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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Quem é o ‘Filho do Brasil’


sábado, 21 de novembro de 2009 |

“O chefe da propaganda de Benito Mussolini era seu genro, Galeazzo Ciano. Lula, por sua vez,tem de se arranjar com Franklin Martins”

Luiz Carlos Barreto, o Filho do Brasil.” Ele, Luiz Carlos Barreto, é um personagem um tantinho menos oco do que aquele outro, canonizado em sua última obra, Lula, o Filho do Brasil. Quem é Lula? Eu o resumiria numa única linha: um retirante maroto que sonha em se transformar em José Sarney. Ele é Vidas Secas sem Graciliano Ramos. Ele é Antônio Conselheiro sem Euclides da Cunha. Ele é, citando outra patetice sertaneja produzida por Luiz Carlos Barreto, quarenta anos atrás – os filhos do Brasil repetem-se tediosamente de quarenta em quarenta anos –, o cangaceiro Coirana, sem Antônio das Mortes.

Quem já assistiu a um cinejornal do “Istituto Luce” sabe perfeitamente o que esperar de Lula, o Filho do Brasil. Benito Mussolini, em Roma, conclamando as massas, é igual a Lula, no ABC, imitando Bussunda. O chefe da propaganda de Benito Mussolini era seu genro, Galeazzo Ciano. Lula, por sua vez, tem de se arranjar com Franklin Martins, coordenador do MinCulPop lulista. Mas o fato é que, a cada dia mais, o “filho de Dona Lindu” macaqueia o “filho do ferreiro de Predappio” – só que num cenário mais indigente e embolorado.

Se o crack de 1929 consolidou aquilo que Benito Mussolini chamou de “estado empreendedor”, o crack de 2008 fez o mesmo com Lula. A economia fascista tinha IMI e IRI, bancos públicos que forneciam crédito à indústria italiana, privilegiando os aliados do regime. A economia lulista tem Banco do Brasil e BNDES, que desempenham um papel semelhante. Benito Mussolini era celebrado na propaganda oficial por ter “restringido as desigualdades sociais”. Lula? Também. Os triunfos italianos nas Copas do Mundo de 1934 e 1938 foram creditados ao Duce, que compareceu aos jogos finais, assim como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 foram creditadas a Lula. Recentemente, Lula arrumou até seu próprio ditador antissemita, que promete repetir o holocausto: o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, recebido com pompa na capital do lulismo. Os “anos do consenso” de Benito Mussolini duraram de 1929 a 1936. Quanto podem durar os de Lula?

Luiz Carlos Barreto, em 1966, produziu um curta-metragem de propaganda para José Sarney. O curta-metragem foi dirigido por um conhecido marqueteiro: Glauber Rocha. Desde aquele tempo, Luiz Carlos Barreto, “o Filho do Brasil”, é quem melhor sintetiza o caráter nacional. Durante a ditadura militar, ele tomou conta da Embrafilme. No período de Fernando Henrique Cardoso, ele fez propaganda para a Embratur e para o BNDES. Quando o lulismo foi desmascarado, em 2006, ele disse: “O mensalão não era mensalão. Era uma anuidade. Faz parte da ética política. E a ética política é elástica”. A ética cinematográfica é igualmente elástica. E, no caso de Luiz Carlos Barreto, é uma anuidade.

Luiz Carlos Barreto, homenageado no Senado por Roseana Sarney, que o chamou de “grandalhão dócil e amável do cinema brasileiro”, agora planeja filmar o romance Saraminda, de José Sarney. É dessa maneira que Lula passará para a história: como uma mera anuidade no intervalo entre o José Sarney de 1966 e o José Sarney de 2010.

Por Diogo Mainardi


Aprendiz de candidata

| 10:29
Dilma: lições do professor Lula de como ser simpática com o eleitor

Dilma: lições do professor Lula de como ser simpática com o eleitor

O professor Lula tem dado algumas lições de campanha a Dilma Rousseff. Recentemente, na antessala de um teatro onde os dois e mais algumas personalidades aguardavam a hora de subir ao palco de uma cerimônia de premiação, Lula sugeriu a Dilma que desse atenção ao garçom que lhe servia: “Ô Dilma, cumprimenta o menino que ele pode ser seu eleitor no ano que vem…”. Dilma, meio sem graça, fez o que o chefe mandou.


Sulamérica Trânsito












LAST






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26/10/2008 free counters

sábado, 21 de novembro de 2009

Quem é o ‘Filho do Brasil’


sábado, 21 de novembro de 2009 | 0:02

“O chefe da propaganda de Benito Mussolini era seu genro, Galeazzo Ciano. Lula, por sua vez,tem de se arranjar com Franklin Martins”

Luiz Carlos Barreto, o Filho do Brasil.” Ele, Luiz Carlos Barreto, é um personagem um tantinho menos oco do que aquele outro, canonizado em sua última obra, Lula, o Filho do Brasil. Quem é Lula? Eu o resumiria numa única linha: um retirante maroto que sonha em se transformar em José Sarney. Ele é Vidas Secas sem Graciliano Ramos. Ele é Antônio Conselheiro sem Euclides da Cunha. Ele é, citando outra patetice sertaneja produzida por Luiz Carlos Barreto, quarenta anos atrás – os filhos do Brasil repetem-se tediosamente de quarenta em quarenta anos –, o cangaceiro Coirana, sem Antônio das Mortes.

Quem já assistiu a um cinejornal do “Istituto Luce” sabe perfeitamente o que esperar de Lula, o Filho do Brasil. Benito Mussolini, em Roma, conclamando as massas, é igual a Lula, no ABC, imitando Bussunda. O chefe da propaganda de Benito Mussolini era seu genro, Galeazzo Ciano. Lula, por sua vez, tem de se arranjar com Franklin Martins, coordenador do MinCulPop lulista. Mas o fato é que, a cada dia mais, o “filho de Dona Lindu” macaqueia o “filho do ferreiro de Predappio” – só que num cenário mais indigente e embolorado.

Se o crack de 1929 consolidou aquilo que Benito Mussolini chamou de “estado empreendedor”, o crack de 2008 fez o mesmo com Lula. A economia fascista tinha IMI e IRI, bancos públicos que forneciam crédito à indústria italiana, privilegiando os aliados do regime. A economia lulista tem Banco do Brasil e BNDES, que desempenham um papel semelhante. Benito Mussolini era celebrado na propaganda oficial por ter “restringido as desigualdades sociais”. Lula? Também. Os triunfos italianos nas Copas do Mundo de 1934 e 1938 foram creditados ao Duce, que compareceu aos jogos finais, assim como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 foram creditadas a Lula. Recentemente, Lula arrumou até seu próprio ditador antissemita, que promete repetir o holocausto: o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, recebido com pompa na capital do lulismo. Os “anos do consenso” de Benito Mussolini duraram de 1929 a 1936. Quanto podem durar os de Lula?

Luiz Carlos Barreto, em 1966, produziu um curta-metragem de propaganda para José Sarney. O curta-metragem foi dirigido por um conhecido marqueteiro: Glauber Rocha. Desde aquele tempo, Luiz Carlos Barreto, “o Filho do Brasil”, é quem melhor sintetiza o caráter nacional. Durante a ditadura militar, ele tomou conta da Embrafilme. No período de Fernando Henrique Cardoso, ele fez propaganda para a Embratur e para o BNDES. Quando o lulismo foi desmascarado, em 2006, ele disse: “O mensalão não era mensalão. Era uma anuidade. Faz parte da ética política. E a ética política é elástica”. A ética cinematográfica é igualmente elástica. E, no caso de Luiz Carlos Barreto, é uma anuidade.

Luiz Carlos Barreto, homenageado no Senado por Roseana Sarney, que o chamou de “grandalhão dócil e amável do cinema brasileiro”, agora planeja filmar o romance Saraminda, de José Sarney. É dessa maneira que Lula passará para a história: como uma mera anuidade no intervalo entre o José Sarney de 1966 e o José Sarney de 2010.

Por Diogo Mainardi







Trânsito em SP pela Rádio SulAmérica





Lula acumula: -Aposentadoria por invalidez,aposentadoria de Aposentadoria por invalidez, Pensão Vitalícia de "perseguido político" isenta de IR, salário de presidente de honra do PT, salário de Presidente da República. Você sabia???

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26/10/2008 free counters

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Manual de sabotagem


sábado, 31 de outubro de 2009 | 0:05

“Com o único propósito de sabotar o PT, amolei um monte de gente para tentar descobrir se José Serra e Aécio Neves podem se tornar companheiros de chapa em 2010. A probabilidade de um acordo entre os dois é muito maior do que parece”

Eu tento sabotar o PT. Como é que se sabota o PT? Atualmente, só há um jeito: unindo José Serra e Aécio Neves, em 2010.

Sem Aécio Neves, José Serra perde. Sem José Serra, Aécio Neves perde. Eles sabem disso. O PT sabe disso. Aécio Neves pode até ser o melhor candidato presidencial. Mas o PSDB acabará apoiando a candidatura de José Serra, porque ele lidera – e lidera folgadamente – em todas as pesquisas eleitorais.

Com o único propósito de sabotar o PT – e de sabotar Lula, Dilma Rousseff, Franklin Martins –, amolei um monte de gente para tentar descobrir se José Serra e Aécio Neves realmente podem se tornar companheiros de chapa em 2010. O primeiro como candidato a presidente e o segundo como candidato a vice-presidente. Publicamente, eles negam essa possibilidade. José Serra diz que a disputa presidencial ainda está longe. E Aécio Neves responde que, se o PSDB escolher José Serra, ele pretende se candidatar ao Senado.

Mas a probabilidade de um acordo entre os dois é muito maior do que parece. Na última semana, o marqueteiro de José Serra e o marqueteiro de Aécio Neves se reuniram e trataram abertamente do assunto. Eu só soube disso – repito – porque amolei um monte de gente. O marqueteiro de José Serra fez um cálculo simples: para eleger seu candidato ao Palácio do Planalto, ele tem de ganhar em Minas Gerais. Se Aécio Neves se candidatar a vice-presidente, José Serra ganhará disparado. Se, por outro lado, Aécio Neves concorrer ao Senado, desinteressando-se da campanha presidencial, ganhará em Minas Gerais o candidato apoiado por Lula.

Aécio Neves tem de fazer um cálculo um tantinho mais complicado. O Senado oferece-lhe um caminho perfeitamente seguro. Mas, se José Serra acabar perdendo de Dilma Rous-seff, ele poderá ser responsabilizado pela derrota. Para alguém como Aécio Neves, cujo maior atributo político é ser um aglutinador, nada pior do que rachar o próprio partido. Se Aécio Neves tomar o caminho oposto e aceitar ser companheiro de chapa de José Serra, sabotando os planos do PT, ele só terá a ganhar. Em primeiro lugar, porque isso garantirá o triunfo eleitoral de José Serra. Ele será o Lula do PSDB. Em segundo lugar, porque ele poderá ocupar, além do Palácio do Jaburu, um grande ministério da área social, cacifando sua candidatura presidencial em 2014, contra Lula, ou em 2018, contra o que restar do PT, se é que ainda restará algo.

Pronto: sabotei o PT. Agora só falta o PSDB sabotar o PSDB.

Por Diogo Mainardi








Lula acumula: -Aposentadoria por invalidez,aposentadoria de Aposentadoria por invalidez,Pensão Vitalícia de "perseguido político" isenta de IR,salário de presidente de honra do PT,salário de Presidente da República.Você sabia???

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26/10/2008 free counters

domingo, 19 de julho de 2009

O Cordeiro do presidente


sexta-feira, 3 de julho de 2009 | 22:13

“O blogueiro de Lula considera que a ‘grande mídia’ – da qual ele e Franklin Martins foram demitidos – ‘é apenas uma ferramenta para perpetuar o status quo de uma elite, veículo de pré-conceitos, defesa de interesses escusos e muito, mas muito cinismo mesmo’”

Jorge Cordeiro? Isso mesmo: Jorge Cordeiro. Ninguém sabe quem ele é. Ninguém sabe o que ele faz. Mas Franklin Martins acabou de contratá-lo para comandar o blog do Lula. O blog do Planalto.

Lula declarou recentemente que, com a internet, a imprensa perdeu “o poder que tinha alguns anos atrás”. E, de acordo com ele, quanto menos poder a imprensa tiver, melhor. Porque isso impede que os jornais tentem “dar um golpe de estado”, manipulando os fatos. Lula, a Arianna Huffington de Caetés, acredita que só agora, com o Blogger, o Facebook e o Twitter, “este país está tendo o gosto da liberdade de informação”. Segundo ele, “estamos vivendo um momento revolucionário da humanidade”.

Jorge Cordeiro, o blogueiro de Lula, tem o perfil do revolucionário da internet. Depois de trabalhar por seis anos como assessor de imprensa da Odebrecht, no período em que a empreiteira se enroscou com Fernando Collor de Mello, ele se distinguiu por sua passagem em jornais como O Fluminense. Quando Marta Suplicy foi eleita, ele ganhou um cargo na área de internet da prefeitura paulistana. Em 2005, arrumou um emprego no Globo Online, sendo demitido menos de um ano depois. Ultimamente, até ser contratado por Franklin Martins, ele mantinha um blog que era lido e comentado sobretudo por ele mesmo. A internet tem esse aspecto revolucionário: o autor de um blog pode ser também o seu único leitor.

Assim como Lula, Jorge Cordeiro dispara contra a imprensa. Seu blog solitário é sua Sierra Maestra. Ele considera que a “grande mídia” – da qual ele e Franklin Martins foram demitidos – “é apenas uma ferramenta para perpetuar o status quo de uma elite, veículo de pré-conceitos, defesa de interesses escusos e muito, mas muito cinismo mesmo”. VEJA, Folha, Estado, Globo: o blogueiro de Lula condena todo o “(tu)baronato” da imprensa, acusando-o de irresponsabilidade, de tendenciosidade, de forjar a roubalheira dos mensaleiros e de montar uma farsa golpista no episódio dos aloprados, a fim de evitar o triunfo histórico de “Lulaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!”.

O blogueiro de Lula, como o próprio Lula, argumenta que há mais liberdade e mais pluralidade nos blogs do que na imprensa. Os elogios aos blogs cessam no momento em que eles abusam dessa liberdade e dessa pluralidade para – epa! – falar mal de Lula. Ricardo Noblat se torna automaticamente “dissimulado, prepotente, mentiroso”. E Reinaldo Azevedo é ironizado por seus tumores, que o blogueiro de Lula apelida de “bolotinhas”.

Eu? Eu sou um “dândi”. Tenho de levar “uma bela cusparada” e, como Paulo Francis, “sucumbir a inúmeros processos”. Na semana passada, renunciei espontaneamente ao meu trabalho na internet. O blogueiro de Lula comemorou minha despedida com o seguinte comentário: “U-huuuuu!!”. Agora que Lula tem um blog, e que pretende trocar a imprensa por spams, sou eu que comemoro minha saída da internet: “U-huuuuu!!”.

Por Diogo Mainardi

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26/10/2008 free counters

O hip hop da Petrobras


sábado, 18 de julho de 2009 | 1:43

“Duas empresas de fundo de quintal receberam
8,2 milhões de reais da Petrobras, em 102 contratos”

O hip hop da Petrobras é de MV Bill. Ele canta: “Sou rapper bem! Sou aliado dos manos”. Eu pergunto: quais manos? Algumas semanas atrás, a CPI da Petrobras recebeu uma planilha contendo os contratos assinados pelo departamento de marketing da empresa. Os contratos cobriam só um ano: 2008. E cobriam só uma área da empresa: a área de abastecimento, que até abril deste ano era chefiada pelo petista baiano Geovane de Morais, nomeado por outro petista baiano, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli.

Uma das empresas incluídas na planilha encaminhada à CPI despertou meu interesse: R.A. Brandão Produções Artísticas. Em 2008, ela ganhou mais de 4,5 milhões de reais da Petrobras, em 53 contratos. Ela fez de tudo: de cartilha sobre o meio ambiente (98 000 reais) até bufê em obras de terraplanagem (21 000); de dicionário de personalidades da história do Brasil (146 000) até “design ecológico em produtos sociais” (150 000).

MV Bill, o “aliado dos manos”, surgiu nesse momento. Em 2007, ele publicou Falcão: Mulheres e o Tráfico, editado pela Objetiva. O livro é assinado também por Celso Athayde, seu empresário e seu parceiro numa ONG: a Central Única das Favelas – Cufa. A particularidade do livro é a seguinte: seus direitos autorais, em vez de pertencerem a MV Bill e a Celso Athayde, pertencem à fornecedora da Petrobras, a R.A. Brandão Produções Artísticas.

Perguntei a Roberto Feith, da Objetiva, o que MV Bill tinha a ver com a empresa contratada pela Petrobras. Ele se negou a responder. Uma repórter de VEJA fez a mesma pergunta à assessoria de MV Bill, que atribuiu a Celso Athayde a responsabilidade integral pelo projeto do livro. Celso Athayde, por sua vez, ao ser indagado desligou o telefone. Como canta MV Bill, em Como Sobreviver na Favela: “A terceira ordem é boca fechada, que não entra mosca e também não entra bala”.

A R.A. Brandão Produções Artísticas está registrada em nome de Raphael de Almeida Brandão. Ele tem 27 anos. O capital da empresa, segundo a Junta Comercial, é de 5 000 reais. Como uma empresa dessas, de fundo de quintal, conseguiu ganhar 4,5 milhões de reais da Petrobras é uma pergunta que tem de ser respondida pela CPI. Trata-se de uma empresa de fachada? Ela é controlada por MV Bill e Celso Athayde? Ela realmente recebeu pelos direitos autorais de Falcão: Mulheres e o Tráfico ou limitou-se a fornecer notas frias aos seus autores? Nesse caso, ela forneceu notas frias aos “manos” da Petrobras?

Mas há um fato ainda mais escabroso. A R.A. Brandão Produções Artísticas está sediada na casa de Raphael de Almeida Brandão. No mesmo local está sediada também uma segunda empresa: a Guanumbi Promoções. De acordo com os documentos da CPI, a Guanumbi Promoções recebeu – epa! – 3,7 milhões de reais da Petrobras. Somando as duas empresas, portanto, foram mais de 8,2 milhões de reais, em 102 contratos. Na maioria das vezes, elas emitiram notas para os mesmos eventos, com as mesmas datas. Foi assim no caso de uma festa em Mossoró, no Rio Grande do Norte, de um evento de Fórmula Indy, em Indianápolis, e de um agenciamento do Hotel Blue Tree, para a Fórmula 1, em que uma empresa faturou 159 000 reais e a outra faturou
146 000 reais.

MV Bill sabe como sobreviver na favela. Ele sabe melhor ainda como sobreviver na Petrobras.

Por Diogo Mainardi

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26/10/2008 free counters

sexta-feira, 13 de março de 2009

A Vichy do PT


Foto Agência Estado


A USP é a Vichy do petismo. É dominada pelos colaboracionistas do regime. Uma hora, os professores doutrinam os estudantes. Outra hora, eles montam a plataforma eleitoral do partido. Outra hora, assumem cargos no Palácio do Planalto.

Um nome? Maria Victória Benevides. Ela passou por tudo isso: já doutrinou os estudantes, já montou a plataforma do PT e já assumiu cargos no Palácio do Planalto. Com tantas medalhas no peito, ela pode ser considerada, com uma certa ligeirice, o marechal Pétain da USP.

Nos últimos anos, Maria Victória Benevides combateu destemidamente todos os insubordinados que procuraram resistir à supremacia de Lula: Em 2005, ela atribuiu o mensalão ao "sensacionalismo da imprensa", acrescentando que ninguém podia dar ensinamentos de ética a Lula. Em 2006, ela passou um pito nos petistas que defendiam outro caminho para a economia. Em 2007, ela ridicularizou as lamúrias de Fernando Henrique Cardoso. Em 2008, ela se reuniu com outros trinta hierarcas da academia e, depois de fazer propaganda do PAC, engajou-se com entusiasmo na candidatura presidencial de Dilma Rousseff.

Até recentemente, Maria Victória Benevides podia contar com uma poderosa arma. Isso mesmo: a "Folha de S. Paulo". Sempre que Lula ou o PT se metiam numa enrascada, lá ia ela, a colaboracionista do regime, o marechal Pétain da USP, oferecendo uma espécie de arrazoado ao jornal, publicado sob a forma de um artigo, ou de uma carta, ou de uma frase: num ritmo de dez, onze, doze vezes por ano.

Quando o arsenal de Maria Victória Benevides parecia estar se esgotando, seu lugar na "Folha de S. Paulo" era preenchido por outro colaboracionista do regime, comumente identificado como "intelectual do PT". Quem? Fábio Konder Comparato.Goffredo da Silva Telles. Dalmo Dallari. Maria Rita Kehl. Emir Sader. Renato Janine Ribeiro. Paul Singer. Antonio Candido. Uma gente caduca, uma gente tacanha, uma gente cabotina, que pretende ser eternamente recompensada por seus gestos durante o regime militar.

Agora tudo mudou. Alguns dias atrás, um editorialista da "Folha de S. Paulo", Vinicius Mota, empregou o termo "ditabranda" - em vez de ditadura - para caracterizar aquele mesmo regime militar. É um trocadilho antigo. Já foi usado por Márcio Moreira Alves. E já foi usado na própria "Folha de S. Paulo", num artigo de 2004. Desta vez, porém, Maria Victória Benevides decidiu espernear, ordenando ao jornal que se retratasse. E Fábio Konder Comparato esperneou junto com ela. A "Folha de S. Paulo" respondeu candidamente, recordando que a ira dos dois professores, "figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela vigente em Cuba, é obviamente cínica e mentirosa".

Maria Victória Benevides cancelou sua assinatura da "Folha de S. Paulo" e disse que nunca mais aceitará se manifestar por meio do jornal. Fábio Konder Comparato acompanhou-a. Os outros colaboracionistas do regime publicaram um manifesto de apoio aos dois. Se eles cumprirem a promessa de nunca mais aparecer no jornal, todos nós sairemos ganhando. O melhor a fazer é tirar-lhes a voz, na "Folha de S. Paulo" e no resto dos jornais. Só assim Vichy cairá.

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26/10/2008 free counters

O Marcola do país da macarronada

PT


O Brasil negou o pedido de extradição de Cesare Battisti durante minhas férias. Férias na Itália. Acompanhei o episódio de longe, pela imprensa italiana. "La Repubblica" publicou o seguinte comentário:

"No país do samba, há uma espécie de cumplicidade ideal com todos os Battisti do mundo, com os terroristas, com os justiceiros. Lula deve ter pensado que a Itália é uma republiqueta como a sua. (Ele) acredita que o mundo inteiro é formado por paisecos no limite entre o populismo e a ditadura militar".

O Marcola do país da macarronada

O Brasil negou o pedido de extradição de Cesare Battisti durante minhas férias. Férias na Itália. Acompanhei o episódio de longe, pela imprensa italiana. "La Repubblica" publicou o seguinte comentário:

"No país do samba, há uma espécie de cumplicidade ideal com todos os Battisti do mundo, com os terroristas, com os justiceiros. Lula deve ter pensado que a Itália é uma republiqueta como a sua. (Ele) acredita que o mundo inteiro é formado por paisecos no limite entre o populismo e a ditadura militar".

Ponto.

Nos últimos anos, "La Repubblica" foi um dos jornais estrangeiros que mais tolamente se encantaram com o presidente brasileiro. Agora mudou. A abestalhada claque italiana de Lula passou a enxergá-lo como um retrato do caudilho bananeiro.

Um documento que recebi na semana passada pode ajudar a explicar essa baba raivosa na boca dos italianos. Trata-se da ficha do Ros - o Grupo de Operações Especiais da polícia militar italiana - sobre os terroristas do PAC - os Proletários Armados pelo Comunismo -, do qual fazia parte Cesare Battisti.

Primeiro trecho:

"Os Proletários Armados pelo Comunismo formaram-se nos últimos meses de 1977, no âmbito da luta contra a nova realidade do regime carcerário de segurança máxima, que acabara de ser instituído".

E eu acrescento: os atentados terroristas do PCC, em maio 2006, ocorreram pelo mesmo motivo - a transferência de alguns membros do bando para o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes. O PAC é o PCC do país da Tarantella (sim, estou parodiando o editorialista do "La Repubblica"). Tarso Genro alegou que Cesare Battisti foi perseguido por suas ideias políticas. A única ideia que ele tinha era essa: aliviar o cárcere duro, exatamente como o Comando Vermelho em Bangu 3.

Segundo trecho da ficha policial:

"Em 6 de junho de 1978, o PAC assassinou, na frente da cadeia de Udine, o coronel Antonio Santoro, comandante dos agentes penitenciários. No documento de reivindicação, lê-se: O Estado usa a cadeia como uma ameaça contra qualquer tipo de divergência, de obtenção de renda por outros meios, de conflito de classe. E para readquirir o controle dos presídios, isola a faixa mais combativa [dos prisioneiros proletários], o que acarreta seu aniquilamento. Precisamos deter esse projeto, reforçando nossa prática comunista, concretizando-a em armamentos e em contrapoder".

Compare-o agora a um manifesto do PCC: A introdução do Regime Disciplinar Diferenciado inverte a lógica da execução penal. E coerente com a perspectiva de eliminação e inabilitação dos setores sociais redundantes, leia-se 'a clientela do sistema penal', a nova punição disciplinar inaugura novos métodos de custódia e controle da massa carcerária, conferindo à pena de prisão o nítido caráter de castigo cruel.

O assassinato do coronel Antonio Santoro por parte do grupo comandado por Cesare Battisti, na realidade, teve um motivo bem mais banal do que se poderia concluir lendo o altissonante manifesto do PAC. Segundo a ficha da polícia, o chefe dos agentes penitenciários foi morto somente por causa da demora em oferecer atendimento médico a outro militante do grupo, que se machucou jogando futebol na cadeia. Aparentemente, o que os terroristas queriam obter era um Mário Américo para cada prisioneiro.

Em 1979, o PAC seguiu essa mesma lógica de apoio sangrento à bandidagem comum nos assassinatos de um joalheiro e de um açogueiro. De acordo com o documento preparado pelos Carabinieri, o bando de Cesare Battisti executou os comerciantes porque eles "fizeram justiça com as próprias mãos, matando dois assaltantes".

Cesare Battisti é isso, é só isso: o Marcola do país da macarronada.

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26/10/2008 free counters

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

“Linha de crédito” Walter Salles Jr. foi entrevistado pelo programa Hardtalk, da BBC News.

Reinaldo Azevedo




“Linha de crédito”
Walter Salles Jr. foi entrevistado pelo programa Hardtalk, da BBC News. Ele elogiou Lula sem parar. A última estrela do cinema a manifestar tanto entusiasmo pelo líder de sua pátria deve ter sido Lyubov Orlova, nos tempos de Stalin. Ou Oscarito, nos tempos de Getúlio Vargas.
(...)
o apresentador do programa perguntou por que Central do Brasil tinha um tom bem mais otimista do que seu último filme, Linha de Passe, apesar de os brasileiros, com Lula no poder, estarem nadando em dinheiro. Walter Salles Jr. refletiu por um instante e respondeu candidamente que, quando realizou Central do Brasil, o país estava tomado pelo clima de euforia do fim da ditadura militar. Só para lembrar: Central do Brasil é de 1998. O AI-5 foi abolido em 1978.

Assim como chegou atrasado para comemorar o fim da ditadura militar, Walter Salles Jr. chegou atrasado também para comemorar o lulismo. No último domingo, Lula deu o primeiro passo rumo ao esquecimento.
Para ler íntegra :

Diogo Mainardi
Linha de crédito

"Em entrevista à BBC, Walter Salles Jr. elogiou
Lula sem parar. A última estrela do cinema a manifestar
tanto entusiasmo por um líder de sua pátria deve ter
sido Lyubov Orlova, nos tempos de Stalin"

Walter Salles Jr. foi entrevistado pelo programa Hardtalk, da BBC News. Ele elogiou Lula sem parar. A última estrela do cinema a manifestar tanto entusiasmo pelo líder de sua pátria deve ter sido Lyubov Orlova, nos tempos de Stalin. Ou Oscarito, nos tempos de Getúlio Vargas.

A BBC News informa que, em Hardtalk, o entrevistado é confrontado com "perguntas duras". A pergunta mais dura que o apresentador de Hardtalk fez a Walter Salles Jr. foi por que os protagonistas de seus filmes permaneceram pobres se, com Lula no poder, o Brasil finalmente se transformou num país de classe média. Walter Salles Jr. respondeu que toda essa riqueza ainda precisaria de um tempinho para se espalhar. Em seguida, o apresentador do programa perguntou por que Central do Brasil tinha um tom bem mais otimista do que seu último filme, Linha de Passe, apesar de os brasileiros, com Lula no poder, estarem nadando em dinheiro. Walter Salles Jr. refletiu por um instante e respondeu candidamente que, quando realizou Central do Brasil, o país estava tomado pelo clima de euforia do fim da ditadura militar. Só para lembrar: Central do Brasil é de 1998. O AI-5 foi abolido em 1978.

Assim como chegou atrasado para comemorar o fim da ditadura militar, Walter Salles Jr. chegou atrasado também para comemorar o lulismo. No último domingo, Lula deu o primeiro passo rumo ao esquecimento. Sua derrota eleitoral nas principais cidades do país ridicularizou a idéia de que, com sua espantosa popularidade, ele conseguiria eleger facilmente um sucessor, por pior que fosse o candidato, até mesmo Dilma Rousseff. Agora o blefe acabou. Só Fernando Rodrigues continua a acreditar no poder plebiscitário de Lula. Depois do segundo turno, daqui a duas semanas, seus aliados devem migrar malandramente para o outro lado, sobretudo se Gilberto Kassab confirmar a vitória paulistana, garantindo de uma vez por todas a candidatura presidencial de José Serra.

Desde domingo, até a espantosa popularidade de Lula tornou-se menos espantosa. Com alguns minutos de propaganda por dia, dezenas de prefeitos espalhados pelo país conseguiram igualá-lo. Lula faz propaganda ininterrupta há seis anos. Ao contrário do que acontece com ele, ninguém enalteceu o carisma desses prefeitos. E ninguém louvou sua sabedoria política. De agora em diante, Lula tende a perder sua corte, ficando cada vez mais sozinho, mais isolado. Se o assunto é cinema, já dá para imaginá-lo aposentado, na escadaria de sua casa, vestido com roupa de gala, fantasiando um retorno aos seus dias de glória, como Gloria Swanson em Sunset Boulevard. E Walter Salles Jr.? Ele estará atrasado.



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26/10/2008 free counters

Gugu e o galo amarelo


"Ser o mais importante intelectual brasileiro
é igual a ser a prostituta número quatro do
Cazaquistão. Borat pode até se orgulhar
disso, mas a gente sabe o que significa"

Um galo amarelo. Um galo amarelo e imenso. Do tamanho de uma pessoa. Ele encara Peter Griffin. Peter Griffin o encara. De um instante para o outro, Peter Griffin pula pela janela e passa a estrangulá-lo. O galo amarelo reage, socando-o e bicando-o. A luta prossegue. Os dois caem num bueiro. Continuam a se socar nos andaimes de um prédio. Chocam-se contra uma roda-gigante. A roda-gigante se desprende e esmaga uma série de carros. Peter Griffin e o galo amarelo destroem tudo em seu caminho. Cambaleiam pela cozinha de um restaurante. Peter Griffin joga uma panela de água escaldante no rosto do galo amarelo. A luta chega ao fim. O galo amarelo parece morto. Inesperadamente, ele abre o olho esquerdo. Retornará.

Peter Griffin é o protagonista do desenho animado Family Guy. A luta com o galo amarelo é recorrente no seriado. Ela se insere bruscamente na trama. Num instante, Peter Griffin está à mesa de jantar, com sua mulher. No outro, ele está batendo no galo amarelo. Quando a luta acaba, ele regressa para a mesa de jantar, e o episódio é retomado do ponto em que fora interrompido. Assim mesmo: de maneira perfeitamente gratuita. Trata-se da imagem mais perturbadora de nosso tempo. Se Peter Griffin é Clitemnestra, o galo amarelo é sua Electra. Se Peter Griffin é Sherlock Holmes, o galo amarelo é seu Moriarty. Se Peter Griffin é Humbert Humbert, o galo amarelo é seu Quilty. Cada sociedade produz sua figura de Nêmesis. A nossa Nêmesis, representada por um desenho tosco, é um ser de outra espécie, que nos embrutece, nos bestializa. Eu sou Peter Griffin. Do lado de fora da janela, um galo amarelo me encara. Estou pronto para esmurrá-lo, igualando-me a ele.

No Brasil, só Gugu, em seus melhores momentos, consegue causar o mesmo estranhamento que o galo amarelo de Family Guy. No principal quadro de seu programa, Gugu manda emigrantes de volta à cidade de origem, dando-lhes de presente uma geladeira, uma antena parabólica e uma coifa. O espectador é tomado por uma angústia kierkegaardiana. Na última semana, uma mulher retornou à casa dos pais, depois de dez anos de ausência. Dramaticamente, os pais foram incapazes de reconhecê-la. Enxotaram-na. Sim, é o programa do Gugu, mas poderia ser uma peça de Ibsen. Se Ibsen fosse brasileiro. E se ele arrumasse um emprego no SBT.

Paulo Coelho declarou à Playboy que é o mais importante intelectual brasileiro. É mesmo. Compare-o aos demais. Em termos de idéias e de linguagem, sua obra não é mais vexatória do que a de Antonio Candido. Depois de declarar que era o mais importante intelectual brasileiro, Paulo Coelho pediu ao repórter: "Refaz a frase para que eu não pareça arrogante". O simples fato de se identificar como um intelectual brasileiro já é um atestado de modéstia. Ser o mais importante intelectual brasileiro é igual a ser a prostituta número quatro do Cazaquistão. Borat pode até se orgulhar disso, mas a gente sabe o que significa. Ao nosso redor, tudo se brutalizou. O galo amarelo está à espreita. Um dia, ele conseguirá nos matar.




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Eu sou casado e tenho filhos


PODCAST
Diogo Mainardi

16 de outubro de 2008


Eu sou casado e tenho filhos. Um de meus filhos me passou uma tosse catarrenta que pode interromper este podcast daqui a dez ou quinze segundos. Meu outro filho me liga de seu computador, pelo Skype, interrompendo o podcast a cada dez ou quinze segundos. Eu invejo Gilberto Kassab, que é solteiro e sem filhos.

Marta Suplicy, como se sabe, recorreu a uma canalhice ao perguntar se Gilberto Kassab era casado e se tinha filhos. Ela foi torpedeada de todos os lados. Muita gente, inclusive de seu próprio partido, como Ideli Salvatti, argumentou que era um erro invadir a privacidade dos políticos. Se Ideli Salvatti argumenta de um jeito, eu argumento do jeito contrário. Na realidade, quanto mais devassada é a vida dos políticos, melhor. Nos últimos anos, a idéia de que a privacidade dessa turma tinha de ser resguardada foi usada para tentar acobertar episódios suspeitos como a venda da empresa de Lulinha para a Telemar, ou as festas promovidas pelos assessores de Antonio Palocci, ou os pagamentos de Renan Calheiros à sua amante.

Importa saber se Gilberto Kassab é homossexual? Importa saber se Marta Suplicy é adúltera? Para mim, de jeito nenhum. Mas compreendo que alguns eleitores possam se importar. Ninguém deve proteger os eleitores de sua própria obtusidade. E ninguém deve proteger os políticos de seu próprio comportamento.

A canalhice da campanha petista teve outro efeito muito benéfico. Mais do que responder a algum questionamento sobre Gilberto Kassab, ela ajudou a revelar o verdadeiro caráter de Marta Suplicy. Em primeiro lugar, ela está disposta a apelar aos métodos mais torpes e aos sentimentos mais rasteiros para se eleger à prefeitura. Em segundo lugar, ela mente. E mente desavergonhadamente. Ela mentiu desavergonhadamente quando declarou que as perguntas sobre o estado civil de Gilberto Kassab eram de todo inocentes. E mentiu desavergonhadamente quando atribuiu apenas ao seu marqueteiro a responsabilidade pelo comercial que continha aquelas duas perguntas.

Os petistas fizeram o governo mais promíscuo da história, rompendo todas as barreiras entre público e privado. Marta Suplicy e seu marido Luis Favre simbolizam essa promiscuidade melhor do que ninguém. Ao perguntar, em sua campanha, se Gilberto Kassab era casado e se tinha filhos, Marta Suplicy inadvertidamente abriu uma brecha nesse campo, permitindo que a gente indagasse sobre a vida particular dela, de seu marido e de todos os outros petistas. Eu tenho um monte de perguntas. O assunto? O de sempre, quando se refere ao PT: dinheiro.

Sobre o fato de ser casado e com filhos, só tenho um comentário a fazer: quer ficar com os meus, Kassab? Eu empresto.




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26/10/2008 free counters

Lula é PMDB

PODCAST
Diogo Mainardi

28 de outubro de 2008




Lula é PMDB. É o que tenho a dizer sobre o resultado eleitoral do último domingo. Se o PMDB é um aglomerado de caciques, Lula é o cacique dos caciques, tendo repartido o território brasiliense em tribos, cada qual com seus costumes, com sua estrutura, com seu sistema de valores. Sobretudo isso: com seu sistema de valores. Se o PMDB é um emblema de fisiologia, Lula é seu maior representante, saltando alegremente de um lado para o outro, de acordo com as suas necessidades mais imediatas. Se o PMDB representa o poder local, Lula administra o governo da República como se fosse a prefeitura de Campina Grande. O PT perdeu no domingo, o PT foi ridicularizado no domingo, mas quem disse que Lula é do PT?

Uma idéia foi repetida continuamente nos últimos dias. A idéia de que é cedo para se pensar em 2010. Na realidade, o que políticos, banqueiros, empreiteiros e jornalistas pretendem fazer, a partir de agora, é apenas isso: pensar em 2010. Pode ser cedo para o eleitor comum, mas está mais do que na hora de firmar acordos, comprar aliados e leiloar apoios para a disputa presidencial. Por isso mesmo, é preciso descobrir qual será o papel de Lula. De um ano para cá, ele sempre deu a entender que bancaria a candidatura de Dilma Rousseff. Eu entendo sua escolha. Ele perdeu todos os outros candidatos. Só sobrou Dilma Rousseff. E se só sobrou Dilma Rousseff, ele tem de se arranjar com ela. Mas o que Lula realmente espera obter com isso? Ele conhece o eleitorado. Por mais que eu me esforce, por mais que eu tente me desfazer de meus preconceitos, sou incapaz de imaginar como os eleitores poderiam votar em Dilma Rousseff. Ela tem aquele ar impaciente de funcionária pública que se recusa a aceitar nosso documento porque a cópia tem de ser autenticada, e que aguarda ansiosamente a saída do trabalho para poder fazer sua aula de rumba. Imagino que Lula saiba que uma candidata dessas nunca será eleita.

É nesse ponto que surge o Lula peemedebista. Como todos os peemedebistas, ele tem um projeto pessoal, muito mais do que um projeto partidário. Para ele, bem mais importante do que eleger um sucessor petista é garantir que seus interesses pessoais sejam atendidos pelo novo governo. Seu maior interesse, hoje, é assegurar uma passagem de poder sem conflitos, sem ressentimentos, para que seu sucessor nem pense em importuná-lo mais adiante, fazendo uma devassa pública de suas contas, ou punindo os membros de seu círculo íntimo, ou afastando seus homens da máquina estatal. Se Lula concluir que a derrota eleitoral em 2010 é certa, sua melhor candidata é Dilma Rousseff. Ele poderá se engajar em sua campanha, mas sem ter de se imolar por ela, indispondo-se com seus opositores. Lula precisa negociar o futuro de sua tribo. Ele é PMDB. Por isso, acabará ganhando, mesmo se perder.




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domingo, 31 de agosto de 2008

Paulo H. Amorim recorre de sentença que livrou Mainardi de indenização


Rosanne D'Agostino

O jornalista Paulo Henrique Amorim recorreu da sentença do juiz Manoel Luiz Ribeiro, da 3ª Vara Cível de Pinheiros (SP), que julgou improcedente seu pedido de indenização por danos morais contra o colunista da revista Veja Diogo Mainardi. O motivo da ação é uma coluna intitulada “A voz do PT” de 6 de setembro de 2006.

Na coluna, Mainardi afirmou que Amorim usa seu espaço no portal IG para defender o ‘lulismo’, que o jornalista está em uma fase descendente em sua carreira e que recebe dinheiro público, provindo de fundos de pensão estatais, para defender interesses privados.

Por danos a sua honra e imagem, Amorim pediu uma indenização não inferior a 1.500 salários mínimos (R$ 570 mil). Pelo dano à intimidade, pediu o acréscimo de outros R$ 0,50 por unidade de revista posta em circulação.

Contestação
O advogado de Paulo Henrique Amorim, José Rubens Machado de Campos, questiona a fundamentação do juiz ao tomar a decisão. O processo correu à revelia, porque os réus apresentaram contestação fora do prazo. Nesse caso, as argumentações da Editora Abril e de Diogo Mainardi nos autos são consideradas inexistentes.

“O juiz não fundamentou afirmações como a de que Paulo Henrique é lulista, de que ele recebeu dinheiro público e de que o fato de não se trabalhar na Rede Globo é uma decadência”, afirma o advogado. “Não existe nenhuma prova nos autos de que essas afirmações sejam verdadeiras. E elas não são.”

O advogado de Paulo Henrique Amorim apresentou embargos de declaração para que o juiz dê sustentabilidade à sentença, recurso que pode ir ainda ao TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo). “Ele [Paulo Henrique] não está conformado e essa história não irá terminar tão cedo”, completa o advogado.

Sentença
Na decisão, o juiz considerou que não há a ofensa à honra, pessoal ou profissional, nem a sua imagem ou privacidade. “Não é possível esquecer que o autor é um homem público, um jornalista renomado, uma personalidade notória, que, dessa forma, tem a sua imagem e vida íntima ou privada sujeita a uma maior exposição pública”, afirmou.

Mainardi afirma na coluna que Amorim foi contratado pelo IG, pertencente à Brasil Telecom, que recebeu a injeção dos fundos de pensão estatais. “Quando os fundos de pensão passaram a influir no IG, o portal se transformou na voz do PT”, escreveu o colunista. Diz ainda que, para isso, o jornalista receberia R$ 80 mil por mês.

Para o juiz, “a matéria não busca expor a intimidade, mas o vínculo contratual com o IG, e este com os fundos de pensão, para também criticar o apoio do jornalista aos atos do governo”. Com relação ao valor do contrato, “ainda que eventualmente incorreto, é citado apenas para indicar a destinação do dinheiro público”, completa o magistrado.

Quanto à carreira descendente, “sem dúvida, o autor já foi jornalista da Rede Globo de Televisão, apresentando programas de elevadíssima audiência, de forma que a menção à ‘carreira descendente’ visa apenas identificá-lo como estando hoje em veículo de menor expressão do que aquele outrora”, continua o juiz. “Talvez até tenha sido empregada para criticar sua defesa do ‘lulismo’, conforme sustenta o réu, mas dentro do limite crítico aceitável.”

“No caso vertente o interesse público na matéria jornalística acaba sobrepondo-se, até porque, a partir dela, fatos de interesse social acabam sendo apurados e muitos deles indicam ilegalidades que só viriam à tona a partir da publicação”, concluiu.


















Quinta-feira, 29 de novembro de 2007

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sábado, 19 de julho de 2008



PODCAST
Diogo Mainardi

15 de julho de 2008

O relatório da PF

O site Consultor Jurídico publicou o relatório da PF contra Daniel Dantas. Como um bom egomaníaco, ignorei todas as referências a Gilberto Carvalho, a Dilma Rousseff, a Luiz Eduardo Greenhalgh e fui imediatamente procurar meu nome. Onde eu estou? Onde? Onde?

Foi muito frustrante. A certa altura, na página 152, uns desconhecidos - Cristina Caetano, Camila Arruda, Eric Brenner - citam de passagem uma de minhas colunas sobre a Telecom Italia. A coluna trata especificamente de um documento da magistratura italiana, que eu disponibilizei na internet. Os empregados de Daniel Dantas decidiram descarregá-lo e traduzi-lo.

Por meses e meses, uns bananas repetiram sem parar uma mentira descabida: eu teria recebido esse documento de Daniel Dantas. Eu estava quase acreditando neles. Eu estava quase me entregando ao heróico delegado Protógenes Queirós. Eu estava quase me esquecendo de que, quando o documento chegou a mim, por meio de uma fonte judiciária, o Ministério Público paulista já o encaminhara oficialmente ao Procurador-Geral da República. Eu estava quase me esquecendo de que chequei a autenticidade do documento, por escrito, com a principal testemunha do inquérito, o diretor da Telecom Italia, Giuliano Tavaroli. O que se descobre agora, através dos grampos da PF, é que só o tonto do Daniel Dantas ainda não possuía uma cópia do documento. E teve de buscá-la na internet, como qualquer outro leitor.

Mais adiante, na página 157, Daniel Dantas menciona meu nome num telefonema, referindo-se àquela mesma coluna. Ele demonstra estar incomodado com o conteúdo do artigo. Ele teme o assunto Telecom Italia. É o que eu sempre digo: Daniel Dantas é de uma poltronice sem igual. O fato de querer manter distância do inquérito sobre a Telecom Italia, que envolve seu cupincha Naji Nahas, é revelador de seus métodos. Daniel Dantas pensa como os mascates do jornalismo: ele só se interessa por notícias que possam alavancar seus negócios.

Depois disso, nada mais. Meu único crime foi ser citado num clipping. A partir de agora, posso usar esses grampos nos processos contra os caluniadores que me associaram a Daniel Dantas. Continuo a mandar documentos sobre a Telecom Italia ao Ministério Público. Continuo a conferir sua autenticidade, antes de publicá-los. Continuo a torcer para que Daniel Dantas e Naji Nahas confessem quem eles corromperam na última década, e passem um bom tempo na cadeia. Mas basta ler o relatório da PF para saber que isso nunca vai acontecer.

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terça-feira, 8 de julho de 2008

A guinada

A postura do governo mudou, depois que o compadre do presidente entrou no negócio? A resposta é sim

É o efeito Homer Simpson. Quando um caso se complica demais, a gente se distrai completamente e começa a pensar num macaco comendo uma banana. Foi o que aconteceu com os fatos relativos à Varig. Quer ver? Vou citar alguns termos recorrentes nos artigos sobre o assunto: Slots! Anac! 1º Vara de Justiça! Dívidas trabalhistas! Procurador-Geral da Fazenda Nacional! Agora diga: o que lhe veio à mente? Isso mesmo: um macaco comendo uma banana.

Mas o caso é mais simples do que parece. Basta se concentrar no que realmente importa. E o que realmente importa é o seguinte: a postura do governo mudou, depois que o compadre do presidente entrou no negócio? A resposta é sim. E a prova está nas arquivos dos jornais do período.

Roberto Teixeira assinou um contrato com a Volo em 17 de abril de 2006. No dia 20 de abril, três dias depois, a Folha de S. Paulo publicou:

"A ministra Dilma Roussef criticou duramente a cúpula da Anac, em dois telefonemas na noite de terça-feira, por causa da decisão do órgão de rejeitar a venda da Varig Log para a Volo".

Em 23 de abril, menos de uma semana depois da contratação de Roberto Teixeira, Zero Hora fez uma reportagem intitulada "Governo muda de rumo na crise da Varig". Está lá:

"A mudança de postura foi construída na última semana e tem papéis definidos. A decisão final segue na cabeça do presidente Lula e de Dilma, mas a frente das negociações foi tomada pelo ministro da Defesa, Waldir Pires - por determinação de Lula. À Anac cabe o monitoramento direto da situação".

Em 28 de abril, saiu em O Globo:

"Chama a atenção do mercado a mudança do tom do governo em relação à empresa. Se há bem pouco tempo, representantes do governo diziam que nada poderia ser feito pela Varig, agora o próprio presidente sinaliza boa vontade".

Em 29 de abril, foi a vez de O Estado de S. Paulo comentar a estranha reviravolta do governo:

"As declarações do presidente representam uma nova atitude do governo e se somam às da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Depois de semanas insistindo em que o governo não tinha nada a fazer pela Varig, na terça Dilma passou a defender uma solução com participação oficial".

Na última semana, entrevistado pela VEJA, Gilberto Carvalho ditou a linha de defesa de Lula, dizendo que, se Roberto Teixeira "vendeu alguma facilidade", o problema é dele. É a mesma linha de defesa adotada em 1997, quando um conselho do PT, que investigava as denúncias contra Roberto Teixeira, sugeriu que ele "teria cometido abuso de confiança com aproveitamento das relações de amizade com Lula".

O que essa tese ignora é a súbita guinada do próprio Lula, em relação ao negócio proposto por seu compadre. O governo pode alegar - como está fazendo - que a venda da Varig foi decidida pela Justiça, que os diretores da Anac estavam atrapalhando o negócio, que Denise Abreu quer se vingar por sua demissão, que Dilma Rousseff impediu que a empresa quebrasse. Mas há um fato incontrovertível do qual o governo nunca vai conseguir escapar, confirmado por todos os jornais da época, quando ninguém sabia dos interesses do compadre: até o dia 17 de abril, Lula e seus ministros tinham uma posição para o caso da Varig; na própria semana em que Roberto Teixeira foi contratado, eles passaram a ter a posição contrária. Só isso já vale um inquérito. Alguém viu o Ministério Público?



ARQUIVO
25/6/2008
O general, o Morro da Providência e o bispo Crivella
Que o bispo Crivella ou Lula associem a reforma da fachada de alguns casebres ao combate contra os traficantes é mais do que natural. Que o comandante do Exército diga o mesmo é sinal de que a gente se danou de vez.

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17/6/2008
Lulo-sarneysismo
Se tudo der certo, a árvore genealógica do lulo-sarneyzismo vai ficar assim: Lula nomeia a afilhada de José Sarney, ela muda a lei para favorecer o sócio do marido da filha de José Sarney, cuja empresa bancou o filho de Lula, que assina a lei.

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10/6/2008
Já leu a sentença do TJ do Rio, Franklin Martins?
Viu o que decidiu o desembargador Paulo Mauricio Pereira naquele seu processo contra mim? Pegou muito mal, né? Sobretudo o trecho sobre a liberdade de imprensa.

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3/6/2008
Dilma, as Farc e as drogas
Uma reportagem do jornal Gazeta do Povo mostrou que a mulher de Olivério Medina, o representante das Farc no Brasil, foi cedida pelo governo do Paraná a pedido de Dilma Rousseff (...) O governo Lula considera perfeitamente legítimo contratar, para um cargo de confiança, a mulher de um criminoso internacional preso por pertencer a um grupo que pratica o terrorismo e o tráfico de drogas.

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27/5/2008
Música do diabo
A música é o instrumento escolhido pelo diabo para disseminar sua mensagem. Trata-se de um fato seguro, que ninguém dotado de um pingo de critério ousaria contestar. Abnegados estudiosos do satanismo passaram anos e anos escutando discos de trás para a frente, à procura de versos demoníacos infiltrados nas músicas. Depararam-se com uma infinidade deles. Um dos mais célebres é este aqui, do Deep Purple. Em ordem inversa, ele recita claramente: Oh demon that is leading from hell, we believe, que pode ser traduzido como Ó demônio, que está guiando do inferno, nós acreditamos. Há também este outro, do The Eagles. O inocente Hotel California, ouvido no sentido contrário, perde seu caráter kitsch e transforma-se no tenebroso Yeah, satan organised his own religion. Ou: Sim, satanás organizou sua própria religião.

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21/5/2008
Hooligans da internet
A internet precisa de regras, de normas, de leis. Nos campeonatos de futebol da Europa, quem é pego cantando coros nazistas é afastado dos estádios. A internet tem de fazer o mesmo: arrumar um jeito de desconectar seus hooligans.

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13/5/2008
Desemprego zero
José Carlos Assis é o coordenador do Movimento Desemprego Zero. Ele defende uma "política de pleno emprego". Aparentemente, o primeiro a ser beneficiado com a política de pleno emprego foi o próprio José Carlos Assis. Luciano Coutinho, presidente do BNDES, contratou-o como seu assessor, com um salário - um salário pleno - de 20 mil reais.

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6/5/2008
Mordedores de grana do BNDES
Por que até agora ninguém pensou em pedir uma CPI do BNDES? O banco é a principal fonte de investimentos públicos do país. Está envolvido diretamente nos maiores negócios da atualidade, como o empréstimo bilionário à Vale e a compra da Brasil Telecom por parte da Oi. O Congresso Nacional tem o dever de conferir se esse dinheiro está sendo empregado honestamente.

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29/4/2008
Sobre a popularidade de Lula
Há uma diferença entre aprovar um presidente e tornar-se cúmplice dos crimes cometidos durante seu governo. Essa é a diferença que está em jogo. A diferença entre o presente e o futuro. Entre um país de verdade e um país de mentira.

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22/4/2008
Guarda-costas de Lula
Mauro Marcelo foi guarda-costas de Lula. Em meados de 2004, o presidente o nomeou à chefia da Abin. As principais testemunhas do processo contra a Telecom Italia declararam em juízo que, no mesmo período em que era chefe da Abin, Mauro Marcelo oferecia seus préstimos à empresa. O pagamento de 300.000 dólares, segundo essas mesmas testemunhas, seria realizado por meio do detetive Eloy Lacerda, parceiro de Mauro Marcelo. Um dos executivos da Telecom Italia, Angelo Jannone, declarou à promotoria que se opunha à idéia de pagar um membro do governo brasileiro, tanto que, a certa altura, decidiu bloquear os pagamentos. Na página do podcast, dois depoimentos de Jannone. No primeiro, ele conta a origem do relatório em que Daniel Dantas é acusado de desvio de dinheiro nos contratos de fornecimento da Brasil Telecom. No segundo, ele faz um histórico de seu trabalho no Brasil, incluindo o episódio do chefe da Abin.

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15/4/2008
A eleição de Berlusconi e o fim da esquerda
Numa coluna de 2003 comparei Berlusconi a Lula. O mesmo populismo rasteiro. A mesma retórica ordinária. O mesmo aparelhamento do poder. O mesmo método plebiscitário de anistiar suas estripulias éticas por meio do voto. Apesar disso, o resultado eleitoral italiano tem de ser comemorado. A esquerda sumiu. Acabou. Morreu.

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8/4/2008
A imprensa paraestatal anda perdida
A imprensa paraestatal anda perdida. Algum tempo atrás, acusou-me de publicar documentos falsos sobre o inquérito da Telecom Italia. Carta Capital mandou um de seus jornalistas entrevistar o araponga da Telecom Italia. Assunto da entrevista: eu. Eu só posso agradecer. Em vez de mentir a meu respeito, declarando que fabriquei o documento, o araponga da Telecom Italia reconheceu sua autenticidade.

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1/4/2008
O contexto sobre a coluna de Paulo Henrique Amorim
Contexto é coisa de petista. Eu sou o homem dos valores absolutos. Meus princípios não mudam de acordo com as circunstâncias. Eles são sempre aborrecidamente iguais. O que era ruim no passado continua sendo ruim agora. Se o que caracteriza o petismo é o oportunismo moral, eu procuro ser o contrário. Reacionário? Vá lá: reacionário. (...) No petismo, o que conta não é a ideologia, e sim o CNPJ com que cada um está registrado.

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25/03/2008
Agora só o PT pode destruir o PT
Eu recomendo o blog de Paulo Henrique Amorim. Mas é preciso saber ler direito. Nos últimos anos, ele se transformou num agente da ala trotskista do PT, cujo mentor é Luiz Gushiken. O plano da ala trotskista do PT era reestatizar a telefonia com o dinheiro dos fundos e do BNDES. A Telemar está abocanhando a Brasil Telecom, mas seu comando será entregue aos grandes financiadores de Lula e de seus filhos, em sociedade com Daniel Dantas. Para quem está do lado de fora, é uma farra acompanhar a guerra entre os companheiros petistas. O Brasil está completamente rendido. Agora só o PT pode destruir o PT.

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18/03/2008
David Mamet e o jiu-jítsu
David Mamet bandeou da esquerda para a direita. Ele é o maior dramaturgo americano.(...) David Mamet é um praticante de jiu-jítsu brasileiro. Ele está terminando de rodar um filme sobre o assunto: Faixa Vermelha. Alguém tem de investigar seriamente qual foi o papel do jiu-jítsu na reviravolta política de David Mamet. Pode ser que a gente descubra que Minotauro foi o brasileiro que mais influenciou a sociedade americana desde Tom Jobim.

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14/03/2008
Paulo Francis
Apesar de estar cheio de Paulo Francis, apesar de ter falado sobre ele a semana toda, apesar de meu sentimento de inferioridade, ainda posso fazer uma malandragem aqui no podcast. A malandragem é recitar para vocês, com meu cativante tom de voz, a orelha que escrevi para Carne Viva, o romance póstumo de Paulo Francis, que acabou de ser publicado. (Leia o texto na íntegra)

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5/03/2008
Ruins de guerra
A gente sempre foi muito ruim em matéria de guerra. Se eu tivesse de adivinhar o que vai acontecer a partir de agora no conflito entre Equador, Colômbia e Venezuela, diria que vai haver uma disputa acirrada para saber quem consegue bater em retirada mais depressa.

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26/02/2008
Marcelo Netto. O nome dele é Marcelo Netto
Essa foi a chamada da minha coluna de 29 de março de 2006 (leia aqui). Agora, dois anos depois, o Procurador-Geral da República denunciou Antonio Palocci pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo. E Marcelo Netto foi denunciado junto com ele. Rapaziada, o fato é o seguinte: demora, às vezes enjoa, às vezes dá vontade de desistir, na maioria dos casos é frustrante, a amolação do outro lado é grande, há uma certa dose de risco, mas um dia a gente vai descobrir tudo o que aconteceu nos últimos anos.

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19/02/2008
A gente tem de comemorar o fim do tirano gerontocrata
É mais uma figura grotesca que some da nossa frente. Depois de renunciar ao mandato, ele quer se dedicar apenas ao seu trabalho como colunista da imprensa. É o lugar ideal para ele: o colunismo está cheio de zumbis. Quer um blog, Fidel?

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13/02/2008
Mais documentos sobre a Telecom Itália
Meus sete informantes italianos continuam a me mandar documentos referentes ao processo por espionagem contra a Telecom Italia, conduzido pelo Procurador da República Fabio Napoleone. Assim que os documentos chegam aqui em casa, eu os encaminho à magistratura brasileira. E, grandiloqüente, declaro o seguinte: se o Brasil tem uma saída, só pode ser através das leis. (...) O assunto Telecom Italia já se esgotou? Hmm, hmm: tem mais. Acabo de receber um novo pacote.

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6/02/2008
Lá vai o Diogo outra vez
Perdi a conta de quantas colunas e quantos podcasts já fiz sobre a Telecom Italia. Os documentos que recebi no Natal de 2005 (leia coluna aqui) são particularmente valiosos porque mostram uma mala de dinheiro vivo saindo de uma grande empresa – a Telecom Italia, mas poderia ser qualquer outra – e chegando nas mãos de seus receptadores. Isso é inédito. Teimo em falar sobre o caso da Telecom Italia porque ele pode revelar não apenas o destino das malas cheias de dólares, como também o jogo sujo de sua escolta de jornalistas.

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30/01/2008
Apostando em notícias
Eu gosto de apostar. Muito. Se pudesse, passaria o dia todo apostando em corridas de caranguejos. Como não posso, aposto em notícias. É um vício decorrente da minha atividade jornalística. Aposto na variação do Dow Jones, no número de mortos no Iraque e na candidatura de John McCain nas eleições primárias do partido Republicano. Depois do Carnaval, vou fazer uma nova aposta: quem será o primeiro mensaleiro a sujar a barra do Lula?

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