morte de Isabella. No prédio ou nas cercanias, havia alguém com antecedentes de pedofilia? Os que trabalharam anteriormente foram investigados sob esta ótica? Repito: ‘Procurem o pedófilo! Procurem o pedófilo.’”, escreve Sanguinetti.

Isabella Nardoni morreu no dia 29 de março de 2008. Nardoni foi sentenciado a 31 anos, 1 mês e 10 dias; Jatobá, a 26 anos e 8 meses de prisão. Os dois estão presos em Tremembé, a 147 km da capital paulista. Eles sugerem que alguém entrou no apartamento enquanto Isabella dormia sozinha e a matou. Roberto Podval, advogado do casal, entrou com pedido na Justiça pedindo a anulação do júri. A solicitação será julgada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Caso seja negada, a defesa poderá recorrer a outras instâncias superiores, como o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal.




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26/10/2008 free counters

#vergonha #PT #dilma Réus do mensalão devem escapar de condenação #lula


Crime de formação de quadrilha pode prescrever em agosto deste ano

Réus no processo que investiga o maior escândalo do governo do PT podem acabar absolvidos de uma das principais acusações sem ao menos serem julgados. Isso porque, em agosto, o crime de formação de quadrilha deve prescrever. O crime é citado mais de 50 vezes na denúncia do Ministério Público, aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os 38 réus do processo, 22 respondem por formação de quadrilha.

O esquema de compra de votos de parlamentares pelo governo federal foi descoberto em 2005 e a ação na Justiça teve início em 2006. Com a prescrição, o processo acaba esvaziado. A prescrição resulta de uma série de articulações do comando do PT e do governo federal para livrar os mensaleiros da punição.

A primeira sinalização do esvaziamento da ação foi feita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao deixar o cargo, ele disse que sua principal missão a partir de janeiro de 2011 seria mostrar que o mensalão era “uma farsa”.

Escolhas para o Supremo - Um indicativo da preocupação do governo com o desfecho do mensalão no STF foi a indicação do ministro Luiz Fux para a Corte Suprema. Numa sabatina informal com Fux, um integrante do governo perguntou como ele julgaria o processo mensalão. Fux respondeu: se houvesse provas, votaria pela condenação; se não houvesse, pela absolvição.

Até o julgamento do processo, a presidente Dilma Rousseff deverá indicar outros dois integrantes da Corte. Segundo fontes do governo, a preocupação com o julgamento do mensalão continuará a nortear a escolha dos ministros.

Um dos magistrados, José Antônio Dias Toffoli, já atuou como advogado do PT, ex-assessor da liderança do partido na Câmara e subordinado de José Dirceu na Casa Civil. Foi indicado por Lula, em setembro de 2009.

Reabilitação de mensaleiros - Enquanto isso, réus que aguardam o julgamento recuperam suas forças políticas, ocupando cargos importantes na Esplanada. O ex-deputado José Genoino, na época do escândalo presidente do PT, foi nomeado assessor especial do Ministério da Defesa pelo ministro Nelson Jobim.

O PT conseguiu eleger para a comissão mais importante da Câmara, a de Constituição e Justiça (CCJ), João Paulo Cunha (PT-SP), outro réu do mensalão.

Para além de ações políticas com intuito de enfraquecer a tese do mensalão, há empecilhos naturais numa investigação complexa que envolve 38 réus. A começar pela dificuldade de obter provas de todas as denúncias. Ministros do Supremo são unânimes ao dizer que muitos dos réus, inclusive figuras centrais, deverão ser absolvidas.

(Com Agência Estado)

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26/10/2008 free counters

Sean Richard Bianchi Carneiro Ribeiro Goldman Maria do Rosário manifesta solidariedade à OAB no caso Sean Goldman

Condições impostas

O advogado da família brasileira de SeanSean Richard Bianchi Carneiro Ribeiro Goldman , Sergio Tostes, vai divulgar uma nota oficial ainda hoje acusando o pai de impedir o contato do menino com os seus avós. Abaixo os principais trechos da carta, que lista uma série de condições impostas pela advogada americana para autorizar o encontro.:

“Goldman e seus advogados sempre estabeleceram como primeira condição para que os avós tivessem qualquer contato com Sean que eles desistissem de todas as ações judiciais em andamento no Brasil. Os avós concordaram (…) e a advogada Patricia Apy estabeleceu 8 novas condições, dentre outras:

*Os avós deveriam pagar oito preparatórias com o psicólogo, que os instruiria sobre como se comportarem com Sean. Se, depois dessas sessões, o psicólogo achasse que a visita não representaria nenhum “perigo” para Sean, a seu exclusivo critério,

*As visitas seriam autorizadas; os encontros com Sean, se e quando houvessem, seriam na presença do psicólogo e somente poderiam falar em inglês.

*Um tradutor estaria presente para a eventualidade de alguma palavra ser dita em português;

*Os avós jamais falariam sobre situações que recordasse Sean de sua vida no Brasil; nenhuma outra pessoa, além dos avós, nem mesmo sua irmã Chiara, poderia visitar Sean;

*A seu exclusivo critério, Goldman poderia interromper a visitação, a qualquer momento;
Nenhum presente poderia ser dado a Sean, sem a antecedente aprovação de Goldman;

*Os passaportes dos avós maternos deveriam ficar retidos pela autoridade judicial durante toda a sua permanência nos Estados Unidos;

*O pagamento antecipado e imediato de U$S 204.890,62 (duzentos e quatro mil, oitocentos e noventa dólares e sessenta e dois centavos) a advogada Patricia Apy e ao próprio David Goldman.”

Por Lauro Jardim

Plantão | Publicada em 25/03/2011 às 16h39m

O Globo

BRASÍLIA - A ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da presidência da República, Maria do Rosário Nunes, telefonou nesta sexta-feira para o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, para manifestar solidariedade à entidade. A ministra declarou seu apoio à postura da entidade, que solicitou a presidente Dilma Rousseff que intercedesse junto ao presidente americano, Barack Obama, para viabilizar que os avós maternos e a irmã do menino Sean Sean Richard Bianchi Carneiro Ribeiro Goldman que vive nos EUA, pudessem visitá-lo.

A OAB foi criticada pela Fundação 'Bring Sean Home' (Tragam Sean paraCasa), por ter solicitado a presidente que intercedesse junto ao presidente americano. A fundação, criada por amigos do norte-americano David Goldman, pai biológico do menino Sean, publicou severas críticas à OAB em seu site.

Sean Goldman foi alvo de disputa desde que sua mãe, a brasileira Bruna Bianchi, o trouxe para o Brasil sem a permissão de David Goldman, em 2004. Bruna morreu em 2008 e o Supremo Tribunal Federal concedeu liminar para que Sean voltasse aos EUA para viver com o pai.



OAB rebate críticas feitas por fundação de amigos do pai de Sean Goldman

Presidente da entidade diz que 'conceito de direitos humanos da ONG é similar ao do presídio de Guantánamo'

25 de março de 2011 | 14h 15
Marília Lopes - Central de Notícias

SÃO PAULO - O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante Junior, rebateu nesta sexta-feira, 25, as críticas feitas pela Bring Sean Home Foundation (Fundação Tragam Sean para Casa, em tradução livre), criada por amigos de David Goldman, pai do garoto. Em nota, Ophir afirmou que "o conceito de direitos humanos dessa fundação é similar ao que se pratica em Guantánamo ou ao destinados aos presos cubanos nos Estados Unidos, ou ainda aos de civis mortos em guerras no Oriente Médio."

Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE
Sean, ao lado do padrasto, ao deixar o Brasil em 2009

Ontem, a BSHF divulgou uma carta em seu site criticando Ophir, que na semana passada pediu que a presidente Dilma Rousseff intercedesse sobre o caso junto ao presidente americano Barack Obama para que os avós maternos pudessem visitar Sean nos Estados Unidos, onde vive com o pai desde dezembro de 2009.

Ophir afirmou que a OAB não defendeu a família brasileira, uma vez que já houve uma decisão judicial sobre o caso, mas que a entidade acredita que, independentemente de onde esteja o menor, é necessário que os familiares possam exercer o seu direito de visitação livremente, sem precisar se submeter a regras ou imposições.

Polêmica. A Fundação encaminhou uma carta a Ophir em que afirma que a Justiça de Nova Jersey não proibiu a visitação dos avós maternos, apenas estabeleceu condições, aceitas por David Goldman para que isso aconteça. De acordo com a carta, quando as condições forem aceitas pela família brasileira de Sean, a avó poderá visitar Sean.

As condições apresentadas pela defesa de Goldman foram de que todas as ações judiciais em trâmite no Brasil contestando o retorno do menor aos EUA fossem encerradas; que os avós maternos se consultassem por período determinado de tempo com o psicólogo do menor nos EUA, que, em conjunto com as partes, definiria a frequência e duração das visitas; e que a visitação não fosse exposta à imprensa e que fosse mantida a confidencialidade de todas as comunicações trocadas entre os participantes da visita.

A carta ressalta que "mesmo sabendo que os avós maternos poderão visitar Sean desde que cumpram com as condições justas e razoáveis", o presidente da OAB, pediu a Dilma, que interviesse junto a Obama.

Na semana passada, em razão da visita de Obama ao Brasil, Ophir divulgou uma carta, direcionada a presidente Dilma. Ele afirmou que as dificuldades expostas pela justiça americana para permitir a visitação dos avós maternos caracterizam uma violação aos preceitos e normas relativas aos direitos humanos.

Sean Goldman é filho da estilista brasileira Bruna Bianchi, morta em agosto de 2008, com o americano David Goldman. Ele veio para o Brasil aos 4 anos, passar férias com a mãe. Aqui, Bruna decidiu se separar do pai do garoto e não retornar aos EUA. Goldman entrou com processo por sequestro internacional de crianças, com base na Convenção de Haia. Após a morte de Bruna, os pais dela e seu segundo marido passaram a requerer a guarda de Sean. Em dezembro de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o garoto deveria retornar aos EUA para viver com o pai.

ÍNTEGRA DA NOTA DE OPHIR

"A OAB não ingressa no mérito da questão, que já se encontra judicializada e em momento nenhum está defendendo família A ou a B, o direito do pai biológico ou pai do brasileiro. O que a Ordem defende é que a família de Sean Goldman no Brasil, com quem o menor passou toda a sua infância, possa ter contato com ele. A crítica feita pela fundação à OAB é injusta, desmedida e reflete um preconceito em relação à defesa dos direitos humanos. Nos parece que o conceito de direitos humanos dessa fundação é similar aos direitos humanos que se pratica em Guantánamo ou aos destinados aos presos cubanos nos Estados Unidos, ou ainda aos de civis mortos em guerras no Oriente Médio. A Ordem sempre defendeu e defende a instituição família. Para á entidade, é necessário que, independentemente de onde esteja o menor, os familiares possam exercer o seu direito de visitação livremente, sem ter que se submeter a regras ou imposições desarrazoadas que visam a impedir que haja um simples contato entre a família brasileira e o menor, que, atualmente, vive nos Estados Unidos".


Polêmica judicial: Como vive Sean Bianchi Goldman

Sean posa com uma réplica da taça da Copa do Mundo, com o padrasto e a mãe, em foto da época do mundial de futebol de 2006
Sean Bianchi é um menino bonito, esperto e amoroso, com quase nove anos de idade e dupla nacionalidade: brasileira e americana. Nasceu em Nova Jersey, EUA, mas vive desde os quatro anos no Rio de Janeiro. Não desgruda da nonna (avó, em italiano), anda enganchado nela. Ambos são bronzeados, de cabelos e olhos castanhos. Orgulha-se de ser craque no basquete e "bamba" em Matemática e redação. Não gosta de estudar História. Quando consegue ficar parado, tem mania de mexer nas medalhinhas de seu cordão: uma tem a imagem de Iemanjá; outra, a inscrição Agnus Dei ("cordeiro de Deus" em latim); a terceira, um trevo de quatro folhas; e a maior, fina e delicada, o rosto da mãe.

Sean perdeu a mãe tragicamente, em agosto do ano passado: Bruna, estilista carioca, morreu aos 33 anos, ao dar à luz Chiara. Desde então, Sean consulta uma psicóloga uma vez por semana. Vive em um apartamento de 250 metros quadrados em um condomínio de luxo no Jardim Botânico, junto à Lagoa, no Rio de Janeiro, com varandão, plantas, obras de arte e tapetes antigos.

Mora com uma grande família: os avós maternos, Silvana e Raimundo, um tio que é quase um irmão mais velho, Luca Bianchi – ator, surfista e peso-pena faixa-preta de jiu-jitsu. Divide o quarto com o padrasto, a quem chama de pai, João Paulo Lins e Silva. Na verdade, Sean começa seu sono toda noite na cama de casal da avó, e depois João Paulo o encaminha, quase sonâmbulo, para o quarto colorido, com painéis de elefantes e outros bichos na parede. Não dá mais para carregá-lo nos braços, como antes.

Jogos medievais no computador e vários esportes, conjugados com o surfe de fim de semana na Praia Rasa em Búzios, compõem a vida de Sean. Além das broncas que leva quando deixa roupas no chão do quarto, Sean é acompanhado nos deveres de casa por uma família que diz querer, acima de tudo, seu bem-estar. Tem sorte. É evidente, para quem passa o dia na casa, que ele se sente amparado mas não mimado, e que preferiria continuar anônimo. Até a mãe morrer, ele era apenas "Shan", "Sam", "Shon", um garoto popular entre os amigos, mas com nome esquisito.

Se tivesse de superar apenas a perda prematura da mãe, Sean Richard Bianchi Carneiro Ribeiro Goldman (seu nome completo) seria um menino privilegiado. Mas ele está no centro de uma disputa judicial rancorosa entre duas famílias – e entre dois países, o Brasil e os Estados Unidos. Uma briga que transcendeu as paredes do lar e se tornou um imbróglio diplomático, um circo internacional, com o rosto de Sean e imagens de seu passado estampados na internet pelo pai biológico, o ex-modelo David Goldman, hoje sócio de uma empresa náutica que organiza passeios.

Segundo a versão do padrasto, dos avós e do tio de Sean, o pai biológico, David Goldman, se empenhou, desde a morte de Bruna, numa "campanha de calúnias" contra a família brasileira.

A família brasileira afirma que David Goldman falsificou a assinatura de Bruna em alguns cheques que ela deixou nos Estados Unidos. Na imagem, acima, a letra da brasileira segundo a família...

... enquanto essa é a supostamente falsa.

A família disse que Bruna não premeditou a vinda definitiva dela para o Brasil. Em férias, no Rio de Janeiro, com o filho, em 2004, ela teria se dado conta de que era tão infeliz no casamento que não adiantava voltar para Nova Jersey. O casamento teria desmoronado, segundo Bruna, por um conjunto de razões: o sexo tinha praticamente acabado, era ela quem sustentava a casa, trabalhava demais, não tinha como crescer profissionalmente, se sentia sozinha. E também porque as brigas eram constantes com o marido - de acordo com o relato de Bruna aos parentes, ele às vezes esmurrava móveis e paredes. Por tudo isso, Bruna teria telefonado pedindo o divórcio. Ela teria pedido também a Goldman que viesse ao Brasil para que discutissem e chegassem a um acordo amigável sobre Sean.

Depois da separação do casal, Goldman abriu um processo contra a ex-mulher e os ex-sogros por sequestro e violação da Convenção de Haia – que dispõe sobre as crianças levadas de um país para outro. Durante quatro anos, o pai biológico abriu mão de ver o filho para sustentar suas acusações.

A família brasileira afirma que se ofereceu para pagar a vinda de Goldman ao Brasil para visitar o filho. Segundo a família, essa nunca foi uma opção para Goldman. O pai seguiu a orientação de seus advogados de nunca visitar ou ver o filho, porque sua denúncia de sequestro seria enfraquecida e poderia ser contestada juridicamente. E assim foi por mais de quatro anos.

Apenas depois da morte da mãe de Sean, no ano passado, Goldman decidiu ver Sean. E teria aparecido na porta do condomínio onde o filho vive, em companhia de agentes da Polícia Federal brasileira, funcionários do consulado americano e uma equipe da rede de televisão americana NBC. Os policiais revistaram o apartamento mas o menino não foi encontrado. Passava o feriado em Angra dos Reis com o padrasto e amigos. Mas no mês passado, Goldman e Sean se encontraram por dois dias seguidos, com o consentimento do padrasto e dos avós maternos.

Segundo a versão da família brasileira, o pai biológico de Sean teria pedido US$ 500 mil (R$ 1,2 milhão) – o que Goldman nega – para tirar o nome dos avós como "co-autores" do sequestro do menino. O acordo acabou sendo fechado em US$ 150 mil (R$ 360 mil). ÉPOCA

Advogados de família brasileira de Sean reafirmam que pai impediu visitação dos avós do Brasil

O Globo

RIO - Um dia após os advogados de David Goldman, pai do menino Sean, afirmarem que ele nunca teria se oposto à visita dos avós maternos do menino, foi a vez de os defensores da família brasileira responderem às afirmações. Segundo o especialista Sergio Tostes, em nota divulgada à imprensa, o pai impediu de todas as formas a visitação dos avós brasileiros, afirmando veementemente perante a Justiça de Nova Jersey que o encontro de Sean Richard Bianchi Carneiro Ribeiro Goldman com seus avós colocaria em risco a estabilidade emocional do menino. "A mentira dos advogados do Sr. David Goldman pode ser constatada por quem quer que acesse a decisão judicial pela internet", diz o comunicado.

Em relação às visitas, segundo os advogados da família brasileira, as afirmações feitas pelo pai de Sean no processo em Nova Jersey sempre foram desrespeitosas às instituiçõesdo Brasil e tornaram totalmente inviável a liberdade de comunicação entre os avós e o neto. Em uma "tentativa desesperada de ver o neto" em setembro de 2010, segundo a nota, os avós concordaram com duas condições impostas: desistiriam das ações no Brasil e aceitariam ter reuniões com o psicólogo americano de Sean, em preparação para a visita a Sean.

David e Sean Goldman. Foto: reprodução internet

A advogada Patricia Apy estabeleceu novas condições para o caso, como a que os avós deveriam pagar oito sessões preparatórias com o psicólogo, que os instruiria sobre como se comportarem com Sean. Se, depois dessas sessões, o psicólogo achasse que a visita não representaria nenhum "perigo" para Sean, a seu exclusivo critério, as visitas seriam autorizadas. Os encontros seriam na presença do psicólogo e somente poderiam falar em inglês e um tradutor estaria presente para a eventualidade de alguma palavra ser dita em português. Além disso, os avós jamais falariam qualquer coisa sobre situações que recordassem Sean de sua vida no Brasil. Nenhuma outra pessoa, além dos avós, nem mesmo sua irmã Chiara, poderia visitar Sean e o pai poderia interromper a visitação, a qualquer momento. Outras condições foram que nenhum presente poderia ser dado a Sean, sem a antecedente aprovação do pai; os passaportes dos avós maternos deveriam ficar retidos pela autoridade judicial durante toda a sua permanência nos Estados Unidos; e deveria ser dado o pagamento antecipado e imediato de US$ 204.890,62 à advogada Patricia Apy e ao próprio David Goldman.

Sobre a morte do avô materno do menino, os advogados apontaram que "a comunicação foi tratada de forma desumana e indecorosa por parte de Goldman e sua advogada". A defesa afirmou que o estado terminal de saúde foi encaminhado à Corte de Nova Jersey em fevereiro, "antes de o juiz proibir que Sean sequer visse seus avós". Com o agravamento do estado de saúde de Raimundo Carneiro Ribeiro, foi feita uma solicitação para que o menino fosse informado e que fosse possibilitado um encontro entre o avô e o neto. Eles teriam sugerido um encontro com os seus avós em um país próximo ao Brasil, "o que representa deboche aos mais comezinhos princípios de respeito humano, pois o Sr. Carneiro Ribeiro estava internado em uma Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Copa D’Or no Rio de Janeiro, sem nenhuma condição de qualquer deslocamento".

A defesa da família brasileira reafirmou que recebeu informações de fontes fidedignas de que Sean está sofrendo de obesidade mórbida, e lançou o desafio aos advogados que ponham Sean em contato com seus parentes brasileiros, como única forma de provar que Sean não está sendo sujeito a maus tratos físicos e psicológicos. Os advogados do pai do menino haviam negado a informação.

De acordo com os advogados, não há nenhuma decisão definitiva da Justiça Brasileira sobre a autorização judicial que determinou a viagem de Sean para os Estados Unidos, em dezembro de 2009. A matéria está sob exame pelo Superior Tribunal de Justiça e caso a decisão que determinou a viagem de Sean seja reformada, segundo eles, o menino deverá ser devolvido imediatamente ao Brasil. Eles afirmaram ainda que Goldman e seus advogados encobriram a verdade sobre os procedimentos no Brasil.

No comunicado, eles apontaram que a decisão do ministro Gilmar Mendes de entregar Sean ao Consulado Americano é "questionável" e apenas suspendeu uma liminar que determinava a permanência de Sean no Brasil até que o menino pudesse manifestar sua vontade.

De acordo com os advogados da família brasileira, Sean não fala com os parentes desde que foi entregue ao pai, em 24 de dezembro de 2009. A avó materna do menino, Silvana Bianchi, disse na terça-feira que ainda aguarda a intervenção do governo brasileiro no caso. Em entrevista ela chegou a afirmar que o neto vive em cárcere privado.

OAB/RJ diz que dirigentes de Fundação americana são arrogantes, prepotentes e insensíveis

O presidente da OAB/RJ, Wadih Damous, afirmou nesta sexta-feira que são “arrogantes, prepotentes e insensíveis” os dirigentes da Bring Sean Home Foundation (Fundação Tragam Sean para Casa) que criticaram a entidade brasileira por ter solicitado o apoio da presidente Dilma Rousseff no caso envolvendo o menino Sean Goldman. Para Damous, os dirigentes da Fundação americana fizeram declarações “estapafúrdias e inconveninentes”.

A ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da presidência da República, Maria do Rosário Nunes, telefonou nesta sexta-feira para o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, para manifestar solidariedade à

entidade. A ministra declarou apoio à postura tomada.

Sexta-feira, 25 de março de 2011 - 12h39 Última atualização, 25/03/2011 - 12h39

Governo brasileiro deve intervir no caso do menino Sean, diz Bergamo

Da BandNews FM

mundo@eband.com.br

Sobe a temperatura mais uma vez na disputa entre as duas famílias que brigam pela guarda do menino Sean Sean Richard Bianchi Carneiro Ribeiro Goldman Segundo a colunista da BandNews FM Mônica Bergamo, há sinais de que o governo deve se envolver mais diretamente nessa questão.

De acordo com um diplomata ouvido por Bergamo, a representação do governo brasileiro em Nova Iorque retomou as consultas consulares para acompanhar o andamento do processo e tentar fazer valer o direito de visita da família brasileira.

Os advogados do pai do menino dizem que jamais proibiram as visitas, apenas impuseram condições para que elas ocorressem.

Já a defesa da família brasileira considera absurdas as exigências, que devem ser detalhadas publicamente nos próximos dias.

Sean foi levado pelo pai em dezembro de 2009, por determinação judicial que lhe devolveu a guarda do menino. No Brasil, ele vivia com o pai adotivo e a irmã, Chiara. Sua mãe, Bruna Bianchi, casou-se com David nos Estados Unidos e, em 2004, trouxe Sean para passar férias no Brasil. Ela se separou de David e casou-se novamente. Em 2008, Bruna morreu depois do parto em que teve Chiara.




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26/10/2008 free counters

Japan’s Government Bonds Decline on Bets Reconstruction Will Boost Growth



Japan’s bonds fell for a second day on speculation rebuilding efforts in the wake of the March 11 earthquake will boost the economy and worsen the nation’s fiscal situation.

Benchmark 10-year yields rose as Prime Minister Naoto Kan has said he’s considering setting up a reconstruction agency. Bonds also fell as the yen weakened against the dollar, boosting the earnings outlook for Japan’s exporters.

“Expectations are rising about rebuilding efforts and their effects on the economy,” said Makoto Noji, a senior debt and foreign-exchange strategist at Nikko Cordial Securities Inc. in Tokyo. Yields below 1.25 percent “seem to be rather low.”

The yield on the 1.3 percent bond due March 2021 rose 1.5 basis points to 1.235 percent as of 1:09 p.m. in Tokyo at Japan Bond Trading Co., the nation’s largest interdealer debt broker. The price fell 0.135 yen to 100.576 yen.

Ten-year yields have fallen two basis points this month. A basis point is 0.01 percentage point.

Ten-year bond futures for June delivery declined 0.14 to 139.66 at the Tokyo Stock Exchange. Japan’s government bonds have handed investors a loss of 0.4 percent this quarter, according to an index compiled by Merrill Lynch & Co.

The yen fell 0.5 percent to 81.77 per dollar.

To contact the reporter on this story: Yoshiaki Nohara in Tokyo at ynohara1@bloomberg.net

To contact the editor responsible for this story: Nicholas Reynolds at nreynolds2@bloomberg.net


Market Snapshot

  • U.S.
  • Europe
  • Asia
Ticker Price Price Delta
Dow 12220.60 +50.03 (0.41%)
S&P 500 1313.80 +4.14 (0.32%)
Nasdaq 2743.06 +6.64 (0.24%)
Ticker Price Price Delta
STOXX 50 2911.33 +1.55 (0.05%)
FTSE 100 5900.76 +19.89 (0.34%)
DAX 6946.36 +12.78 (0.18%)
Ticker Price Price Delta
Nikkei 9416.44 -119.69 (-1.26%)
TOPIX 851.65 -5.73 (-0.67%)
Hang Seng 22990.80 -167.85 (-0.72%)
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26/10/2008 free counters

URGENT: Radioactive water at No. 2 reactor due to partial meltdown: Edano


TOKYO, March 28, Kyodo

The government believes highly radioactive water detected at the No. 2 reactor of the Fukushima Daiichi nuclear power plant is due to a partial meltdown of fuel rods there, its top spokesman said Monday.

Chief Cabinet Secretary Yukio Edano told a news conference that the government believes that the meltdown was only temporary.

==Kyodo







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26/10/2008 free counters

Estação Butantã do metrô de SP abre nesta segunda-feira


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DE SÃO PAULO

Será inaugurada nesta segunda-feira (28) a estação Butantã da linha 4-amarela do metrô paulistano.

Nova estação abre corrida imobiliária no Butantã
Estação Butantã terá linha direta para USP
Governo estuda implantar bilhete único metropolitano

De acordo com o Metrô, inicialmente a estação vai funcionar das 8h às 15h, apenas de segunda à sexta, incluindo feriados, para a realização de testes.

Inaugurada em maio de 2010, a linha 4 funciona hoje apenas entre as estações Paulista e Faria Lima. Com a nova estação, a linha vai alcançar 5,2 km --quando completa, ela terá 12,8 km.

Pelos cálculos do metrô, a nova estação vai permitir um ganho de 23 minutos no trajeto entre as avenidas Vital Brasil e Paulista, considerando o tempo de viagem informado pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) a partir de velocidade média do trânsito nos horários de pico.

Anexo à estação Butantã vai funcionar um terminal de ônibus. A SPTrans, responsável pelo transporte municipal, vai implantar duas linhas : a primeira, chamada Butantã-USP, fará a ligação entre o metrô e a Cidade Universitária. A segunda, batizada de Butantã-Luz, circulará pelo corredor da avenida Rebouças com destino à estação da Luz.


Juca Varella-18.mar.11/Folhapress
Funcionárias limpam portas da estação Butantã, que se abrem simultaneamente com as do trem
Funcionárias limpam portas de plataforma da estação Butantã, que se abrem simultaneamente com as do trem

PINHEIROS

Oficialmente, o governo mantinha a metade do ano como prazo para abrir as duas próximas estações da linha --Butantã e Pinheiros--, mas a Folha apurou que a empresa queria antecipar as entregas.

Em fevereiro, o Metrô obteve a licença ambiental da Cetesb (companhia ambiental do Estado) para operar as duas estações.

A meta extraoficial é inaugurar a estação Pinheiros --polêmica pela abertura da cratera em 2007-- até abril, e o funcionamento para horários de pico até junho.

As estações Luz (que fará integração com a linha 1-azul) e República (integrada com a 3-vermelha) serão concluídas só no segundo semestre.







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26/10/2008 free counters

Japão cancela alerta de tsunami emitido após novo tremor


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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Tragédia no Japão A Agência Meteorológica do Japão cancelou às 9h05 de segunda-feira locais (21h05 de domingo em Brasília) o alerta de tsunami emitido mais cedo, após um terremoto de magnitude 6,5 ter atingido a região nordeste do país, devastada pelo tremor seguido de tsunami do dia 11 de março.

Veja galeria de fotos da tragédia no Japão

A agência de notícias Kyodo informou mais cedo que o alerta foi anunciado às 7h24 da segunda-feira locais (19h24 de domingo em Brasília), pouco após o terremoto ter atingido o país.

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), que monitora tremores em todo o planeta, o terremoto ocorreu a uma profundidade de apenas 5,9 km, próximo à costa de Honshu, 161 km ao leste de Fukushima, local que abriga a usina nuclear de Fukushima Nº1 e 368 km ao norte de Tóquio.

Até o momento não houve relato de danos ou vítimas.

O governo japonês alertara para o risco de que ondas de até meio metro atingissem a região de Miyagi, uma das mais destruídas pelo tremor seguido de tsunami que devastou o nordeste do país no dia 11 de março.

Embora tenha colocado as autoridades locais de prontidão, a Agência Meteorológica do Japão especificou que o alerta dizia respeito a um "pequeno" tsunami, com ondas de no máximo meio metro de altura, e não a fenômenos com ondas de um ou até dois metros, com maior poder de devastação.

O Centro de Alertas de Tsunami dos EUA no Pacífico disse que o alerta foi limitado ao Japão, e que as possíveis ondas não devem chegar ao Havaí ou à costa oeste dos Estados Unidos.

CRISE PODE DURAR ANOS

Mais cedo, após relatos controversos sobre o nível de radiação na água do mar em torno da usina de Fukushima, as autoridades japonesas informaram uma elevação de ao menos 100 mil vezes no reator 2 e 1.850 vezes nas águas. A constatação levou o governo a interromper as operações de reparo no local, afetado pelo terremoto seguido de tsunami. A direção da empresa que opera a usina disse que a crise nuclear pode levar "anos".

De acordo com especialistas, mesmo antes de a Tokyo Electric Power Company (Tepco), empresa que opera a usina nuclear, averiguar o controverso dado do aumento de 10 milhões de vezes, agora refutado, os números confirmados no fim de semana já são alarmantes.


Reuters/Kyodo
Vice-presidente da Tepco, empresa que opera a usina no Japão, disse que a crise nuclear pode durar anos
Vice-presidente da Tepco, empresa que opera a usina no Japão, disse que a crise nuclear pode durar anos

"É muito preocupante. Há algo seriamente errado [com o reator 2]", disse Rianne Teule, uma especialista em energia nuclear do grupo ambientalista Greenpeace baseada na África do Sul.

Os dados do fim de semana, que elevaram ainda o número de mortos para ao menos 10.668, assim como a aparição de um resignado e pessimista premiê frente à população, levaram a Tepco a assumir que há incertezas na operação.

"Infelizmente nós não temos um cronograma concreto no momento que nos permita dizer em quantos meses ou anos [a crise chegará ao fim]", disse o vice-presidente da empresa, Sakae Muto.

AUMENTO DE RADIAÇÃO PREJUDICA OPERAÇÕES

O alto nível de material radioativo medido neste domingo em uma camada d'água que vazou do reator 2 da usina de Fukushima, no nordeste do Japão, levou as autoridades a interromperem as operações e retirarem os técnicos do local, anunciou a agência de notícias Jiji.

O nível detectado na água do subsolo da sala da turbina que fica atrás do reator é de 1.000 milisieverts por hora, explicou um porta-voz da Tepco.


Christian Slund/Reuters/Greenpeace
Técnicos do Greenpeace avaliam danos e monitoram níveis de radiação na vila de Ititate, próxima à usina
Técnicos do Greenpeace avaliam danos e monitoram níveis de radiação na vila de Ititate, próxima à usina

Depois de anunciar, num primeiro momento, que este número era "10 milhões de vezes superior" ao tolerável, a Tepco convocou uma entrevista coletiva urgente para admitir que havia se equivocado, indicando ter confundido os elementos radioativos analisados.

A Tepco confirmou o nível de "1.000 milisieverts por hora".

Isto significa que o combustível no núcleo do reator provavelmente sofreu danos durante um princípio de fusão, provocado logo depois do terremoto seguido de tsunami do dia 11 de março, que danificou a central de Fukushima.

"Detectamos nas amostras de água taxas elevadas de césio e outras substâncias que geralmente não são encontradas na água do reator. Existe uma forte chance de que as barras de combustível tenham sido danificadas", advertiu a operadora.

AIEA ALERTA PARA CRISE

Um dia após um pronunciamento do premiê do Japão, Naoto Kan, admitindo que o desastre nuclear no país é "grave" e está "longe de ser solucionado", o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, também reiterou que a crise está "longe do fim" e ordenou o envio de duas novas equipes ao país.

Numa entrevista ao "The New York Times", Amano alertou para uma situação de emergência que pode durar semanas, senão meses.

Ele disse ainda que as autoridades japonesas ainda não têm certeza do sucesso das estratégias usadas para resfriar os reatores da usina de Fukushima Nº1, mas que vê como "sinais positivos" o fato de o país ter reconectado a energia elétrica a partes das instalações.


Reuters
Imagens divulgadas pelo governo japonês mostram o estado do reator 4 na usina nuclear de Fukushima
Imagens divulgadas pelo governo japonês mostram o estado do reator 4 na usina nuclear de Fukushima

Embora tenha evitado tecer críticas diretas ao governo, o ex-diplomata japonês disse ao jornal americano que "mais esforços deveriam ser feitos para colocar um fim ao acidente".

Amano disse ainda que a maior preocupação no momento é de que os sistemas de resfriamento sejam reparados ao mesmo tempo em que grandes quantias de água são injetadas na usina. Caso estes sistemas não sejam consertados, mesmo com o acréscimo de água "as temperaturas vão subir", disse.






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