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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

TCU bloqueia conta da ONG dos malfeitos do Turismo


João Wainer/Folha

Por determinação do ministro Augusto Nardes, do TCU, foi bloqueada na Caixa Econômica Federal a conta do Ibrasi.

Trata-se daquele instituto que se encontra no centro do inquérito que apura desvios no Ministério do Turismo e levou a PF a deflagrar a Operação Voucher.

Na investigação em curso, apura-se a malversação de parte de um convênio de R$ 4,45 milhões. O problema é que há outros.

Sim, caro contribuinte, o governo continua entregando verbas subtraídas do seu bolso ao suspeito Ibrasi.

O caso que está sendo esquadrinhado pelo Ministério Público e pela PF é de 2009. O bloqueio do TCU refere-se a outro convênio, de 2010. Coisa de R$ 5 milhões.

Desse total, R$ 4 milhões já haviam migrado das arcas do Turismo para a conta do Ibrasi na Caixa. Daí o bloqueio ordenado pelo TCU.

O ministro Nardes também ordenou ao ministério que se abstenha de realizar novos repasses.

Nos dois casos, o de 2009 e o de 2010, a verba foi pendurada no Orçamento da União por emendas da deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP).

Verificou-se no Amapá que os cursos de qualificação profissional na área de turismo contratados pelo ministério em 2009 simplesmente não foram ministrados.

Os primeiros R$ 4,45 milhões repassados pelo governo foram carreados pelo Ibrasi a empresas de fancaria. Algumas tinham diretores da ONG como sócios.

A despeito das evidências de malfeito, o ministério liberou as verbas. A última parcela saiu neste ano da graça de 2011, já sob Dilma Rousseff.







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26/10/2008 free counters

terça-feira, 19 de julho de 2011

Contra TCU, Valdemar faz lobby por obra de R$ 16 mi

19/07/2011

Divulgação

A foto acima ilustrou notícia veiculada em 21 de marco de 2010 no site da Câmara Municipal da cidade de Barretos, no interior de São Paulo.

O texto celebrava a abertura de uma licitação do Dnit, o departamento que cuida da infraestrutura dos transportes no país. Coisa de R$ 16 milhões.

A verba seria despejada na recuperação e conclusão de uma obra contra a qual se insurge o TCU, o “Contorno Ferroviário de Barretos”.

Coube a Frederico Augusto de Oliveira Dias –no primeiro plano da foto, à esquerda— anunciar a novidade da licitação.

Amigo do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP, no centro da foto, ao fundo), Frederico ostentava à época o título de “assessor” do Dnit.

Foi afastado na semana passada, por ordem de Dilma Rousseff. Descobriu-se que ocupava gabinete no Dnit sem pertencer aos quadros da pasta dos Transportes.

Frederico desfilava pelo ministério como homem de Valdemar. Luiz Antonio Pagot, o diretor-geral que tirou férias do Dnit, definiu-o como um mero office-boy.

Em 1 de dezembro de 2010, ainda sob Lula, o Dnit homologou o resultado da licitação que Frederico ‘Boy’ Dias colocara de pé nove meses antes.

A homologação foi assinada pelo superintendente Regional do Dnit em São Paulo, Ricardo Rossi Madalena, outro apadrinhado de Valdemar.

A assinatura foi alardeada no site do PR-SP. Testemunhou-a o presidente da Câmara Municipal de Barretos, o pêérre Paulo Correa (à direita na foto, ao lado de Frederico).

Sagrou-se vencedora na licitação a empresa Egesa Engenharia. Dispôs-se a tocar a obra por R$ 16.093.350,88.

Um mês depois de a Egesa ter sido declarada vitoriosa, Lula transferiu a faixa de presidente para Dilma Rousseff.

Desde então, o deputado Valdemar, todo-poderoso secretário-geral do PR, pressiona o Ministério dos Transportes para que libere os R$ 16 milhões.

A obra de Barretos só não começou porque o Dnit precisa contratar uma empresa para supervisioná-la.

Nesse meio tempo, caiu sobre a cabeça de Dilma o escândalo dos Transportes. Ficou-se sabendo que funcionava no ministério um esquema de cobrança de propinas.

Afora a queda do ministro Alfredo Nascimento (PR-AM) e de seu staff, o mensaleiro Valdemar, apontado como operador dos malfeitos, tornou-se aliado tóxico.

Para complicar, o repórter Fábio Frabrini produziu notícia que acomoda o empreendimento ferroviário de Barretos na vala de melado que escorre do Dnit.

A Egesa, empreiteira que beliscou a obra, é doadora do PR. Em 2010, borrifou R$ 314,7 mil nas arcas do diretório nacional da legenda.

De resto, azeitou as campanhas de oito candidatos do partido de Valdemar com R$ 850 mil.

Auditoria do TCU constatou que um pedaço do Contorno Ferroviário de Barretos –11 km—, que a Egesa se dispõem a “reformar”, ficou pronto em 2006.

Foi construído graças a um convênio firmado entre a prefeitura e o Ministério dos Transportes. Gastaram-se R$ 10 milhões. O Dnit entrou com R$ 5,7 milhões.

A obra foi tocada na época por outra construtora, a Spel. Dois anos depois da “conclusão” da ferrovia, o Dnit já alegava que seria necessário reformá-la.

Daí a nova licitação. O problema é que, pelo Código Civil, o construtor deve responder pela “solidez e a segurança” das obras por até cinco anos.

Para o TCU, o Dnit deveria cobrar as garantias da Spel, não contratar outra empresa.

Há mais: em relatório, o TCU constata que o material orçado pela Egesa, a doadora do PR, daria para refazer toda a linha férrea. Diz o texto:

“A planilha orçamentária […] prevê troca de 100% dos dormentes de madeira, de 100% da brita de lastro…”

“…Além de apresentar quantitativos de escavação, carga e transporte de terra […] e plantio de grama que também cobrem a quase totalidade do trecho.”

Alheio à atmosfera conspurcada de Brasília, o vereador Paulo Corrêa (PR), mandachuva da Câmara Municipal de Barretos, fala da obra como fato consumado.

Em entrevista a uma TV local, o vereador declarou: a despeito do vaivém de cadeiras, “o Ministério dos Transportes é comandado pelo Partido da República”

Ouvido, o prefeito de Barretos, Emanuel Carvalho (PTB), disse que a obra foi realizada pela gestão que o antecedeu.

Afirmou que, quando pediu verbas federais para complementar a ferrovia, o Dnit decidiu assumi-la por inteiro. Resta agora saber se Dilma vai liberar.







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26/10/2008 free counters

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Lula mostra dentes para mídia: ‘Tô ficando invocado’

Marcello Casal/ABr

Houve quem imaginasse que a ex-presidência fosse fazer bem a Lula. A planície seria para ele uma espécie de zona de desintoxicação. Por ora, não funcionou. O ex-soberano continua viciado. Pior: a abstinência de quase sete meses angustiou-o. Acumularam-se mágoas que chocalham dentro dele como guizos de cascavel.

Nesta quinta (14), Lula teve uma recaída. Deu-se no Congresso da UNE, em Goiânia. A estudantada serviu ao ex-soberano uma de suas drogas prediletas. “Eu tava com saudades do microfone”, disse Lula, antes de entrar em êxtase. Entregando-se ao velho vício, pôs-se a espinafrar a imprensa.

Como que narcotizado por suas víboras interiores, Lula despejou veneno sobre o microfone: “Eu tô ficando invocado. Faz seis meses que eu saí da Presidência, mas eles não saem do meu pé”.

Nos pesadelos particulares de Lula, o pior fantasma é a comparação com Dilma. Como num transe, ele empilhou os seus incômodos:

1. “Primeiro disseram que há diferenças entre mim e Dilma, que somos diferentes. Não precisa ser um especialista para saber que ela é diferente de mim.”, ironizou.

2. “Falaram que divergimos. Eu já disse que, se houver divergência, é ela quem estará certa. Não há divergências.

3. "Depois, quando fui a Brasília e tirei uma foto com senadores, disseram que ela era fraca”.

4. “O babaca que escreveu a matéria nunca deve ter sentado com a Dilma para conversar. Ela pode ter todos os defeitos do mundo, menos ser fraca.”

5. “Ninguém que passa três anos na cadeia, sendo barbaramente torturada e é eleita presidente pode ser fraca.”

6. “Inventaram também que ela é diferente nas coisas que faz, que eu falava muito. É que eu competia com o que eles falavam e o povo acreditava em mim”.

7. “Chegaram a dizer que eu deixei uma herança maldita. A primeira herança maldita é o pré-sal. Tem o Prouni, o PAC 2. Quem sabe é o Minha Casa, Minha Vida 2…”

8. “O dado concreto é que eles [os jornalistas] não perceberam que as coisas mudaram no Brasil.”

Repisou a tecla segundo a qual o brasileiro agora informa-se “de múltiplas formas”, não apenas por meio daqueles “que achavam que formavam a opinião pública”. A certa altura, simulou desinteresse por 2014. À sua maneira, um tanto sinuosa, vaticinou o segundo mandato de sua pupila:

"A Dilma vai fazer mais e melhor do que nós fizemos. Ela vai inaugurar até o final do mandato, digo, deste primeiro mandato, obviamente, mais 200 escolas técnicas." Noutro trecho, ressuscitou 2010. Afirmou que Dilma, por usar saias, foi mais discriminada na campanha do que ele nos seus tempos de macacão.

Sem mencionar o nome do tucano José Serra, acusou-o de patrocinar a “mais preconceituosa [campanha] da história”. Fez graça para o auditório repleto: “Inventaram até um meteorito de papel. Depois, falaram que era um objeto não identificado”.

Insinuou que os antagonistas de Dilma serviram-se do machismo: “Falam em uma sociedade igualitária desde que a mulher limpe a casa, lave a roupa suja.” Usou e, sobretudo, abusou do velho bordão: “Nunca antes na história desse país”. Contrapôs ricos e pobres:

“Aqueles que governavam para um terço da população estão incomodados ao ver pobre andado de avião. Tem gente que se incomoda de ver pobre de carro novo. Querem que pobre só ande de Brasília, de Chevette com para-choque arrastando no paralelepípedo”.

Lula disse que ele mesmo, hoje um milionário palestrante, é a “evolução" de seu próprio governo. Ao tropeçar numa palavra que considera sofisticada –“factível”— repetiu um chiste que, de tanto escorrer de seus lábios, já se tornou batido: “Antes eu falava menas laranja, agora falo ‘en passant’, factível…”

Terminado o discurso, a turma da UNE, tão viciada em Lula quanto o orador em microfone, encontrava-se nas nuvens. A rapaziada entoou o coro predileto do petismo: “olêêêê, olêêêê, olêêêê, oláááá, Lulaaaa, Lulaaaaaaaaaa...”

O refrão da velha canção de Adelino Moreira, imortalizada no vozeirão de Nelson Gonçalves, talvez tivesse soado melhor: "Ele voltou! O boêmio voltou novamente. 
Partiu daqui tão contente. Por que razão quer voltar?"

Convidada a participar do encontro da UNE, custeado por empresa estatais, Dilma preferiu se abster.

O reencontro de Lula com o microfone mostrou que o ex-soberano está muito longe de livrar-se da droga que o escraviza. Há pessoas que só discursam em ocasiões muito especiais. Outras, como Lula, consideram especiais todas as ocasiões em que discursam.

Longe do poder, Lula fabrica suas circunstâncias. Se o convidarem para um batizado, um baile de debutante, uma quermesse, lá estará ele para exercitar o seu vício. Excesso de microfone é ruim. Mas, para Lula, é muito bom.




TCE nega recursos e considera irregulares contratos de Campinas

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MARÍLIA ROCHA
DE CAMPINAS

O TCE (Tribunal do Contas do Estado) de São Paulo rejeitou nesta quinta-feira (14) três recursos relacionados a contratos da Prefeitura de Campinas e da Sanasa (empresa mista de saneamento local) que haviam sido considerados irregulares.

Procurador quer prisão de primeira-dama de Campinas

Um dos contratos foi firmado pela prefeitura com o consórcio Ecocamp, responsável pela coleta de lixo entre os anos de 2000 e 2006. Outro foi assinado com a empresa Gocil, que faz até hoje o controle de segurança em prédios da administração.

A Ecocamp firmou o primeiro contrato em dezembro de 2000 por 48 meses e valor total de R$ 133,6 milhões. Foram realizadas repetidas prorrogações, a última delas em dezembro de 2005, por 12 meses, no valor de R$ 48,7 milhões.

De acordo com decisão do TCE, as prorrogações foram irregulares e evidenciaram a "inércia da administração na instauração, em tempo hábil", de nova licitação.

Já a Gocil firmou contrato com a prefeitura em março de 2007, por 24 meses e valor total de R$ 55,3 milhões. Tanto a licitação como o contrato foram considerados irregulares pelo excesso de exigências, o que reduziu as possibilidades de concorrência, segundo o TCE.

O prefeito Hélio de Oliveira Santos, o dr. Hélio, (PDT) é apontado como responsável nos dois casos. No primeiro caso, também foram responsabilizados a ex-prefeita Izalene Tiene (PT) e ex-secretários.

Pela irregularidade no contrato com a Gocil, o prefeito terá de pagar multa de R$ 17.450.

A administração municipal informou que, como ainda não foi oficialmente notificada, não comentará o assunto.

SANASA

O terceiro recurso negado pelo TCE a respeito de contratos de Campinas se refere à Sanasa, recentemente envolvida em denúncias do Ministério Público por fraudes em licitações.

Segundo o TCE, houve cancelamento irregular de licitação para a realização de obras de uma Estação de Tratamento de Esgoto.

Entre os responsáveis, estão o ex-presidente da Sanasa, Luiz Augusto Castrillon de Aquino, e o ex-diretor técnico, Aurélio Cance Júnior. Cada um deverá pagar multa de R$ 5.235.

De acordo com a Sanasa, após a licitação, houve muita demora para a emissão da licença ambiental, o que fez com que o valor da obra --inicialmente em R$ 23,8 milhões-- triplicasse.

Diante da dificuldade, o contrato, que não chegou a ser executado nem pago, foi cancelado e atualmente a empresa está refazendo o projeto.

Para o tribunal, no entanto, o atraso na liberação de áreas por falta de emissão de licenças ambientais se deu por imperfeição do projeto básico, portanto, por culpa da própria Sanasa. Por isso, o recurso foi negado.

Com relação ao pagamento das multas, a Sanasa afirmou que, como Aquino e Cance Júnior foram exonerados, devem responder pessoalmente.

O ex-diretor técnico informou, por meio de seu advogado, Augusto Botelho, que todos os aditivos e contratos feitos na sua gestão são regulares e que, se houve alguma irregularidade, ele precisa tomar ciência para comentar.

O advogado de Aquino, Carlos Pimentel Neto, não retornou aos recados deixados pela reportagem.


Lula ataca imprensa e nega discórdia com Dilma


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou, durante Congresso da UNE, ter divergências com a presidente Dilma Rousseff. Mas preferiu imputar à imprensa uma suposta discórdia entre eles. “Saí há seis meses do governo e eles (a imprensa) não saem do meu pé”, disse Lula. “Primeiro, tentaram mostrar uma divergência entre eu e a Dilma. “Não precisa ser nenhum especialista para saber qual a diferença. Depois perceberam que não havia divergência”.

“Depois, quando fui a Brasília para tirar fotos com os senadores, disseram que ela (Dilma) era fraca”, afirmou. “E o babaca que escreveu isso, se já tivesse sentado com a Dilma por 10 minutos, ele iria saber que ela pode ter todos os defeitos do mundo, menos ser fraca”.

O ex-presidente também criticou a imprensa por divulgar informações sobre o patrocínio da Petrobras, no valor de R$ 4 milhões ao evento dos estudantes.

“Aquele jornal, de caráter nacional, não sai do Rio de Janeiro”, disse Lula. “Vai na Baixada Fluminense que você não acha ele. “E os grandes de São Paulo quase não chegam no ABC”.

Além de participar do 52º Congresso Nacional dos Estudantes da UNE, o ex-presidente Lula se reuniu com o PT e o PMDB, ambos de Goiás, para ampliar uma parceria visando as disputas eleitorais pela prefeitura de Goiânia, no ano que vem, e ao governo do Estado, em 2014.



ECONOMIA

Lula defendeu o modelo de crescimento econômico que adotou no seu governo (2003-2010). “Estão torcendo para inflação voltar”, disse o ex-presidente, ao rebater denominações como “herança maldita” no Congresso da UNE.

Para Lula, seu governo deixou uma “herança bendita”. Ele citou programas de governo como o Prouni e o PAC, com investimentos no valor de R$ 965 bilhões, além do Minha Casa Minha Vida.

“Chegou a se falar em herança maldita”, disse. “É que eles não reconhecem que o povo não quer mais intermediário entre eles e a informação”, afirmou. “Mas o Brasil vai continuar crescendo, e a inflação controlada”.

O presidente revelou que durante as conferências que faz, pelo mundo, chama atenção os números da redução da desigualdade no Brasil. Ele contabiliza que o Brasil saiu de um total de 113 mil alunos nas universidades, no começo de seu governo, para 227 mil alunos atuais.

O Brasil que deu certo, ele declarou, “elevou 39 milhões de brasileiros à classe média e tirou 28 milhões da extrema pobreza”, afirmou.

Lula dá a entender que os questionamentos, além de não serem reais, estão permeados de preconceitos sociais.”Os que governam para um terço da população estão incomodados em ver os pobres andando de avião”, criticou. “Tem gente que se incomoda vendo pobre andando de carro novo porque eles adoram ver um pobre andando de Brasília, ou de Chevette com o parachoque arrastando”, disse. “Essa gente não está acostumada a ver progresso”.

Afirmações como essas levantaram a plateia. “Porque na hora de pagar o Imposto de Renda não tem preconceito?”, questionou. Também dominou a atenção da plateia, ganhou aplausos e gritos como: “Ah! Cabra da peste, o Lula é do Nordeste”, gritaram os estudantes. “Lula é rei, Lula, Lula”.

O ex-presidente, que falou de improviso,começou o discurso confessando-se ‘apaixonado’ por microfones. E descontraiu: “Não via a hora de falar perto de um microfone outra vez. Há quanto tempo não faço um discursinho. Queria matar a vontade”.



HADDAD

O ex-presidente elogiou a atuação do ministro Fernando Haddad, da Educação, que teria resultado em ampla evolução do setor de ensino no País.

Durante palestra, Lula apresentou Haddad como representante da presidenta Dilma Roussef no encontro. “O Haddad vai entrar para história, como o ministro que mais fez para a educação e para os estudantes do Brasil”, disse Lula no Teatro Rio Vermelho do Centro de Convenções.

Para o ex-presidente, Haddad desenvolveu um trabalho pertinente junto aos alunos, professores e reitores das universidades. E abriu oportunidade a alunos carentes e sem acesso às universidades por meio de programas de financiamento, sem fiador, e de Bolsas de Estudos, caso do Prouni.

“Nós queríamos mais gente em salas de aula”, disse o ex-presidente. “Mas tem um tipo de gente que criticava dizendo: ‘esse tal de Lula dando bolsa de estudo pra pobre?’”. De acordo com o presidente, mais de um milhão de alunos foram beneficiados com o programa. E foi aplaudido de pé, por mais de dois mil estudantes que lotaram o auditório para ouvi-lo.

O ex-presidente se revelou emocionado, ainda, com o depoimento de Vanessa Castilho, de 32 anos, aluna do 4º ano de Medicina na Uninove, em São Paulo. Ela é filha de um pedreiro e uma dona de casa que moram no interior do Estado.

“Eu tive essa oportunidade, a chance que um estudante pobre precisa”, disse Vanessa. “Quem não se emociona com isso tem de ser diretor do BC (Banco Central), não trabalha na Educação”, afirmou o ministro Fernando Haddad.

Além de Haddad, o PT tem outros quatro pré-candidatos na disputa pela prefeitura de São Paulo: a senadora Martha Suplicy, o ministro Aluízio Mercadante, da Ciência e Tecnologia e os deputados Carlos Zarattini e Jilmar Tatto.





O PATROCÍNIO

Lula também criticou a imprensa por divulgar informações sobre o patrocínio da Petrobras, no valor de R$ 4 milhões ao evento dos estudantes. (Goiãnia/AE)



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26/10/2008 free counters

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Servidor afastado constrói casa milionária em Brasília


Lula Marques/Folha

A foto mostra a futura moradia de Mauro Barbosa da Silva. Fica no Lago Sul, bairro mais chique de Brasília. Mede 1.300 m², distribuídos por três andares.

Servidor público desde 1994, Mauro Barbosa, 45 anos, respondia pela chefia do gabinete do ministro Alfredo Nascimento (Transportes).

Foi afastado da função sob suspeita de participar de um esquema de cobrança de propinas na pasta dos Transportes.

Pois bem. Corretores da Capital estimam que uma casa como a que Mauro Barbosa está levantando em Brasília custa, depois de pronta, algo como R$ 4 milhões.

O dono do imóvel trabalha com contas mais modestas. Acha que não vai gastar mais do que R$ 2,1 milhões.

"É a gente mesmo que está fazendo, sou engenheiro civil, é uma obra sem muita coisa, não tem telhado, as aberturas são muito grandes, eu vou colocar vidro".

Mauro Barbosa disse à reporter Vera Rosa que o dinheiro vem de dois empréstimos bancários e da venda de um apartamento.

Para a grossa maioria dos brasileiros, gente condenada ao fim do mês perpétuo, mesmo a cifra admitida por Mauro Barbosa não é propriamente dinheiro de troco.

Vem daí a estranheza: por que Brasília, quando vê muita esmola, nunca desconfia?






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26/10/2008 free counters

terça-feira, 7 de junho de 2011

O PT e o dinheiro : Chávez deve US$ 1,4 bi ao Brasil e leva US$ 637 mi

A visita de Hugo Chávez a Dilma Rousseff rendeu à Venezuela bons frutos. Ao Brasil, nem tanto.

Em público, Chávez ofereceu a Dilma os chistes de praxe. Em privado, obteve dela compreensão e crédito.

Antes do pronunciamento conjunto, os presidentes reuniram-se a portas fechadas com ministros e assessores dos dois governos.

Nessa reunião, recordou-se a Chávez que a Venezuela deve à Petrobras 1,4 bilhão.

A dívida refere-se a prospecções feitas na Venezuela pela petrolífera brasileira, em parceria com a PDVSA, estatal venezuelana.

Chávez ouviu também cobranças relacionadas à Refinaria Abreu e Lima, que está sendo construída em Pernambuco.

Sócia do empreendimento, a PDVSA comprometera-se em borrifar verbas no canteiro de obras ainda sob Lula. Por ora, nada.

A despeito da dívida e dos investimentos não honrados, Chávez levou de Brasília o compromisso de liberação de dinheiro novo.

O bom e velho BNDES vai financiar a construção de um estaleiro na província venezuelana de Sucre. Coisa de US$ 637 milhões.








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26/10/2008 free counters

sábado, 4 de junho de 2011

Palocci vale mais pelo que não foi dito Palocci fala ao Jornal Nacional sobre sua fortuna - 03/06/2011




A entrevista de Antonio Palocci ao ‘Jornal Nacional’ vale pelo não-dito. Longe de esvaiar, as declarações do ministro adensaram a encrenca.

Quanto faturou, ano a ano, a empresa de Palocci? Ele não disse. Os nomes dos clientes? Não informou.

Como que pressentindo a longevidade da crise, Palocci deu outra entrevista, dessa vez à Folha. Cuidou de prover a Dilma Rousseff uma boa desculpa.

O ministro disse que não informou à presidente detalhes sobre o faturamento e as atividades da Projeto, a empresa que o tornou milionário.

"Não entrei em detalhes sobre os nomes dos clientes ou sobre os serviços prestados para cada um deles", disse.

Ficou entendido que, aprofundando-se a confusão, Dilma poderá adotar a fórmula Lula: “Eu não sabia”.

Na TV, Palocci limitou-se a admitir o já sabido. Foi inquirido sobre as verbas que desceram à caixa registradora de sua empresa em 2010.

No total, R$ 20 milhões. Só nos dois últimos meses do ano, época em que Dilma já era presidente eleita, faturou R$ 10 milhões.

Palocci saiu-se com a seguinte explicação: antes de retornar ao governo, encerrou suas atividades de consultoria. Por isso, a clientela antecipou pagamentos.

Como assim? Na versão do ministro, sua empresa geria projetos com validade de até cinco anos. Algumas receitas viriam em seis meses, um ano.

Encerradas as atividades da consultoria de Palocci, os clientes abreviaram, gostosamente, os pagamentos futuros.

Nesse ponto, as “explicações” do ministro não fazem nexo. Ou Palocci trabalhou dia e noite para antecipar serviços futuros ou precisa arranjar outra desculpa.

No mais, Palocci repisou o lero-lero segundo o qual agiu dentro da lei, pagou os tributos e não traficou influência.

Sobre a crise que sua prosperidade injetou no governo, Palocci soou ingênuo:

“Não há crise no governo, há uma questão em relação à minha pessoa. Prefiro assumir plenamente a responabilidade que eu tenho”.

A certa altura, Palocci pediu um crédito de confiança: “Não há coisa mais difícil de provar do que aquilo que você não fez...”

“...Não fiz tráfico de influência, não fiz atuação junto a empresas públicas. Como te provo isso? Tem que existir boa fé nas pessoas”.

O diabo é que o passado de Palocci, o de Ribeirão Preto e o da Brasília de Lula, não o recomenda.

Dezenove dias depois da revelação de sua fortuna, Antonio Palocci foi aos refletores. Pronunciou “explicações” que, por inconsistentes, borrifaram querosene na crise.

O ministro pede à platéia que o ouça com "boa-fé". Ou providencia um complemento ou se arrisca a perder até o benefício da dúvida. Vão abaixo dez perguntas irrespondidas:

1. Quem foram os clientes da Projeto, empresa de consultoria de Palocci?

O ministro não forneceu a lista nem à Procuradoria-Geral da República. Ao distinto público, nem pensar. “Acho que não tenho o direito de fazer a divulgação de terceiros”. Beleza. Nesse caso, Palocci deveria demitir-se. De um servidor público, exige-se a transparência do cristal, não a opacidade do copo de geléia. A sonegação dos dados estimula a suspeita de que Palocci vendeu acesso ao Estado.

2. Afinal, que tipo de serviços Palocci vendia aos seus clientes?

O ministro soou vago. Disse que trabalhou para indústrias, bancos, fundos de investimento e empresas prestadoras de serviço. Absteve-se de esmiuçar a natureza dos serviços. Incompreensível.

3. Como assegurar que Palocci não vendeu facilidades no governo do PT?

O ministro disse coisas definitivas sem definir muito bem as coisas. Jura que não defendeu interesses privados em repartições públicas. À Globo, afirmou que trabalhou para “um conjunto de empresas que pouco tem a ver com investimentos públicos”. À Folha, afirmou que “trabalhava em projetos de novos investimentos”, que, “uma vez ou outra, poderiam ser aquisição de empresas”. Mas aquisições e fusões não dependem de aprovação de órgãos governamentais? Sim, reconhece Palocci. Mas “essa parte nunca fiz”, ele alegou. Dar-lhe crédito tornou-se uma questão de fé. Coisa aceitável em igrejas, não na Casa Civil.

4. Quanto o Palocci faturou como consultor entre 2006 e 2009?

Ouça-se o ministro: “Os números da empresa são números que eu gostaria de deixar reservados porque não dizem respeito ao interesse público. [...] Respeite o direito de eu não falar em valores”. Errado. Se o que Palocci deseja é privacidade, deveria fugir do Congresso Nacional e da Esplanada dos Ministérios. Tornou-se milionário no exercício do mandato de deputado. Em quatro anos, multiplicou o patrimônio por vinte. A platéia tem direito à curiosidade.

5. Por que o faturamento de Palocci saltou para R$ 20 milhões em 2010?

O ministro atribui o salto à decisão de fechar a consultoria antes de assumir a Casa Civil. Os pagamentos foram “antecipados”. Soou confuso. À Folha, disse que “a empresa só recebeu pelos serviços efetivamente prestados até 2010”. À Globo, declarou que pingaram no final de 2010 pagamentos relativos a “serviços prestados ao longo de anos”. Inclusive coisas que “estavam previstas para ser pagas um ano depois, seis meses depois”. Faltou explicar o porquê de tamanha generosidade com um personagem que, àquela altura, coordenava a transição em nome de uma presidente eleita. Palocci era um ministro à espera da nomeação.

6. Como se explica que Palocci, consultor solitário, tenha amealhado em 2010 faturamento igual ou superior ao das maiores consultorias do país?

Em representação ao Ministério Público, senadores de oposição compararam a Projeto de Palocci com duas gigantes do ramo da consultoria. Ao atingir a marca dos R$ 20 milhões, a firma de Palocci equiparou-se à LCA, cuja equipe é “formada por mais de cem pessoas”. Superou a Tendências, que dispõe de “70 funcionários”, atende a cerca de “100 clientes” e fatura anualmente “entre R$ 13 milhões e R$ 15 milhões”. Palocci não refuta as cifras. Apenas repisou o lero-lero: seu faturamento foi maior em 2010 porque fechou o balcão. De novo, a crença depende da fé. Muita fé.

7. Por que Palocci não informou a Dilma o nome de seus clientes e o faturamento de sua empresa?

Eis o que disse o ministro: “Não achei que era adequado importunar a presidente com esse tipo de informação, esse tipo de detalhe”. Nem depois da revelação de que virara um milionário? “Não acho adequado levar essas informações à presidente”. Dilma não perguntou? “Não”. Neste caso, tem-se, além de um ministro sob suspeição, uma presidente da República inepta.

8. Como fez Palocci para separar o caixa eleitoral de Dilma da caixa registradora de sua empresa?

O ministro assegurou: “Não existe nenhum centavo que se refira a política ou campanha eleitoral” na escrituração da Projeto. Em seguida, fez declaração que desmerece a anterior. Não participou da coleta que forniu as arcas eleitorais. “Minha atividade na campanha foi política”. Nesse ponto, nem a fé estimula a crença.

9. Por que Palocci não divulga os ofícios que remeteu ao procurador-geral?

“Nenhuma informação da minha empresa é secreta”, afirmou o ministro. Mas os dados só estão disponíveis “para os órgãos de controle”. Por quê? Medo da luz do Sol.

10. Por que Palocci trocou o milionário escritório de consultoria pelo contracheque mixuruca de ministro?

Ninguém perguntou. Mas, decerto, foi por altruísmo, pelo desejo irrefreável de servir à causa pública.




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domingo, 24 de abril de 2011

PT olha para 2012 como rã que carrega ‘escorpiões’


Às voltas com o debate sobre as alianças de 2012, o PT comporta-se com a rã da fábula.

Enxerga nos parceiros a figura do escorpião. Receia que, aliando-se a eles, pode ser picado ao longo da travessia que leva a 2014.

Leia-se, a propósito, nota veiculada no Painel, editado pela repórter Renato Lo Prete, na Folha:

- Inimigos íntimos: A política de alianças do PT para 2012, que começará a ser costurada na reunião do Diretório Nacional no próximo fim de semana, vai evidenciar algo que já está claro nas discussões internas: a preocupação do partido, hoje, é maior com o crescimento demasiado de aliados como PSB e PMDB do que com a oposição, enfraquecida e às voltas com sua própria divisão.

A lógica petista é simples: não ajudar a vitaminar legendas cujo engajamento no projeto de reeleição de Dilma Rousseff em 2014 é incerto. Setores do partido defenderão o desembarque de alianças em polos estratégicos como Belo Horizonte (MG), onde hoje o PSB governa com o PT na vice.







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26/10/2008 free counters

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

#lula #dilma : Alguém precisa propor controle social de José Dirceu


José Dirceu foi agraciado com o prêmio ‘Democracia e Liberdade Sempre’. Coisa oferecida pela CUT.

Animado com a homenagem da central companheira, Dirceu falou aos repórteres sobre dois temas que lhe são compulsórios:

1. O descontrole que desaguou no mensalão.

2. O controle da mídia que expôs a quadrilha.

Sobre o primeiro tema, Dirceu repisou algo que dissera dias atrás, na saída de um café da manhã com Lula.

Repetiu que, depois de desencarnar, Lula dedicará parte de seu tempo à desmontagem da “farsa do mensalão”.

Sobre o segundo assunto, Dirceu reenrolou-se na bandeira da “regulação da mídia”. Defende a criação de um órgão regulador.

No poder, convertido por Lula em “capitão do time”, Dirceu revelou-se um esquerdista flexível.

Na clandestinidade, lutara contra a ditadura. Na oposição pós-redemocratização, brigara para expor as contradições do sistema.

Na chefia da Casa Civil, pôs-se a atacar o que defendia e a defender o que atacava. Quem o viu de fora não o entendeu.

A Procuradoria-Geral da República, por exemplo, não compreendeu o heroísmo do combate travado por dentro.

Valendo-se dos melhores estratagemas (meios) para atingir os piores subterfúgios (fins), Dirceu forçou o sistema a entregar tudo.

Para si, o ordenado da Viúva, boa casa, carro oficial e o usufruto do poder. Para os seus, o beijo na boca de Marcos Valério e o acesso à mala.

Agora, à espera do julgamento do STF, Dirceu festeja a adesão de Lula à tese de que é preciso reagir à história escrita pelos “reacionários”.

Lula já andou ensaiando a desqualificação da “farsa”. Ontem, declarava-se “traído” por Dirceu e Cia.. Hoje, diz que o mensalão foi uma tentativa de “golpe”.

Não colou nas manchetes. Difilmente grudará no plenário do Supremo. Mas Dirceu desfila o figurino de culpado inocente. Ou de inocente culpado.

Magnânimo, fala como se não estivesse preocupado com a própria biografia. Inquieta-se com a reputação da esquerda.

"Eu acho que [a desmontagem da ‘farsa’] é a defesa do governo do presidente Lula, do PT, da história da esquerda...”

“...Eu não fui julgado. Tentaram julgar o governo do presidente Lula, mas as urnas em 2006 e 2010 julgaram e aprovaram o governo do presidente”.

A platéia costuma desconfiar dos idealistas que, depois de extrair dividendos de seus ideias, saem em defesa de causas alheias.

Dirceu tem prioridades mais urgentes. Precisa convencer os ministros do STF, não a humanidade. Estão em causa as valeriana$, não a história da esquerda.

Na passagem pela Casa Civil, Dirceu serviu-se de uma máscara comum a boa parte dos homens pequenos que ocupam grandes cargos.

Uma máscara que o fez desconhecido a tal ponto que, no exercício do poder, revelou-se tão malicioso quanto ali esperava-se que fosse virtuoso.

Caiu antes de que pudesse ensaiar a reparação do engano. Agora, dedica-se à execração da mídia que serviu de veículo para a exposição da face escondida atrás do disfarce.

“O Brasil precisa entrar no século 21 em matéria de mídia", disse a máscara no palco oferecido pela CUT. A chave para os novos tempos seria um órgão regulador.

"Regulação da mídia não é censura à mídia. Regulação como existe nos EUA, na França e na Inglaterra, adaptada às nossas necessidades e pactuada...”

“...Não é imposto a ninguém. Nós estamos numa democracia, é o Congresso que aprova, se não pactuar, não construir consensos, não aprova".

Beleza. O diabo é que Dirceu é a última pessoa credenciada para a defesa da reforma da mídia. Antes, precisa reformar-se a si mesmo.

Em defesa do companheiro, alguém precisa propor, urgentemente, o controle social de José Dirceu. O marco regulatório de Dirceu não seria censura.

Seria apenas uma forma de adaptar o bom senso às necessidades de um réu à espera de julgamento.

Líder estudantil, Dirceu via no movimento da rapaziada, como já escreveu, um “assalto aos céus”.

Ao despencar dos céus do Planalto, encontrou na planície das folhas da denúncia do Ministério Público a acusação de outro tipo de assalto.

O convívio com a luta armada há de ter desenvolvido em Dirceu a dimensão da morte. Para se livrar da cova política, precisará de algo mais além da retórica da “farsa”.





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26/10/2008 free counters

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

#POLITICA : Jereissati compara #Lula a Macunaíma ao se despedir


Fotos: Lula Marques/Folha

Na política, como na vida, o drama de uns é um enredo que outros assistem como comédia.

No caso de Tasso Jereissati, a tragédia eleitoral é vista por Lula como um pastelão que adicionou graça ao seu triunfo pessoal.

Nesta quarta (8), Tasso escalou a tribuna do Senado para pronunciar um discurso de despedida.

Foi assistido por um plenário relativamente cheio, adensado pela presença do senador eleito Aécio Neves.

O grão-duque do tucanato mineiro, a propósito, não assistiu a todo o discurso do companheiro de ninho.

Como se pode observar na sobreposição de imagens lá do alto, as palavras de Tasso atearam em Aécio um sono irrefreável.

Aécio absteve-se de ouviu o trecho em que o orador dedicou-se a espinafrar o algoz de tantos senadores oposicionistas barrados nas urnas.

Tasso comparou Lula a Macunaíma, o “herói sem nenhum caráter” de Mário de Andrade.

Tratou-o como "alguém que apenas transita pelo mundo ao sabor do acaso”. Um personagem que não almeja senão “a própria sobrevivência”.

“Assim como Macunaíma”, disse o quase ex-senador, Lula julga-se “capaz de controlar o universo manipulando monstros e deuses”.

Era como se Tasso quisesse realçar uma característica que o próprio Lula se autoatribuiu: “Metamorfose ambulante”.

Também Macunaíma, num trecho da obra célebre, passa por um processo de constante mutação. Torna-se um lindo príncipe. E...

...E, no curso da narrativa de Mário de Andrade, vai ganhando, ao sabor das circunstâncias, as formas de índio negro, branco, inseto, peixe e pato.

No trato com o tucano Tasso, Lula assumiu, neste 2010, a forma de um carcará, aquele pássaro que pega, mata e come.

As bicadas de Lula esmigalharam uma vitória que Tasso (PSDB) imaginava certa. Amargou um inesperado terceiro lugar.

Elegeram-se no Ceará os dois candidatos ao Senado que foram às urnas sob o abrigo das asas do carcará: Eunício Oliveira (PMDB) e José Pimentel (PT).

Tasso cuidou de realçar tudo o que há de negativo na gestão de Lula –do mensalão ao Erenicegate.

"Fica claro que ali [na Casa Civil], no coração do governo, era onde a serpente punha os ovos".

Disse que Lula, um político com o qual buscara alianças no passado, “foi uma decepção em vários sentidos”.

“Decepcionou como liderança comprometida com a ética e com a honestidade, como símbolo da mudança nas relações do governo com a sociedade...”

“...Do Executivo com os demais poderes e, principalmente, como esperança de algo realmente novo na vida nacional".

Mencionou o fato de Lula ter feito alianças com "gente que ele execrou em público". Presidia a sessão José Sarney (PMDB-AP).

Um Sarney que Lula chamara de “ladrão” no passado e que se tornou um dos mais sólidos apoiadores da era petista. Apoio agora estendido a Dilma Rousseff.

A certa altura, Tassou queixou-se do fato de Lula não reconhecer a herança benfazeja recebida de FHC, o antecessor tucano.

Atribuiu ao par de mandatos de FHC as “realizações” que facultaram a Lula o usufruto do êxito econômico.

Tasso manteve-se na tribuna por arrastadas quatro horas. Falou por 40 minutos. O resto do tempo foi consumido em apartes.

Ouviu dos colegas, entre eles o "ex-ladrão" e amigo Sarney, referências elogiosas à sua atuação no Ceará e no Congresso.

Entre os aparteantes incluíram-se outros senadores engolfados nas urnas pela "onda Macunaíma".

Entre os colegas que foram ao microfone para celebrar a biografia de Tasso estava, por exemplo, o também derrotado Marco Maciel (DEM-PE), que se despedira na véspera.

Engrossaram a fila: Arthur Virgílio (PSDB-AM), Heráclito Fortes (DEM-PI), Mão Santa (PSC-PI) e Efraim Morais (DEM-PB).

Ao final, o discurso de Tasso estava adornado pela intervenção de 33 colegas, inclusive petistas e lulistas de vários quadrantes. Todos enalteceram-lhe as virtudes.

Ficou boiando na atmosfera uma frase pronunciada na década de 80 por Roberto Campos, num de seus desafortunados encontros com as urnas:

“Democracia é ótimo, mas o que aborrece é esse negócio de precisar de votos”.




Macunaíma

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Macunaíma, obra de 1928, do escritor brasileiro Mário de Andrade, é considerado um dos grandes romances Modernistas do Brasil.

A personagem-título, um herói sem nenhum caráter (anti-herói), é um índio que representa o povo brasileiro, mostrando a atração pela cidade grande de São Paulo e pela máquina. A frase característica da personagem é "Ai, que preguiça!". Como no dialeto indígena o som "aique" significa "preguiça", Macunaíma seria duplamente preguiçoso. A parte inicial da obra assim o caracteriza: "No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite."

A obra é considerada um indianismo moderno e é escrita sob a ótica cômica. Critica o Romantismo, utiliza os mitos indígenas, as lendas, provérbios do povo brasileiro e registra alguns aspectos do folclore do país até então pouco conhecidos (rapsódia). O livro possui estrutura inovadora, não seguindo uma ordem cronológica (i.e. atemporal) e espacial. É uma obra surrealista, onde se encontram aspectos ilógicos, fantasiosos e lendas. Apresenta críticas implícitas à miscigenação étnica (raças) e religiosa (catolicismo, paganismo, candomblé) e uma critica maior à linguagem culta já vista no Brasil

Em Macunaíma, Andrade tenta escrever um romance que represente o multi-culturalismo brasileiro. A obra valoriza as raízes brasileiras e a linguagem dos brasileiros, buscando aproximar a língua escrita ao modo de falar paulistano. Mário de Andrade tinha uma ideia de uma "gramatiquinha" brasileira que desvincularia o português do Brasil do de Portugal, o que, segundo ele, vinha se desenrolando no país desde o Romantismo. Ao longo da obra são comuns as substituições de "se" por "si", "cuspe" por "guspe" entre outras.

No episódio "Carta pras Icamiabas", Andrade satiriza ainda mais o modo como a gramática manda escrever e como as pessoas efetivamente se comunicam. Aproveitando-se do artifício de uma carta escrita, Macunaíma escreve conforme a grafia arcaica de Portugal, explicitando a diferença das regras normativas arcaicas e da língua falada: "Ora sabereis que sua riqueza de expressão intelectual e tão prodigiosa, que falam numa língua e escrevem noutra".[1]








Macunaíma - Estudo e Resumo da Obra

Estudo e resumo de Macunaíma, de Mário de Andrade, livro indicado pelos vestibulares. Por Dácio Antônio de Castro e Frederico Barbosa.
www.angelfire.com/mn/macunaima/

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