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segunda-feira, 28 de março de 2011

Um ano após condenação, defesa do casal Nardoni ainda tenta anular júri



Alexandre e Anna Jatobá alegam inocência, diz advogado Roberto Podval.
Pai e madrasta de Isabella estão presos pelo assassinato da menina em 2008.

Kleber Tomaz Do G1 SP


Casal Nardoni em carro da polícia (Foto: Agência O Globo)Casal Nardoni em carro da polícia após primeira
prisão (Foto: Agência O Globo)

Um ano após o julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Jatobá, a defesa do casal ainda tenta anular o júri popular no Fórum de Santana, na Zona Norte de São Paulo, que condenou os dois pelo assassinato de Isabella Nardoni. A menina de 5 anos foi encontrada morta no terraço do Edifício London, em 29 de março de 2008.

Em 27 de março de 2010, o pai da menina morta foi sentenciado a 31 anos, um mês e dez dias de prisão sob a acusação de tê-la jogado da janela do sexto andar do prédio. A madrasta dela recebeu pena de 26 anos e oito meses de reclusão porque a teria esganado antes da queda. A motivação do crime teria sido o ciúmes que Anna teria de Alexandre com Isabella. Os Nardoni estão detidos na Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo.

Segundo o advogado do casal, Roberto Podval, Alexandre e Anna ainda negam o crime que foi atribuído a eles e sustentam que são inocentes. Na época do julgamento, chegaram a cogitar a possibilidade de que Isabella teria sido morta por um assaltante que havia entrado escondido no apartamento ou até mesmo que a queda seria decorrente de um acidente doméstico.

Por esse motivo, o defensor afirmou que aguarda a decisão sobre dois recursos no Poder Judiciário que pedem a nulidade do júri feito no ano passado e, consequentemente, a realização de um novo julgamento. Nesses casos, também existe a possibilidade de se cogitar a liberdade do casal nos pedidos.

Os pedidos foram feitos ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

saiba mais

Recursos contra o júri
O primeiro recurso, chamado ‘carta testemunhável’, deu entrada em 2010 pediu o reconhecimento do direito a um novo julgamento baseado na possibilidade que existia antes da reforma processual de 2008, intitulado ‘protesto por novo júri’, no qual réus condenados a penas superiores a 20 anos tinham direito a novo julgamento. A lei 11.689 entrou em vigor em 2008 e extinguiu esse direito. A defesa do casal Nardoni argumentava que, como o crime ocorreu antes da publicação da lei, os dois tinham direito a protesto por novo júri.

Como o pedido com a ‘carta testemunhável’ foi indeferido pelo TJ-SP em 2010, Podval recorreu. O advogado entrou em 26 de janeiro deste ano com um recurso extraordinário para que o mesmo recurso seja apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e um recurso especial para análise do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas para que o recurso siga adiante nessas instâncias superiores, ela precisa da admissão do tribunal paulista. Não há previsão para quando isso irá ocorrer.

O outro recurso pendente no TJ é uma apelação ingressada em 28 de maio de 2010. O pedido está com o desembargador Luis Soares de Mello, relator do processo. Para pedir a anulação do júri e a realização de um novo julgamento, Podval argumenta, entre outras coisas, que foram negados pedidos de diligências feitos pela defesa durante a fase processual. Esse pedido deverá ser apreciado ainda neste ano, provavelmente em abril.

“O julgamento do casal Nardoni mostrou que a força social, o clamor público, impediu que se fizesse um julgamento justo. A justiça ainda não foi feita nesse caso”, disse Podval, na sexta-feira (25), por telefone ao G1.

podval (Foto: Juliana Cardilli/G1)Advogado Roberto Podval (Foto: Juliana Cardilli/G1) a foto è péssimaaaaaa, deve ser de proposito, olhos vermenhos, como se fosse demoniaco!

De acordo com o defensor de Alexandre e Anna, os dois se sentem injustiçados. “Tenho tido contato com eles, nos falamos neste ano. Como você acha que eles estão se sentindo sabendo que são inocentes e estão presos por um crime que não cometeram?”, indagou o advogado.

Apesar da comoção popular em querer condenar o casal em 2010 antes mesmo do julgamento, houve quem pensasse o contrário. Os médicos George Sanguinetti e Paulo Papandreu chegaram a trabalhar para os antigos defensores dos Nardoni e até escreveram livros posteriormente para apresentar suas teses para o homicídio que inocentavam Alexandre e Anna.

Mais recentemente, um homem postou um vídeo no site Youtube questionando a linha do tempo apresentada pelo Ministério Público, que colocava o casal na cena do crime.

Nardoni pelos Nardoni
Com a condição de não terem suas identidades reveladas, parentes do casal Nardoni informaram ao G1 que o casal continua se correspondendo por meio de cartas e recebendo a visita dos filhos na prisão masculina e feminina em Tremembé. Os dois meninos estudam em São Paulo. Familiares comentaram que as crianças chegaram a ter dificuldades para serem matriculadas em algumas instituições educacionais por causa do sobrenome, que era visto de modo pejorativo por algumas pessoas.

Amigos da família disseram que os parentes paternos de Isabella ainda visitam o túmulo da menina em dias que não coincidam com datas marcantes, como o dia em que ela morreu (29 de março) e nasceu (8 de abril).

Isabella Nardoni  (Foto: Reprodução)Isabella Nardoni morreu em 29 de março (Foto:
Reprodução)

O G1 não conseguiu localizar a mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, para comentar o assunto.

'Divisor de águas'
O promotor do caso, afirmou na sexta-feira que discorda das razões apresentadas pela defesa dos Nardoni para pedir a anulação do júri. “Todos os direitos dos então suspeitos e depois réus foram respeitados, tanto pela polícia quanto pela Promotoria e Justiça”, disse o promotor.

Para Cembranelli, o caso Isabella e o julgamento do casal foram emblemáticos e um divisor de águas para a investigação criminal brasileira. “O caso foi acompanhado pela população que conheceu a qualidade do trabalho dos institutos da Polícia Técnico Científica. Foi um marco para a investigação policial, que passou a reivindicar aparelhamento melhor. Foi um divisor de águas mostrando que é possível mostrar qualidade no esclarecimento de um crime”, disse.

Na opinião do promotor, o que foi determinante para condenação do casal foi o conjunto das provas técnicas e testemunhais. “Ela permitiu analisar o caso e raciocinar sobre a conclusão lógica do que aconteceu”, disse ele.

Procurado pelo para falar, o juiz Maurício Fossen, que presidiu o julgamento e deu a sentença, informou por meio da assessoria do TJ que não comentaria o caso.

( Não acredito na culpa do casal , principalmete pela conduta da policia , da pericia, e da promotoria, um caso muito explorado pela midia, todo mundo resolveu aparecer, foi um circo completo e resultou na condenação de alguem , menos do assassino, Isabella merecia ser respeitada, mas... o ego e a vingança foram vitoriosos.)

Publicado: 4 junho 2010


Mãe de Isabella Nardoni processa perito thumbnail

Mãe de Isabella pede R$ 100 mil de indenização por livro de Sanguinetti

Ação de danos morais quer impedir publicação e comercialização de livro

Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, assassinada em 29 de março de 2008, entrou na Justiça de São Paulo com uma ação indenizatória por danos morais no valor de R$ 100 mil contra o médico alagoano George Sanguinetti por causa do livro “A morte de Isabella Nardoni – Erros e Contradições Periciais”, que ele escreveu e pretende publicar ainda este ano. A obra, que não teve a autorização da família Oliveira para ser feita, inocenta o casal Nardoni, condenado em março deste ano pela morte da menina, e diz que o assassino foi um pedófilo não identificado. O processo está em segredo.

De acordo com informações do G1, o processo entregue na segunda-feira (24) no Fórum de Santana, na Zona Norte da capital, quer impedir a publicação, divulgação e comercialização da obra literária sob a justificativa de que ela agride a memória da menina morta aos 5 anos de idade e também causa constrangimento à sua mãe. Por telefone, a advogada de Ana Oliveira, Cristina Christo Leite, confirmou à reportagem ter entrado recentemente com uma ação, mas não quis dar mais detalhes sobre ela ou comentar o assunto.

Em 87 páginas, o livro de Sanguinetti discorda da decisão dos jurados. O casal Alexandre Nadoni e Anna Carolina Jatobá, respectivamente pai e madrasta de Isabella, foi condenado a mais de 30 anos de prisão pela morte da menina. Ambos dizem ser inocentes. O texto, ao qual o G1 teve acesso, critica o trabalho dos peritos e volta a reafirmar a existência de uma “terceira pessoa”, mas, desta vez, “revela” que o criminoso é, na verdade, um pedófilo, que abusou sexualmente da garota e a matou.

Procurado pela reportagem, Sanguinetti afirmou que vai esperar ser comunicado oficialmente pela Justiça para informar quais medidas irá tomar sobre a ação que quer barrar seu livro. O autor, no entanto, diz que não quis ofender nenhum familiar da menina.

“Ainda negocio o lançamento do livro com editoras, mas garanto que não há nenhuma alusão que denigra a imagem de Isabella ou sua família. Insistirei na publicação do livro e irei para qualquer tribunal. Estou fazendo o que meu país me permite: a liberdade de expressão. Responsabilizo-me pelo que escrevi. Fiz uma análise meramente técnica de um caso de grande repercussão. E reforço que não precisava pedir aturorização da família porque é um caso público”, declarou Sanguinetti, que já chegou a ser contratado pela família Nardoni para analisar os laudos periciais sobre a morte da menina.

Ana Carolina Oliveira em diferentes momentos de carinho com a filha Isabella

Não é a primeira vez que Ana Oliveira entra com uma ação na Justiça contra um livro sobre o caso Isabella. Em junho de 2009, o gaúcho Paulo Papandreu, que também é médico, publicou “Isabella”, que apresentava outra explicação para a morte da garota: “acidente doméstico”. Segundo ele, a garota caiu sozinha do sexto andar do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo.

O livro, que exibia uma foto de Isabella, não agradou a mãe da menina. Ela entrou com uma ação contra as imagens e o conteúdo da publicação. Em outubro, uma decisão judicial proibiu a venda e determinou o recolhimento dos 10 mil exemplares. O processo, no entanto, só será concluído após a sentença. Cerca de R$ 200 mil foram pedidos de indenização. Se a causa for ganha, a mãe de Isabella disse que doará o dinheiro a uma instituição de caridade.

Precaução
Ganhador do prêmio Jabuti de literatura de 1998 pelo livro “A Morte de PC Farias: O Dossiê de Sanguinetti”, o médico alagoano disse que ainda teve a preocupação de não exibir nenhuma foto de Isabella neste novo livro que trata do caso. “Me precavi. O primeiro passo foi o de não colocar nenhuma foto de Isabella, qualquer citação da família dela ou cópia de documento original do processo. Faço linguagem técnica a partir de achados. A polícia e a perícia deveriam ter investigado uma terceira pessoa”, disse.

Imagem de livro sobre o caso Isabella mostra nudez de uma boneca

“A morte de Isabella Nardoni – Erros e Contradições Periciais” contém fotos de uma boneca para representar a menina e desenhos feitos à mão de um suspeito, apontado como o pedófilo. O restante das páginas é de cópias de documentos de pareceres que Sanguinetti já fez sobre o caso.

“Sim, quem matou Isabella foi um pedófilo. As lesões encontradas no seu órgão genital são iguais a de uma criança abusada sexualmente. Ela caindo sentada, como afirmou a perícia paulista, não teria lesões como as que ficaram em seu corpo”, afirmou Sanguinetti. Os peritos dizem que as lesões na genitália são decorrentes da queda do sexto andar.

Leia abaixo o trecho do livro no qual ele tenta reproduzir como Isabella foi morta possivelmente por um pedófilo:

“A provável e talvez única motivação para o crime, para que ela fosse jogada do 6º andar do Edifício London foi desviar o foco do atentado sexual. Para que não fossem descobertas as lesões na genitália de Isabella e também impedir o reconhecimento do pedófilo. Acredito que a menor estava adormecida na cama, quando o infrator baixou a calça e a calcinha e a vulnerou com toques impúdicos, dedos, manuseios, etc. Ela acorda e grita papai…papai…papai e para…para..para, como foi descrito por testemunhas que ouviram os gritos de Isabella, audíveis até no 1º andar e no edifício vizinho. Os depoentes que ouviram os gritos, testemunharam que foram minutos antes da precipitação. Na tentativa de silenciá-la, de ocultar a tentativa de abuso sexual, a menor é jogada para a morte. Quando iniciei meus trabalhos, relatei meus primeiros achados e divulguei: ‘procurem o pedófilo, procurem o pedófilo,’ mostrando a causa real da morte de Isabella. No prédio ou nas cercanias, havia alguém com antecedentes de pedofilia? Os que trabalharam anteriormente foram investigados sob esta ótica? Repito: ‘Procurem o pedófilo! Procurem o pedófilo.’”, escreve Sanguinetti.

Isabella Nardoni morreu no dia 29 de março de 2008. Nardoni foi sentenciado a 31 anos, 1 mês e 10 dias; Jatobá, a 26 anos e 8 meses de prisão. Os dois estão presos em Tremembé, a 147 km da capital paulista. Eles sugerem que alguém entrou no apartamento enquanto Isabella dormia sozinha e a matou. Roberto Podval, advogado do casal, entrou com pedido na Justiça pedindo a anulação do júri. A solicitação será julgada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Caso seja negada, a defesa poderá recorrer a outras instâncias superiores, como o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal.




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26/10/2008 free counters

domingo, 14 de novembro de 2010

Perito do caso Isabella conta como é a profissão: 'Não pode se emocionar'

14/11/2010 07h36 - Atualizado em 14/11/2010 07h48


Perícia criminal é considerada fundamental para resolução de crimes.
Para se tornar um perito é preciso prestar concurso; veja dicas.

Mariana Oliveira Do G1, em São Paulo


Considerada ponto-chave em todas as investigações criminais, a perícia técnica vem ganhando destaque nos últimos anos por conta dos crimes de grande repercussão e que parecem ser de difícil solução. Além disso, seriados que mostram policiais ou peritos utilizando ciência e tecnologia para desvendar casos complexos também ajudam a aumentar o interesse pela área.

Para entender melhor qual o papel desses profissionais, o G1 acompanhou o trabalho de Sérgio Vieira Ferreira, 51 anos, perito que atuou em um dos crimes mais famosos na história recente do país. Ele estava de plantão na noite da morte da menina Isabella Nardoni, em março de 2008, e foi o primeiro perito a chegar à cena do crime, o apartamento de Alexandre Nardoni,

O G1 acompanhou o trabalho do perito Sérgio Vieira Ferreira em uma ocorrência de assalto a um motorista em São Paulo; veja ao lado

A ocorrência acompanhada pelo G1 na madrugada de uma quarta-feira em outubro foi a sétima do plantão de Sérgio Ferreira – um plantão de 24 horas. Em uma rua tranquila do bairro do Brooklin, na Zona Sul de São Paulo, houve uma tentativa de assalto, por volta de 21h, com vítima baleada e socorrida com vida, segundo informações iniciais. A reportagem acompanhava o perito em outra ocorrência, no centro de São Paulo, quando Sérgio foi notificado da nova perícia.

A vítima era um homem de 50 anos. De acordo com testemunhas, ele saiu de carro de casa, a algumas quadras do local do crime, para comprar ração para o cachorro. Na tentativa de assalto, a vítima, em um Honda Civic, foi baleada. O assaltante fugiu. O motorista ainda correu pela rua em busca de ajuda, foi socorrido, mas não resistiu ao ferimento e morreu. A Polícia Civil informou que investiga o crime.

Ferreira disse à reportagem que um perito não pode se envolver com nenhum caso. "Somos policiais técnicos. É necessário coletar provas técnicas. Não pode se emocionar. Tem casos difíceis que, como ser humano, você tem que dar aquele breque. Mas vamos fazer o serviço e coletar o que tiver para coletar", afirmou.

O perito, no entanto, não escondeu que casos envolvendo crianças o "incomodam" mais. "Eu era o perito plantonista naquela noite [da morte de Isabella] e fui o primeiro da perícia a chegar ao local. Chegou como crime contra o patrimônio, que alguém havia invadido um apartamento e jogado a criança pela janela. Pensei no lógico. Se alguém invadiu, vai ter sinais de arrombamento. E fui percebendo que a história não batia. E os vestígios contam para a gente a história. O perito, com a experiência, aprende a ter esse tino."

Formado em biologia, Ferreira já trabalhou como professor e prestou concurso por incentivo do irmão, que é policial. "Ser perito para mim é uma profissão maravilhosa, a cada dia há casos diferentes. Não estamos aqui para condenar nem inocentar, mas para dar subsídios para que se tenha investigação honesta."

Tipos de perícia
São duas as áreas de atuação dentro da perícia criminal: o trabalho de campo, quando os peritos saem para a rua e vão ao local do crime coletar indícios para produção das provas, como faz Sérgio Ferreira; e o trabalho nos laboratórios, no qual os peritos fazem análise dos materiais coletados nos locais dos crimes.

Em São Paulo, a Polícia Técnico-Científica tem seis áreas laboratoriais para análise das provas obtidas na perícia de campo: física, química, análise instrumental, entorpecentes, balística e biologia/bioquímica.

O perito Adílson Pereira, físico que coordena os laboratórios da capital paulista, mostrou ao G1 um dos locais que despertam mais curiosidade em relação às investigações criminais: o laboratório de DNA forense. É lá que amostras de sangue ou outros materiais genéticos são analisados.

"No laboratório de DNA forense se faz análise para chegar ao perfil genético do material, que será comparado com suspeito, vítima ou parentes. Aqui é analisado todo material biológico: sangue, ossos, cabelo, material nas unhas da vítima que eventualmente tentou se defender arranhando outra pessoa. São materiais coletados no campo ou pelo médico legista, recolhido no cadáver ou no vivo que tenha ido fazer exame de corpo de delito", explica - veja no vídeo ao lado como é o laboratório e ouça mais sobre o trabalho do perito.

Pereira conta que nem sempre é fácil analisar esses materiais: "Muitas vezes analisamos material em decomposição, pode levar de alguns dias até seis meses. Às vezes o sangue ficou muitas horas exposto ao sol, isso torna mais difícil o trabalho."

O Instituto Médico Legal (IML) também faz parte da Polícia Técnica. Se, por acaso, balas são retiradas de vítimas pelos médicos legistas, esses materiais serão analisados nos laboratórios.

Concurso
Atualmente, para ser um perito criminal no Brasil só há uma porta de entrada: o concurso público. É preciso ter graduação completa em qualquer área. O concurso é geralmente formado por três etapas: a prova escrita de múltipla escolha, a prova oral e um curso de formação na Academia de Polícia, que dura quase um ano.

O perito é treinado como um policial comum, mas passa por especialização para atuar na área. O perito criminal pode e deve andar armado, destaca Adílson Pereira. "Somos policiais treinados. Temos que agir como policiais, mas estamos mais voltados para a área científica", afirmou.

Diretor do Núcleo de Perícias em Crimes contra a Pessoa da Polícia Técnica de São Paulo, José Antonio de Moraes explica ainda que durante a formação o perito estuda criminalística, organização policial, contenção de crises e abordagens, além de outros temas.

Para ele, para ser um bom perito é preciso ter vocação. "Precisa ser um indivíduo chamado vocacionado. Temos aqui formados em direito, biblioteconomia, não importa a área. Caso seja aprovado no concurso, passará por curso de formação e será treinado."

"Tem gente que entra, fica três meses, e depois não quer mais voltar. Não pode se envolver emocionalmente com o crime. Isso não é frieza, é profissionalismo. (...) A perícia é imparcial. Não importa se os vestígios ajudarem a defesa ou a acusação. O processo tem dois tipos de prova, a testemunhal e a técnica. Pessoas mentem, vestígios jamais", comenta o perito Moraes.

Enquanto que para ser perito de campo não há exigência sobre área de formação, para atuar nos laboratórios, em muitos casos, é necessário ter conhecimento específico.

"Nos laboratórios, damos preferência a quem tem formação, mas não necessariamente quem tem habilitação vai atuar dentro daquela área. Temos uma formação que habilita ao atendimento na cena do crime e, quando tem necessidade de especialista, buscamos dentro dos quadros. Um biólogo não necessariamente vai atuar no laboratório de biologia. Pode atuar também no campo", explicou o físico Adílson Pereira, que chefia os laboratórios de São Paulo.

Além de peritos criminais, as perícias estaduais têm ainda fotógrafos e desenhistas, que também são concursados. Eles fotografam os locais dos crimes e fazem desenhos para simular situações.

A organização das perícias varia de acordo com cada estado. Em alguns casos, os órgãos são subordinados diretamente à Secretaria de Segurança Pública estadual e têm independência em relação às polícias civil e militar. Em outros estados, as polícias técnicas são subordinadas às polícias civis.

Em São Paulo, há expectativa sobre a abertura de um grande concurso em 2011, com cerca de mil vagas, mas a Secretaria de Segurança Pública do estado não confirmou.

Efeito 'CSI'
Presidente da Associação Brasileira de Criminalística (ABC), o perito paraibano Humberto Pontes diz que há falta de pessoal em todas as perícias do país e avalia que a abertura de concursos é necessária.

"Estudos dão conta de que é preciso 1 perito para cada 5 mil habitantes, e isso não acontece. (...) É preciso abrir concurso", afirmou.

Em São Paulo, a Polícia Científica tem 3,2 mil funcionários – dos quais 1,1 mil são peritos. A cidade tem 11 milhões de habitantes. São, portanto, 10 mil habitantes para cada perito.

Pontes, da ABC, diz que há demanda para preenchimento dos cargos. “Tem bastante gente interessada. Tenho recebido estudantes e graduados interessados sobre onde tem concurso. Isso é efeito CSI, que tem feito uma divulgação enorme da perícia", comenta, citando o seriado de TV norte-americano.

Adílson Pereira, do laboratório da Polícia Técnico-Científica de São Paulo, comenta que há, inclusive, semelhança entre a realidade da perícia e as séries de televisão que atraem os jovens para a profissão.

"A consultoria para esses seriados é muito boa. Os equipamentos são os mesmos de que dispomos. Evidentemente que nos seriados mostram os produtos ‘top de linha’. As técnicas utilizadas são parecidas. A diferença é que lá eles fecham os episódios em 40 minutos. Aqui, não recebemos o roteiro, é uma incógnita. Não dá para fechar em 40 minutos, às vezes demora seis meses para fechar um caso."

Moraes, do Núcleo de Crimes contra a Pessoa, concorda: "CSI realmente mostra o trabalho que se faz. CSI americana é um pouco diferente porque o perito é policial. Aqui o perito aparece só depois que o crime acontece."

O perito Sérgio Ferreira, que o G1 acompanhou no trabalho de campo, não concorda tanto assim: "Lá dá tudo certo, colhem a impressão digital e sabem até a cor dos olhos da pessoa. Coisas que não têm nada a ver. Mas é Hollywood. Tem que ter magia", comenta, aos risos.

Investimentos
Para tornar a perícia no Brasil mais moderna, o governo federal anunciou novos investimentos nos últimos meses. O secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Ballestreri, informou que até o final deste ano serão aplicados R$ 100 milhões para modernização dos órgãos. Kits básicos já foram entregues aos estados, conforme o Ministério da Justiça.

"Pelo país, os níveis são díspares. Algumas perícias têm boas condições e outras não têm nada. Vamos tentar criar padronização mínima para que se possa dizer que o Brasil inteiro tem condição de trabalho na perícia."

Na avaliação de Ballestreri, o crime é uma "atividade cada vez mais complexa" e a tecnologia é necessária para combatê-lo.

"Queremos com isso [investimentos] aumentar o índice de resolução de crimes. (...) No nosso país, durante décadas o modelo predominante da segurança pública foi fundamentado na força bruta.. (...) Se força bruta resolvesse alguma coisa, mas já se sabe que não se resolve nada. Temos que ingressar na era da tecnologia definitivamente."

Ballestreri diz que pesquisas de acadêmicos utilizadas pelo governo dão conta de que o índice de resolução de crimes nos estados está entre 30% e 70% dos casos. "Tem estados que superam a média. outros têm média inferior a 30%. (...) Isso passa para a população a impressão ou certeza de impunidade. Acaba sendo fator gerador de crimes."

Veja abaixo infográfico que mostra quais são os instrumentos básicos usados pelos peritos que atuam em crimes contra a pessoa.

Equipamentos
Um perito de campo, quando sai para seu trabalho, leva consigo uma maleta com objetos simples, mas que são fundamentais para o trabalho. Entre eles há pinça, lanterna e outros - confira no infográfico abaixo para o que serve cada um.

Além do material básico, há ainda itens mais complexos, mas que ficaram famosos por conta das investigações criminais de repercussão e dos seriados. São eles o luminol, também conhecido como bluestar, e as luzes forenses. O luminol serve para detectar manchas de sangue, e as luzes são, na verdade, faróis possantes com infravermelho que revelam a presença de substâncias orgânicas.





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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Justiça de SP julga nesta terça recurso para anular júri do caso Isabella

O Tribunal de Justiça de São Paulo analisa nesta terça-feira (21) um recurso que pede um novo julgamento para o casal Alexandre Nardoni e de Anna Carolina Jatobá --condenados pelo assassinato de Isabella, 5, filha de Alexandre.


Isabella morreu no dia 29 de março de 2008, ao ser jogada do sexto andar do prédio onde moravam o pai e a madrasta. Os acusados foram condenados, em março deste ano, por homicídio triplamente qualificado e fraude processual (por ter alterado a cena do crime). Alexandre foi condenado a 31 anos, um mês e dez dias de prisão por homicídio triplamente qualificado: por ter sido usado meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima, e para garantir a ocultação de crime anterior. Já Anna Carolina foi condenada a 26 anos e oito meses de prisão.

Cinco meses após a morte da criança, entrou em vigor uma nova lei que revogou o direito de um novo júri popular em casos de condenações iguais ou superiores a 20 anos de detenção --que era previsto nos artigos 607 e 608 do Código de Processo Penal. O recurso, chamado carta testemunhável, é contra o indeferimento de um novo júri pelo juiz Maurício Fossen, dado com base já na alteração da legislação.

Carol Guedes/Folha Imagem
Casal Nardoni retorna para penitenciária no interior de São Paulo após condenação
Casal Nardoni retorna para penitenciária no interior de São Paulo após condenação

"A minha questão é absolutamente técnica. O que está se discutindo é se esse recurso for um recurso processual, vale a partir da mudança da lei. Se ele for de matéria penal, ele tem que valer para todos os casos que aconteceram antes da mudança da lei. Não achamos jurisprudência sobre esse caso, vai ser o início de uma discussão que certamente chegará ao Supremo [Tribunal Federal] sobre a possibilidade de o novo júri retroagir", afirmou à Folha Roberto Podval, advogado do casal.

Para o advogado, a matéria é penal e, portanto, caberia recurso. "O recurso trata exclusivamente da pena e só existia em função da pena aplicada, não tem pressuposto, apenas haver uma pena maior de 20 anos", disse Podval.

O Ministério Público emitiu parecer contrário ao recurso. "A simples fixação de condenação penal igual ou superior a 20 anos para a admissão de protesto por novo júri, não transmite o dispositivo de sua natureza exclusivamente processual também para o penal (...) Tratava-se, sem dúvida, apenas de norma reguladora de recurso dentro do processo, jamais repercutindo sobre o estabelecimento ou cumprimento da pena pelo crime contra a vida cometido", diz o parecer do órgão.

Caso a Justiça aprove o recurso da defesa, um novo júri será marcado. Se o recurso for indeferido, Podval vai encaminhar a questão para o STF (Supremo Tribunal Federal).



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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

#casobruno : Mídia pauta decisões judiciais no caso Bruno, diz advogado


MARIANA DESIDÉRIO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O advogado Ércio Quaresma Firpe, que defende o goleiro Bruno Fernandes e seu amigo Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, questionou, em entrevista à Folha, as decisões judiciais tomadas até agora no caso. Para ele, "o próprio decreto de prisão foi midiático". O jogador responde pelos crimes de sequestro e lesão corporal de Eliza Samudio que teria acontecido em 2009, no Rio.


Firpe argumenta que o inquérito "gravitou" por nove meses antes do depoimento do adolescente, que segundo o advogado, foi o que desencadeou o interesse pelo caso. Segundo ele, somente após o interesse midiático no assunto, foi emitido o decreto de prisão. O advogado classifica ainda o depoimento do garoto como "alucinógeno". Segundo Firpe, o próprio adolescente disse que estava sob efeito de cocaína no momento.

Já a denúncia do Ministério Público, para Firpe, é uma "peça literária a ser estudada". O advogado afirma que o documento traz duas denúncias que precisam de provas materiais --ocultação de cadáver e homicídio--, sem que as provas existam.

SEM MORTES

A morte de Eliza Samudio também foi questionada pelo advogado Ércio Quaresma Firpe. "Você viu o cadáver? Você leu o atestado de óbito? Examinou o relatório de necropsia?" perguntou o advogado à reportagem. Para ele, "não houve morte neste caso".



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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Promotor do caso Isabella recebe medalha da PM

Nunca saberemos que matou Isabella graças ao condecorado !

O promotor de Justiça , que atuou no júri popular do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, será homenageado pela Assessoria Policial Militar do Tribunal de Justiça de São Paulo nesta terça-feira (17).

C. é uma das 50 pessoas que receberão a medalha Regente Feijó em cerimônia no Palácio da Justiça, no centro de São Paulo. De acordo com o coronel Marco Antonio Alves Miguel, responsável pela assessoria, "a medalha é destinada aos que viabilizaram os trabalhos da Policia Militar em apoio ao Judiciário paulista".

A medalha foi instituída por decreto do governo em 2003, e, desde então, foi entregue apenas três vezes.

Além de Cembranelli, receberão a medalha os desembargadores Antonio Carlos Viana Santos (presidente do TJ), Walter de Almeida Guilherme (presidente do Tribunal Regional Eleitoral) e Paulo Dimas de Bellis Mascaretti (presidente da Associação Paulista de Magistrados), o procurador-geral de Justiça Fernando Grella Vieira; o comandante-geral da PM, coronel Álvaro Batista Camilo, e o secretário da Administração Penitenciária, Lourival Gomes.


Adriano Vizoni-27.mar.10/Folha Imagem
Após condenação do casal Nardoni, promotor Francisco Cembranelli fala sobre o caso
Após condenação do casal Nardoni, promotor Francisco Cembranelli fala sobre o caso no Fórum de Santana

Advinha quem é candidato a Deputado Federal?



Photobucket Pictures, Images and Photos
politica é igual festa da laranja...qualquer bagaço entra...não é de admirar, esperava inclusive mais candidatos que se apareceram no caso Isabella.










DOS LAUDOS

Os laudos concluem por ter sangue humano apenas em 4 peças (fls. 1299 a 1310, quais sejam: calça da vitima; blusa feminina; bermuda do Alexandre e camiseta de manga longa (pag.1305).


Quanto aos itens: (e) Encosto do banco do motorista; (f) carpete do veiculo; (g) cadeira de transporte de criança; (r) pano tipo fralda e demais foram insatisfatórios, ou seja, não deram positivo para sangue.


Com isso fica claro que não se comprovou a existência de sangue no carro e menos ainda na fralda, que segundo a acusação teria sido usada para limpar o sangue no chão do apto.


Já o item (p) camiseta de manga longa, houve a comprovação da existência de sangue, mas o Laudo deixa claro que não pertence a Alexandre Nardoni. Também não diz a quem pertence.


No caso da bermuda do Alexandre, O Laudo é claro ao afirmar que existe uma mistura de alelos, não de sangue, compatível com 2 ou mais contribuintes, sendo um deles necessariamente do sexo masculino, ou seja , não consegue afirmar de quem é.


O mesmo ocorre em relação a cadeira de transporte, blusa feminina e bermuda do Alexandre, onde o perfil genético, segundo os peritos, é uma mistura proveniente de dois ou mais contribuintes, sendo um deles necessariamente do sexo masculino.


Observem que eles falam em perfil genético e não sangue, ou seja, o Laudo não diz que existe sangue: na fralda; encosto do banco do motorista; na cadeira de transporte de crianças entre outros. Ou seja, pelos laudos só existe sangue na 4 peças acima.

O Laudo Pericial nº 01/030/12581/08, que trata do DNA, consolida todos os outros laudos preliminares, de nºs 893ª, 925 e 926/2008.

Quando passamos a leitura do Laudo do DNA (01/030/12581/08) podemos ter, o que seria o final da pericia após os exames todos, inclusive DNA.


ALGUMAS INFORMAÇÕES

Importa dizer, a título de informação, que a perita Rosangela, quando interrogada na oitiva judicial, ao ser perguntada sobre as impressões digitais, que teriam sido tiradas, mas não foram juntadas, alega que não seriam relevantes.


Informou também, que na faca e na tesoura, que em tese teria sido usada para cortar a tela, não tinha impressão digital de ninguém, nem do casal. Ora como não poderia ter impressão digital de ninguém, se afirmam que eles cortaram a tela com esses instrumentos.


Também diz que não jogou a boneca utilizada na reconstituição, porque poderia jogá-la várias vezes que ela não cairia no mesmo lugar em que caiu Isabella. Porque será?


Diz também que a palmeira que teria amortecido a queda da Isabella, foi cortada pelo socorrista. O socorrista diz em depoimento que não houve necessidade de cortar a palmeira para dar o atendimento porque Isabella estava distante da palmeira. Essa mesma palmeira é vista em imagens de TV no domingo com a perita Rosangela ao lado dela retirando a grama. Porque ela mente. Porque sumiram com a palmeira. Essa mesma perita afirma aos repórteres que tinha sangue no carro e é da Isabella, quando o Laudo conclusivo na confirma sangue no carro.


O mesmo ocorre em relação ao apto. Não tem sangue em nenhum outro lugar a não ser na tela, e no lençol do quarto dos meninos.


O mesmo ocorre em relação ao percurso. Não tem sangue no percurso entre o carro e o elevador, no elevador e até a porta de entrada do apto. Ou seja, tudo o que foi dito sobre a existência de sangue no percurso não é verdade, o que se encontrou foram muitas manchas de tinta pelo percurso. Prédio novo apresenta muitas manchas de tinta em todos os lugares.


Outra coisa interessante é quando a pericia afirma que existe uma mão pequena com sangue na porta do quarto da Isa que deve ser de uma criança. Então não é verdade que a Isa estava desacordada, pois se o Pietro e o Cauã não estavam machucados, de quem seria aquela mão pequena com sangue na porta do quarto da Isa. Se ela estava acordada, a história deles não tem fundamento. Nem o Pai e nem a Anna Jatobá estava com algum tipo de mancha seja nas mãos ou em qualquer lugar. De onde veio a mão com sangue.


Só pode ser da minha neta, o que desmonta a história contada pela policia sobre o ocorrido naquela noite. Será que realmente houve um acidente doméstico. Ela se machucou sozinha e depois caiu, ou se machucou fugindo de alguém e a mão na porta tenha ocorrido nessa fuga. As fotos mostram uma marca na nuca da Isa, o que poderia demonstrar que alguém a teria pegado por trás quando ela estava fugindo e não esganado como eles afirmam.


Outra situação estranha é quando as 2 testemunhas do outro prédio afirmam em seu depoimento que viram os 2 brigando e que tinha certeza que era 11,23 hs. Quando divulgamos que o carro tinha monitoramento e que teria sido desligado as 11,36, essas mesmas testemunhas voltam a delegacia e aditam o depoimento dizendo que o relógio deles estava atrasado 13 minutos.


O mesmo ocorre em relação a afirmação de que teriam ouvido uma criança gritar, e que ficaram em dúvida se seria no prédio deles já que estava acontecendo uma festa lá. Depois afirmam que quem teria gritado teria sido a Isabella. Estranho nisso tudo é que, a pessoa que esta no outro prédio ouve a Isabella gritar e a discussão e a moradora do apto 73, ou seja, um andar acima não escuta nada, nem discussão nem criança gritando, ouve somente, segundo ela, a porta de incêndio que bate muito forte e o filho dela se assusta com o barulho.


Outro fato estranho ocorre com o porteiro, ele diz para várias pessoas, inclusive para mim, que não estava na guarita no momento em que a Isabella caiu que tinha saído por alguns instantes. Quando volto do hospital e com á policia no local ele muda a versão e diz que ouvi quando ela caiu. O Alexandre declara em depoimento, já na delegacia, que ele chega correndo do fundo do prédio e que ele Alexandre da uma bronca nele porque ele saiu da guarita se lá tem banheiro e tv.

FONTE: Dr. Antonio Nardoni

Mãe de Isabella pede R$ 100 mil de indenização por livro de Sanguinetti

( Ela já perdeu a causa.)



Ação de danos morais quer impedir publicação
e comercialização de obra.

Médico alagoano aponta pedófilo como
assassino em livro não lançado.
Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, assassinada em 29 de março de 2008, entrou na Justiça de São Paulo com uma ação indenizatória por danos morais no valor de R$ 100 mil contra o médico alagoano George Sanguinetti por causa do livro “A morte de Isabella Nardoni - Erros e Contradições Periciais”, que ele escreveu e pretende publicar ainda este ano. A obra, que não teve a autorização da família Oliveira para ser feita, inocenta o casal Nardoni, condenado em março deste ano pela morte da menina, e diz que o assassino foi um pedófilo não identificado. O processo está em segredo.



O G1 apurou que o processo entregue na segunda-feira (24) no Fórum de Santana, na Zona Norte da capital, quer impedir a publicação, divulgação e comercialização da obra literária sob a justificativa de que ela agride a memória da menina morta aos 5 anos de idade e também causa constrangimento à sua mãe. Por telefone, a advogada de Ana Oliveira, Cristina Christo Leite, confirmou à reportagem ter entrado recentemente com uma ação, mas não quis dar mais detalhes sobre ela ou comentar o assunto.



Em 87 páginas, o livro de Sanguinetti discorda da decisão dos jurados. O casal Alexandre Nadoni e Anna Carolina Jatobá, respectivamente pai e madrasta de Isabella, foi condenado a mais de 30 anos de prisão pela morte da menina. Ambos dizem ser inocentes. O texto, ao qual o G1 teve acesso, critica o trabalho dos peritos e volta a reafirmar a existência de uma “terceira pessoa”, mas, desta vez, “revela” que o criminoso é, na verdade, um pedófilo, que abusou sexualmente da garota e a matou.



Procurado pela reportagem, Sanguinetti afirmou que vai esperar ser comunicado oficialmente pela Justiça para informar quais medidas irá tomar sobre a ação que quer barrar seu livro. O autor, no entanto, diz que não quis ofender nenhum familiar da menina.



“Ainda negocio o lançamento do livro com editoras, mas garanto que não há nenhuma alusão que denigra a imagem de Isabella ou sua família. Insistirei na publicação do livro e irei para qualquer tribunal. Estou fazendo o que meu país me permite: a liberdade de expressão. Responsabilizo-me pelo que escrevi. Fiz uma análise meramente técnica de um caso de grande repercussão. E reforço que não precisava pedir aturorização da família porque é um caso público”, declarou Sanguinetti, que já chegou a ser contratado pela família Nardoni para analisar os laudos periciais sobre a morte da menina.
Fotos de Isabella e boneca
Não é a primeira vez que Ana Oliveira entra com uma ação na Justiça contra um livro sobre o caso Isabella. Em junho de 2009, o gaúcho Paulo Papandreu, que também é médico, publicou “Isabella”, que apresentava outra explicação para a morte da garota: “acidente doméstico”. Segundo ele, a garota caiu sozinha do sexto andar do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo.



O livro, que exibia uma foto de Isabella, não agradou a mãe da menina. Ela entrou com uma ação contra as imagens e o conteúdo da publicação. Em outubro, uma decisão judicial proibiu a venda e determinou o recolhimento dos 10 mil exemplares. O processo, no entanto, só será concluído após a sentença. Cerca de R$ 200 mil foram pedidos de indenização. Se a causa for ganha, a mãe de Isabella disse que doará o dinheiro a uma instituição de caridade.





Precaução



Ganhador do prêmio Jabuti de literatura de 1998 pelo livro “A Morte de PC Farias: O Dossiê de Sanguinetti”, o médico alagoano disse que ainda teve a preocupação de não exibir nenhuma foto de Isabella neste novo livro que trata do caso. “Me precavi. O primeiro passo foi o de não colocar nenhuma foto de Isabella, qualquer citação da família dela ou cópia de documento original do processo. Faço linguagem técnica a partir de achados. A polícia e a perícia deveriam ter investigado uma terceira pessoa”, disse.



“A morte de Isabella Nardoni - Erros e Contradições Periciais” contém fotos de uma boneca para representar a menina e desenhos feitos à mão de um suspeito, apontado como o pedófilo. O restante das páginas é de cópias de documentos de pareceres que Sanguinetti já fez sobre o caso.



“Sim, quem matou Isabella foi um pedófilo. As lesões encontradas no seu órgão genital são iguais a de uma criança abusada sexualmente. Ela caindo sentada, como afirmou a perícia paulista, não teria lesões como as que ficaram em seu corpo”, afirmou Sanguinetti. Os peritos dizem que as lesões na genitália são decorrentes da queda do sexto andar.


Leia abaixo o trecho do livro no qual ele tenta reproduzir como Isabella foi morta possivelmente por um pedófilo:


“A provável e talvez única motivação para o crime, para que ela fosse jogada do 6º andar do Edifício London foi desviar o foco do atentado sexual. Para que não fossem descobertas as lesões na genitália de Isabella e também impedir o reconhecimento do pedófilo. Acredito que a menor estava adormecida na cama, quando o infrator baixou a calça e a calcinha e a vulnerou com toques impúdicos, dedos, manuseios, etc. Ela acorda e grita papai...papai...papai e para...para..para, como foi descrito por testemunhas que ouviram os gritos de Isabella, audíveis até no 1º andar e no edifício vizinho. Os depoentes que ouviram os gritos, testemunharam que foram minutos antes da precipitação. Na tentativa de silenciá-la, de ocultar a tentativa de abuso sexual, a menor é jogada para a morte. Quando iniciei meus trabalhos, relatei meus primeiros achados e divulguei: ‘procurem o pedófilo, procurem o pedófilo,’ mostrando a causa real da morte de Isabella. No prédio ou nas cercanias, havia alguém com antecedentes de pedofilia? Os que trabalharam anteriormente foram investigados sob esta ótica? Repito: ‘Procurem o pedófilo! Procurem o pedófilo.’”, escreve Sanguinetti.


Isabella Nardoni morreu no dia 29 de março de 2008. Nardoni foi sentenciado a 31 anos, 1 mês e 10 dias; Jatobá, a 26 anos e 8 meses de prisão. Os dois estão presos em Tremembé, a 147 km da capital paulista. Eles sugerem que alguém entrou no apartamento enquanto Isabella dormia sozinha e a matou. Roberto Podval, advogado do casal, entrou com pedido na Justiça pedindo a anulação do júri. A solicitação será julgada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Caso seja negada, a defesa poderá recorrer a outras instâncias superiores, como o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal.

http://g1.globo.com/especiais/caso-isabella/noticia/2010/06/mae-de-isabella-pede-r-100-mil-de-indenizacao-por-livro-de-sanguinetti.html

domingo, 23 de maio de 2010

Médico-legista George Sanguinetti mostra boneca com as mesmas dimensões
e peso de Isabella Nardoni que tem em casa, na capital alagoana;
legista acredita em violência sexual
Desprezado pela defesa no julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, o médico-legista George Sanguinetti promete relembrar a polêmica sobre o caso da morte da menina Isabella Nardoni nas próximas semanas. O perito vai publicar o livro "A Morte de Isabella Nardoni – Erros e Contradições Periciais", no qual faz questionamentos ao trabalho realizado pela Polícia de São Paulo durante as investigações do crime.
Contratado para realizar uma perícia paralela e questionar a tese oficial do crime, ele defende a versão de que a garota não foi esganada, mas que sofreu violência sexual antes de ser jogada do 6º andar do edifício London na noite do dia 29 de março de 2008. "Se querem saber quem é o assassino de Isabella, procurem o pedófilo", afirmou Sanguinetti ao ser entrevistado pela reportagem do UOL Notícias em sua casa, na capital alagoana.
Sanguinetti não sabe apontar quem seria o pedófilo assassino. Mas, ele tem uma explicação para o desprezo no julgamento do casal Nardoni, ocorrido em março deste ano, à tese levantada por ele: do ponto de vista criminal, ela seria uma "faca de dois gumes". "Tanto poderia ajudar, como complicar, pois se não houve uma terceira pessoa, quem seria então o pedófilo? O pai? A madastra?", questionou.
No livro, com mais de 80 páginas, o legista aponta uma suposta série de erros cometidos pela perícia, embora não garanta a inocência do casal condenado pela Justiça. "Em nenhum momento digo que o pai e a madrasta são inocentes, nem garanto que existiu uma terceira pessoa na cena do crime. O que asseguro é que faltou investigação e as provas são falhas e incapazes de condenar Anna e Alexandre", disse.
Segundo ele, o laudo feito pela polícia paulista aponta para quatro lesões na área genital de Isabella, que "provariam" o abuso sexual instantes antes da queda. "São sinais claros da síndrome da criança abusada sexualmente. Se as lesões descritas fossem consequência do impacto do corpo sobre galhos e folhagens da palmeira no momento da queda, haveria na calcinha e na calça perfurações, roturas indicativas. A calcinha e a calça estavam íntegras", alegou.
O médico-legista ainda aponta para o "erro crucial" das investigações. "O erro mais grave, entre tantos erros, foi não realizar de imediato o exame das unhas do casal. A existência ou não de material orgânico de Isabella definiria a culpa ou inocência deles", garantiu.
Para Sanguinetti, caso as unhas do casal tivessem sido analisadas, seria possível definir se o abuso sexual foi praticado pelo casal condenado. "Esta resposta do IML - que não realizou o exame das unhas porque fotografou e que as unhas estavam aparadas - é uma afronta à Criminalística e à Medicina Legal. Não se faz exame das unhas com observação de olho ou com fotografias. Como é que olhando as mãos de uma pessoa e fotografando, vou afirmar se antes a mesma teve oportunidade de arranhar alguém?", questiona no livro.
Legista afirma que assassino poderia estar escondido por trás
do vidro da varanda do apartamento, que tinha uma película
No livro, o médico-legista George Sanguinetti afirma que o
"pedófilo assassino" teria três pontos de
fuga do prédio em um minuto

Esganadura é "equívoco"
Sobre a esganadura, supostamente praticada pela madrasta, Sanguinetti diz que ela é um "equívoco" e de "total impossibilidade". Para ele, a morte foi causada exclusivamente pelo politraumatismo da queda.
"Na região cervical (pescoço), quer na parte da frente, quer na parte de trás, não consta assinalada nenhuma lesão. Se tivesse ocorrido esganadura haveria escoriações e equimoses, ou seja, marcas de unhas, arranhões e mudanças na coloração. No laudo necroscópico, no exame externo do cadáver no IML também não foi descrita nenhuma lesão do pescoço", cita no livro.
Sanguinetti ainda critica os peritos paulistas que teriam tirado apenas a foto de Isabella com uma placa na frente do pescoço. "Se não estivesse com a placa, seria visível a integridade quanto ao aspecto externo do pescoço e afastaria a possibilidade de esganadura", afirmou, citando no livro um suposto trecho do depoimento dos peritos oficiais que constariam no processo. "Em nenhum momento fizemos tal afirmação [de que a esganadura foi feita pela madrasta] e não sabemos de qual fonte foi extraída", teriam dito à Justiça.

Ferimentos encontrados no corpo de Isabella Nardoni

pelo IML após o crime não apontariam para esganadura,

e trariam quatro lesões próximas à área genital

Embora não garanta a existência de uma terceira pessoa no cenário do crime, Sanguinetti afirma que era possível alguém ter entrado no apartamento sem ter sido percebido, e que o tempo de evacuação do apartamento seria de apenas um minuto.
"Havia um prédio em construção ao lado do edifício, e tinha por onde qualquer pessoa entrar sem ser percebida. O porteiro também alegou que na noite do crime chegaram carros que ele não conseguiu identificar, pois ainda não havia cadastro, e que a cerca elétrica e os sensores ainda não haviam sido ativados. Além disso, o tenente que comandou as investigações me disse que vistoriou apenas os apartamentos que conseguiu, ou seja, visitou aqueles que tinham pessoas e que abriram as portas. E se o pedófilo estivesse em um desses que não foi visitado?", argumentou.
Sanguinetti ainda assegura que não tem interesse em ganhar dinheiro com o livro, mas, sim, levantar a discussão sobre o assunto. "Esse livro vai custar entre R$ 8 e R$ 10, que é o preço mínimo. Tenho duas aposentadorias e sou consultor; tenho uma vida estável. Quero que as pessoas vejam que existem erros em um caso de tanta repercussão e principalmente que esse debate chegue às faculdades", disse.
Procurados pelo UOL Notícias, o advogado de defesa do casal Nardoni, Roberto Podval, e o promotor do caso, Francisco Cembranelli, informaram que não iriam comentar a tese levantada por Sanguinetti.
Legista já contestou morte de PC Farias
Aos 65 anos, o pernambucano George Sanguinetti é professor de medicina legal aposentado pela Universidade Federal de Alagoas e coronel reformado da Polícia Militar do Estado.

O legista ficou conhecido nacionalmente ao contestar, em 1998, o laudo do legista paulista Badan Palhares sobre a morte de Paulo César Farias, que apontava para crime passional, seguido de suicídio.
"Ali foi um duplo homicídio, e conseguimos à época anular o laudo feito pelo legista Badan Palhares. Hoje, o laudo que vale é nosso", contou.
PC Farias e sua mulher, Suzana Marcolino, foram encontrados mortos com um tiro cada um na casa de praia dele em Maceió, em 23 de junho de 1996.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2010/05/22/perito-de-al-tenta-ressuscitar-caso-isabella-com-livro-que-aponta-pedofilo-como-assassino.jhtm


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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Mãe de Isabella pede R$ 100 mil de indenização por livro de Sanguinetti






Ação de danos morais quer impedir publicação e comercialização de obra.
Médico alagoano aponta pedófilo como assassino em livro não lançado.

Kleber Tomaz Do G1 SP


Imagem de livro sobre caso IsabellaImagem de novo livro sobre o caso Isabella
(Foto: Divulgação)

Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, assassinada em 29 de março de 2008, entrou na Justiça de São Paulo com uma ação indenizatória por danos morais no valor de R$ 100 mil contra o médico alagoano George Sanguinetti por causa do livro “A morte de Isabella Nardoni - Erros e Contradições Periciais”, que ele escreveu e pretende publicar ainda este ano. A obra, que não teve a autorização da família Oliveira para ser feita, inocenta o casal Nardoni, condenado em março deste ano pela morte da menina, e diz que o assassino foi um pedófilo não identificado. O processo está em segredo.

O G1 apurou que o processo entregue na segunda-feira (24) no Fórum de Santana, na Zona Norte da capital, quer impedir a publicação, divulgação e comercialização da obra literária sob a justificativa de que ela agride a memória da menina morta aos 5 anos de idade e também causa constrangimento à sua mãe. Por telefone, a advogada de Ana Oliveira, Cristina Christo Leite, confirmou à reportagem ter entrado recentemente com uma ação, mas não quis dar mais detalhes sobre ela ou comentar o assunto.

Em 87 páginas, o livro de Sanguinetti discorda da decisão dos jurados. O casal Alexandre Nadoni e Anna Carolina Jatobá, respectivamente pai e madrasta de Isabella, foi condenado a mais de 30 anos de prisão pela morte da menina. Ambos dizem ser inocentes. O texto, ao qual o G1 teve acesso, critica o trabalho dos peritos e volta a reafirmar a existência de uma “terceira pessoa”, mas, desta vez, “revela” que o criminoso é, na verdade, um pedófilo, que abusou sexualmente da garota e a matou.

Procurado pela reportagem, Sanguinetti afirmou que vai esperar ser comunicado oficialmente pela Justiça para informar quais medidas irá tomar sobre a ação que quer barrar seu livro. O autor, no entanto, diz que não quis ofender nenhum familiar da menina.

“Ainda negocio o lançamento do livro com editoras, mas garanto que não há nenhuma alusão que denigra a imagem de Isabella ou sua família. Insistirei na publicação do livro e irei para qualquer tribunal. Estou fazendo o que meu país me permite: a liberdade de expressão. Responsabilizo-me pelo que escrevi. Fiz uma análise meramente técnica de um caso de grande repercussão. E reforço que não precisava pedir aturorização da família porque é um caso público”, declarou Sanguinetti, que já chegou a ser contratado pela família Nardoni para analisar os laudos periciais sobre a morte da menina.

Imagem de livro sobre caso Isabella

Pedófilo (Divulgação)

Fotos de Isabella e boneca
Não é a primeira vez que Ana Oliveira entra com uma ação na Justiça contra um livro sobre o caso Isabella. Em junho de 2009, o gaúcho Paulo Papandreu, que também é médico, publicou “Isabella”, que apresentava outra explicação para a morte da garota: “acidente doméstico”. Segundo ele, a garota caiu sozinha do sexto andar do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo.

O livro, que exibia uma foto de Isabella, não agradou a mãe da menina. Ela entrou com uma ação contra as imagens e o conteúdo da publicação. Em outubro, uma decisão judicial proibiu a venda e determinou o recolhimento dos 10 mil exemplares. O processo, no entanto, só será concluído após a sentença. Cerca de R$ 200 mil foram pedidos de indenização. Se a causa for ganha, a mãe de Isabella disse que doará o dinheiro a uma instituição de caridade.

Precaução

Ganhador do prêmio Jabuti de literatura de 1998 pelo livro “A Morte de PC Farias: O Dossiê de Sanguinetti”, o médico alagoano disse que ainda teve a preocupação de não exibir nenhuma foto de Isabella neste novo livro que trata do caso. “Me precavi. O primeiro passo foi o de não colocar nenhuma foto de Isabella, qualquer citação da família dela ou cópia de documento original do processo. Faço linguagem técnica a partir de achados. A polícia e a perícia deveriam ter investigado uma terceira pessoa”, disse.

“A morte de Isabella Nardoni - Erros e Contradições Periciais” contém fotos de uma boneca para representar a menina e desenhos feitos à mão de um suspeito, apontado como o pedófilo. O restante das páginas é de cópias de documentos de pareceres que Sanguinetti já fez sobre o caso.

“Sim, quem matou Isabella foi um pedófilo. As lesões encontradas no seu órgão genital são iguais a de uma criança abusada sexualmente. Ela caindo sentada, como afirmou a perícia paulista, não teria lesões como as que ficaram em seu corpo”, afirmou Sanguinetti. Os peritos dizem que as lesões na genitália são decorrentes da queda do sexto andar.

Imagem de livro sobre caso IsabellaBoneca representa Isabella no livro (Foto:Divulgação)

Leia abaixo o trecho do livro no qual ele tenta reproduzir como Isabella foi morta possivelmente por um pedófilo:

A provável e talvez única motivação para o crime, para que ela fosse jogada do 6º andar do Edifício London foi desviar o foco do atentado sexual. Para que não fossem descobertas as lesões na genitália de Isabella e também impedir o reconhecimento do pedófilo. Acredito que a menor estava adormecida na cama, quando o infrator baixou a calça e a calcinha e a vulnerou com toques impúdicos, dedos, manuseios, etc. Ela acorda e grita papai...papai...papai e para...para..para, como foi descrito por testemunhas que ouviram os gritos de Isabella, audíveis até no 1º andar e no edifício vizinho. Os depoentes que ouviram os gritos, testemunharam que foram minutos antes da precipitação. Na tentativa de silenciá-la, de ocultar a tentativa de abuso sexual, a menor é jogada para a morte. Quando iniciei meus trabalhos, relatei meus primeiros achados e divulguei: ‘procurem o pedófilo, procurem o pedófilo,’ mostrando a causa real da morte de Isabella. No prédio ou nas cercanias, havia alguém com antecedentes de pedofilia? Os que trabalharam anteriormente foram investigados sob esta ótica? Repito: ‘Procurem o pedófilo! Procurem o pedófilo.’”, escreve Sanguinetti.

Isabella Nardoni morreu no dia 29 de março de 2008. Nardoni foi sentenciado a 31 anos, 1 mês e 10 dias; Jatobá, a 26 anos e 8 meses de prisão. Os dois estão presos em Tremembé, a 147 km da capital paulista. Eles sugerem que alguém entrou no apartamento enquanto Isabella dormia sozinha e a matou. Roberto Podval, advogado do casal, entrou com pedido na Justiça pedindo a anulação do júri. A solicitação será julgada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Caso seja negada, a defesa poderá recorrer a outras instâncias superiores, como o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal.





Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, conversa com CLAUDIA
O futuro, um amor

"Tirei passaporte pela primeira vez (???). Não estou muito convicta de que vou viajar porque não quero me afastar da terapia. Quando tudo aconteceu, não pensei em me matar, mas tive vontade de desaparecer, de ficar quieta na cama, sem ouvir nem falar. Meus pais e eu mudamos de casa e doei roupas e brinquedos. Guardei os ursinhos, e algumas meias dela ainda se misturam às minhas na gaveta. A terapia me ajuda a digerir o trauma e outras dificuldades pessoais. Não faço planos, mas seria bom voltar a ter desejos banais, de me maquiar, emagrecer, colocar uma roupa, sair para dançar... Nunca mais dancei e adoro samba. Não estou namorando, o que não significa que me negue ao amor. Mas espero que desta vez seja diferente – quando a Isabella nasceu, eu era adolescente e solteira. Agora quero alguém só para mim, casar, ter filhos... São projetos ainda sem data, para a hora em que estiver totalmente pronta. Também não sei se esse alguém vai tirar de letra a minha história.

( COMO SOFRE... !!)
Foto Chris Parente/Realização Noris Martinelli/Produção Sylvia Radovan/Cabelo e maquiagem Giuliano Rezende, First Blusa, Pelu; calça, Calvin Klein; sandálias, Shoestock/Poltrona, Conceito Firma Casa

Medo de pôr tudo a perder

"Ao ficar trancada naquela sala abafada do fórum aguardando a acareação, tive medo de pôr tudo a perder. Sempre acreditei no trabalho dos peritos e do promotor Francisco Cembranelli, a quem sou eternamente grata. Mas três dias ali, sem celular, internet, sem saber como andava o julgamento que escancarava a minha vida e a da minha filha... entrei em stress. Tive queda de pressão, dor de cabeça, puxava a pele dos lábios sem parar. Um psiquiatra atestou que eu estava sem condições e o juiz me mandou para casa. Foi melhor: temia que, na hora H, cara a cara com eles (o casal Nardoni), eu perdesse o controle, desse um murro ou algo assim. Até sair a sentença, fiquei inquieta. Lembrava que a Suzane von Richthofen( ??????) tinha planejado a morte dos pais, confessado e ainda conseguido três votos do júri a seu favor.

( TINHA MEDO DE ESTRAGAR TUDO? DE SE ENTREGAR? DE CONFESSAR QUE HAVIA MENTIDO? QUE NÃO HÁ PROVAS? MEDO DE ESTRAGAR O " TRABALHINHO" DO PROMOTOR?)


VEJA NESTA REPORTAGEM








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