Fábio Assunção já deu um show de interpretação na minissérie “Dalva e Herivelto” em sua volta à telinha e agora já tem nova produção à vista.
Segundo a coluna de Patrícia Kogut, no jornal “O Globo”, o galã estará em “Lado a Lado”, novela das oito que substituirá “Passione” (que, por sua vez, entra no lugar de “Viver a Vida”).
Ao lado de Assunção estará Eriberto Leão, o mocinho da trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares.
As gravações estão previstas para começar em setembro deste ano. O folhetim deve estrear em janeiro de 2011.
Em coletiva de imprensa, atriz falou sobre o trabalho com ator na nova minissérie da Globo, 'Dalva e Herivelto, uma canção de amor'
Luciana TecídioDo EGO, no Rio
Adriana Esteves e Fábio Assunção são amigos há 20 anos. A atriz é madrinha do único filho do ator, João, de seis anos. Fábio ficou quase dois anos afastado da TV e seu retorno, contracenando com Adriana na minissérie "Dalva e Herivelto, uma canção de amor", que estréia dia 8 de janeiro na Rede Globo, a deixou muito emocionada.
Durante a entrevista para a imprensa que aconteceu no Centro do Rio nesta segunda-feira, 7, Adriana disse que contracenar com Fábio serviu para solidificar a amizade que sempre tiveram um pelo outro. "Nesse trabalho falamos muito sobre o amor. E o amor da Dalva pelo Herivelto estava na minha cara. O Fábio me emocionava a cada presença dele no set. O seu companheirismo só serviu para solidificar ainda mais a nossa trajetória pessoal e profissional", disse ela.
Nos cinco meses que ficou envolvida com o trabalho, que é dirigido por Dennis Carvalho, Adriana precisou se desdobrar nas funções de mãe de Vicente, 3 anos, Felipe, 8, e Agnes 10, filha do ex-casamento de Vladmir Bichta. Mas nada que ela não tire de letra.
"Eu sambo para ser mãe e mulher. Já tenho três filhos,mas penso sim em ter mais. Se eles não vierem de forma normal, que venham de outra forma (adotados)", disse Adriana. Depois do trabalho como Dalva, as férias já estão programadas. "Vamos para a terra do Vlad (Vladmir) na Bahia,sem dia para voltar".
Adriana Esteves com Fábio Assunção e Maria Fernanda Cândido na coletiva de imprensa da minissérie 'Dalva e Herivelto, uma canção de amor'
Prestes a voltar à TV como Herivelto Martins, ator diz que não quer esconder, mas evitar falar sobre drogas, tema que vai tratar em filme
POR GABRIELA GERMANO
Rio - ‘Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima’. A famosa canção de Paulo Vanzolini cai muito bem a Fábio Assunção. O ator faz seu retorno em grande estilo à TV, depois de um período de tratamento contra o uso abusivo de drogas. Ele é protagonista da minissérie que fala de dois grandes nomes da música popular brasileira, ‘Dalva e Herivelto’, que estreia em janeiro na Globo.
E Fábio volta com a cara e a coragem ao trabalho. Na trama escrita por Maria Adelaide Amaral e dirigida por Dennis Carvalho, solta a voz sem medo. “Sou cara de pau, como diz o Dennis. Já tocava violão, mas nunca samba ou choro. Não sou cantor, mas tenho prazer em cantar e tocar. É uma celebração à vida”. Como se não bastasse tamanha ousadia, no cinema, ele dá voos ainda mais altos. Além de dois longas a serem feitos no ano que vem, idealiza roteiro de um filme que fala justamente sobre dependência química. “A única forma de falar desse problema é artisticamente. O filme pode abrir portas para uma discussão pois muita gente passa por isso”, afirma o ator, que chega a dizer que amigos lhe pediram ajuda.
Simpático e demonstrando tranquilidade, Fábio até conversa sobre tudo o que passou. Mas prefere mesmo é falar sobre o que está por vir. “Eu não quero me alimentar disso. Quando falo que amigos me pediram ajuda não quero dizer que agora virei conselheiro das pessoas. O que passei é uma coisa que não tem cura e que vou ter que lidar a minha vida inteira. Tenho meus desafios. Em nenhum momento, nem na entrevista ao ‘Fantástico’, coloquei como uma coisa bem resolvida. Não quero me colocar na posição de vitorioso. Mas adoraria me afastar disso que aconteceu e falar sobre outras coisas. Não quero esconder, mas quero evitar”, confessa.
Foto: João Laet / Agência O Dia
Então é só mudar o rumo da prosa. E olha que tem muita coisa para falar. Fábio já está escalado para a novela de Gilberto Braga no segundo semestre de 2010, e tem dois longas na fila também para o ano que vem: ‘Amor Sujo’, de Paulo Caldas, e a história que narra o assalto ao Banco Central de Fortaleza, a convite de Marcos Paulo, que vai dirigir o projeto. Atualmente, no entanto, ele já pode ser visto nas telonas em ‘Do Começo ao Fim’, de Aluizio Abranches, história polêmica por focar no incesto entre irmãos. O personagem de Fábio é pai dos garotos. “Eu não tenho nenhum tipo de julgamento em relação às pessoas.
A gente aprende com nossas escolhas. Como ator, não podemos fazer julgamentos, mas, sim, uma leitura do personagem. Nesse filme, o pai percebe o afeto entre os filhos e apoia. Ele vê que existe, de fato, uma relação de amor”. Em relação à diversidade de papéis — o sonho de todo ator — ele não tem do que reclamar. Já fez vilão, figuras cômicas, mocinhos... Ah, os olhos azuis de Fábio já deram vida a cada mocinho... E pensa que ele reclama de ser galã? Que nada! “Ser galã é um ‘plus’ na minha carreira. Não tenho problema quanto a isso”, decreta.
O ator assume que quando Dennis o chamou para Herivelto, ele parou para pensar: “Eu sou muito diferente dele. Mas quando comecei as pesquisas, vi que eu estava em um parque de diversões. Ele era pai, palhaço, letrista, instrumentista, teve uma relação conturbada com Dalva. Não era um cara só, não é um personagem simples”, valoriza Fábio, que estará ao lado de Adriana Esteves, como Dalva, e Maria Fernanda Cândido, como a segunda mulher do músico, Lurdes.
Mais presente no cinema e na TV do que no teatro, Fábio também justifica sua ausência nos palcos desde 2000. “Teatro é casamento. E não encontrei uma peça para me casar. Estou esperando me apaixonar por um texto. Não entro em projeto que só vai me dar trabalho, mas que vai me dar prazer também. Não faço qualquer novela, faço ‘a’ novela”.
Fábio, no entanto, lamenta ter deixado de fazer alguns papéis para os quais foi convidado. Como os personagens de Murilo Benício em ‘O Clone’ e Dodi, coincidentemente interpretado pelo mesmo ator em ‘A Favorita’. “Essa foi uma grande novela e Dodi era um grande personagem, que Murilo fez brilhantemente. É um arrependimento, mas na época abri mão do papel com convicção, porque era o melhor a fazer”, explica Fábio. O ator não reclama. Quer mesmo é pensar no próximo trabalho. “Já estou me coçando”. Está de olho no futuro. E garante que não pode reclamar de seu passado. “Tenho orgulho de minha trajetória tanto pessoal quanto profissionalmente. 2010 vai ser um ano delicioso para mim”, comemora.
Elogios do diretor e amigo
Foi Dennis Cavalho que convidou Fábio para fazer o papel de Herivelto na minissérie. “Escolhi por afinidade, porque eu acho que ele é um excelente ator e para mostrar um lado dele que ninguém viu. Ele canta muito bem! O escolhi também porque ele é meu amigo. O retorno dele foi ótimo, ele correspondeu numa ótima. Está muito maduro como ator e para ele é muito importante voltar desse jeito, com um papel desse”, derrete-se Dennis. O diretor também já expôs publicamente seu envolvimento com drogas no passado e, perguntado se teve uma conversa de paizão com Fábio, revelou: “Tive uma conversa de irmão. Falei de minhas experiências e ele, das dele. Essa troca ajuda muito”.
Amigo de Fábio Assunção há quase 20 anos, Charles Möeller se emocionou com a entrevista que o ator deu ao "Fantástico", ontem, e torce por sua recuperação. Os dois trabalharão juntos já que Charles e o parceiro, Claudio Botelho, foram convidados por Dennis Carvalho, diretor de "Dalva e Herivelto", que vai ao ar em janeiro, para dirigir os números musicais na microssérie. A dupla é famosa por dirigir espetáculos de sucesso como "Beatles num céu de diamantes" e "Avenida Q".
- Achei que foi muito desmistificador. Fábio foi mais do que corajoso, foi nobre. Romper tabus é uma função do artista e ele mostrou que somos humanos, que também podemos cair e levantar. Fábio não é Deus e nem um mocinho intocável. Ele botou a cara para bater, apanhou e levantou. O herói fica no imaginário das pessoas. Ele é uma pessoa que tem filho, família e problema como todos nós. Nos conhecemos há quase 20 anos e ele sempre foi humilde e trabalhador. Fábio mergulha em tudo o que faz e não está sendo diferente com Herivelto.
Os ensaios com os atores começam essa semana.
- Somos responsáveis pela concepção musical. Fazemos a preparação do trio de ouro, formado por Dalva de Oliveira (Adriana Esteves), Herivelto Martins (Fábio Assunção) e Nilo Chagas (Maurício Xavier) e vamos reproduzir os números do Cassino da Urca e dos shows. O Teatro Quitandinha, em Petrópolis (região serrana do Rio) está sendo reformado e ficará igual ao Cassino da Urca. A previsão é que a gente só grave lá dentro de um mês.
Fábio está fazendo aula de canto desde que teve seu nome confirmado no elenco, há cerca de um mês, e Charles fará um trabalho mais específico com o ator:
- Ele precisa ter o máximo de intimidade que conseguir com a canção. Tem que ter muita verdade na palavra porque Herivelto e Dalva tinham diálogos através da música. A palavra tem que ser mais forte do que a melodia. Meu trabalho é trazer a palavra para dentro do Fábio e da Adriana (Esteves). É trazer para a alma, para o olho, ficar Íntimo desse material exaustivamente.
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O ator contou para Patricia Poeta que já teve uma banda chamada Delta T, que tocava guitarra e cantava.
Nem todo o material que o "Fantástico" produziu com Fábio Assunção foi ao ar no último domingo, quando o ator falou pela primeira vez sobre a dependência química. A parte em que ele canta uma música de Herivelto Martins, compositor que vai interpretar na microssérie "Dalva e Herivelto", não foi exibida.
Fábio ainda era criança quando sua ligação com a música começou. Aos 9 anos entrou na aula de piano e quatro anos depois cantava e tocava guitarra em uma banda chamada Delta T: "A banda durou um ano e pouco mas eram encontros bons. Eu fazia umas músicas na época, era divertido. Depois de um tempo, achei que no teatro não precisaria de um investimento financeiro ".
O ator também falou sobre o desafio de interpretar Herivelto: "Tudo nele é um desafio. Hoje conheço a obra dele, estou há um mês e meio ouvindo tudo dele, lendo sobre sua vida. Tive encontros precisosos com seus filhos e vi fotos caseiras. Fui descobrindo a dimensão do Herivelto, como ele era grandioso como compositor. Me chama muito a atenção como ele sempre foi de verdade ".
Veja as declarações que não foram ao ar e o ator cantando "Pensando em ti", música que Herivelto escreveu para Lurdes, sua segunda mulher.
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Fábio Assunção participa hoje de sua primeira gravação desde que precisou deixar “Negócio da China”. Na pele do compositor Herivelto Martins, na microssérie “Dalva e Herivelto”, o ator vem demonstrando dedicação na preparação do personagem e vive a experiência de um aluno em recuperação. Criticado na época da novela por atrapalhar o ritmo das gravações, agora ele vem reconquistando a confiança dos que o cercam. “O problema maior era respeitar meus compromissos, meus horários”, disse Fábio, domingo, em entrevista ao “Fantástico”. Na semana passada, o ator chegou a faltar uma prova de figurino, mas o primeiro a sair em sua defesa foi Dennis Carvalho. O diretor tratou logo de dizer que Fábio só não apareceu no Projac porque ficou preso no aeroporto.
Se o chefe não tem do que reclamar, as pessoas que convivem com Fábio nos bastidores também são só elogios. Ele vem fazendo aulas de canto com Ester Elias e de violão com Alfredo Del-Penho. E vem anhando nota dez.
— Fábio é um bom aluno, vem com as músicas prontas. Sinto nele vontade de recomeçar. Ele é afinado, tem bom ouvido e está aprendendo a trabalhar a respiração. Já evoluiu e sua voz está fluindo melhor — elogia Ester.
Alfredo concorda:
— Fábio é inteligente e musical. Está muito interessado e aplicado, é uma pessoa afetuosa e um ótimo aprendiz.
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Eu não tenho nenhuma intimidade com o Fábio Assunção, nunca trabalhamos juntos, mas sempre que nos encontramos eu sinto uma vibração boa, de quem a gente admira, respeita e, mesmo a distância, quer bem. E os colegas que temos em comum sempre me confirmam essa vibração, pois todos têm muito carinho e respeito por ele. Quando surgiram os fatos que tornaram pública a situação do Fábio, rapidamente me interessei em acompanhar o caso, de longe, torcendo muito por um final feliz. Me interessei por ser também uma pessoa pública, mas principalmente por ser também um ser humano comum, a mercê de todas essas tentações, lícitas ou ilícitas, que a vida nos oferece.
O que aconteceu com o Fábio pode acontecer com qualquer um. Ator, lixeiro, dona de casa ou até mesmo um Presidente da Republica. E os modos, ou o porquê das pessoas ultrapassarem o limite da segurança física e mental são diversos, cada história é uma história. As drogas, os estimulantes, os afrodisíacos, existem desde que o mundo é mundo. E a percepção da sociedade em relação ao assunto já deu várias reviravoltas, talvez por que a questão da droga nunca tenha sido discutida de fato, com a amplitude que o tema pede.
Neste momento, é interessante que figuras públicas como os ex-presidentes, César Gaviria, Ernesto Zedillo e Fernando Henrique Cardoso, estejam empenhados em discutir novas formas de lidar com a questão das drogas, através da Comissão Latinoamericana Sobre Drogas e Democracia. É um passo importante, pois a sociedade tende a achar que a questão é menos importante, assim como o pai que faz vista grossa para o filho que está se drogando. A questão envolve economia, segurança publica, saúde, liberdades individuais e tantas outras questões. E quando uma celebridade aparece no Fantástico para falar do assunto, como fez o Fábio, é porque realmente a droga não escolhe ninguém e mesmo as pessoas com acesso a boa educação e cultura estão sujeitas a experimentar, usar e abusar dela. Portanto, o assunto é da hora. É hora sim de discutir e procurar meios de esclarecer cada vez mais o que a droga representa para a sociedade, como devemos lidar com ela e principalmente, com quem está prisioneiro dela.
Vivo me cobrando uma posição à respeito da descriminalização das drogas. Confesso que ainda não cheguei a uma conclusão. Tenho dois filhos e penso que daqui a pouco terei que introduzir o assunto lá em casa. Às vezes penso que com as drogas liberadas, os pais vão descobrir com mais rapidez se seus filhos estão fazendo uso de substancias entorpecentes e sendo assim, será mais fácil entrar no assunto e se posicionar a respeito. Mas é uma visão muito simples para um tema tão abrangente.
Ver o depoimento do Fábio foi para mim um grande momento de reflexão. E confesso, fiquei emocionado de ver um cara que como eu é pai, artista e acima de tudo ser humano, abrindo sua intimidade em prol de alguma coisa que ele parecia estar tentando saber o que é e mesmo assim o fez, com dignidade, coragem e peito aberto. Parabéns Fábio. Você mostrou que é um cidadão de respeito, que merece toda a admiração que seus colegas e seu público tem por você. Estejamos todos alertas!
E não esqueçamos de discutir.
Lucio Mauro Filho, ator e roteirista
14 de setembro de 2009
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Você vai ver agora uma entrevista corajosa, reveladora e exclusiva. Patrícia Poeta conversou em São Paulo com o ator Fábio Assunção. Dez meses depois de se afastar das novelas, ele falou pela primeira vez sobre o que aconteceu. Sem rodeios, abertamente.
A entrevista aconteceu no sábado, 12 de setembro, em São Paulo, às 10h da manhã. Fábio Assunção está ansioso. A partir desta segunda começa a gravar as primeiras cenas da microssérie "Dalva e Herivelto", sobre a vida, os escândalos e o amor de dois grandes astros da era do rádio, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins. E já é por causa de Herivelto que Fábio está de bigode.
“Eu tô me reencontrando com a musica através do Herivelto Martins, eu estou me preparando, fazendo aulas de canto e violão”, conta o ator.
O papel marca a volta de um dos atores mais queridos e talentosos da TV brasileira. Em 18 anos de profissão, foram 12 novelas, oito filmes e várias minisséries de sucesso.
Em novembro do ano passado, Fábio deixou a novela "Negócio da China", na qual era protagonista, alegando problemas de saúde. Hoje, depois de dez meses de afastamento, o ator de 38 anos se considera pronto para falar de peito aberto sobre o que aconteceu.
Patrícia Poeta - O que aconteceu, Fábio? Por que você se afastou?
Fábio Assunção - Olha, eu me afastei porque... Eu acho bom falar sobre isso. Eu nunca falei sobre isso. Não porque eu tenha nada pra esconder, mas é que isso foi uma coisa tão íntima. Eu me tornei dependente químico. E isso foi uma coisa que.. É muito difícil você administrar dependência química com qualquer coisa que você faça na vida.
Pra gente entender melhor: há quanto tempo você vinha enfrentando o problema?
Já há alguns anos. Mas eu acho que nos últimos três ou quatro anos foi que a coisa começou a ficar mais difícil, mais complicada.
Você tinha dificuldade de trabalhar?
Eu acho que o problema maior era respeitar meus compromissos e horários. Chegou uma hora que eu fiquei perdido, eu não sabia mais se era terça-feira, se era quinta-feira, se era sábado. Eu tinha medo de marcar um jantar. Sei lá, se eu tinha uma gravação de manhã, eu falava "De manhã, será que vai acontecer? Será que...". Porque esse processo de droga é uma coisa... É muito duro você dizer que não vai fazer mais uma coisa e você fazer. "Chega, agora não faço mais! Agora acabou" e dois dias depois você está fazendo de novo!
Quantas vezes você tinha tentado começar um tratamento, ou fez um tratamento e acabou não funcionando?
Eu tinha feito, quando acabou o “Paraíso Tropical”, eu fui pra fora do Brasil, pra uma clinica que tem fora do Brasil. Fui uma vez.
Em Miami?
Não, no Arizona. Perto de Phoenix. E fiquei lá 40 dias, aí voltei, as coisas não deram certo. Aí eu voltei pra lá de novo, pra mesma clinica, e fiquei dois meses.
Melhorou?
Melhorou. Mas eu voltei, aí fiquei um tempo bem, e depois as coisas começaram a não ir bem de novo.
“Está preso na Policia federal, em São Paulo, um homem detido ontem num flat quando oferecia cocaína para o ator Fábio Assunção”, noticiou o Jornal Nacional em 25 de janeiro de 2008.
Logo depois do incidente, Fábio desistiu de ser Dodi na novela “A Favorita” e o papel foi para Murilo Benício. Meses depois, aceitou ser Heitor em “Negócio da China”.
Eu fiquei a fim de fazer a novela. Mas aí eu tomei a minha rasteira total. A coisa veio forte, e veio de um jeito que foi muito difícil pra mim. E me pegou mesmo e aí eu dancei.
E demorou pra você aceitar que, sim, você tinha um vicio, que você precisava se cuidar, parar pra se cuidar?
Demorou, demorou. E, aliás, eu acho que isso é o primeiro passo pra lutar contra isso, é você assumir que você tem um problema e pedir ajuda.
Você sentia medo do que as pessoas pudessem achar?
Pô, totalmente. Sentia medo de se julgado, de ser criticado, de até ser visto como uma referência negativa. Eu acho que esses medos todos fazem com que você só aumente o seu problema. Eu acho que ano passado o que aconteceu, de certa forma, foi maravilhoso, porque quando eu tive a minha doença exposta eu pude ficar livre. Eu falei, "bom, agora que todo mundo sabe, eu vou assumir isso então", eu tirei um peso das costas.
Aí você decidiu virar a página. "Agora vou fazer um tratamento mesmo pra valer, vou parar", e como é que foi esse tratamento?
Olha, esse tipo de tratamento é como se você atravessasse um deserto. Um momento de solidão, é difícil. Mas nada é mais difícil que viver com droga, então qualquer tratamento é mais fácil do que a vida que você tava tendo.
Quanto tempo você ficou lá?
Cinco meses. Eu fiquei quatro meses numa clínica muito fechada, e depois eu terminei meu tratamento no último mês, final, numa outra clínica onde eu podia receber visita. Eu tenho um filho, João, de 6 anos, que é um encanto na minha vida, entendeu? Que é uma pessoa que eu não fingi pra ele que nada tava acontecendo. Ele via que eu não tava bem. Aí eu disse pra ele que eu tava indo pra uma clínica pra aprender a dormir, a acordar e a comer na hora certa. E ele entendeu.
Eu acho que a pergunta que todo mundo se fez é por que o Fábio Assunção, esse cara bonito, bem sucedido, famoso, querido por tantas pessoas acabou sendo atraído por drogas? Você tem essa resposta?
Tenho, eu acho que o espírito da gente, ele não tá muito interessado se você tem tudo, ou se você não tem tudo, se você faz sucesso. Eu fui, sei lá, eu fui brincar com uma coisa que eu não tinha dimensão de o quanto perigosa ela é. Porque eu acho que a gente tem um lado às vezes que é autodestrutivo, entendeu? Eu me coloquei em risco várias vezes, risco de saúde, risco de vida, risco de ter problemas legais. Eu me sinto abençoado porque, quando eu estive na clínica, conheci pessoas que tem sequelas, pessoas que acabaram se envolvendo em acidentes, coisas que não se pode mais reverter. Então eu acho que passei por essa tempestade e me sinto muito bem, me sinto feliz...
Nesse período de tratamento, como ficaram os relacionamentos? Os amigos se afastaram de você ou ficaram do seu lado? O que aconteceu?
Eu tive alguns amigos que foram embora. Mas eu não tenho nenhum ressentimento em relação a isso. Esse momento só me ensinou o verdadeiro significado da amizade.
E quem deu mais forca pra você nesse desafio de largar o vício?
Bom, a Karina, totalmente.
Sua namorada, né?
É. Não tem nem o que dizer assim, não arredou o pé um minuto.
Karina que inclusive está acompanhando a entrevista hoje aqui, né?
Meus pais, meus pais nessa época da clinica se aproximaram muito de mim.
Você hoje se sente completamente curado?
Não! De jeito nenhum, de jeito nenhum e não quero me sentir. Porque eu acho que esse lado, esse lado da doença eu não posso fingir que isso não existe, esse diabinho, eu não posso achar que ele não existe, eu tenho que ter o respeito por ele. Mas assim eu estou encantado de como a recuperação é uma coisa genial. Eu hoje poder marcar os meus compromissos e eu estar lá, isso me da uma sensação de vitória. Pô, eu tô conseguindo!
Em algum momento pintou alguma tentação? De querer voltar atrás?
Não é querer voltar atrás, isso jamais. Eu peguei um caminho agora que não tem volta pra mim, entendeu? Eu não vou dar mais brecha pra que minha vida volte a ser aquele inferno que era antes.
O que significa pra você estar voltando pra TV esta semana?
Significa prazer! Prazer de estar voltando a trabalhar. Mesmo com tudo isso que aconteceu, eu tô voltando muito positivo, trabalhando com pessoas que confiam em mim.
Agora pra gente encerrar, eu vou pedir pra você mandar uma mensagem pros telespectadores, que acompanharam a sua história, que torceram por você, que torceram pela sua recuperação.
Eu espero que o que eu estou construindo nesse momento seja bom pra quem tá precisando. Às vezes tem umas pessoas na rua, umas pessoas mais velhas, que vêm me dar um puxão de orelha, entendeu? É serio, eu levo umas broncas, tem umas senhoras que vêm me dar bronca. “Menino, você volta direito”. É uma coisa sempre positiva, divertida. Natural, natural os puxões de orelha que eu levei valeram também. Foi muito bom, está sendo muito bom.
Obrigada pela confiança de falar comigo sobre um assunto tão pessoal, mas que ao mesmo tempo é enfrentado por tantos brasileiros, obrigada também pela franqueza, pela coragem de falar sobre esse assunto. E pode ter certeza que, nós do Fantástico e o pessoal de casa, todos nós vamos estar torcendo por você mais ainda.
Maravilha, Patrícia. Obrigada você pela oportunidade. Eu nunca tinha falado sobre o assunto. E isso também não é uma coisa que eu pretendo continuar falando, porque eu também não quero ser representante de nada. Assim, se o que eu tô fazendo agora é um incentivo pra pessoas que estão vivendo isso, eu acho genial essa oportunidade.
A autora Maria Adelaide Amaral já entregou à TV Globo os primeiros capítulos da minissérie Dalva & Herivelto. A trama tem estreia prevista para primeira semana de janeiro.
A cantora Dalva de Oliveira será vivida por Adriana Esteves. Herivelto Martins será interpretado por Fábio Assunção, e Maria Fernanda Cândido fará Lurdes, a segunda mulher do compositor.
Após 10 meses de afastamento, Fábio Assunção começa a gravar as primeiras cenas da microssérie "Dalva e Herivelto", sobre a vida, os escândalos e o amor de dois grandes astros da era do rádio, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins nesta segunda-feira (14). “Estou me reencontrando com a musica através do Herivelto Martins. Estou me preparando, fazendo aulas de canto”, conta o ator.
O papel marca a volta de um dos artistas mais queridos e talentosos da TV brasileira. Em 18 anos de profissão, foram 12 novelas, oito filmes e várias minisséries de sucesso.
Em novembro do ano passado, Fábio teve que deixar a novela "Negócio da China", na qual era protagonista, alegando problemas de saúde. Hoje, depois de 10 meses de afastamento, o ator de 38 anos se considera pronto para falar de peito aberto sobre o que aconteceu.
Fantástico - Vamos falar um pouco sobre os motivos que levaram você a se afastar da TV nos últimos meses? Por que você se afastou?
Fábio Assunção - Olha, me afastei porque... Acho bom falar sobre isso. Nunca falei sobre isso. Não porque tenha nada para esconder, mas é que isso foi uma coisa tão íntima. Eu me tornei dependente químico. É muito difícil você administrar dependência química com qualquer coisa que você faça na vida.
Patrícia Poeta - Conte o que aconteceu, para entendermos melhor.
Fábio Assunção - Nos últimos três, quatro anos, foi que a coisa começou a ficar mais difícil, mais complicada.
Fantástico - Você tinha dificuldade de trabalhar?
Fábio Assunção - Acho que o problema maior era respeitar meus compromissos, horários. Chegou uma hora que fiquei perdido, não sabia mais se era terça-feira, se era quinta-feira, se era sábado. Tinha medo de marcar um jantar. Sei lá, se eu tinha uma gravação de manhã, eu falava: "de manhã, será que vai acontecer? Será que..." porque esse processo de droga é uma coisa, é muito duro você dizer que não vai fazer mais uma coisa e fazer. "Chega, agora não faço mais! Agora acabou, não sei o quê..." e dois dias depois você está fazendo de novo!
Fantástico - Quantas vezes você tinha tentado começar um tratamento ou fez um tratamento e acabou não funcionando?
Fábio Assunção - Quando acabou o “Paraíso Tropical”, eu fui para uma clinica que tem fora do Brasil. Fui uma vez.
Fantástico - Em Miami?
Fábio Assunção - Não, no Arizona, perto de Phoenix. E fiquei lá 40 dias, aí voltei, as coisas não deram certo. Aí voltei para lá de novo, para a mesma clínica, e fiquei dois meses mais ou menos.
Fantástico - Melhorou?
Fábio Assunção - Melhorou. Mas eu voltei, aí fiquei um tempo bem, e depois as coisas começaram a não ir bem de novo.
(Em janeiro de 2008, um homem foi preso num flat em São Paulo quando oferecia cocaína a Fábio Assunção)
Fantástico - Logo depois do incidente, Fábio desistiu de ser Dódi na novela “A Favorita” e o papel foi para Murilo Benicio. Meses depois, aceitou ser Heitor de “Negocio da China”.
Fábio Assunção - Fiquei a fim de fazer a novela. Mas aí tomei a minha rasteira total. A coisa veio forte, e veio de um jeito que foi muito difícil para mim. E me pegou mesmo e aí dancei.
Fantástico - E demorou para você aceitar que, sim, você tinha um vício, que precisava parar para se cuidar?
Fábio Assunção - Demorou, demorou. E, aliás, acho que isso é o primeiro passo para lutar contra isso: é você assumir que você tem um problema e pedir ajuda. Acho que não tem que ter essa vergonha.
Fantástico - Você sentia medo do que as pessoas pudessem achar?
Fábio Assunção - Pô, totalmente. Sentia medo de ser julgado, de ser criticado, de até ser visto como uma referência negativa. Esses medos todos fazem com que você só aumente o seu problema. Acho que ano passado o que aconteceu, de certa forma, foi maravilhoso, porque quando tive a minha doença exposta, pude ficar livre. Falei: "bom, agora que todo mundo sabe eu vou assumir isso então", eu tirei um peso das costas. Fiquei livre para poder fazer o que tinha que fazer.
Fantástico - Aí você decidiu virar a página. Como foi esse tratamento?
Fábio Assunção - Olha, esse tipo de tratamento é como se você atravessasse um deserto. Um momento de solidão, é difícil. Mas nada é mais difícil que viver com droga, então qualquer tratamento é mais fácil do que a vida que você estava tendo.
Fantástico - Quanto tempo você ficou lá?
Fábio Assunção - Cinco meses. Fiquei quatro meses numa clinica muito fechada, e depois terminei meu tratamento no último mês, final, numa outra clinica onde podia receber visita, onde podia falar com meu filho todo dia pelo telefone. Tenho um filho, João, de 6 anos, que é um encanto na minha vida, entendeu? Que é uma pessoa que não fingi para ele que nada estava acontecendo. Ele via que eu não estava bem. Disse para ele que estava indo para uma clinica para aprender a dormir, a acordar e a comer na hora certa. E ele entendeu.
Fantástico - Acho que a pergunta que todo mundo se fez é por que o Fábio Assunção, esse cara bonito, bem sucedido, famoso, querido por tantas pessoas acabou sendo atraído por drogas? Você tem essa resposta?
Fábio Assunção - Tenho. Acho que o espírito da gente não está muito interessado se você tem tudo, ou se você não tem tudo, se você faz sucesso. Fui brincar com uma coisa que não tinha dimensão de quão perigosa é. Porque eu acho que a gente tem um lado às vezes autodestrutivo, entendeu? Me coloquei em risco várias vezes, risco de saúde, risco de vida, risco de ter problemas legais. Me sinto abençoado porque, quando eu estive na clinica, conheci pessoas que tem sequelas, pessoas que acabaram se envolvendo em acidentes, coisas que não se pode mais reverter. Então acho que passei por essa tempestade e me sinto muito bem.
Fantástico - E quem deu mais força para você nesse desafio de largar o vicio?
Fábio Assunção - Bom, a Karina, totalmente.
Fantástico - Sua namorada?
Fábio Assunção - É. Não tem nem o que dizer assim, não arredou o pé um minuto.
Fantástico - Karina que inclusive está acompanhando a entrevista hoje aqui.
Fábio Assunção - Meus pais nessa época da clínica se aproximaram muito de mim.
Fantástico - Você hoje se sente completamente curado?
Fábio Assunção - Não! De jeito nenhum e não quero me sentir. Porque acho que esse lado, esse lado da doença eu não posso fingir que isso não existe, esse diabinho, não posso achar que ele não existe. Tenho que ter respeito por ele. Mas estou encantado de como a recuperação é uma coisa genial. Eu hoje poder marcar os meus compromissos e estar lá, isso me dá uma sensação de vitória. Estou conseguindo!
Fantástico - O que significa para você estar voltando para a TV esta semana?
Fábio Assunção - Significa prazer! Prazer de estar voltando a trabalhar. Mesmo com tudo isso que aconteceu, estou voltando muito positivo, trabalhando com pessoas que confiam em mim. Isso é um valor que não tem preço.
Fantástico - Agora, para encerrar, pode mandar uma mensagem para os telespectadores que acompanharam a sua história, que torceram por você, que torceram pela sua recuperação?
Fábio Assunção - Espero que o que estou construindo nesse momento seja bom para quem está precisando, entendeu. Às vezes tem umas pessoas na rua, umas pessoas mais velhas, que vem me dar um puxão de orelha. É serio, levo umas broncas, tem umas senhoras que vem me dar bronca: “Menino, você volta direito”. E é um carinho que não é exagerado, ninguém vem chorando, não. É uma coisa sempre positiva, divertida. Natural, os puxões de orelha que eu levei, Foi muito bom, está sendo muito bom.
( SOU FÃ DE CARTEIRINHA E CRACHÁ DO FÁBIO )
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Em entrevista que será exibida no Fantástico deste domingo (13), a apresentadora Patrícia Poeta conversou em São Paulo com o ator Fábio Assunção. Trata-se da primeira entrevista concedida pelo do ator desde que, há 10 meses, se afastou da novela "Negócio da China" para tratar de um problema de saúde. Na entrevista, o ator fala de seu novo projeto e conta, de forma corajosa e reveladora, como está vencendo a dependência química. Fábio conversa sobre a importância da ajuda da família e sobre as recaídas no tratamento.
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