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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

‘Um Mar de Contos’ para escritores dos 12 aos 17

‘Um Mar de Contos’ para escritores dos 12 aos 17

Alto Minho
A Rede de Bibliotecas de Caminha está a apoiar e a divulgar o concurso literário ‘Um Mar de Contos’, que está a decorrer a nível nacional, e cujas inscrições terminam a 16 de Fevereiro.
Trata-se de uma iniciativa da Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar (EMAM) para sensibilizar e mobilizar a sociedade para a importância do mar.

Esta iniciativa dirige-se aos jovens entre os 12 e os 17 anos, e visa encorajar o surgimento de novos talentos literários que se inspirem na grande riqueza que é o mar português, como o fizeram vários dos mais reconhecidos autores nacionais que consagraram o mar como um mundo privilegiado de aventuras, tragédias e histórias de amor de que são exemplo Luís de Camões, Fernão Mendes Pinto, Fernando Pessoa, Vergílio Ferreira e Sophia de Mello Breyner.

Assim, a EMAM e a Rede de Biblioteca de Caminha lançam o desafio a quem tem entre 12 e 17 anos. “Escreve sobre o passado, o presente ou o futuro”, “faz o relato de uma expedição científica ou de uma emocionante aventura de piratas. Conta a história de um peixe ou de um pescador, o que no caso do nosso concelho não é difícil, dadas as fortes ligações que temos com o mar, os peixes e os pescadores. Recorda um episódio que se tenha passado contigo na praia ou num barco”, “apela aos cuidados a ter com a poluição marítima, temática muita abordada nas campanhas de educação ambiental realizadas durante a época balnear pelo Município. Em suma: escreve sobre o que quiseres, mas escreve sobre o mar” são apelos dos organizadores.

O regulamento e ficha de inscrição estão disponíveis em www.emam.com.pt.
Os melhores trabalhos serão premiados. Consola Wii, equipamento de bodyboard, colecção de DVD “Mar é Azul” e Grande Enciclopédia do Oceano, são os prémios que serão entregues aos vencedores.

“A Rede de Bibliotecas de Caminha apoia e divulga o concurso, uma vez que Caminha é um concelho desde sempre ligado ao mar, ou seja, com fortes tradições e ligações ao mar e às suas gentes”, refere a autarquia na sua página da internet. Além disso, acrescenta, é um concelho muito procurado, na época balnear, por causa do mar e das suas praias. E, considera que essas mesmas tradições e o mar que banha o concelho podem servir de inspiração aos jovens talentos do concelho.

Universidade do Minho promove seminários

A Rede de Bibliotecas de Caminha está a promover a iniciativa Ciclos de Seminários mensais dedicados a autores portugueses. Os primeiros seminários temático decorreram, dia 26, com Luís Vaz de Camões como figura de destaque. Participado por cerca de 120 alunos e professores dos agrupamentos de escolas do concelho, os seminários, a cargo de Micaela Ramon, professora do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho, decorreram na Biblioteca Escolar da EB2,3 /S de Caminha e na Biblioteca Municipal de Vila Praia de Âncora.

Este ano, ainda vão merecer destaque nestes seminários Eça de Queirós, Padre António Vieira, Cesário Verde e Fernando Pessoa. Os ciclos de Seminários Mensais dedicados a autores portugueses realizam-se no âmbito do acordo de cooperação estabelecido entre a Câmara Municipal de Caminha e a Universidade do Minho, que visa o desenvolvimento de acções de formação e de colaboração técnico-científica e cultural nos domínios da língua e cultura portuguesas e, de um modo geral, das Letras, Artes e Ciências Humanas. Para o executivo camarário este acordo de cooperação com a Universidade do Minho representa mais um esforço do Município para melhorar os níveis literários da comunidade escolar.

www.correiodominho.com

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26/10/2008 free counters

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Cleo Pires tatua, com rena, poesia de Fernando Pessoa para a 'Playboy'


O que mais chamou atenção em uma das capas de Cleo Pires para a "Playboy" de agosto foi uma enorme tatuagem na lateral de seu corpo. É sabido que Cleo tatuou todas essas palavras com rena (o que significa que não é definitiva) especialmente para posar para a edição de aniversário da revista. Aproximando a imagem em alta resolução é possível ler uma famosa poesia de Fernando Pessoa chamada "Tempo de travessia". Perguntado sobre de quem partiu a ideia de escrever os versos, Edson Aran, o diretor da publicação, disse: "Foi dela mesma". A "nova" tatoo vêm logo abaixo da frase "Live and let die" (Viva e deixe morrer, em português). Veja o detalhe da foto e leia abaixo os versos do poeta português.

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Confira a outra capa de Cleo:

Foto: Divulgação



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26/10/2008 free counters

sábado, 23 de janeiro de 2010

Genealogia dos algarvios está à distância de um clique




Foto

E se toda a sua genealogia estivesse à distância de um clique? Se as suas raízes familiares são algarvias, isso já é possível graças ao trabalho de Nuno Inácio, que está a desenvolver um sítio com a genealogia do Algarve.

O sítio - http://www.genealogiadoalgarve.com/ - está online desde Setembro, quando foi lançado o login para os residentes em Portimão, mas já é possível pesquisar famílias de Barlavento a Sotavento do Algarve.

Em conversa com o «barlavento», Nuno Inácio explicou que tudo começou com uma pesquisa familiar que lhe despertou o interesse pela genealogia.

«Comecei a fazer a minha própria genealogia há cerca de cinco anos, pela linha paterna que tem origem no Alferce. Quando cheguei aos princípios do século XVIII, cheguei à conclusão que todo o Alferce era da família e optei por fazer o levantamento completo com todos os dados».

Do Alferce, em Monchique, a viagem foi curta até à freguesia vizinha de São Marcos da Serra – concelho de Silves - , onde a conclusão foi semelhante: «os habitantes mais antigos eram todos da família e a partir daí surgiu a ideia de fazer o levantamento de todo o Algarve», explicou o genealogista.

A principal fonte de informação para Nuno Inácio são os registos paroquiais. No entanto, estes só remontam a meados do século XVI, data do Concílio de Trento e, por isso, a pesquisa fica temporalmente limitada.

«Dificilmente se conseguirá recuar além das 20 gerações. As informações anteriores aos registos paroquiais são do Tribunal do Santo Ofício e de processos de Inquisição, e essa é a única possibilidade para recuar, no máximo, até ao princípio do século XV».

Por outro lado, também existem impedimentos para aproximar as pesquisas da actualidade, uma vez que só é possível a consulta de informações até ao ano de 1910 devido à protecção de dados, e nem todos os livros estão disponíveis, uma vez que, em alguns casos, os registos não foram enviados para o Arquivo Distrital.

No entanto, apesar das limitações, segundo Nuno Inácio, «o programa está disponível para receber dados actuais, e já recebemos centenas de dados de pessoas que estão a fornecê-los para “colar” com os que já estão na base de dados. Só assim é possível estabelecer relações com a actualidade. Já temos informação de bebés nascidos em 2009», adianta.

Para o genealogista, uma pesquisa deste género tem vantagens a vários níveis. «Para além da questão da curiosidade, um trabalho deste tipo é útil para historiadores, uma vez que a história da região é contada pessoa-a-pessoa, pois, além dos nomes, o site tem informação sobre o local onde as pessoas viviam ou a sua profissão. Além disso, a descoberta das origens pode facilitar processos de partilhas, para reconhecer herdeiros, ou ainda ajudar à naturalização de estrangeiros que sejam descendentes de portugueses e que precisem de comprovar a sua ascendência».

Quem já tem comprovada a ascendência algarvia com a pesquisa de Nuno Inácio são nomes como o herói da independência de muitos países da América do Sul Simão Bolívar, a actriz Amélia Rey Colaço, o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, Eça de Queiroz, ou mesmo Fernando Pessoa.

«Fernando Pessoa descende por dois ramos, um próximo, dentro das cinco gerações, e outro mais antigo, mas ambos de Portimão. O Simão Bolívar descende de Fernando Leão Pacheco, que era natural de Portimão, e o Carlos Drummond de Andrade é descendente da família Chassim, que era muito importante em Portimão no final do século XVI».

Para além das dificuldades na pesquisa de informação, Nuno Inácio tem que suportar ainda alguns dos custos financeiros do projeto, que são avultados.

«Sai muito caro, só o leitor de microfilmes custou 10 mil euros. Mandei ainda fazer um programa de raiz para tratamento de dados que não foi barato. As fotocópias dos documentos custam 50 cêntimos cada. É extremamente caro», lamenta o genealogista, que diz só ter conseguido avançar com o projeto devido ao apoios do municípios de Portimão e, mais recentemente, Albufeira, concelho cuja apresentação dos dados, e atribuição de log-in deverá acontecer no mês de Fevereiro.

«Os municípios adquirem os direitos de autor que permitem aos munícipes aceder à pesquisa. Por enquanto, ainda só foi apresentado o concelho de Portimão, mas o de Albufeira estará para breve, talvez em Fevereiro, mas tenho outras pesquisas concluídas. Para a sua apresentação, só falta o apoio dos municípios, que têm reconhecido a importância do projeto, e só ainda não avançaram devido à falta de disponibilidade financeira», conclui Nuno Inácio.



Sulamérica Trânsito












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26/10/2008 free counters

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

(Começo a conhecer-me. Não existo.)


Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
Ou metade desse intervalo, porque também há vida...
Sou isso, enfim...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.
Comienzo a conocerme. No existo.
Soy el intervalo entre lo que deseo ser y lo que los otros me hicieron,
O mitad de ese itervalo, porque también hay vida...
Soy eso, en fin...
Apague la luz, cierre la puerte y deje de haber barullos de chinelas en el corredor.
Quede yo en el cuarto sólo con el grande sosiego de mí mismo.
Es un universo barato.





Álvaro de Campos



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26/10/2008 free counters

El desasosiego de un fado



Por TIPOS INFAMES* (SOITU.ES)
Actualizado 22-11-2008 19:26 CET

Existe en la población española un cariño y afecto especial hacia los portugueses. Un amor de proximidad, de vecino de toda la vida al que tras muchos años de saludos matinales se acaba por apreciar. Sin embargo, es esta relación de cercanía la que nos impide ahondar en las virtudes de nuestro querido copropietario de península.

Pessoa por Almada Negreiros.

Nos jactamos de considerar a los lusos casi como a familiares, una especie de hermanos, eso sí, menores, de los que sólo nos acordamos en ocasiones especiales. De hecho, cuesta en general, recordar elementos característicos o distintivos de Portugal salvo a Cristiano Ronaldo. Junto al futbolista y no por este orden, suelen permanecen inalterables en la memoria hispana el espectacular bacalao preparado en las tabernas lisboetas, los ecos del fado o el nombre de uno de los escritores con mayor talento del siglo XX.

Los más sagaces ya habrán adivinado su nombre: Fernando Pessoa. Con aspecto entre intelectual y funcionario parsimonioso se dedicó a múltiples oficios, sobre todo a la traducción, para así poder ejercitar el oficio de escritor. Durante su no muy larga vida publicó artículos en medios dispersos y un libro de poesía, 'Mensaje' (1933). Al igual que Kafka, otro de los indispensables del Siglo y de la Infamia, legó una gran cantidad de documentación inédita que reveló tras su muerte al gran escritor que es.

Su fama inicialmente fundamentada en la poesía quedó engrandecida a partir de la publicación del 'Libro de desasosiego de Bernardo Soares', principal obra prosística de Pessoa. El libro recoge la compilación de pensamientos a modo de dietario, fragmentos que Pessoa redactó desde 1914 hasta su muerte prematura en 1935.

En ellos el autor a través de su característico juego entre heterónimo/ortónimo, sitúa a Bernardo Soares como protagonista de la multitud de reflexiones que le acontecen. Como ya nos tiene acostumbrados y usando esta artimaña literaria (otro Pessoa ha sido y no ha sido Ricardo Reis, Alberto Caeiro o Álvaro de Campo) , se refugia en él para narrar las impresiones que le suceden desde los vagos anhelos hasta los paseos por Lisboa. La inacción del personaje, representativo de la crisis de valores del siglo XX, le llena de tedio, nausea, y ante todo un terrible desasosiego.

La introspección emocional a la que somete Pessoa a Soares, o que se provoca él mismo, es la que conforma al hombre contemporáneo. El análisis contemplativo pero profundo de nuestros temores y miedos, la expectación de lo que sucede en nuestro entorno y la meditación sobre la soledad que nos acecha alimentan la mente del contable lisboeta. La carencia de fe o mejor dicho Dios, la falta de amor o las continuaciones ensoñaciones despliega el imaginario del 'Desasosiego' al nuestro, compartiéndolo y desvaneciéndolo en uno solo.

Es este territorio abierto al lector, el que recupera Seix Barral. Afortunadamente reedita el magnífico volumen (primigenio en España) que en 1982 estructurara el poeta y traductor Ángel Crespo. Su estupenda organización de los escritos del creador portugués, dan otra lectura a la ya estupenda edición publicada por Acantilado en 2003 y a cargo de Perfecto E. Cuadrado. Si no lo habéis leído, leedlo, da igual la edición, cualquiera de las dos sirve al destino final del libro.

Para los más fanáticos del escritor portugués os recomendamos otra publicación reciente. Se trata de 'Diarios' (Gadir, 2008) y recoge las entradas biográficas de Fernando Pessoa en periodos que abarcan desde 1906 a 1915. En este libro se recogen desde anotaciones personales a reflexiones más generales, pero sin llegar al grado de compromiso poético 'Libro del Desasosiego'.

Si el primero nos proporciona ese nexo emocional a lo humano, el segundo nos visiona la cotidianidad de Pessoa. Su vida, aprietos económicos e intenciones, quedan reflejadas en el libro; el uso determinados recursos literarios como sus primeros heterónimos (Fray Mauricio, Alexander Search…), la vocación simbolista, la prosa aforística y otros elementos que desarrollará más adelante.

Sabemos de la controversia reciente sobre el legado de Pessoa, sabemos que se celebra el 120 aniversario del nacimiento del poeta, sabemos la importancia e influencia que ha tenido en otros autores, pero ante todo sabemos o creemos saber que merece ser leído. Las sensaciones que os trasmitirá pocas veces se repiten. Aprovechad pues la primera lectura, saboreadla y si podéis escuchad de fondo un fado.

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26/10/2008 free counters

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Os Castelos ( Fernando Pessoa )


A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,

A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar sphyngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal.
Europa yace, puesta en los codos:
De Oriente a Occidente yace, mirando,
Y cúbrenle románticos cabellos
Ojos griegos, recordando.

El codo izquierdo es reculado;
El derecho es un ángulo dispuesto.
Aquél dice Italia donde es posado;
Este dice Inglaterra donde, alejado,

La mano sustenta, en que se apoya el rostro.
Mira, con el mirar sphyngico y fatal,
El occidente, futuro del pasado.
El rostro con que mira es Portugal.

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26/10/2008 free counters

Ultimatum - Fernando Pessoa


F E R N A N D O P E S S O A

Ultimatum

Capa de Ultimatum
Capa do Portugal Futurista Nº1 (único)


Original de Ultimatum
Publicação original de Ultimatum

Mandado de despejo aos mandarins da Europa! Fora.
Fora tu, Anatole-France, Epicuro de farmacopeia-homeopática, ténia-Jaurès do Ancien-Régime, salada de Renan-Flaubert em louça do século dezassete, falsificada!
Fora tu, Maurice-Barrès, feminista da Acção, Chateaubriand de paredes nuas, alcoviteiro de palco da pátria de cartaz, bolor da Lorena, algibebe dos mortos dos outros, vestindo do seu comércio!
Fora tu, Bourget das almas, lamparineiro das partículas alheias, psicólogo de tampa de brasão, reles snob plebeu, sublinhando a régua de lascas os mandamentos da lei da Igreja!
Fora tu, mercadoria Kipling, homem-prático do verso, imperialista das sucatas, épico para Majuba e Colenso, Empire-Day do calão das fardas, tramp-steamer da baixa imortalidade!
Fora! Fora!
Fora tu, George-Bernard-Shaw, vegetariano do paradoxo, charlatão da sinceridade, tumor frio do ibsenismo, arranjista da intelectualidade inesperada, Kilkenny-Cat de ti próprio, Irish-Melody calvinista com letra da Origem-das-Espécies!
Fora tu, H. G. Wells, ideativo de gesso, saca-rolhas de papelão para a garrafa da Complexidade!
Fora tu, G. K. Chesterton, cristianismo para uso de prestidigitadores, barril de cerveja ao pé do altar, adiposidade da dialéctica cockney com o horror ao sabão influindo na limpeza dos raciocínios!
Fora tu, Yeats da céltica-bruma à roda de poste sem indicações, saco de podres que veio à praia do naufrágio do simbolismo inglês!
Fora! Fora!
Fora tu, Rapagnetta-Annunzio, banalidade em caracteres gregos, «D. Juan em Pathmos» (solo de trombone)!
E tu, Maeterlinck, fogão do Mistério apagado!
E tu Loti, sopa salgada fria!
E finalmente tu, Rostand-tand-tand-tand-tand-tand-tand-tand!
Fora! Fora! Fora!
E se houver outros que faltem, procurem-nos por aí pra um canto!
Tirem isso tudo da minha frente!
Fora com isso tudo! Fora!
¡Mandado de despejo a los mandarines de Europa! Fuera.
¡Fuera tú, Anatole-France, Epicuro de farmacopea-homeopática, ténia-Jaurès del Ancien-Régime(*), ensalada de Renan-Flaubert en loza del siglo diecisiete, falsificada!
¡Fuera tú, Maurice-Barrès, feminista de la Acción, Chateaubriand de paredes desnudas, proxeneta de palco de la patria de póster, moho de Lorena, alfayate de los muertos de los otros, vistiendo su comercio!
¡Fuera tú, Bourget de las almas, candelero de las partículas ajenas, psicólogo de tapa de blasón, ordinario snob plebeyo, subrayando con regla partida los mandamientos de la ley de la Iglesia!
¡Fuera tú, mercadería Kipling, hombre-práctico del verso imperialista de las herrumbres, épico para Majuba y Colenso, Empire-Day del malhablar de los uniformes, tramp-steamer de la baja inmortalidad!
¡Fuera! ¡Fuera!
Fuera tú, George-Bernard-Shaw, vegetariano de la paradoja, charlatán de la sinceridad, tumor frio del ibseninsmo, arreglador de la intelectualidad inesperada, Killkenny-Cat de tí mismo, Irish-Melody calvinista con letra del Origen-de-las-Especies!
¡Fuera tú, H. G. Wells, ideático de yeso, sacacorchos de cartón para la botella de la Complejidad!
¡Fuera tú, G. K. Chesterton, cristianismo para uso de prestidigitadores, barril de cerveza al pie del altar, adiposidad de la dialéctica cockney con el horror al jabón influyendo en la limpieza de los raciocinios!
¡Fuera tú, Yeats de la celta-bruma a la rueda de postres sin indicaciones, bolsa de basura que vino a la playa del naufragio del simbolismo inglés!
¡Fuera! ¡Fuera!
¡Fuera tú, Rapagnetta-Annunzio, banalidad en caracteres griegos, «Don Juan en Pathmos» (solo de trombón)!
¡Y tú, Maeterlinck, fogón del Misterio apagado!
¡Y tú Loti, sopa salada fría!
¡Y finalmente tú, Rostand-tand-tand-tand-tand-tand-tand-tand!
¡Fuera! ¡Fuera! ¡Fuera!
¡Y si hubieran otros que falten, búsquenmelos por ahí para un canto!
¡Saquen todo eso de mi vista!
¡Fuera con todo eso! ¡Fuera!

Ai! que fazes tu na celebridade, Guilherme-Segundo da Alemanha, canhoto maneta do braço esquerdo, Bismarck sem tampa a estorvar o lume?!
Quem és tu, tu da juba socialista, David-Lloyd-George, bobo de barrete frígio feito de Union Jacks?!
E tu, Venizelos, fatia de Péricles com manteiga, caída no chão de manteiga para baixo?
E tu, qualquer outro, todos os outros, açorda Briand-Dato. Boselli da incompetência ante os factos todos os estadistas pão-de-guerra que datam de muito antes da guerra! Todos! todos! todos! Lixo, cisco, choldra provinciana, safardanagem intelectual!
E todos os chefes de estado, incompetentes ao léu, barris de lixo virados para baixo à porta da Insuficiência da Época!
Tirem isso tudo da minha frente!
Arranjem feixes de palha e ponham-nos a fingir gente que seja outra!
Tudo daqui para fora! Tudo daqui para fora!
Ultimatum a eles todos, e a todos os outros que sejam como eles todos!
Senão querem sair, fiquem e lavem-se.

¡Ay! ¿¡Qué haces tú en la celebridad, Guillermo Segundo de Alemania, zurdo manco del brazo izquierdo, Bismarck si tapa estorbando el brillo!?
¿¡Quién eres tú, tú de la melena socialista, David Lloyd George, bufón de gorro frigio hecho de Union Jacks?!
¿Y tú, Venizelos, migaja de Pericles con manteca, caida en el suelo con la manteca para abajo?
Y tú, cualquier otro, todos los otros, mazamorra Briand Dato. Boselli de la incompetencia ante los todos actos de los estadistas pan-de-guerra que datan de mucho antes de la guerra! ¡Todos! ¡todos! ¡todos! Basura, inmundicia, asquerosidad provincianda, sinverguenzario intelectual!
¡Y todos los jefes de estado, incompetentes al descubierto, barriles de basura dados vuelta a la puerta de la Insuficiencia de la Época!
¡Saquen todo eso de mi vista!
¡Junten atados de paja y póngannos fingiendo gente que sea otra!
¡Todo de aquí para afuera! ¡Todo de aquí para afuera!
¡Ultimatum a todos ellos, y a todos los otros que sean como todos ellos!
Si no quieren salir, quédense y lávense.

Falência geral de tudo por causa de todos!
Falência geral de todos por causa de tudo!
Falência dos povos e dos destinos — falência total!
Desfile das nações para o meu Desprezo!
Tu, ambição italiana, cão de colo chamado César!
Tu, «esforço francês», galo depenado com a pele pintada de penas! (Não lhe dêem muita corda senão parte-se!)
Tu, organização britânica, com Kitchener no fundo do mar mesmo desde o princípio da guerra!
(It 's a long, long way to Tipperary and a jolly sight longer way to Berlin!)
Tu, cultura alemã, Esparta podre com azeite de cristismo e vinagre de nietzschização, colmeia de lata, transbordamento imperialóide de servilismo engatado!
Tu, Áustria-súbdita, mistura de sub-raças, batente de porta tipo K!
Tu, Von Bélgica, heróica à força, limpa a mão à parede que foste!
Tu, escravatura russa, Europa de malaios, libertação de mola desoprimida porque se partiu!
Tu, «imperialismo» espanhol, salero em política, com toureiros de sambenito nas almas ao voltar da esquina e qualidades guerreiras enterradas em Marrocos!
Tu, Estados Unidos da América, síntese-bastardia da baixa-Europa, alho da açorda transatlântica nasal do modernismo inestético!
E tu, Portugal-centavos, resto da Monarquia a apodrecer República, extrema-unção-enxovalho da Desgraça, colaboração artificial na guerra com vergonhas naturais em África!
E tu, Brasil, «república irmã», blague de Pedro-Álvares-Cabral, que nem te queria descobrir!
Ponham-me um pano por cima de tudo isso!
Fechem-me isso à chave e deitem a chave fora!
Onde estão os antigos, as forças, os homens, os guias, os guardas?
Vão aos cemitérios, que hoje são só nomes nas lápides!
Agora a filosofia é o ter morrido Fouillée!
Agora a arte é o ter ficado Rodin!
Agora a literatura é Barrès significar!
Agora a crítica é haver bestas que não chamam besta ao Bourget!
Agora a política é a degeneração gordurosa da organização da incompetência!
Agora a religião é o catolicismo militante dos taberneiros da fé, o entusiasmo cozinha-francesa dos Maurras de razão-descascada, é a espectaculite dos pragmatistas cristãos, dos intuicionistas católicos, dos ritualistas nirvânicos, angariadores de anúncios para Deus!
Agora é a guerra, jogo do empurra do lado de cá e jogo de porta do lado de lá!
Sufoco de ter só isto à minha volta!
Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas!
Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo!

¡Falencia general de todo por causa de todos!
¡Falencia general de todos por causa de todo!
¡Falencia de los pueblos y de los destinos — falencia total!
¡Desfile de las naciones hacia mi Desprecio!
¡Tú, ambición italiana, can de cuello llamado Cesar!
¡Tú, «esfuerzo francés», gallo despeinado con la piel pintada de penas! (¡No le den mucha cuerda sino se rompe!)
¡Tú, organización británica, con Kitchener en el fondo del mar mismo desde el principio de la guerra!
(It's a long, long way to Tipperary and a jolly sight longer way to Berlin!)
¡Tú, cultura alemana, Esparta podrida con aceite de cristismo y vinagre de nietzschización, colmena de pérgola, transbordo imperialoide de servilismo engrampado!
¡Tú, Áustria-súdbita, mezcla de subrazas, batiente de puerta tipo K!
¡Tú, Von Bélgica, heroica por la fuerza, limpia la mano en la pared que fuiste!
¡Tú, esclavidad rusa, Europa de malayos, liberación de resorte desoprimido porque se partió!
¡Tú, «imperialismo» español, salero en política, con toreros de sanbenito en las almas al volver de la esquina y cualidades guerrera enterradas en Marruecos!
¡Tú, Estados Unidos de América, síntesis-bastarda de la baja-Europa, ajo de mazamorra transatlántica nasal del modernismo inestético!
¡Y tú, Portugal-centavos, resto de la Monarquía pudiendo República, extremaunción-sucia de la Desgracia, colaboración artificial en la guerra con vergüenzas naturales en África!
¡Y tú, Brasil, «república hermana», chiste de Pedro Álvares Cabral, que ni te quería descubrir!
¡Pónganme un paño por encima de todo eso!
¡Ciérrenme eso con llave y dejen la llave fuera!
¿Dónde están los antiguos, las fuerzas, los hombres, los guías, los guardias?
¡Van a los cementerios, que hoy son sólo nombres en las lápidas!
¡Ahora la filosofía es el haber muerto Fouilée!
¡Ahora el arte es el haber quedado Rodin!
¡Ahora la literatura es lo que Barrès siginifica!
¡Ahora la crítica es que haya bestias que no llaman bestia a Bourget!
¡Ahora la política es la degeneración obesa de la organización de la incompentencia!
¡Ahora la religión es el catolicismo militante de los taberneros de la fe, el entusiasmo cocina-francesa de los Maurras de razón-descascarada, y la espectacularidad de los pragmatistas cristianos, de los intuicionistas católicos, de los ritualistas nirvánicos, mendigadores de anuncios para Dios!
¡Ahora es la guerra, juego de empujar del lado de acá y juego de puerta(**) del lado de allá!
¡Sofoco de tener sólo esto a mi vuelta!
¡Déjenme respirar!
¡Abran todas las ventanas!
¡Abran más ventanas que todas las ventanas que hay en el mundo!

(***)

(***)
Portugal Futurista, pp. 30-34
Álvaro de Campos
Novembro de 1917

(*) N.d.T: Sistema de gobierno que rigió en Francia antes de la Revolución de 1789.
(**) N.d.T: Evitar perder la primera mano en el juego del monte.
(***) No original que fica na cabeceira do texto pode-se enxergar que logo destas três estrofes ainda há outras três. O texto que reproduzo é um 70% do original, eu não conheço o que falta, fora de alguma citação encontrada na rede como é "Só tem direito ou o dever de exprimir o que sente, em arte, o indivíduo que sente por vários".
En el original que está en la cabecera del texto puede verse que después de estas tres estrofras aún restan tres más. El texto aquí reproducido es un 70% del original, yo no conozco lo que falta con excepción de alguna cita dispersa como por ejemplo "Sólo tiene derecho o deber de exprimir lo que siente, en arte, el individuo que siente por varios".











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26/10/2008 free counters

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Pessoa/120 anos: Presença do poeta nas artes plásticas é mais do que óculos, chapéu e bigode

**Ana Goulão, da Agência Lusa**


Lisboa, 07 Jun (Lusa) - Fernando Pessoa tem sido evocado nas artes plásticas "até à exaustão" com o seu chapéu, óculos e bigode, mas a identidade da arte portuguesa pode ter sido influenciada de forma mais profunda e inconsciente pela própria heteronímia pessoana.

O chapéu, o bigodinho, os óculos e o laço são sem dúvida os elementos que identificam o rosto de Fernando Pessoa (1888-1935) em inúmeras obras de artistas plásticos de várias gerações, inspirados pela grandeza da obra do poeta, nascido há 120 anos.

Existem as "incontornáveis" obras plásticas emblemáticas que o imortalizaram, e Almada Negreiros é disso exemplo, quando, no dia da morte de Pessoa, "fez um desenho rápido para o Diário de Lisboa, e a partir daí a cara que se passa a ver pintada é sempre a mesma", observou, em declarações à Agência Lusa, o crítico de arte Rui Mário Gonçalves.

O rosto anguloso de Fernando Pessoa, com os óculos, o chapéu e o bigode passam a ser os elementos figurativos que o identificam e foram "reproduzidos até à exaustão", criando até algumas "imagens anedóticas", na opinião do crítico de arte.

Existem também dois quadros pintados a título póstumo por Almada Negreiros - seu amigo e contemporâneo, também fundador do movimento modernista - que mostram o poeta a fumar sentado a uma mesa de café, com uma bica, um bagaço, papel e caneta, "companhias habituais".

Ao longo do tempo, o autor de "Mensagem" também inspirou artistas a criar obras mais abstractas em sua homenagem, como foi o caso de Maria Helena Vieira da Silva, assinalou o crítico de arte.

"Não nos podemos esquecer de que a verdadeira paixão pelo Fernando Pessoa nasceu nos anos 40. Anteriormente só alguns o liam. Agora é de leitura obrigatória. Tal como o Eça de Queiroz", comentou ainda Rui Mário Gonçalves.

Mas Alberto Cutileiro, João Luiz Roth, Mário Botas, Carlos Calvet, Bartolomeu Cid dos Santos, Eurico Gonçalves, Alfredo Margarido, António Dacosta, Jorge Martins, José João Brito, José de Guimarães (em pintura e escultura), foram alguns dos artistas que não quiseram deixar de representar Fernando Pessoa ou os seus heterónimos como a popular figura de chapéu, bigode e óculos.

O pintor Costa Pinheiro é "outro artista incontornável" na representação do poeta. Trabalhou a figura de Pessoa na tela sobretudo nos anos 70 e 80, nomeadamente com o famoso quadro "Fernando Pessoa e os seus Heterónimos".

Júlio Pomar retratou o poeta em vários desenhos com o seu inconfundível traço, expostos, por exemplo, nos painéis de azulejos concebidos para a estação de metro Alto dos Moinhos, em Lisboa, onde milhares de pessoas se "cruzam" com Pessoa diariamente.

Ainda no domínio da arte pública, Fernando Pessoa foi imortalizado pelo escultor Lagoa Henriques, sentado a uma mesa de café em frente à "A Brasileira", no Chiado, onde portugueses e estrangeiros gostam de fotografar-se na sua companhia.

Para o director do Museu de Arte Contemporânea de Elvas e também crítico de arte João Pinharanda, o que mais importa salientar da influência do poeta português nas artes plásticas "é a lição de heteronímia que Fernando Pessoa representa".

João Pinharanda acredita que o assumir de várias personagens é uma ideia que atravessa a criação artística portuguesa. "A arte portuguesa é muito heteronímica. Não quer dizer que isto seja consciente nos artistas. É algo que está no inconsciente", defende, em declarações à Lusa.

"Parece - considera ainda - que quando olhamos para a arte portuguesa não conseguimos fazer um fio condutor. Cada artista aparece isolado do outro. A arte portuguesa é, por um lado, muito rica, plural, mas, por outro, tem grande dificuldade de afirmação".

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26/10/2008 free counters

terça-feira, 10 de junho de 2008

Veja a chamada do próximo programa


Sex, 06/06/08 por Claufe Rodrigues |

Neste domingo, às 23h, assista a mais um capítulo do especial sobre Fernando Pessoa.

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26/10/2008 free counters

Fernando Pessoa: ícone pop (VIDEO GLOBO NEWS)


Ter, 03/06/08 por Claufe Rodrigues |

Veja o primeiro programa da série sobre o poeta fingidor. O repórter Claufe Rodrigues foi a Lisboa mostrar que Fernando Pessoa tornou-se um ícone pop mundial, um dos maiores do século XX.

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26/10/2008 free counters

quinta-feira, 29 de maio de 2008

A história de Fernando Pessoa na Globo News

Ter, 27/05/08 por Claufe Rodrigues | categoria Fernando Pessoa, Literatura, Poesia | tags , , , ,

A Globo News apresenta, em junho, um especial sobre o “poeta fingidor”. Não perca!

O poeta fingidor

Dom, 25/05/08 por Claufe Rodrigues |

Logo da Casa Fernando Pessoa, em Lisboa

“O homem é um baú sem fundo”, disse-me o poeta português Eugénio de Andrade, quando o entrevistei no ano 2000 para um documentário sobre Fernando Pessoa (que, aliás, permanece inédito) para uma produtora do Rio de Janeiro.

Quando sugeri aqui na Globo News a pauta da série O POETA FINGIDOR, pensei que teria de contar basicamente a mesma história. Mas quase oito anos depois, em minha volta a Lisboa, encontrei um Fernando Pessoa muito mudado. É impressionante: quanto mais morto, mais vivo ele fica! Agora já é outra geração de especialistas que estuda os milhares de escritos deixados na lendária arca que, diga-se de passagem, existe mesmo! E a cada nova intersecção de textos, os estudiosos encontram outras faces, vertentes, leituras e significados.

O poeta parece multiplicar-se por mil. É esse Pessoa - um mito em mutação - que flagramos nesta versão 2008.

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26/10/2008 free counters