[Valid Atom 1.0]
Mostrando postagens com marcador GUILHERME FIUZA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador GUILHERME FIUZA. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Dia do Orgulho Hétero: a guerra inútil do sexo


Autor(es): Guilherme Fiuza
Época - 08/08/2011


É jornalista. Publicou os livros Meu nome não é Johnny, que deu origem ao filme, 3.000 dias no bunker e Amazônia, 20º andar.

A ideia da criação do Dia do Orgulho Heterossexual em São Paulo, apesar de idiota, é coerente. É para esse tipo de aberração que a história "progressista" caminha. O Brasil elegeu e santificou um ex-operário, o mundo achou que estava salvo com a eleição de um presidente americano negro, o Brasil se achou moderno ao passar a ser presidido por uma mulher. Obama está enrolado numa crise política (com pretextos financeiros), Dilma se debate com a corrupção herdada dela mesma e Lula fatura com palestras populistas ao lado do cadáver insepulto do mensalão. Mas o que importa são as bandeiras.

A eleição de um negro para a Casa Branca foi importante como símbolo. Mas o arrastão politicamente correto que coloniza o planeta logo a transformou numa panaceia, numa estranha apoteose étnica – como se a grande virtude de Obama fosse a cor de sua pele. Preconceito com sinal trocado. Essa espécie de "racismo do bem" não poderia dar em outra coisa: excitou a reação conservadora, fazendo emergir a ala radical do Partido Republicano e agravando a crise da dívida dos Estados Unidos.

É exatamente o mesmo fenômeno que ronda a exacerbação da cultura gay. O que poderia ser um movimento saudável, de afirmação dos que foram (e são) oprimidos por sua natureza afetiva, ganha tons de arrogância e até revanchismo. Foi assim que o MST começou a botar os pés pelas mãos: seguindo a doutrina de aprendizes de maoísmo como João Pedro Stédile, não bastava conquistar terras – era preciso depredar as instalações dos proprietários.

De repente, a moral heterossexual precisa ser confrontada. Figuras retrógradas, como o deputado Jair Bolsonaro, ganham combustível e até se declaram vítimas de "heterofobia" – miseravelmente com razão. Quem não tem orgulho gay, ou não simpatiza com a causa, está na berlinda. Como se isso fosse antídoto para a opressão passada, presente ou futura. A principal novela da televisão brasileira força a barra pela "normalidade" dos casais gays, querendo apressar a assimilação de costumes na base da militância. É um tiro que sai pela culatra (sem trocadilho, diria o filósofo Agamenon Mendes Pedreira).

O Dia do Orgulho Hétero, aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo, é uma excrescência. Mas é herança legítima do movimento gay, ou pelo menos de sua face totalitária, difundida pelos evangelizadores do politicamente correto. Se carregar a bandeira gay significa, em alguma medida, constranger os héteros, estaremos andando em círculos no território da discriminação (não importa para que lado ela esteja apontada). É quando os progressistas se tornam, orgulhosamente, reacionários.

Quando os progressistas se tornam reacionários, nós andamos em círculos no território da discriminação

Em outra frente de "discriminação progressista", o sistema de cotas nas universidades produziu um resultado curioso. Em 15 anos de adoção da medida, com reserva de vagas para negros e provenientes de escolas públicas, a presença das classes C, D e E nas universidades federais não cresceu nem um ponto porcentual (eram 44,3% em 1996 e 43,7% em 2010).

Houve um ligeiro aumento da presença de pretos e pardos e também de estudantes vindos de escolas públicas. E por que mesmo foi implantado o sistema de cotas? Para dar oportunidade no ensino superior a minorias socialmente desfavorecidas. Como se viu pelo resultado da pesquisa por classes, as cotas não beneficiaram quem tem menor renda. Ou seja: negros ficaram com vagas de brancos de sua mesma faixa social, assim como estudantes de escolas públicas ganharam o lugar de colegas do ensino privado com o mesmo nível de renda (ou, possivelmente, até menor).

O que deveria ser uma forma de resgate social virou, portanto, privilégio racial (e curricular). A "discriminação progressista" tornou-se só discriminação.

Os politicamente corretos não descansarão enquanto pretos e brancos, ricos e pobres, gays e héteros não entrarem definitivamente em guerra.








LAST

Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A bomba do Dnit


Os 40 do mensalão agora são 36. Não faz muita diferença. O maior escândalo nem é mais o mensalão em si.

Escândalo é o sistema de corrupção mais sofisticado da história da República permanecer seis anos na geladeira, enquanto o partido que o engendrou caminha tranqüilo para completar seus primeiros 12 anos no poder.

A culpa não é do PT. A culpa é do Brasil.

E agora o país tem nova chance de decidir se quer continuar sua servidão voluntária ao parasitismo petista.

Todos os bombeiros do governo estão correndo para tentar apagar o incêndio no Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Não é preciso muita água – basta molhar as mãos do PR.

O partido-empresa que manda no Ministério dos Transportes não quer muito: só continuar mandando no Ministério dos Transportes.

Os métodos usados pelo PR na “gestão” das obras viárias (comissão de 4%) levaram à demissão do ministro Alfredo Nascimento. A presidente Dilma tomou então a decisão mais criativa de seu mandato: demitiu o ministro, mas não demitiu o PR.

A raposa continuará tomando conta do galinheiro, mas Dilma quis escolher o novo despachante do pedaço (vulgo ministro). Aí a raposa se zangou.

Depois de vetar o nome escolhido pela presidente, o PR ameaça explodir tudo – à la Roberto Jefferson. O senador Blairo Maggi já avisou que todos os aumentos de despesas das obras do Dnit foram aprovados pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Tradução: eles não estão brincando.

Num país em que um partido sentado sobre uma verba pública bilionária veta uma decisão da presidente da República, algo precisa vir à tona.

Ou não – se os brasileiros quiserem continuar patrocinando as festas particulares dos sócios do governo popular.







LAST

Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

domingo, 21 de novembro de 2010

#dilma Apedreja e chora


Foi bonito. Foi comovente. Lula no Rio, Dilma em Brasília. As lágrimas do criador e da criatura resolveram brotar no mesmo dia, em público, numa sintonia impressionante.

É um bom sinal. O brasileiro adora ser liderado por gente que chora. A plataforma coitada será mantida. Em time que está ganhando não se mexe.

Já era hora mesmo de uma choradinha. O governo Lula começou com o Fome Zero. O governo Dilma se prepara para começar com o Idéia Zero. A paisagem desértica da partilha de cargos e da falta de planos, ornamentada pela assombração da CPMF, assusta qualquer um. É mesmo de chorar.

Mas o choro redime. É fórmula testada e aprovada. Tem sido assim desde o primeiro mandato do PT: se mantém o Banco Central governando, escala-se um ministro Mantega na Fazenda para fingir que faz oposição ao neoliberalismo, e o presidente(a) chora. Não tem erro.

Assim o governo bonzinho pode fazer quase tudo. Até aprovar as pedradas de Ahmadinejad.

Ao se abster de condenar o apedrejamento no Irã, o Brasil mostrou ao mundo sua coerência. Um país que defende a escalada atômica do ditador iraniano não poderia mesmo se preocupar com umas pedrinhas.

O argumento da diplomacia brasileira é cristalino: o país não assinou a resolução da ONU contra as barbaridades de Ahmadinejad porque os direitos humanos devem ser discutidos de maneira holística.

Perfeito. A tortura cubana aos presos políticos também não era holística, por isso o filho do Brasil ficou na dele. Essas coisas que não são holísticas não têm mesmo a menor importância.

Já o choro sincronizado de Lula e Dilma é totalmente holístico. Acontece quase simultaneamente a centenas de quilômetros de distância, em sintonia com as lágrimas dos crocodilos da Austrália, do outro lado do planeta.

É assim que a bondade tem que ser. Holística. Às favas com as pedradas na adúltera do Irã, às favas com a fome de poder e a preguiça de governar, às favas com a gula de arrecadar e a cara-de-pau de ressuscitar a CPMF – nada disso tem importância diante de um governo que chora.

O Brasil não resiste a essa cena: o ex-operário, a mulher e as lágrimas dos oprimidos – caminhando para 12 anos no poder. Coitados.




LAST

Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

sábado, 23 de outubro de 2010

A inteligência do PT


Um dos mais valorizados dons humanos, especialmente importante quando se trata do exercício do poder, a inteligência está no centro dessas eleições. Graças ao PT.

Na hipótese de Dilma Rousseff ser a próxima presidente do Brasil, pelo que se tem visto ultimamente, não vai faltar inteligência no governo.

Uma das expressões mais repetidas pelo noticiário, a inteligência do PT tem sido quase onipresente na campanha. Está por trás de boa parte dos episódios mais eloqüentes da disputa.

Há bem pouco tempo, por exemplo, Lula vociferava no palanque perguntando “cadê esse tal de sigilo?”. Como se vê, o próprio presidente subestimou a inteligência do PT. Ela sabia como ninguém onde estava o tal do sigilo, conforme revelado agora pelo jornalista que o comprou.

A violação dos dados fiscais de pessoas próximas do candidato adversário serviria à inteligência do PT. Mas como ela é muito inteligente, já lançou a versão de que era intriga de Aécio Neves contra José Serra. Muito inteligente e muito criativa.

A versão durou pouco, porque a esperteza nem sempre é amiga da inteligência. A tese de que o jornalista caçador de sigilos servia a um jornal obediente a Aécio seria perfeita, se o jornalista não tivesse decidido se demitir, já a caminho do novo emprego – na inteligência do PT.

Não seja por isso. Lula assumiu imediatamente o posto de porta-voz da Polícia Federal, e anunciou o que a instituição deveria concluir sobre o caso.

O diretor da PF, que também é suficientemente inteligente para não contrariar o chefe, declarou que o escândalo nada tinha a ver com a campanha de Dilma. O Brasil então ficou conhecendo uma nova modalidade de inteligência: o grito.

Lula falou, tá falado. Com esse nível de clareza, quem é que vai ficar exigindo inquérito, processo legal e outras formas primitivas de inteligência?

Foi assim também no caso da intervenção de Dilma na Receita Federal para aliviar os Sarney, no caso do dossiê FHC montado a quatro mãos com Erenice, a grande mãe da Casa Civil, e outras obras da inteligência do PT. No que a coisa desanda, vem a ordem de cima para o cala a boca dos órgãos estatais de investigação.

Se o silêncio pode ser uma forma superior de inteligência, como dizem alguns sábios, o PT chegou ao topo da sabedoria.

Não existem más intenções no partido de Lula e Dilma. É tudo uma questão de dialética. A finalidade é permanecer no poder, causa nobre que a tudo sintetiza. No meio do caminho há percalços, como oposição, imprensa livre e outros ruídos.

É deles que a inteligência do PT cuida, para limpar o terreno rumo ao final feliz que esses desafortunados não enxergam.

Seria melhor se José Serra tivesse simulado o atentado com uma bolinha de papel. Lula já tinha até comparado o incidente com o teatro do goleiro Rojas no Maracanã. O fato de Serra ter sido realmente atingido por um objeto contundente só polui o triunfal enredo petista.

A vida real é burra. Não entende a inteligência do PT.



๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑


LAST

Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

sábado, 25 de setembro de 2010

#Dilma versus #Lula

Image Source,Photobucket Uploader Firefox Extension

| sex , 24/9/2010
gmfiuza


Dilma Rousseff declarou que não viu “nenhuma ação inidônea da ex-ministra Erenice”.

Lula declarou que Erenice “jogou fora uma chance extraordinária de ser uma grande funcionária pública deste país”.

O presidente não se referia, naturalmente, a alguma opção profissional de Erenice Guerra da qual ele discordasse. Lula estava falando tão somente das tais ações inidôneas que Dilma não viu.

“Se alguém acha que pode chegar aqui e se servir, sabe, cai do cavalo. Porque a pessoa pode me enganar um dia, pode me enganar, sabe, mas a pessoa não engana todo mundo ao mesmo tempo”, disse Lula sobre Erenice.

“E quando acontece, a pessoa perde”, concluiu o presidente, a respeito da ex-braço direito de Dilma.

Criador e criatura, como se vê, estão pela primeira vez mal ensaiados. Mas isso é problema deles. O problema do Brasil é entender o que está em jogo no caso Erenice.

E o que está em jogo foi enunciado, com grande clareza, pelo próprio Lula: “chegar aqui e se servir”. É só isso. Nada mais é importante realmente, nem mesmo o resultado das eleições.

O que está em jogo é o que será feito com o Estado brasileiro. E quais as reais intenções de seus dirigentes para com ele. Chegar e se servir, ou chegar e servir.

Fora as torcidas organizadas vermelha e azul, não tem a menor importância para os brasileiros comuns a filiação partidária de quem está no poder. Lula chegou lá e praticou uma política econômica conseqüente, diferente da que seu partido propunha. Nesse ponto, serviu ao Estado e à sociedade. É só isso que o Brasil quer.

Mas o Brasil está confuso. Confunde o seu bem-estar com as bravatas esquerdistas do mesmo Lula, acreditando que a vida melhora porque Lula foi pobre.

E é sob as bravatas populistas que a companheirada oportunista se abriga no Estado, para se servir dele – se possível com cadeira cativa.

Essa é a importância do caso Erenice. Mostrar o quanto há, no Plano Dilma, de privatização do Estado pela casta dos amigos dos amigos. E de controle das instituições para a perpetuação de um grupo no poder.

O autoritarismo provém da mediocridade. Ela é a grande – e única – adversária do Brasil nessas eleições.



๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑


LAST






Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

domingo, 8 de agosto de 2010

Lula, o coitado


Em comício em Porto Alegre ao lado de Dilma Rousseff, Lula acusou as elites de direita de tentarem derrubar seu governo a cada 24 horas. É um ingrato.

Se não fossem as “elites de direita” – esse avatar altamente lucrativo –, Lula não existiria mais.

Lula é uma espécie de Bush dos pobres. Assim como o imperialista americano precisava desesperadamente de Saddam Hussein para justificar sua existência, o ex-operário brasileiro precisa do mito da elite opressora para manter vivo seu personagem.

Como se sabe, a elite mais voraz existente no Brasil hoje é a República Sindical fundada pelo próprio Lula. Uma turma da pesada que tomou de assalto o Estado nacional em benefício de uma casta política.

Já flagrado com a boca na botija do valerioduto, o companheiro Delúbio, por exemplo, ainda gritava que as denúncias eram conspiração da direita contra o governo popular.

Lula é um gênio. Passou oito anos cultivando, dia a dia, o mito do presidente coitadinho. Brasileiro adora isso. Conseguiu a proeza de fazer oposição a si mesmo, perpetrando críticas ao neoliberalismo do Banco Central – o mesmo que sustenta sua política econômica.

Brincando de terceiromundismo com atos bizarros como o apoio à ditadura atômica iraniana, foi alimentando seu próprio mito de vingador internacional dos fracos.

O mundo já perdeu a paciência com sua pantomima ao lado de Ahmadinejad, Fidel, Chávez e outros embusteiros. Mas o Brasil ainda está achando graça.

Enquanto seus aliados afundam os Correios, manipulam a Receita Federal, sangram as estatais, engendram o controle da imprensa e conspiram em praça pública, Lula reclama dos poderosos. De fato, atingiu a perfeição como vítima profissional.

A julgar pelos cerca de 40% de intenção de voto em Dilma Rousseff, esse autoritarismo com verniz de oprimido ainda vai longe no Brasil. Mas ainda há focos de sinceridade na aliança montada pelo PT.

O ex-presidente Collor, por exemplo, parceiro eleitoral de Dilma, acaba de se dirigir a um jornalista, por telefone, sem fingir que defende a liberdade de expressão: “Quando eu lhe encontrar, vai ser para enfiar a mão na sua cara, seu fdp”.

Pelo menos um pouco de franqueza no salão.



๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑


LAST

Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

terça-feira, 15 de junho de 2010

Barraco em Nova York



É uma injustiça o que o PT está fazendo com Dilma Rousseff. A cara do cara está numa espécie de quarentena. Só fala texto escrito ou decorado, privando o povo de sua evolução verbal exuberante.

É uma pena. Numa eleição que se anuncia modorrenta, dividida entre dois candidatos competindo para ver quem mais se distancia do monstro neoliberal de FHC, as já tradicionais gafes de Dilma vão fazer falta. Mas ela já começou a reagir.

Já que o partido cortou suas asinhas no Brasil, Dilma foi à forra no exterior. Viajando a Nova York na primeira classe – mordomia que gradualmente será estendida ao povo (nome dado à categoria dos que têm carteirinha do PT) – a candidata de Lula se espalhou.

Falando a uma platéia de investidores, numa dessas audiências montadas para gerar confiança no Brasil, Dilma surpreendeu. Conseguiu a proeza de bater boca com a encarregada da tradução simultânea. Uma performance capaz de impressionar o mais confiante dos capitalistas.

Dilma Rousseff estava falando sobre autonomia do Banco Central. O problema não era sua total e notória falta de preparo para o tema, como integrante do único governo na história que fez oposição a si mesmo – com a sistemática crítica à política econômica que Lula herdou, amaldiçoou e preservou.

O problema maior era a situação, sempre difícil, de acender vela para dois santos. E fazer pedidos opostos a cada um deles. Ao santo da companheirada petista, o jogo é rosnar para o BC e prometer enquadrá-lo. Ao santo do mercado, o discurso tem que ser do tipo “o BC é nosso e ninguém tasca”.

Claro que a pobre tradutora não tinha nada com isso. E a cada volta da retórica tortuosa da candidata brasileira, a intérprete sofria e apanhava: Dilma esquecia os investidores e exigia que ela não atrapalhasse seu “raciocínio”, bradando que aquilo era “complicado”. Nunca se viu nada igual.

Depois de chamada de “minha santa” e esculachada de todas as formas – chegando a ser corrigida e “descorrigida” numa mesma frase – a tradutora entrou em colapso e jogou a toalha. Foi substituída por outro herói, encarregado da árdua missão de traduzir Dilma Rousseff.

Esses intérpretes são uns despreparados. Não entendem nada de PT. A mensagem é simples: somos contra a autonomia do Banco Central, porque isso é coisa de neoliberal e quem manda é o governo popular; mas decidimos mandar o Banco Central continuar autônomo, até porque não temos a menor idéia do que fazer com a economia e o povo está gostando; e o nome disso, em dilmês, passa a ser “autonomia operacional”.

Quem não passar adiante essa mensagem cristalina eles prendem e arrebentam – até que a opinião pública alcance a erudição cega de uma ata de assembléia partidária.

A gente chega lá.



๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑


LAST

Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

O dossiê fantasma


Dilma e o PT negam tudo sobre a armação do novo dossiê. Ninguém sabia, ninguém tinha nada com isso. Aliás, nada aconteceu.

O jornalista Luiz Lanzetta, um dos responsáveis pela comunicação na campanha de Dilma, encontrou-se com um araponga por iniciativa do araponga. E o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel nem ficou sabendo desse encontro, como declarou em nota. Ou melhor: ficou, como acabou declarando numa entrevista o próprio Lanzetta.

Uma mentirinha só, que ninguém é de ferro. Senão não seria a versão do PT.

O mais curioso nessa história é que depois de nada ter acontecido, depois de toda essa sucessão de inocências, Fernando Pimentel foi afastado do comando da campanha de Dilma. Lanzetta também foi convidado a se retirar, e já não é mais hóspede da mansão do PT em Brasília.

O que o Brasil não consegue entender é o seguinte: por que nascem tantas gerações de aloprados em torno de Lula, por que o PT nunca sabe quem são eles e por que são todos sempre inocentados em público, e defenestrados em particular.

Nada aconteceu no caso do dossiê, e os supostos envolvidos nesse nada perderam a cabeça. Nunca se viu um nada tão perturbador.

José Roberto Arruda disse que foi vítima de uma armação, mas o testemunho do corruptor que supostamente agia em seu nome foi suficiente para levá-lo à prisão. Que peso será dado, agora, ao testemunho do ex-delegado Onézimo Sousa, que afirma ter sido procurado pela campanha de Dilma para prestar serviços de espionagem contra José Serra – no pacote plus, que inclui a vida pessoal do candidato?

Caberá a Onézimo, pela enésima vez, o papel de aloprado solitário? Que misterioso magnetismo faz, afinal, esses dossiês ambulantes irem parar nas gavetas do PT, que nunca sabe de nada?

Multa por propaganda eleitoral proibida, como se sabe, Lula resolve com vaquinha sindical. Mas o que fazer com o cemitério das investigações de espionagem política? Onde acomodar tantos cadáveres da bisbilhotagem petista?

A operadora do “banco de dados” de FHC e Dona Ruth, braço direito de Dilma, virou ministra-chefe da Casa Civil. Por esse critério meritocrático, vai acabar faltando cargo no primeiro escalão do governo popular.



๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑๑۩۞۩๑


LAST

Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

sábado, 10 de abril de 2010

Lula e Bumba

sáb, 10/04/10
por gmfiuza |

As linhas que se seguem não fazem o menor sentido no ano da graça de 2010. No presente momento histórico, como se sabe, o presidente da República Federativa do Brasil adquiriu imunidade verbal.

Daqui a uns dez anos – ou serão necessários 50? – valerá a pena refletir sobre o comício feito por Luiz Inácio da Silva no auge de uma das maiores calamidades urbanas já sofridas pelo país por ele governado.

Enquanto autoridades batiam cabeça diante de dezenas de vidas indo embora morro abaixo, em Niterói, no pior dos desdobramentos da tragédia do Rio, Lula ria. Apresentando o slogan “Ela é Dilmais” a uma platéia de puxa-sacos em Brasília, o presidente evoluía num palanque festivo do PCdoB: urrava palavras de ordem eleitorais, disparava mensagens tresloucadas para promover sua candidata.

Num dos momentos de maior excitação, Lula resolveu dar um salto mortal sobre as leis, afrontando a Justiça (que o puniu por propaganda eleitoral fora de hora):

“Não podemos ficar subordinados ao que um juiz diz que podemos ou não fazer”.

É curioso que a vida siga seu curso normal depois de uma frase dessas, dita por quem a disse. Se algum outro brasileiro tivesse a imunidade verbal de Lula, certamente responderia:

“Não podemos ficar subordinados a um presidente que nos convida a esculhambar o estado de direito.”

O lixo retórico de Lula é idêntico ao lixo físico do Morro do Bumba, que foi abaixo soterrando dezenas de casas: são atos de descaso com as regras, com a sociedade, com a vida. Parecem inofensivos. Mas são trágicos.

Ainda bem que o Brasil está anestesiado pelo lulismo.

Seria muito doloroso para essa gente ver o presidente da República, na noite da quinta-feira fatídica, animando festa eleitoreira, ridicularizando as instituições nacionais e fazendo saudações ao “amigo Ahmadinejad” (o tarado atômico do Irã).

Daqui a meio século talvez a anestesia passe, e o Brasil se envergonhe desse palanque à prova de chuva e de dor.










LAST





Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Surge o plano do PT


ter, 06/04/10
por gmfiuza |

Apareceu, finalmente, o verdadeiro plano de governo da herdeira de Luiz Inácio da Silva.

Como se sabe, a dupla Lula-Dilma passou os últimos quatro anos soltando espetaculares balões de ensaio. O tesouro salvador do pré-sal dominou boa parte dos discursos das autoridades petistas. Passaram a desfilar como novos ricos – comendo polenta, arrotando caviar e anunciando o fim da pobreza com o petróleo pré-datado.

O PAC também foi um sucesso, forte candidato ao Oscar de efeitos especiais. Números voadores, cifras dançantes e obras reencarnadas fizeram a alegria das agências de publicidade e dos pintores de placas. Como todo estouro de Hollywood, vem aí o PAC 2.

E ainda houve o milagre da multiplicação das bolsas. Com sua mão aberta, o governo popular liberou geral a exigência das contrapartidas de escolaridade, e saiu distribuindo dinheiro de graça. Até quem tem carro na garagem entrou na festa – desde que fosse amigo dos amigos, claro.

Bolsa Família, Bolsa Ditadura, Bolsa Invasão, Bolsa Prisão, Bolsa Tudo. A fórmula deu tão certo que surgiu o projeto da Bolsa Copa do Mundo. Se está todo mundo levando algum, os heróis do futebol não poderiam ficar de fora. É preciso ser criativo quando há dinheiro sobrando.

Lula e Dilma não se cansaram de mostrar que o futuro, com eles, será muito mais confortável. Se você não está em nenhuma das categorias acima, não se desespere: a sua teta estatal também há de chegar.

A campanha por um terceiro governo seguido do PT tem sido isso – um simpático convite aos brasileiros para continuarem desfrutando da DisneyLula, a fantasia sem fim. Em entrevista a “Época”, Dilma destacou como uma de suas credenciais seu trabalho no pré-sal. É, sem dúvida, um conto de fadas.

Tudo muito bom, mas a troca de governo vem aí, e a vida real começou a olhar para Lula com aquela cara de “e eu?!”.

O presidente então arregaçou as mangas, pediu licença aos PACs e às bolsas, e providenciou a única e verdadeira plataforma para a sua sucessão: ligou para Henrique Meirelles e lhe implorou, pelo amor de Deus, que não largasse o Banco Central.

Meirelles topou. Tudo certo. Os petistas podem continuar brincando de revolução.




LAST





Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

sábado, 27 de março de 2010

A mala do planeta: Eles ainda vão criar o Dia Mundial sem Você.

A mala do planeta

sáb, 27/03/10
por gmfiuza |

Eles estão tentando salvar a Terra e você está atrapalhando.

Você teima em abrir a torneira da pia para lavar as duas mãos ao mesmo tempo. Insiste em ligar diariamente o chuveiro. Consome oxigênio sem parar, e dá o que em troca ao planeta? Só gás carbônico, agravando o efeito estufa.

Eles ainda vão criar o Dia Mundial Sem Você.

Por enquanto, existe o Dia Mundial Sem Carros, e parece que estão planejando um Dia Mundial Sem Elevador. Resumindo, quanto menos coisas o ser humano fizer, melhor. De preferência, no escuro.

A Hora do Planeta é uma dessas tentativas de corrigir a aberração que é a vida que você leva. Desse jeito, meu caro, melhor as trevas. E não fique achando que vale o escurinho do cinema ou um blecaute romântico a dois. É sem ar-condicionado.

Mas não se sinta, ao aderir, um herói da economia de energia – outra coisa que você, consumista, teima em sugar do planeta. Não há economia alguma, porque o apagão do bem não foi programado para um horário de pico. Você não está salvando um kilowatt sequer.

A causa é muito mais nobre: está em jogo a sobrevivência dos marqueteiros do fim do mundo. Ao apagar a luz e entrar na corrente moderninha (uma espécie de pirâmide do apocalipse), você está salvando o emprego de pelo menos um eco-burocrata – e evitando que ele tenha idéias piores.

O slogan da Hora do Planeta é incisivo: “De que lado você está?” É natural que perguntem, no escuro não dá para enxergar mesmo.

Diga logo que você está do lado do planeta (até porque a lei da gravidade te obriga), e que não tem nem notícias do que se passa do outro lado, a não ser pelas mensagens do Chico Xavier.

Pronto, você já não é mais um capitalista selvagem perdulário. Está livre do purgatório ecológico. O último que sair acenda a luz.


  • Guilherme Fiuza

    Guilherme FiuzaJornalista, é autor de Meu nome não é Johnny, que deu origem ao filme. Escreveu também os livros 3.000 Dias no Bunker, reportagem sobre a equipe que combateu a inflação no Brasil, e Amazônia, 20º Andar, a aventura real de uma mulher urbana na floresta tropical. Em política, foi editor de O Globo e assinou em NoMínimo um dos dez blogs mais lidos nessa área. Este espaço é uma janela para os grandes temas da atualidade, com alguma informação e muita opinião.



LAST





Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

quinta-feira, 4 de março de 2010

Selma vem aí


seg, 01/03/10
por gmfiuza |

Nem Serra, nem Dilma. Pela evolução das pesquisas de intenção de voto, o favoritismo na corrida presidencial é de Selma – a criatura tucano-petista.

A esquizofrenia aparece claramente na última pesquisa Datafolha. No período de maior crescimento da candidata do governo, 83% dos eleitores dizem não conhecê-la muito bem.

Seria uma aposta em massa no corredor mascarado?

Já José Serra, a quem um número bem maior de eleitores diz conhecer muito bem (o dobro da adversária), está em queda – num momento em que pouco aparece em público. Seria isso um ato súbito de arrependimento em massa do eleitorado que o aprovava?

Com a redução da diferença entre os dois candidatos para apenas quatro pontos (pró Serra), tucanos arrancam as penas e petistas encomendam o terninho da posse. Não notaram um detalhe: esses números não querem dizer nada. Absolutamente nada.

A campanha presidencial está na fase da sopa de letrinhas. Cinco para lá, cinco para cá. Com a singela diferença de que as cinco que começam com D estão todo dia na boca de São Lula.

O incrível crescimento das intenções de voto em Dilma, num eleitorado que mal a conhece, apenas mimetiza o megafone do filho do Brasil. O povo pode ser trouxa, mas nem tanto.

Ainda terá bastante tempo para saber, por exemplo, que Dilma é José Dirceu no poder. E Dirceu, ao contrário de sua companheira de armas, é bem conhecido do eleitorado – pelo conjunto da obra, que já era expressivo, e pelos retoques recentes, como a negociata da Eletronet.

Para o bem ou para o mal, Serra também ainda vai sair da sombra. Exibindo seu sorriso de filme de terror, mas mostrando também suas credenciais para a presidência – que não são feitas de botox e maquiagem paraguaia.

Há uma inflação de teses pré-fabricadas no ar. Ciro Gomes era o fiel da balança – mas só até ontem. Agora é Aécio, talvez até depois de amanhã. Talvez os terremotos sejam efeito do aquecimento global, e a culpa seja do Fernando Henrique. Vamos com calma.

Esperem ao menos os dados rolarem. E desfazerem a sopa de letrinhas. Serra com Dilma dá Selma. Isso pode dar samba, mas não dá voto. Eleição não é uni-duni-tê.




















LAST




s

Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Poste que fala








dom, 21/02/10
por gmfiuza |

Não mostrem a Regina Duarte o discurso de Dilma Rousseff no Congresso do PT. Para quem tinha medo de Lula, o trauma poderá ser insuperável.

Nem tanto pelas palavras proferidas pela pré-candidata a presidente. A retórica estadista de porta de assembléia já é conhecida, misturando realidade e ficção para servir a velha laranjada ideológica.

O que pode levar Regina ao pânico é a evolução cênica, a postura, enfim, a pré-candidata em si.

Durante quase uma hora de discurso, quem se imaginou num país dirigido por aquela senhora ficou, no mínimo, mareado. Sua movimentação de braços, excessiva e a esmo, parecia tentar domar o volante de um carro desgovernado.

Acompanhar a expressão corporal e facial da ministra era, de fato, um exercício estonteante. Nada combinava com nada. Tentativas de sorriso duelavam com gestos bruscos, palavras medidas para dar informalidade saíam em tom categórico, o olhar se fixava criteriosamente no nada.

A militância petista estava lá para urrar por Dilma. Não deu. Catatônica, a claque não conseguiu reagir ao poste falante.

O único fato verdadeiramente comovente do comício era o desconforto da candidata em público, talvez enfastiada da sua própria falsidade. Um bom leitor de almas diria que ela estava doida para saltar daquele carro, rasgar a fantasia e assumir o que estava escrito na sua testa: “Socorro. Não sei dirigir esse troço.”

O contraste entre o olhar perdido e o tom peremptório ficava um pouco mais agudo quando Dilma mentia – o que não deixa de ser um indicador de honestidade, mesmo que temporariamente suspensa.

Quando afirmou, por exemplo, que o Brasil se safou da crise porque os brasileiros impediram privatizações como as da Petrobras e do Banco do Brasil, o automóvel arisco de Dilma parecia que ia sair da estrada. Enquanto recitava o samba do chavista doido, seus braços pareciam tentar a manobra impossível que a salvassem do desastre verbal.

Quando teve que prometer mais cabides para a companheirada, falando em continuar a “reaparelhar” o Estado, seus olhos pareciam pedir, pelo amor de Deus (ou de Lula), um par de óculos escuros.

As cenas são fortes. Não deixem a Regina ver.


( ATÉ EU TO EM PANICO !!!!)









LAST






Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Rodada de fogo no DF


qui, 18/02/10
por gmfiuza |

Lula recebeu o governador interino do Distrito Federal, Paulo Octávio, ferido de morte, para uma reunião. É papo de arrepiar Delúbio.
Sobre o que os dois conversaram? As assessorias informam que não houve tema específico, muito menos a renúncia do governador. Conversa de rotina. Nunca se viu uma rotina tão escabrosa.
Autoridades conversam a portas fechadas sobre o que bem entenderem. Mas dependendo das circunstâncias, fica esquisito se não contarem de um jeito convincente o que se passou ali.
O vice de um governador que está preso, sendo um empresário influente na capital da República, balançando entre o cai-não cai, envolvido em denúncias e sangrando em público, é recebido em ano eleitoral por um presidente que só faz montar palanques para sua candidata.
Que papo é esse? Por que Lula topou esse encontro? Por que não botou mais gente na sala, para descaracterizar o conchavo?
Essa campanha eleitoral vai ser animada. Como diriam os investigadores do Watergate: sigam o dinheiro. Com o fim dos esquemas tradicionais de levantamento de fundos do PT, as tetas estão mais dissimuladas, mas sempre deixam um rabinho de fora.
O esquema da Petrobras, por exemplo, está bombando, como se diz. É claro que a CPI de mentira nem arranhou a rede de convênios e favores políticos em torno da estatal – até a Fundação Sarney se safou –, mas nunca na história deste país se viu a potência petrolífera receber tanto dinheiro público na veia.
Primeiro foi a Caixa Econômica, depois uma provisão do BNDES, agora um projeto de lei no Congresso para “capitalização” da pobre empresa. Tudo na casa das dezenas de bilhões de reais. O estatismo é uma festa.
A dinheirama que está escorrendo para o Plano Dilma é algo formidável. Se ela ganhar as eleições, então, com tantas tetas institucionalizadas, ser governo no Brasil será um negócio da China. Ser amigo dele também.
Dá para imaginar o que tanto se conversa nas ruínas políticas do Distrito Federal.


Sulamérica Trânsito












LAST





Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Só o Arruda?


sáb, 13/02/10
por gmfiuza |
categoria Geral

O governador afastado do Distrito Federal foi em cana no carnaval. Os dias de folia não são muito propícios à reflexão, mas algumas se tornam inevitáveis.
José Roberto Arruda foi preso porque um suposto emissário seu foi flagrado tentando subornar um jornalista. Queria comprar uma versão sua que desqualificasse os vídeos onde Arruda aparece recebendo dinheiro.
O tal emissário confessou que estava agindo a mando de Arruda. O STJ e o STF acreditaram nessa confissão, e no bilhete atribuído ao governador, que provaria sua manobra para corromper as provas contra si.
A Justiça não quis esperar a perícia do bilhete, nem a investigação do suposto emissário, para ver se sua confissão era autêntica – ou se tudo fazia parte de uma armação contra Arruda. Correu o risco. Só o processo vai mostrar se foi uma prisão histórica ou desastrosa.
Parece evidente que Arruda estava à frente de um esquema podre. Mas se a decisão de prendê-lo foi correta, tem mais gente grande por aí que não podia estar solta.
Em 2006, assessores do senador Aloizio Mercadante – os aloprados – foram filmados comprando um dossiê que incriminava José Serra, adversário de Mercadante na campanha para governador de São Paulo. O candidato do PT gritou que não tinha nada com isso, e ficou tudo bem.
Arruda também poderia gritar que não tem nada com isso, que seu suposto emissário é um mentiroso e que não mandou comprar jornalista nenhum.
Em 2005, o publicitário Duda Mendonça confessou que recebeu dinheiro por fora, no exterior (crime contra o fisco), como pagamento pela campanha de Lula. Nenhum dos dirigentes do PT que roubaram o contribuinte ouviu falar em voz de prisão.
Roberto Jefferson confessou sua participação no esquema do mensalão, e apontou José Dirceu como mentor. O caminho do valerioduto até a boca do caixa e os bolsos dos deputados foi fartamente demonstrado. Mas as autoridades governamentais ficaram livres e soltas para calar as testemunhas que quisessem.
José Roberto Arruda está muito sozinho na cadeia.

Sulamérica Trânsito












LAST





Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Tchau, Zé

  • Guilherme Fiuza

    Guilherme FiuzaJornalista, é autor de Meu nome não é Johnny, que deu origem ao filme. Escreveu também os livros 3.000 Dias no Bunker, reportagem sobre a equipe que combateu a inflação no Brasil, e Amazônia, 20º Andar, a aventura real de uma mulher urbana na floresta tropical. Em política, foi editor de O Globo e assinou em NoMínimo um dos dez blogs mais lidos nessa área. Este espaço é uma janela para os grandes temas da atualidade, com alguma informação e muita opinião.

qui, 28/01/10
por gmfiuza |

Manuel Zelaya deixou a embaixada brasileira em Honduras. Espera-se que tenha recolhido as pontas de cigarro e arrumado as camas. Encerra-se um episódio histórico para a diplomacia brasileira: quatro meses de vigília para nada.

A pantomima do Brasil em Tegucigalpa mostrou toda a consistência da doutrina bolivariana – ou melhor, chavista (vamos deixar Simon Bolívar fora dessa). Zelaya, ou, carinhosamente, Zé, deitado na rede, com seu chapéu e seu violão, é o retrato emblemático do projeto de continente dessa nova (?) esquerda.

Deveria haver uma razão nobre para um país transformar um pedaço do seu território no exterior em casa de cômodos. Centenas de “revolucionários” amigos do Zé passaram pela embaixada brasileira, deram ordens e contra-ordens, mudaram a decoração, berraram palavrões para os inimigos do lado de fora, cantaram, hibernaram.

Até que saiu barato. Lula, Amorim, Top Garcia e companhia meteram o Brasil onde não deviam, obedecendo ao coronel Chávez – esse que está se desmilingüindo ao vivo na Venezuela. Evidentemente, a bravata não teve a menor importância, as posições brasileiras no conflito interno foram solenemente ignoradas e Honduras seguiu seu caminho.

O papelão brasileiro de “árbitro” que não apitou nada poderia ter dado em coisa pior. A casa da Mãe Joana verde-amarela estava pronta para um incidente mais grave. A conta de luz, cafezinho e papel higiênico deixada pelos amigos do Zé ao contribuinte brasileiro é um preço camarada para uma confusão dessas.

O patético caso Manuel Zelaya serve para ilustrar algo simples: a forma superficial, quase pueril, com que o Brasil vem aderindo a essa onda desvairada e paranóica que varre a América do Sul. Um alinhamento automático com posições radicalmente tolas.

Chávez, Kirchner, Evo Morales, Rafael Corrêa e todo o autoritarismo neopopulista passam exatamente pela mesma situação: crise econômica e institucional. Chegaram lá com a receita, idêntica, de aparelhamento do Estado, gastança demagógica e divisão da sociedade – sob o pretexto de vingança contra a burguesia e “popularização” da cultura e da informação (com rédea curta).

O Brasil não está indo para o mesmo buraco porque Lula, até agora, só jogou para a platéia chavista. Como se vê nos novos decretos e projetos propostos pelo governo, a entrada para valer do país na doutrina (sic) é o coração do Plano Dilma Rousseff.

Aí os amigos do Zé vão ter um monte de repartições aconchegantes para hibernar.




Sulamérica Trânsito












LAST






Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

domingo, 24 de janeiro de 2010

A meia do Roberto


dom, 24/01/10
por gmfiuza |

De onde menos se espera… Dali é que não vem nada mesmo. Em sua volta ao futebol brasileiro, o lateral Roberto Carlos ofereceu ao público mais um de seus shows de presunção explícita.

É um caso crônico, como se sabe. Dizer que o dinheiro subiu à cabeça desse jogador seria uma injustiça com o dinheiro. A empáfia de Roberto Carlos possivelmente nasceu antes dele próprio. É uma força da natureza.

Dizendo ter propostas do mundo inteiro, o imodesto veterano veio parar no Corinthians. Com sua sensibilidade a toda prova, chegou com ares de quem está fazendo um favor aos brasileiros. Mas o favor não sairá de graça. Primeiro ele precisa acertar umas continhas com o povo local.

Roberto Carlos se considera um injustiçado. Só porque estava ajeitando o meião na hora do gol de Henry, que tirou o Brasil da última Copa, pegaram no pé dele. E ele identificou o culpado pelo seu infortúnio, e seu conseqüente afastamento da seleção brasileira: o locutor da TV Globo Galvão Bueno.

O exotismo da declaração começa numa premissa chocante: o jogador se considera afastado da seleção. Depois de ir a uma Copa do Mundo passear, fazendo mais um favor a essa nação atrasada onde ele por acaso nasceu, abrindo uma brecha na sua agenda de rico e famoso internacionalmente para vestir entediado a camisa amarela, sem um pingo de futebol e de sangue para doar aos brasileiros, Roberto Carlos acha, no ocaso de sua carreira, que a seleção ainda é dele.

A culpa é do Galvão. Um locutor que passou pelo menos dez anos exaltando-o – um pouco além do merecido –, que tem considerável responsabilidade no seu sucesso perante o público, virou o agente do seu “sofrimento”.

Caro Roberto: quem sofreu foi essa nação brasileira que você despreza, ofendida pelo seu desinteresse, e de seus colegas Ronaldos, Adriano, Cafu e companhia, todos muito interessados em zelar por suas imagens publicitárias, seus recordes pessoais, suas ONGs e negócios particulares. Pesados e entediados, vocês ofenderam o Brasil em 2006 na Alemanha.

O problema não foi o seu meião. Você não jogou nada na Copa, assim como seus colegas, e isso não foi surpresa alguma. Vocês não estavam a fim de jogo, e isto foi escrito por este signatário bem antes de você se entreter com seu meião. A quem você quer enganar?

Suas conquistas na seleção e nos clubes onde jogou são louváveis. Mas não são um salvo conduto para o seu cinismo. Vocês quiseram privatizar a seleção brasileira, acharam que ela era sua passarela vitalícia. Se presunção fosse posto, e Nilton Santos tivesse metade da sua, seria titular do time de Dunga aos 85 anos.

Baixe a sua bola, reconheça seus erros, e pare com essa história de ficar mandando Galvão Bueno para a pqp em conversas com jornalistas. Com esse linguajar, vão acabar te confundindo com o presidente da República.




Sulamérica Trânsito












LAST






Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Urubus ideológicos

  • Guilherme Fiuza

    Guilherme FiuzaJornalista, é autor de Meu nome não é Johnny, que deu origem ao filme. Escreveu também os livros 3.000 Dias no Bunker, reportagem sobre a equipe que combateu a inflação no Brasil, e Amazônia, 20º Andar, a aventura real de uma mulher urbana na floresta tropical. Em política, foi editor de O Globo e assinou em NoMínimo um dos dez blogs mais lidos nessa área. Este espaço é uma janela para os grandes temas da atualidade, com alguma informação e muita opinião.

seg, 18/01/10
por gmfiuza |

O que faltava ao Haiti, depois da miséria e do terremoto? Só o vôo estiloso dos urubus de carteirinha.

Não se podia esperar nada diferente da atual política externa brasileira, essa usina de paranóia anti-americana. Amorim, Top Garcia e demais menudos bolivarianos, com o reforço de Jobim, o eterno candidato a comandante de alguma coisa, estão dando um show.

A prioridade é clara, como Lula acaba de enfatizar: gritar aos quatro ventos que o Brasil é mais importante que os Estados Unidos na ajuda ao Haiti.

O próprio presidente haitiano já está apelando. Pede por favor que as nações amigas parem de brigar pela liderança da bondade e se concentrem em ajudar – porque a ajuda está uma bagunça.

Mas vai ser difícil. O ministro Nelson Jobim, aquele que dá cotoveladas por um holofote de tragédia – como no desastre da Air France –, já chegou ao local do terremoto fazendo política. Em meio aos escombros, sua obsessão era mandar recados às autoridades americanas de que quem manda ali é o Brasil. Miséria é isso aí.

O filho do Brasil, do alto do palanque do qual nunca saiu, já tomou posse do Haiti. Se o mundo está olhando para lá, a hora é essa.

Lula diz que tem soldados lá há anos e assume a paternidade pela organização da reconstrução. Considerando o estado de coisas em Porto Príncipe e adjacências, alguns palmos abaixo do caos, dá para reconhecer o DNA.

Como sempre, o presidente brasileiro tem um slogan. O da vez é arrotar o cheque de 15 milhões de dólares entregue aos haitianos. E gritar que os outros têm que coçar os bolsos (como se estivesse todo mundo de mão fechada). Como é simples e mágico, o reino da DisneyLula.

Uma boa idéia seria pedir, com jeitinho, que o amigo Sarney devolvesse o milhão e meio que subtraiu da Petrobras, com sua bênção. Já dava para pôr de pé a igreja onde morreu Zilda Arns.




Sulamérica Trânsito












LAST






Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

domingo, 17 de janeiro de 2010

O Brasil bonito


qui, 14/01/10
por gmfiuza |

O terremoto no Haiti deixou o Brasil em ruínas. Zilda Arns era uma mulher que dignificava um país.

A notícia de sua morte sob escombros de uma catástrofe natural parece coisa de filme. Impressionante demais para soar real. Um final trágico para uma vida épica, desses que pareciam estar escritos.

Zilda não foi uma representação da bondade. Isso era pouco para ela. Na selva da sociedade, no emaranhado do dissenso humano, a bondade tende a virar estandarte. Ou slogan. A missionária da Pastoral da Criança era, com todo respeito, endiabrada. Simplesmente fazia acontecer. Danem-se o gesto e a fotografia na parede.

Zilda Arns era bondade com malícia (no bom sentido), um furacão de criatividade e senso prático. A fina flor da política brasileira.

Articulou as forças certas em torno de soluções eficientes, fez chegar uma vida melhor a milhões de deserdados, deu uma aula ao Estado, à Igreja e aos partidos de como a coletividade pode socorrer os realmente necessitados. Injetou saúde e valores num exército de crianças paupérrimas. Produziu uma epidemia de dignidade.

De vez em quando se ouvia falar dela. Muito menos do que se deveria. E ela só falava o essencial. Não era movida pelo reconhecimento. Marchava inabalável com outro combustível, raro, que não oferece um pote de ouro depois do arco-íris: espírito público.

Fazia pelos outros porque tinha que ser feito. Seu coração mandava. Viveu para isso. E morreu fazendo.

Um pedaço do futuro do Brasil foi soterrado no Haiti. Adeus, Zilda Arns.




Sulamérica Trânsito












LAST






Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Direitos humanos S.A.


dom, 10/01/10
por gmfiuza |

Em pleno mensalão, Delúbio já alertava: “Trata-se de uma conspiração da direita contra o governo popular”. Era a senha de que a quadrilha levaria os slogans de esquerda (e a cara de pau) às últimas conseqüências.

A fome não rendeu tanto. Mas o neoliberalismo e a privatização revelaram-se uma mina de ouro. E vem aí a mega-sena dos direitos humanos.

Num decreto digno dos 41 anos do AI-5, o governo embrulha a sociedade nos cânones do chavismo. Em lugar do brado dos generais em 1968, o choro de Lula – afinal, é o autoritarismo do bem.

Tudo pelos direitos humanos. Menos beijo na boca. No decreto mais cínico da história deste país, redigido em típica subliteratura de assembléia petista, os direitos do homem viram bucha de canhão populista.

Tem de tudo. Até garrote financeiro e censura a veículo de imprensa que “atentar contra os direitos humanos”. Pode-se imaginar o que vem por aí. Basta lembrar no que deu o atentado aos direitos sobre-humanos da família Sarney.

O paralelo com o AI-5 não é justo. O decreto lulista é mais abrangente. Nas suas 73 páginas, se mete em tudo. Se os generais facilitaram as invasões de domicílio, o PT dá uma força à tomada de propriedades privadas no campo. É a versão esquerdista da licença para barbarizar.

O sistema democrático também ganha seus retoques. Plebiscitos, referendos e mecanismos de veto popular vêm trazer o “enfim sós” entre o governo e seus súditos. Congresso, Judiciário, imprensa e demais instituições burguesas estão mesmo sobrando nessa relação tão pura.

Hugo Chávez e suas estripulias (chegou o câmbio duplo, sem airbag) estão aí para mostrar o final feliz do grande líder com a massa embevecida.

No lançamento do decreto histórico, o assunto foi o novo penteado pós-peruca de Dilma Rousseff. Nada mais deixa o país de cabelo em pé.

Avante, filhos do Brasil. Divirtam-se enquanto é tempo, porque a noite pode ser longa.



Sulamérica Trânsito












LAST






Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters