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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Lula sacrifica o PT em nome de palanques para Dilma nos estados


1 de abril de 2010

Por Augusto Nunes

"O presidente Lula está cuidando pessoalmente dos palanques estaduais porque tem um extraordinário instinto político", repetiu nesta quarta-feira o gaúcho Tarso Genro, que deixou há dias o Ministério da Justiça para disputar pelo PT o governo do Rio Grande do Sul. Tem mesmo, confirma o quadro eleitoral desenhado pela desincompatibilização de governadores e ministros. Mas está subordinada ao instinto de sobrevivência de Lula, e atende não aos interesses do PT, mas do chefe único e incontestado.


Nenhuma das trocas de guarda ocorridas nos Estados foi surpreendente. Mas só agora se pode contemplar com nitidez a paisagem em seu conjunto. Muitos matizes e detalhes comprovam que Lula procurou retocá-la de modo a favorecer seu projeto, começando por acertos que facilitam a vida de Dilma Rousseff. Em alguns Estados, março começou com brigas domésticas entre pré-candidatos de dois ou três partidos governistas. A visão oferecida pelo último dia do mês informa que, confrontado com impasses do gênero, Lula afastou da corrida o parceiro petista.

Decidido a eleger a sucessora que escolheu, o comandante supremo preservou a aliança nacional sempre à custa de sacrifícios de algum companheiro. Só os que disputam a reeleição para o governo ─ como o sergipano Marcelo Deda e o baiano Jacques Wagner ─ mereceram o status de candidato natural e se livraram de solicitar a permissão sistematicamente negada.

O ministro Patrus Ananias e o prefeito Fernando Pimentel, por exemplo, adiaram o sonho de governar Minas Gerais para abrir passagem à candidatura do agora ex-ministro Hélio Costa, do PMDB, abençoado por Lula pelo bom desempenho nas pesquisas de opinião. Tarso Genro driblou o sinal vermelho antecipando o lançamento da candidatura sem consultas nem avisos prévios.

Lula não gostou do gesto desafiador, comprova a mensagem do presidente apresentada aos convivas do aniversário do ex-ministro. "Eu e o Tarso divergimos em muitas coisas", disse o presidente agigantado pelo telão. Uma delas certamente é a rejeição, por parte do PT gaúcho, da ideia de negociar algum acordo com José Fogaça, que deixou a prefeitura de Porto Alegre para disputar o governo estadual pelo PMDB.

Tarso terá de esforçar-se para convencer o campeão de popularidade a consumir energias na corrida gaúcha. Pode contar com Dilma Rousseff. Mas a candidata está pronta para aparecer no palanque de Fogaça se for convidada. E Lula? Dependendo da curva desenhada pelas próximas pesquisas, Fogaça poderá contar também com o homem que, para Tarso Genro, tem um instinto político admirável.






LAST





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