O presidente brasileiro fechou um contrato de cooperação com o governo chileno para transferir para a candidata petista
Nelito fernandes
Nelito Fernandes Repórter da sucursal Rio de ÉPOCA, escritor, autor teatral e roteirista da TV Globo. Nesta coluna tenta misturar humor e opinião comentando o noticiário, embora admita que na maioria das vezes é difícil manter o humor
O PT iniciou uma ofensiva final para levar Dilma Rousseff à presidência. O presidente Lula fechou ontem um contrato de cooperação com o governo chileno para transferir tecnologia para a candidata petisca. Pelo acordo, o Chile fornecerá o know how usado no resgate dos mineiros para içar a petisca. "Eles demonstraram que sabem fazer qualquer um subir", disse um dos coordenadores da campanha.
No front tucano, Serra também corre atrás do prejuízo. No primeiro turno ele disse que Dilma usou um topete só para humilhá-lo. Agora, Serra convocou Itamar Franco para a coordenação capilar. "Topete por topete, o do Itamar é maior". Aécio disse que em Minas Serra está garantido. "Aqui entre os mineiros ninguém precisa de resgate", afirmou Aécio. Na zona de rebaixamento, os torcedores do Atlético Mineiro discordaram.
A agressividade de Dilma no primeiro debate do Segundo Turno deixou os tucanos surpresos. Nos bastidores, comenta-se que ela foi treinada para o embate por Dado Dolabella. O núcleo petista estuda uma atitude drástica caso a candidata não reaja nas pesquisas: ela cortaria o dedo para ficar mais parecida com Lula.
(Esta notícia é fictícia e tem caráter meramente humorístico.) (Nelito Fernandes escreve aos domingos)
O empresário Amilcare Dallevo, dono da RedeTV!, está em fase de finalização da construção daquela que pode ser a maior casa do Brasil. O imóvel terá 17 mil metros quadrados de área construída – medida superior à de um campo de futebol --, segundo informou ao iG Gente um prestador de serviços de Dallevo que vem acompanhando o dia a dia da obra.
A casa terá dois blocos, um de frente para o outro, com um jardim no meio. Há também uma passagem subterrânea ligando as duas alas. A ideia era inaugurar a casa com uma festa no aniversário de Amilcare, no dia 25 de novembro, porém as obras estão um pouco atrasadas.
Para se ter uma ideia da grandeza da nova casa do empresário, as maiores construções do Brasil têm por volta de 2.000 metros quadrados de área construída. Mas há exceções, claro, como a do basnqueiro Joseph Safra, no Morumbi, com 11 mil metros quadrados. A residência de Amilcare tem proporções dignas das mansões dos astros de cinema de Hollywood e está localizada próxima à portaria do Residencial Alphaville 9, um condomínio de luxo nas cercanias de São Paulo.
Sabe-se pouco sobre a nova casa de Amilcare e da mulher, Daniela Albuquerque. Procurado pela reportagem, e informado de que o iG falaria das dimensões de seu novo imóvel, o empresário preferiu não se pronunciar sobre o assunto. E a apresentadora, quando perguntada sobre as obras, e apresentada ao número de 17 mil metros quadrados, em entrevista exclusiva ao iG Gente, confirmou a construção da casa, não fez comentário sobre o tamanho, e mudou de assunto...
Google Earth
Imagem de satélite da obra, ainda no início
DUAS PISCINAS E DOIS HELIPONTOS
Segundo o depoimento de funcionários envolvidos na construção do casarão, seus números são superlativos: duas piscinas, uma interna, aquecida, e outra na área externa; 18 quartos e 14 banheiros, e um cinema com capacidade para 50 pessoas. O imóvel possui dois helipontos -- um deles, de caráter bem íntimo, está ligado à suíte do casal.
No terreno, já está instalado há algum tempo um heliponto utilizado frequentemente pelo empresário. O imóvel localiza-se ao lado da TecNet, empresa de propriedade de Amilcare especializada em tecnologia da informação. “Ele vem aqui quase todos os dias de manhã ver as coisas. A mulher dele vem bem menos”, declarou um dos funcionários do local. Sem desabilitar o primeiro heliponto, Amilcare mandou construir o segundo.
Isabelle Mani
Lateral do casarão; e, à direita, detalhe da construção provisória erguida para abrigar os operários
PROJETO DE NIEMEYER REJEITADO
Até baterem o martelo, Amilcare e Daniela alteraram o projeto algumas vezes e até recusaram uma proposta encomendada ao arquiteto Oscar Niemeyer. Segundo pessoas ligadas à família Dallevo, o projeto desagradou Daniela pelo seu tom modernista, de concreto armado. A opção foi por uma casa mais clássica.“Temos um arquiteto, mas a gente que decide tudo, ele só desenha. É tudo do nosso jeito. Para trabalhar com a gente é assim”, disse Daniela ao iG Gente, em agosto.
A construção da casa e o sobe-desce do helicóptero de Amilcare no terreno têm chamado a atenção da vizinhança. Dando, inclusive, margem a especulações fantásticas, como a que circula na prefeitura de Santana do Parnaíba, onde funcionários garantiram à nossa reportagem que o imóvel terá 43 quartos.
Isabelle Mani
O prédio redondo da TecNet, empresa de Amilcare, fica próximo à área onde se situará o jardim da casa
Se a família não crescer, a casa será ocupada pelo casal e seus três cachorros: dois pastores alemães e um diminuto yorkshire chamado Smart.
Isabelle Mani
Para chegar ao local de carro, o caminho é esta estrada à direita, de aproximadamente 300 metros
Fernanda Bompan SÃO PAULO - Em seu último ano de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve deixar para seu sucessor uma dívida com os bancos muito maior que a registrada ao final de 2009. Segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC), em agosto, a dívida bancária federal estava em R$ 3,869 bilhões, contra R$ 2,219 bilhões em dezembro de 2009, uma alta de 74,36%. Para especialistas, a principal consequência para as contas públicas é que, mantidos os altos gastos, o governo tende a continuar sua dependência dos bancos a fim de financiar o endividamento.
O professor da Escola de Negócios e Direito da Anhembi Morumbi, Marcello Gonella, explica que a relação entre banco e governo é "interdependente", isto é, o banco precisa emprestar e com o governo o retorno é mais lucrativo por conta dos altos juros (a taxa básica de juros, Selic, está a 10,75%). Do lado oposto, a instituição financeira ao comprar títulos financia as despesas públicas. "É lógico que isso depende do crescimento econômico", diz. "A consequência disso é que o governo fica atrelado a um relacionamento com o banco, de modo que ao emitir mais títulos, aumenta a dívida e paga mais juros. O resultado é que, no final, nós acabamos pagando a conta."
Na relação com o Produto Interno Bruto (PIB), contudo, essa dívida mantém o patamar de 0,1% desde 2008 - quando terminou com dívida líquida total de R$ 1,153 trilhão (ou 38,4%) e com dívida bancária de R$ 2,205 bilhões. Gonella afirma que essa relação é interessante para o governo porque indica estabilidade, no caso do endividamento bancário, ou redução, no caso da dívida total. "Só que se observarmos o endividamento público no decorrer de cada ano, notamos que há crescimento sem horizonte de diminuição", alerta.
Segundo os números recentes do BC, a dívida líquida do setor público no acumulado de 2010 se manteve estável até agosto, ao fechar em 41,4% do PIB, comparado ao registrado no mês anterior. No entanto, ela registrou crescimento, ao passar de R$ 1,406 trilhão para R$ 1,417 trilhão. A dívida bruta do governo geral (governo federal, INSS, governos estaduais e municipais) atingiu R$ 2,034 trilhões (59,4% do PIB), comparativamente a R$ 2,027 trilhões (59,6% do PIB) em julho.
Com relação à dívida bancária, os números do BC indicam que, principalmente no caso dos governos estaduais, houve aumento nos saldos, ao passar de R$ 12,546 bilhões em dezembro de 2009 para R$ 16,338 bilhões em agosto. O endividamento bancário dos governos municipais teve ligeira alta na mesma base de comparação, ao passar de R$ 6,460 bilhões para R$ 6,463 bilhões. Da mesma forma ocorreu com as estatais, ao passar de R$ 2,751 bilhões a R$ 2,947 bilhões.
Para o conselheiro da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), José Ronoel Piccin, a dívida bancária é mais um item que demonstra o crescimento da dívida pública. "Apesar de estarmos longe, se tudo continuar como está, corremos o risco de chegar ao ponto que atingiram os países europeus, uma crise fiscal. Para evitar isso, é necessário a redução dos gastos públicos para controlar a dívida total", diz. Gonella também afirma que é preciso conter os gastos de modo a quitar os juros, os quais registram uma média de R$ 150 bilhões ou R$ 200 bilhões por ano e que tendem a crescer.
Setor público
Com relação à economia do governo para o pagamento dos juros da dívida pública, o setor público não financeiro registrou superávit primário de R$ 5,2 bilhões em agosto, informou o Banco Central. No ano até agosto, o superávit primário alcançou R$ 47,8 bilhões (2,07% do PIB), avanço de 9,89% ao comparar com o mesmo período do ano passado (R$ 43,5 bilhões ou 2,14% do PIB). No acumulado em doze meses, o superávit alcançou R$ 68,8 bilhões (2,01% do PIB).
De acordo com o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, o mercado financeiro espera que a dívida líquida do setor público termine a 40,75% do PIB neste ano, e projeta que a relação fique em 39,50% do PIB. Os analistas consultados pelo BC aguardam expansão de 7,55% em 2010 e de 4,5% no próximo ano.
Para 2010, a expectativa do Tesouro Nacional é de que a dívida pública federal suba entre R$ 103 bilhões e R$ 233 bilhões, de modo a atingir até R$ 1,73 trilhão.
Ambos especialistas acreditam que o próximo governo, já no primeiro dia de mandato, terá de controlar a política fiscal expansionista, independentemente de quem for eleito - a candidata do PT, Dilma Rousseff, ou o candidato do PSDB, José Serra.
Maioria das empresas abertas durante os dois mandatos do presidente Lula não produziu efeito relevante na economia brasileira
18 de outubro de 2010 | 0h 00
Lu Aiko Otta / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Em oito anos de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou seis empresas estatais. A maioria delas, porém, não produziu efeitos importantes na economia. Duas são fábricas - de hemoderivados e de chips. Ambas estão atrasadas e só começarão a produzir no próximo governo, sem atender totalmente à demanda do País. Os investimentos nas duas são da ordem de R$ 900 milhões.
Outra estatal, o Banco Popular do Brasil (BPB), nem existe mais. A Empresa Brasil de Comunicações (EBC), criada para ser uma emissora independente do governo, luta para escapar da pecha de ser "chapa-branca". A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) é bem vista pela iniciativa privada por haver resgatado a função de planejamento energético. Recentemente, porém, foi envolvida nos escândalos que provocaram a queda da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra.
A mais nova estatal de Lula, a Pré-Sal Petróleo S. A., está só no papel, apesar de sua criação ter sido aprovada pelo Congresso Nacional em julho passado. O Ministério de Minas e Energia, ao qual é subordinada, aguarda a aprovação da lei que institui o regime de partilha na exploração de petróleo para criar a nova estatal - responsável pela administração dos contratos de exploração do pré-sal.
As estatais criadas por Lula obedecem à lógica do governo na qual o Estado deve entrar em áreas estratégicas onde não haja interesse da iniciativa privada. É o caso da Ceitec, a fábrica de chips (semicondutores). De acordo com um empresário do setor, o governo tem "obsessão" por um empreendimento desse tipo porque grandes economias do mundo fabricam esse produto. No entanto, nenhuma empresa de peso no mercado mundial quis investir no Brasil.
Prioridade. A Ceitec já funcionava como centro de pesquisas quando, em 2008, o governo decidiu estatizá-la para construir a fábrica. A política industrial lançada em 2004 elegeu os semicondutores como área prioritária por causa do déficit comercial causado pela importação. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o Brasil terá neste ano déficit de US$ 30 bilhões no comércio de produtos eletrônicos - metade dos bens contém semicondutores.
No entanto, o que a Ceitec vai fabricar não é o que o País mais importa, que são chips de memória de computador e aqueles utilizados em celulares e televisores, mas chips rastreadores de bois. A fábrica não tem condições de produzir memórias ou chips de celulares.
"É preciso começar com uma demonstração de princípio que o Brasil pode produzir circuitos integrados. Dita o bom senso que isso seja feito com investimentos mais reduzidos do que aqueles necessários para a produção de circuitos integrados em grande escala", disse o presidente da Ceitec, Cylon Gonçalves da Silva.
Para Itamar, candidata petista faz um discurso decorado e presidente gosta do poder e está com o ego inchado
18 de outubro de 2010
Para o engenheiro Itamar Franco, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, certamente seria reprovada em cálculo. "Porque ela só faz um discurso decorado. Artificial e pedante", justifica. O excesso de confiança petista no primeiro turno fez Dilma perder, afirma Itamar.
Ao presidente Lula, ele também reserva uma boa dose de críticas e reprovações, inclusive a constatação de que o petista deixou de ser um democrata e um homem simples. "Em 2005 eu apoiei o presidente. Mas ele não tem mais postura democrática. Um sujeito que fala "nunca antes". Será que ninguém antes dele fez alguma coisa por esse País? Isso é uma ofensa. Ele não respeita a Justiça Eleitoral, não respeita a imprensa. Em 2005 ele era um homem simples. Hoje ele é um homem soberbo, que gosta do poder. E a gente sabe que o poder é fugaz, é passageiro. O ego dele está muito inchado. Só que a gente aprende que o poder é passageiro", ataca Itamar.
Para o ex-presidente, Lula tem vulnerabilidades e pontos fracos, tanto que perdeu a eleição em Minas Gerais, Estado onde quis interferir diretamente, e é obrigado a enfrentar agora um segundo turno difícil entre a candidata que escolheu e Serra. Escândalos de corrupção do atual governo precisam ser explicados e mencionados constantemente pela oposição, reivindica Itamar. "Esse caso da Dona Erenice. Tocam de levezinho. Cadê a dona Erenice? Tem que explicar ao eleitor quem é."
BRASÍLIA - O governo federal contingenciou este ano R$ 239,6 milhões do orçamento da Polícia Federal para pessoal, custeio e investimento. Esse valor representa 5% da verba total destinada à PF e 35% do que era previsto na rubrica de investimentos. O congelamento levou a corporação a cortar diárias e passagens das superintendências regionais e ao cancelamento de todos os encontros nacionais, inclusive os de qualificação profissional, deste ano. As informações foram prestadas pela PF.
As medidas de contenção tentam garantir o funcionamento das operações permanentes, como a Arco de Fogo (combate ao desmatamento) e Sentinela (proteção de fronteiras). A PF e o Ministério da Justiça negam que o congelamento de recursos possa prejudicar a segurança das eleições e dos candidatos à Presidência da República, cuja proteção é prevista em lei.
Corporação admite que há prejuízos para as operações
O último bloqueio, anunciado em maio, atingiu R$ 41,7 milhões dos recursos previstos para gastos de custeio, e se somou aos R$ 197,9 milhões retirados da previsão de investimentos, bancados pelo Fundo Nacional de Aparelhamento de Operacionalização de Atividades Fins da PF. O Funapol é alimentado pelos serviços cobrados pela corporação, como emissão de passaportes.
" Há prejuízos, uma vez que o corte de diárias limita as operações "
Outros R$ 58 milhões, inicialmente bloqueados, já foram devolvidos, de acordo com o diretor de Administração e Logística da PF, Rogério Galloro. Para garantir a segurança durante as eleições, a PF deve utilizar R$ 12,2 milhões. O diretor, no entanto, admite que o contingenciamento já causa prejuízos.
- Há prejuízos, uma vez que o corte de diárias limita as operações - afirma Galloro.
Diante do bloqueio, a PF encaminhou correspondência ao Ministério da Justiça para pedir a liberação imediata dos recursos, sob pena de prejuízo às ações da Força Nacional de Segurança e à implementação do novo sistema de emissão de passaportes com chip.
" Temos consciência que os recursos da segurança são estratégicos "
O Ministério da Justiça afirma que valor do contingenciamento é inferior ao informado pela PF. Segundo o diretor de Programas do MJ, Adélio Martins, o contingencimanto é de R$ 172 milhões, dos quais R$ 145 milhões são da conta de investimentos e R$ 27 milhões de custeio:
- Temos consciência que os recursos da segurança são estratégicos. Devemos devolver praticamente todos os recursos até o final do ano.
Estado diz que vaga para idosa no RJ só foi pedida depois de morte cerebral
A Prefeitura de São João de Meriti nega. Internada no dia 11, Magda dos Santos, de 61 anos, morreu neste domingo.
Do G1 RJ
Em nota à imprensa na tarde deste domingo (17), a Secretaria estadual de Saúde do Rio afirma que a vaga no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) para a paciente Magda Lúcia dos Santos, de 61 anos, só foi pedida pelo município de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, quando a paciente já estava com morte encefálica. A prefeitura da cidade, no entanto, nega.
Magda morreu na madrugada deste domingo depois de ser internada no posto de saúde da Vila São João, em São João de Meriti, com um acidente vascular cerebral (AVC), no último dia 11. Segundo a família, houve demora no pedido de transferência da paciente. Já de acordo com a prefeitura, não foram encontradas vagas nos 40 hospitais em que foram procuradas.
Leia a nota do estado na íntegra "A subsecretária de Atenção à Saúde, Hellen Miyamoto, esclarece que no dia 11 de outubro a Central de Regulação do Estado tomou conhecimento informalmente sobre o caso da paciente, que naquele dia apresentava quadro de AVE hemorrágico extenso e Glasgow 8 (escala que mede o nível de consciência de 3 a 15).
A Central orientou a Secretaria de Saúde do município de São João do Meriti que tratava-se de caso de vaga zero, ou seja, risco imediato de vida, cabendo ao município levar a paciente urgentemente para uma unidade de emergência com neurocirurgia, dentro da referência da região Metropolitana. Neste caso, seriam os hospitais da Posse, em Nova Iguaçu e Adão Pereira Nunes, em Saracuruna.
Hellen ressalta que esse procedimento faz parte dos protocolos de urgência e emergência do Ministério da Saúde e é de conhecimento de todo gestor de saúde pública. Para este caso não se aplicaria, portanto, a solicitação de vaga de CTI à Central devido ao risco de vida imediato.
No entanto, apesar da orientação e sem outras atualizações sobre o caso, às 16h30 do dia 14/10, a Central de Regulação recebeu um protocolo da SMS de São João do Meriti solicitando oficialmente uma vaga de CTI para a paciente, que neste momento já apresentava quadro de morte encefálica, com Glasgow 3. Neste momento, infelizmente, o único procedimento cabível seria a notificação por parte do município à Central de Transplantes para que se iniciasse os protocolos normais de confirmação de diagnóstico. "
O que diz a prefeitura Segundo a prefeitura de São João de Meriti, no dia 13, às 11h, a unidade solicitou uma vaga de CTI para a Central de Regulação de Vagas do Rio. O município rebate ainda a informação de morte encefálica e afirma que a paciente só entrou em coma no dia 15.
De acordo com o órgão, mesmo sem ter sido notificado oficialmente, foi determinado “em caráter humanitário” que a administração do posto entrasse em contato imediato com a rede particular para providenciar a transferência.
“A procura se deu em 40 hospitais e clínicas particulares, onde nenhuma vaga foi encontrada. A Central de Regulação continuou procurando em 15 unidades da rede pública de saúde e também não encontrou vaga disponível”, diz o documento.
"A unidade da Vila São João não fez qualquer solicitação informal a Central Reguladora e nem recebeu orientação da mesma para transferir o paciente para outras unidades sem confirmação prévia.
A paciente por ter insuficiência renal necessitava continuar o tratamento de hemodiálise e de vaga na UTI para dar suporte necessário ao tratamento pelo quadro apresentado acima. A Central de Regulação não disponibilizou a vaga solicitada até o óbito da paciente em 17 de outubro às 4h30. Desde o dia 13 a solicitação, através do protocolo 40586, era reiterada diariamente para a liberação da vaga solicitada."
De acordo com a prefeitura, a causa da morte de Magda foi AVE isquêmica, insuficiência renal crônica e hipertensão arterial sistêmica.
Justiça determinou transferência imediata Na última sexta-feira (16), a família procurou a Defensoria Pública e conseguiu, com o juiz de plantão André Bruzzi Ribeiro, a tutela antecipada de obrigação, que determinava a transferência imediata de Magda, fosse para um hospital da rede pública ou privada, que seria custeada pelo estado e município.
De acordo com a família, no entanto, só no fim da tarde de sábado (16), quando o genro de Magda foi à delegacia pedir ajuda à polícia para que a determinação judicial fosse cumprida, funcionários começaram a busca por vagas.
"A gente quer Justiça. Vamos chorar depois", resumiu o genro de Magda, Paulo Henrique da Silva, que reclama ainda que quem levantou a necessidade do CTI para a sogra fora o médico da unidade em que ela foi levada para fazer hemodiálise. "Eles a mandaram fazer a diálise sem nenhum prontuário ou laudo. Quando chegou lá o médico disse que ela estava em coma", completou.
Fernanda Bompan SÃO PAULO - Em seu último ano de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve deixar para seu sucessor uma dívida com os bancos muito maior que a registrada ao final de 2009. Segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC), em agosto, a dívida bancária federal estava em R$ 3,869 bilhões, contra R$ 2,219 bilhões em dezembro de 2009, uma alta de 74,36%. Para especialistas, a principal consequência para as contas públicas é que, mantidos os altos gastos, o governo tende a continuar sua dependência dos bancos a fim de financiar o endividamento.
O professor da Escola de Negócios e Direito da Anhembi Morumbi, Marcello Gonella, explica que a relação entre banco e governo é "interdependente", isto é, o banco precisa emprestar e com o governo o retorno é mais lucrativo por conta dos altos juros (a taxa básica de juros, Selic, está a 10,75%). Do lado oposto, a instituição financeira ao comprar títulos financia as despesas públicas. "É lógico que isso depende do crescimento econômico", diz. "A consequência disso é que o governo fica atrelado a um relacionamento com o banco, de modo que ao emitir mais títulos, aumenta a dívida e paga mais juros. O resultado é que, no final, nós acabamos pagando a conta."
Na relação com o Produto Interno Bruto (PIB), contudo, essa dívida mantém o patamar de 0,1% desde 2008 - quando terminou com dívida líquida total de R$ 1,153 trilhão (ou 38,4%) e com dívida bancária de R$ 2,205 bilhões. Gonella afirma que essa relação é interessante para o governo porque indica estabilidade, no caso do endividamento bancário, ou redução, no caso da dívida total. "Só que se observarmos o endividamento público no decorrer de cada ano, notamos que há crescimento sem horizonte de diminuição", alerta.
Segundo os números recentes do BC, a dívida líquida do setor público no acumulado de 2010 se manteve estável até agosto, ao fechar em 41,4% do PIB, comparado ao registrado no mês anterior. No entanto, ela registrou crescimento, ao passar de R$ 1,406 trilhão para R$ 1,417 trilhão. A dívida bruta do governo geral (governo federal, INSS, governos estaduais e municipais) atingiu R$ 2,034 trilhões (59,4% do PIB), comparativamente a R$ 2,027 trilhões (59,6% do PIB) em julho.
Com relação à dívida bancária, os números do BC indicam que, principalmente no caso dos governos estaduais, houve aumento nos saldos, ao passar de R$ 12,546 bilhões em dezembro de 2009 para R$ 16,338 bilhões em agosto. O endividamento bancário dos governos municipais teve ligeira alta na mesma base de comparação, ao passar de R$ 6,460 bilhões para R$ 6,463 bilhões. Da mesma forma ocorreu com as estatais, ao passar de R$ 2,751 bilhões a R$ 2,947 bilhões.
Para o conselheiro da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), José Ronoel Piccin, a dívida bancária é mais um item que demonstra o crescimento da dívida pública. "Apesar de estarmos longe, se tudo continuar como está, corremos o risco de chegar ao ponto que atingiram os países europeus, uma crise fiscal. Para evitar isso, é necessário a redução dos gastos públicos para controlar a dívida total", diz. Gonella também afirma que é preciso conter os gastos de modo a quitar os juros, os quais registram uma média de R$ 150 bilhões ou R$ 200 bilhões por ano e que tendem a crescer.
Setor público
Com relação à economia do governo para o pagamento dos juros da dívida pública, o setor público não financeiro registrou superávit primário de R$ 5,2 bilhões em agosto, informou o Banco Central. No ano até agosto, o superávit primário alcançou R$ 47,8 bilhões (2,07% do PIB), avanço de 9,89% ao comparar com o mesmo período do ano passado (R$ 43,5 bilhões ou 2,14% do PIB). No acumulado em doze meses, o superávit alcançou R$ 68,8 bilhões (2,01% do PIB).
De acordo com o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, o mercado financeiro espera que a dívida líquida do setor público termine a 40,75% do PIB neste ano, e projeta que a relação fique em 39,50% do PIB. Os analistas consultados pelo BC aguardam expansão de 7,55% em 2010 e de 4,5% no próximo ano.
Para 2010, a expectativa do Tesouro Nacional é de que a dívida pública federal suba entre R$ 103 bilhões e R$ 233 bilhões, de modo a atingir até R$ 1,73 trilhão.
Ambos especialistas acreditam que o próximo governo, já no primeiro dia de mandato, terá de controlar a política fiscal expansionista, independentemente de quem for eleito - a candidata do PT, Dilma Rousseff, ou o candidato do PSDB, José Serra.