| Amanda Costa e Leandro Kleber Do Contas Abertas |
| Na manhã do dia 19 de junho de 2009, em meio a pandemia mundial da gripe H1N1, o Departamento de Logística do Ministério da Saúde reservou no orçamento quase R$ 34,8 milhões para a compra de 8 milhões de cápsulas de Tamiflu de 75 miligramas, medicamento antiviral indicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O Contas Abertas localizou as informações em nota de empenho, documento oficial que antecede compras realizadas por qualquer órgão da administração pública federal, no Siafi (sistema de acompanhamento de receitas e despesas da União). A nota descreve que a aquisição foi feita, sem licitação, da Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos e teve valor unitário de R$ 4,34. Clique aqui para ver a nota de empenho.
No último sábado (18), a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, foi a público contestar reportagem da revista Veja que acusa o governo de ter cobrado propina para a aquisição do remédio Tamiflu. Segundo a reportagem, funcionários da Casa Civil, à época chefiada por Dilma Rousseff, teriam recebido pacotes de dinheiro, contendo R$ 200 mil, supostamente pela intermediação do contrato de R$ 34,7 milhões para a compra emergencial do Tamiflu, fechado no dia 23 de junho. A revista denuncia a existência de suposto “balcão de negócios” na Casa Civil e de contratos feitos sem licitação envolvendo parentes da ex-ministra do órgão Erenice Guerra.
No total, em sete oportunidades, em 2009, o Ministério da Saúde comprou 75 milhões de comprimidos de 75 mg, 14 milhões de comprimidos de 45 mg e outros 16 milhões de 30 mg, além de 4 toneladas do medicamento em barril. “Isso representa 14,5 milhões de tratamentos (o tratamento para uma pessoa é composto por 10 comprimidos). O valor da compra soma R$ 400 milhões”, informa a pasta. “O preço de cada tratamento saiu, em média, por R$ 28. Cada tratamento adulto saiu por R$ 34,93. O preço autorizado pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) para a venda dos medicamentos de uso adulto nas drogarias privadas é de R$ 150”, complementa.
Em um site de venda de medicamentos na intenet (Euroclinix) que oferece o Tamiflu, é possível comprar 50 pílulas ao preço unitário de 13,60 euros, ou cerca de R$ 40. Segundo o site, se o cliente adquirir somente 10 cápsulas, cada uma chega a custar 16,70 euros, quase R$ 50. A página informa que os “medicamentos são originais e enviados por meio de transportadora somente para a União Europeia, não havendo problemas a nível alfandegário”.
Para o sanitarista e médico do Hospital Universitário de Brasília (HUB) Evoide Moura, na época da epidemia de gripe suína o Tamiflu foi uma opção razoável de controle do surto. “O Tamiflu está longe de ser o ideal, mas era o que tinha disponível naquele cenário de epidemia. Só havia o Tamiflu com um perfil aceitável para tratamento”, avalia.
Apesar de reconhecer que o medicamento tem aplicação reconhecida do ponto de vista científico, Evoide Moura considera que a compra pode ter sido feita por falta de opções no mercado. “Naquela época havia falta de opções, o que acabou fazendo com que muitos países, inclusive a China, utilizassem esse medicamento, até porque, em termos de medicação, o Tamiflu era o que mostrava mais benefícios. Depois foram lançados outros medicamentos, mas sem estudos que comprovassem a eficácia e com a questão de efeitos colaterais ainda pendentes”, avalia.
Por outro lado, o médico diz não ser possível analisar se a quantidade adquirida pelo Brasil foi adequada, o que só poderia ser comprovado por meio de um estudo de custo/benefício pelo próprio Ministério da Saúde.
Compra sem intermediador
Temporão afirmou no último sábado que todo o processo de compra foi realizado diretamente entre o Ministério da Saúde e o laboratório La Roche, único produtor mundial do medicamento, sem nenhum tipo de intermediação. Disse ainda que não houve licitação porque se tratou de um único produto e não houve representante nem distribuidor. “O Ministério da Saúde era o principal interessado em grande quantidade, pois estávamos diante de pandemia, a realidade era de pandemia letal. A OMS anunciou em abril o surgimento de uma nova doença", argumentou. |
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
#politica :Tamiflu: compra foi feita em 19 de junho de 2009 e cada cápsula custou R$ 4,34
Programa de Defesa do Consumidor gastou R$ 8 milhões neste ano
| Milton Júnior Do Contas Abertas |
Já se passaram duas décadas desde a aprovação do Código de Defesa do Consumidor no Brasil. De lá para cá, segundo organizações especializadas, o país avançou bastante, mas ainda é preciso melhorar. No Orçamento Geral da União, por exemplo, é possível verificar um crescimento progressivo nos recursos destinados ao Programa de Defesa do Consumidor. Embora em 2005 o programa tenha desembolsado apenas R$ 1,9 milhão do total de R$ 5 milhões previstos no orçamento, em 2010, até o último dia 04, quase R$ 8 milhões já foram gastos, de um total previsto de R$ 17,9 milhões (veja a tabela).
De acordo com Leandro Lucheses, da Coordenação Orçamentária, Administrativa e Financeira da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça, a principal razão para o aumento nos recursos previstos e gastos do Programa de Defesa do Consumidor decorre da concessão de maiores limites orçamentários para o projeto de Proteção de Direitos Difusos. Na realidade, esta é a ação responsável por 73% do total gasto pelo programa neste ano. O objetivo é apoiar iniciativas públicas e privadas de proteção dos chamados direitos difusos, como meio ambiente, patrimônio histórico, defesa do consumidor e defesa da concorrência.
Lucheses explica que essa ação tem como fonte de financiamento o Fundo de Direitos Difusos, para onde são recolhidas as multas administrativas e judiciais aplicadas em casos de violação da legislação do meio ambiente, consumidor, concorrência e patrimônio histórico. Ele argumenta ainda que a aplicação e recolhimento de multas aplicadas a empresas violadoras aumentam cada vez mais. “Por isso, a receita do Fundo de Direitos Difusos elevou-se exponencialmente e, consequentemente, a liberação de recursos pelo Ministério do Planejamento para essa ação”, afirma.
Em 2009, por exemplo, o Fundo de Direitos Difusos recolheu R$ 8,1 milhões, dos quais 61% foram destinados a bens e direitos de valor artístico e histórico, 21% para projetos relacionados ao meio ambiente e 18% para a principal ação de defesa do consumidor.
Muito a comemorar e a melhorar
Para a advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) Mariana Ferraz, a criação do Código de Defesa do Consumidor foi sem dúvida o maior avanço em prol da defesa do consumidor nos últimos. “Em um momento de democratização e construção de novos parâmetros de cidadania, o código criado em 11 de setembro de 1990 possibilitou o estabelecimento de relações mais justas entre consumidor e fornecedor”, lembra.
Ela admite que, apesar de alguns problemas ainda persistirem nessa relação, o código é uma lei cada vez mais conhecida e exigida pelos cidadãos. Mariana sustenta ainda a necessidade das políticas governamentais serem efetivamente pautadas pelo direito do consumidor. “Deve-se fortalecer o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça e também garantir maior estruturação dos Procons. As entidades de defesa do consumidor, que exercem um importante papel de denúncia sobre infrações aos seus direitos, também precisam ser fortalecidas”, diz.
A advogada acredita que o alto nível de insatisfação do consumidor brasileiro não permite afirmar que a atuação dos órgãos públicos tem sido suficientes, mas confessa que os esforços são crescentes. “Os rankings de reclamações dos consumidores apontam índices alarmantes de problemas verificados nos setores de saúde, bancário e de telecomunicações, que são justamente setores regulados por agências reguladoras. Isso evidencia que esses órgãos ainda não internalizaram e ainda não colocaram em prática a sua competência de defesa do consumidor por meio da regulação”, lamenta Mariana Ferraz. |
Abin reserva R$ 208 mil para compra de 8,1 mil medalhas e placas
| 12/09/2010 Carrinho de Compras: |
| Leandro Kleber Do Contas Abertas |
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) abriu edital neste mês para selecionar 80 novos servidores de nível superior para compor o seu quadro. Enquanto isso, a instituição responsável por “produzir e salvaguardar conhecimentos sensíveis” do país empenhou (reservou em orçamento) pouco mais de R$ 208 mil para a compra de 8.100 placas e medalhas de diferentes modelos. Tem para todo gosto: de cores azuis, feitas em pedra ágata, de acrílico, douradas e em placa de aço escovado.
Outros R$ 171 mil serviram para o pagamento de peças em acrílico, com corpo em acrílico no formato do mapa do Brasil, panóplia em madeira recortada, entre outras. As notas de empenho e o edital das aquisições não informam, porém, se haverá uma premiação especial ou quando os itens serão distribuídos. Sabe-se que as peças deverão ser entregues na assessoria de comunicação social da agência, no Setor Policial Sul, em Brasília, que ficará responsável por analisar o material e verificar as notas fiscais.
Fora isso, a Abin reservou R$ 51 mil para pagar reservas em hotéis nacionais e internacionais, buffets, estacionamentos e refeições e outros R$ 8,5 mil para a compra de 190 pares de sapato masculino pretos, em vaqueta de amarrar, com bico quadrado. Nada mais elegante do que um sapatinho preto novinho...
Já o Superior Tribunal de Justiça (STJ) preferiu comprometer R$ 80,7 mil para a compra de 30 poltronas giratórias, com braços. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por sua vez, adquiriu uma só, por R$ 6 mil. A poltrona girante terá “espaldar alto, em couro tipo executivo, com apoio de cabeça e cor preta”. Resta elogiar a transparente descrição da nota de empenho emitida pela instituição.
Saindo do mobiliário e indo para o setor de tecnologia, o Senado Federal empenhou R$ 50,4 mil para a compra de quatro gravadoras de blu-ray de mesa com HD interno. Bela aquisição! A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda que raramente aparece por esta coluna, foi além: reservou R$ 368 mil para a compra de 1.005 monitores LCD de vídeo de 17 e 19 polegadas, capazes de realizar a rotação da tela e da imagem. Agora vai ficar mais fácil trabalhar por lá...
Por fim, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) parece estar preparando os ouvidos para que fiquem atentos a qualquer situação. Isso porque a entidade comprometeu R$ 3 mil para a compra de 300 fones de ouvido. Resta usar com cautela para não afetar a audição!
Clique aqui para ver as notas de empenho citadas. |
Governo gastou R$ 308 mil para prevenir financiamento ao terrorismo em 2010
| 11/09/2010 |
| Milton Júnior Do Contas Abertas |
| Há nove anos os ataques às torres do World Trade Center, em Nova Iorque (EUA), mostraram ao mundo a importância da prevenção contra o terrorismo. No Brasil, o Orçamento Geral da União destina, especificamente à prevenção ao terrorismo, recursos às ações de “inteligência financeira para a prevenção da lavagem de dinheiro e do financiamento do terrorismo” e de “regulação para prevenção da lavagem de dinheiro e do financiamento do terrorismo”. As duas estão voltadas para o custeio do funcionamento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e, juntas, somam o montante previsto de R$ 2,1 milhões em 2010. Até o último dia 4, no entanto, R$ 577 mil (27%) haviam sido empenhados (reservados no orçamento) e somente R$ 308 mil (14%) efetivamente desembolsados.
Desde 2004, cerca de R$ 10,2 milhões foram autorizados no orçamento para as duas ações de prevenção de lavagem de dinheiro e do financiamento do terrorismo. Deste montante, apenas R$ 3 milhões foram pagos. Em média, R$ 439,5 mil foram gastos anualmente com essa finalidade e somente em 2006 a execução do orçamento previsto ultrapassou os 50%, quando do total de R$ 773,5 mil foram desembolsados R$ 424,3 mil (veja tabela).
O dinheiro das duas ações sob gestão do COAF é usado para aperfeiçoar o sistema de informações que acompanha, averigua, registra e controla as denúncias e informações sobre movimentações bancárias suspeitas. O principal objetivo dessas ações é prevenir o mercado financeiro de ser usado indevidamente para lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo. Segundo o Conselho, essas ações também contemplam a possibilidade de o Brasil prestar assistência técnica a países com dificuldades na implementação de medidas similares.
Para Cristiano Paixão, professor de direito da Universidade de Brasília e especialista no tema, a parcela não utilizada (ou pouco utilizada) não implica em prejuízo direto à segurança nacional. “Como a prevenção de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo são temas bastante específicos, e que envolvem, antes de tudo, a circulação de dinheiro em âmbito global, a hipotética passagem de dinheiro destinado a financiar atos terroristas pelo sistema financeiro brasileiro não significa, necessariamente, ameaça à segurança brasileira, mas pode representar ameaça a algum outro ordenamento jurídico”, diz.
Paixão admite que, em tese, qualquer país pode ser alvo de ataques terroristas. “Hoje não há nenhum país livre do terrorismo, assim como não há nenhum país livre da criminalidade ou da corrupção”, afirma. Paixão acredita, no entanto, que a preparação para eventuais ataques depende, antes de tudo, da existência de uma estrutura de inteligência no Estado brasileiro, com profissionalismo e eficiência.
A reportagem entrou em contato com a equipe do COAF, mas até o fechamento da matéria o Conselho não informou os motivos para a baixa execução dos recursos previstos no orçamento das duas principais ações do Programa de Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro. Em contato realizado com o COAF no fim do ano passado, a assessoria do órgão argumentou que existiam outras ações no âmbito de diversos outros órgãos – como Polícia Federal, Agência Brasileira de Inteligência, Banco Central, e outros – que também estão voltadas à prevenção destes crimes. No entanto, no orçamento não há nenhuma rubrica nos órgãos citados destinada especificamente à prevenção do terrorismo.
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#dilma : Ex-cunhada de Erenice tem cargo comissionado no Planejamento
| Milton Júnior Do Contas Abertas |
Brasília não vê uma gota d’água cair do céu há mais de 100 dias, mas a chuva de denúncias parece não dar trégua à ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. Após revelações sobre a contratação de irmãos, filhos e amigos no serviço público, agora é a vez da ex-cunhada. Gabriela Pazzini, que segunda a ex-ministra teria assumido em 2007 as cotas de suas empresas, era esposa do irmão de Erenice - também sócio das empresas e ex-servidor da Infraero - quando assumiu um cargo comissionado na Secretaria do Patrimônio da União (SPU) do Ministério do Planejamento, em 2005. Hoje, a SPU é comandada por Alexandra Reschke, companheira de partido de Erenice e também comissionada.
Segundo a assessoria da SPU, o apartamento funcional de três quartos não atendia mais as necessidades da servidora, já que ela teve o quarto filho. “Além disso, o apartamento funcional era muito antigo e acarretava muita manutenção, sendo mais econômico passar para um apartamento novo, alugado”, informa. A assessoria diz, ainda, que Gabriela é arquiteta e entrou na SPU no setor de regularização fundiária urbana, para o qual foi selecionada entre outros candidatos e contratada pela experiência profissional. “A trajetória (de Gabriela) dentro da SPU tem o mérito da competência apresentada no desempenho de seu trabalho. O cargo de assessora lhe foi oferecido porque ela apresentou este perfil e aceitou sair da área finalística para a assessoria do gabinete da SPU, onde até hoje desenvolve com muita competência as tarefas e projetos que lhe são atribuídos”, conclui a assessoria de imprensa. Entre 2005 e 2010, Gabriela foi habilitada aos cargos de assessora especial DAS 101.2, 102.1, 102.2, 101.4 e 102.4. Pelo menos até 2007, Gabriela foi casada com Antonio Eudacy Alves Carvalho, irmão de Erenice que passou pela Controladoria-Geral da União (CGU) e Infraero. Euriza de Carvalho, irmã da ex-ministra, também trabalhou no Ministério do Planejamento e é consultora da Empresa de Pesquisa Energética, de onde contratou, sem licitação, o serviço do escritório de advocacia onde trabalhava Eudacy. O Contas Abertas procurou, sem sucesso, Erenice Guerra para saber se ela teria influenciado a contratação de sua ex-cunhada na SPU, já que a secretária do órgão é uma companheira de militância. No site da assessoria técnica do Partido dos Trabalhadores (PT), Erenice e Alexandra Reschke aparecem juntas na elaboração de uma nota técnica sobre um projeto de lei que "institui diretrizes nacionais para saneamento básico". Em 2006, Alexandra também autorizou o uso do imóvel funcional residencial ao outro irmão da ex-ministra, José Euricélio Alves de Carvalho, que também exerceu cargo que dá direito ao imóvel. Ele aparece citado em auditoria da CGU por desvio de R$ 5,8 milhões da Editora da Universidade de Brasília, em contratos fantasmas firmados entre 2005 e 2008. Ao mesmo tempo em que prestava serviço à editora da universidade, o irmão de Erenice também ocupava um cargo comissionado no Ministério das Cidades. Ele teve a permissão de uso do imóvel funcional revogada em dezembro de 2007. Chove cargos também em Brasília A edição de ontem do jornal (16) Correio Braziliense mostra que a influência de Erenice Guerra estende-se para além do governo federal e chega ao Distrito Federal. Israel Dourado Guerra, por exemplo, filho de Erenice Guerra, era funcionário da Terracap, empresa vinculada ao Governo do Distrito Federal. Suspeito de comandar um esquema de lobby que envolve a mãe, ele era servidor comissionado da Diretoria de Prospecção e Formatação de Novos Empreendimentos desde dezembro de 2008. De acordo com a reportagem, Israel não costumava dar expediente no departamento, embora recebesse salário mensal de R$ 6,8 mil. Ontem ele foi exonerado do cargo. A diretoria em que Israel estava lotado na Terracap é responsável por liberar ocupações de solo, como os projetos no Noroeste, novo bairro do Plano Piloto, e explorações de recursos naturais no DF. Coincidentemente, a extração de minério é o objeto social da empresa Matra Mineração, de José Roberto Camargo Campos, marido de Erenice. A Matra pesquisa minério de calcário em Planaltina (GO) e teve 14 multas arquivadas pelo governo. O tio de Israel, José Euricélio, também tem currículo no GDF. Depois de deixar a UnB, ele foi secretário executivo do comitê consultivo de políticas públicas, normas e ações de fiscalização do uso e ocupação irregular do solo, vinculado ao ex-governador José Roberto Arruda, acusado de ser o chefe do mensalão do DEM. Por indicação da ministra, ele ocupa um posto comissionado na Novacap, no departamento de auditoria vinculado à Presidência. Foi nomeado no início do ano, dividindo período de trabalho com o ex-secretário-geral da companhia Davi José Matos, atual presidente dos Correios. |
#Dilma é aconselhada por coordenadores de campanha a evitar críticas à imprensa
Redação Portal IMPRENSA
Os coordenadores da campanha de Dilma Rousseff (PT) aconselharam a presidenciável a evitar fazer novas críticas aos meios de comunicação. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, os desabafos de Dilma sobre a "parcialidade" da cobertura das eleições feita pela publicação tiveram um tom muito agressivo, e poderiam ser usadas pela oposição para demonstrar a fragilidade e o cansaço da candidata.
A petista havia contestado uma notícia publicada pela Folha na última segunda-feira (20), sobre um suposto favorecimento do instituto de pesquisa Meta quando a ex-ministra atuava como secretária de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, em 1992.
A estratégia a ser adotada pelo PT é a de expor somente as opiniões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o trabalho da imprensa, pelo fato de Lula não ser candidato e como forma de proteger a campanha da petista.
O pedido feito para que Dilma deixasse de criticar a imprensa teria sido motivado após a saída de Erenice Guerra do Ministério da Casa Civil. A queda da ex-ministra aconteceu depois de denúncias de tráfico de influência envolvendo a instituição e filhos de Erenice, publicadas pela revista Veja.
Na última terça (21), Lula afirmou que a cobertura da mídia das eleições "chega a quase beirar o ódio", e que a liberdade de expressão, considerada pelo presidente como "sagrada" no país, não permite "inventar coisas".
#dilma : Grupo de Dilma opera para manter espaço em eventual governo
Com acusações contra Erenice, aliados querem evitar novos desgastes e garantir nomes de confiança da candidata para cargos
A queda da ex-ministra Erenice Guerra da Casa Civil na semana passada desfalcou o já restrito grupo de confiança da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Braço direito de Dilma na época em que a candidata era titular da pasta, Erenice era considerada presença garantida no "núcleo duro" de um eventual governo petista em 2011 antes da denúncias de que seu filho Israel teria praticado tráfico de influência dentro do governo Lula. Com a saída da ex-assessora de Dilma da pasta, o grupo mais próximo à petista entrou em estado de alerta e quer evitar novas baixas.
Na campanha, a cota pessoal da candidata é formada pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, o presidente da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Alessandro Teixeira, e o ex-assessor Giles Azevedo.
Na reta final da campanha, o trio tem se articulado para frear o fortalecimento de outros nomes dentro da campanha, como os coordenadores Antonio Palocci e José Eduardo Cardozo, cotados para Casa Civil e Justiça, respectivamente. Também querem barrar peemedebistas de olho em “espaços vazios” e, principalmente, em cargos estratégicos do futuro ministério. No último domingo, Pimentel e os dois auxiliares próximos de Dilma jantaram em Brasília para reavaliar o cenário da candidata na montagem do governo.
Concluíram que, sem opção para nomes de confiança, Dilma poderá ter de aceitar indicações que não constavam de sua prioridade para cargos estratégicos e de outras cotas, como o aliado PMDB e o próprio PT.
Antes de sair da Casa Civil, Erenice Guerra era uma das principais cotadas para ocupar vaga no eventual governo Dilma
A membros da campanha, Pimentel admite preocupação com o cenário eleitoral em Minas. Segundo tem dito, para se fortalecer e ocupar um cargo estratégico em um eventual governo petista, o ex-prefeito precisa se eleger para o Senado, mas está atrás nas pesquisas em relação aos adversários Aécio Neves (PSDB) e Itamar Franco (PPS). Antes cotado para a Casa Civil, a possibilidade de Pimentel no cargo, por ora, está descartada dos planos da candidata. Sem mandato, o cenário vislumbrado por Pimentel é o Planejamento ou Cidades já que o ex-prefeito sabe que enfrentará resistência interna do PT para ocupar pastas como a Casa Civil.
Antes de Erenice, Pimentel foi alvo de acusações no período da pré-campanha de Dilma, no episódio da suposta confecção de um dossiê contra o tucano José Serra (PSDB). Amigo de Dilma e homem forte da campanha no começo do ano, Pimentel foi afastado da coordenação após ser acusado de envolvimento com esquema de espionagem para prejudicar o adversário tucano.
Opções
Com os episódios que atingiram Pimentel e Erenice, restaram apenas dois os nomes que compõem o chamado “grupo da Dilma” e que não foram alvos de acusações: os petistas gaúchos Giles Azevedo e Alessandro Teixeira.
Discreto e avesso a entrevistas, Giles foi assessor de Dilma na Casa Civil e raramente aparece em eventos públicos de campanha. A sua principal incumbência, oficialmente, é organizar a agenda da candidata. Em caso de vitória petista, membros da coordenação dão como certa a sua indicação para chefia de gabinete da Presidência.
Presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) ,Teixeira foi escalado para, junto ao assessor Marco Aurélio Garcia, redigir o programa de governo da candidata, que ainda não foi finalizado. Ele acumulou a redação do texto com a participação em eventos no lugar de Dilma, como o Congresso Brasileiro do Cooperativismo, no último dia 11, e no Instituto Ethos, nesta terça-feira.
Por substituir a candidata em eventos que fogem de sua área de atuação, como o encontro no Instituto Ethos que tem o desenvolvimento sustentável em pauta, integrantes da coordenação entendem que Dilma está “testando” Teixeira para que, ao ganhar musculatura e visibilidade, ele esteja preparado para ocupar um cargo no eventual governo. Entre os ministérios cotados para Teixeira, está o de micro e pequena empresa, promessa de campanha de Dilma Rousseff.#politica :Diretor de firma contratada no RS é filiado ao PT
RANIER BRAGON
DE BRASÍLIA
O diretor da Meta Instituto de Pesquisa de Opinião Flávio Eduardo Silveira é filiado ao PT. A empresa foi contratada por Dilma Rousseff nos anos 90, quando ela presidia a Fundação de Economia e Estatística, órgão do governo do Rio Grande do Sul.
Auditoria do Tribunal de Contas do Estado apontou favorecimento na contratação, mas o TCE aprovou as contas da gestão de Dilma.
A auditoria do tribunal aponta que a fundação teria direcionado à Meta um contrato de R$ 1,8 milhão. Dilma foi multada, mas recorreu e o tribunal voltou atrás.
Silveira nega que a empresa tenha atuação política. "Não somos nem nunca quisemos ser identificados a um partido: contratamos trabalhos estritamente técnicos com vários partidos".
O diretor da Meta também nega que tenha havido favorecimento no contrato com a FEE na gestão Dilma. Ele disse que não milita no PT desde 1985, mas seu registro de filiação na Justiça Eleitoral, ainda válido, é de 1995.
A empresa prestou serviços para candidaturas do PT gaúcho em 2002, 2004 e 2006. Silveira disse ter feito trabalhos para diversos partidos, como a aliança PP-PMDB-PL-PPS em 2004.
Coronel Aparício Borges, Porto Alegre / RS
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#Dilma sobre relação de denúncias com campanha:
'Eu repudio isso', diz
Escolha de Erenice para sucedê-la seguiu critério definido por Lula, afirmou.
Candidata esteve em Salvador nesta terça, onde gravou programa político.
(Foto: Lúcio Távora/Agência A Tarde/AE)
A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, voltou a defender uma investigação sobre as denúncias contra a sua sucessora na Casa Civil, Erenice Guerra.
Minutos antes de gravar para o seu programa do horário político, no final da tarde desta terça-feira (21), em Salvador, Dilma disse que "repudia" qualquer tentativa de associar as denúncias envolvendo Erenice e seus familiares à sua campanha.
"Eu sou a favor de que se apure com rigor todas as acusações, mas é preciso ter cuidado com acusações levianas, não só contra instituições, mas também contra pessoas", disse a candidata. "A acusação a respeito da relação da minha campanha com qualquer evento desses não só é leviana, como é infundada. Eu repudio isso", declarou.
Dilma disse que a responsabilidade sobre a indicação de Erenice para o comando da Casa Civil, por ocasião da sua saída do cargo, seguiu critério estabelecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de promover os secretários executivos de cada pasta para substituir os ministros que deixaram os cargos. "Foi algo generalizado", disse.
Dilma declarou ainda que sua campanha teria sido prejudicada, pois foi acusada por três meses de ser a responsável pelo vazamento de dados sigilosos da Receita Federal. "Antes de as pessoas acusarem e procurarem denegrir a imagem de quem quer que seja, os fatos têm que ser apurados", voltou a contestar.
Pôr do sol
A equipe responsável pelo programa da candidata petista escolheu o fim de tarde no Farol da Barra, na capital baiana, para gravar parte do seu último programa eleitoral. Conforme a petista, a escolha deve-se ao fato de a Bahia representar o "início" do Brasil. Logo em seguida, ela retornou a BrasíliaEu repilo
Luciano Pires
Se eu tivesse que escolher a “palavra do ano” de 2005, apesar da tentação de apontar “mensalão” ou “excelência”, optaria por um verbo conjugado na primeira pessoa do presente do indicativo: REPILO.
Repetido mais de uma vez por José Dirceu, enquanto ele se debatia para escapar à cassação, o “eu repilo” transformou-se numa daquelas afirmações mágicas, que tentam transformar a realidade. Enquanto toda a sociedade brasileira repelia as práticas obscuras do PT, era o grande líder quem repelia as acusações. Muita gente estranhou. Não estamos acostumados a repelir quando se trata de política no Brasil. Pois prestarei neste momento um serviço à cultura nacional, registrando a “ficha técnica” do verbo “repelir”, que quer dizer: fazer retroceder; impelir para longe; rechaçar; expulsar; defender-se de; rebater; afastar, desviar, fazer arredar, não acolher; não permitir a aproximação de; não admitir; rejeitar; não tolerar; ter aversão a...
O “repilo” soou estranho. Alguns acham que “repelir” é defectivo, verbo que não apresenta uso completo de suas flexões, como “abolir”, por exemplo. “Abolir” não se usa na primeira pessoa do singular do presente do indicativo (seria eu “abolo”? “Abulo”??), por isso é verbo defectivo. Mas o “repilo”, embora raro na linguagem oral, tem registros na escrita, especialmente a mais culta. No Infinitivo é “repelir”. No Gerúndio, “repelindo”. E o Particípio é “repelido”.
Conjugado no Presente do Indicativo será: eu repilo, tu repeles, ele repele, nós repelimos, vós repelis, eles repelem. No Futuro do Pretérito do Indicativo: eu repeliria, tu repelirias, ele repeliria, nós repeliríamos, vós repeliríeis, eles repeliriam. No Futuro do Presente do Indicativo: eu repelirei, tu repelirás, ele repelirá, nós repeliremos, vós repelireis, eles repelirão. No Imperfeito do Subjuntivo: se eu repelisse, se tu repelisses, se ele repelisse, se nós repelíssemos, se vós repelísseis, se eles repelissem. No Futuro do Subjuntivo: quando eu repelir, quando tu repelires, quando ele repelir, quando nós repelirmos, quando vós repelirdes, quando eles repelirem. No Infinitivo Pessoal: por repelir eu, por repelires tu, por repelir ele, por repelirmos nós, por repelirdes vós, por repelirem eles.
Aprendeu? Muito bem.
Agora que você sabe como conjugar o verbo “repelir” no presente e no futuro, bote em prática.
Quando ligar a televisão e suspeitar que estão te tratando como um imbecil, repila.
Quando ouvir o horário eleitoral e achar que estão te pungueando, repila.
Quando for cliente e entender que estão te maltratando, repila.
Quando seu interlocutor for um idiota, repila.
Quando sentir que seus valores morais estão sendo vilipendiados, repila.
Quando encontrar um pocotó, repila.
Imagine por um segundo as conseqüências da afirmação “se nós repelíssemos”, transformada em ação... Repelir é nossa arma. Repelir é nossa escolha. Quando todos os brasileiros começarem a usar o “eu repilo”, talvez tenhamos um futuro digno para este País.
Feliz 2006.
Se for para ser igual a 2005, eu repilo.
http://www.diarioon.com.br/arquivo/4320/lazer/lazer-14712.htm


