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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Esquema da família de Erenice Guerra age também no Ministério de Minas e Energia



O filho de Erenice não intermediava apenas negócios entre empresas e órgãos públicos. Ele também é dono de uma empresa de arapongagem, aberta com a ajuda da mãe em 1997

O esquema de aparelhamento do estado montado sob a supervisão da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, não conta apenas com a participação do filho dela, Israel Guerra. A irmã da ministra, Maria Euriza Alves Carvalho, também utilizou o cargo de confiança que tem no Ministério de Minas e Energia para contratar sem licitação o escritório de advocacia do próprio irmão delas.

Reportagem de VEJA desta semana revela que Israel Guerra transformou-se em lobista em Brasília, intermediando contratos milionários entre empresários e órgãos do governo mediante o pagamento de uma "taxa de sucesso". A empresa de Israel se chama Capital Assessoria e Consultoria. Não bastasse fazer uso da influência da ministra para fazer negócios, a "consultoria" ainda tem como sócios dois servidores públicos lotados na Casa Civil.

Já Maria Euriza, que entrou em 2005 como consultora jurídica da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, autorizou, em setembro de 2009, a contratação pela EPE do escritório Trajano e Silva Advogados, com sede em Brasília, por 80.000 reais. Segundo reportagem desta segunda-feira do jornal O Estado de S. Paulo, toda a operação foi feita sem licitação. Um dos sócios da Trajano e Silva é Antônio Alves Carvalho, irmão de Maria Euriza e de Erenice.

Maria Euriza entrou na EPE no mesmo ano em que Erenice deixou o cargo de consultora jurídica do Ministério, que até então era dirigido pela candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Ainda segundo o jornal, o escritório de Antônio Alves foi escolhido para representar a EPE numa ação judicial movida por uma empresa que brigava para participar de um leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na ocasião.

"Foi feito um convite direto porque era o único contato que tinham em Brasília e a EPE tem sede no Rio de Janeiro", disse ao Estado de S. Paulo Márcio Silva, um dos donos da Trajano e Silva Advogados e amigo da família de Erenice. . "Você até pode achar que há algo antiético, mas não houve nenhuma ilegalidade", afirma. Segundo ele, o negócio sequer chegou a 80.000 reais, já que o processo não foi levado até o Supremo. O serviço teria sido prestado por 25.000 reais.

Como mostra reportagem de VEJA, o escritório da Trajano e Silva é utilizado por Israel Guerra e seus sócios na Capital - Vinicius Castro, funcionário da Casa Civil, e Stevan Knezevic, servidor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) – para despachar com os clientes. Ali trabalha gente importante. Um dos advogados é Marcio Silva, coordenador em Brasília da banca que cuida dos assuntos jurídicos da campanha presidencial de Dilma.

Arapongagem – O filho de Erenice não intermediava apenas negócios entre empresas e órgãos públicos. Ele também é dono de uma empresa de arapongagem, aberta com a ajuda da mãe em 1997. Na ocasião, Erenice recorreu a uma “laranja” para omitir seu nome na abertura da empresa.

Conforme a edição desta segunda do Estado de S. Paulo, a Conservadora Asa Imperial está situada na cidade-satélite de Santa Maria e tem como atividade econômica “atividades de investigação particular”, “monitoramento de sistemas de segurança” e “vigilância e segurança privada”.

A sócia-gerente da empresa, Geralda Amorim de Oliveira é, na verdade, uma professora desempregada casada com auxiliar de bombeiro hidráulico. Ela revelou ao jornal que seu nome foi “usado” para abrir a empresa. Geralda Claudino, amiga íntima de Erenice e irmã mais velha de Geralda Amorim, foi quem recebeu os documentos para abrir a empresa. Segundo ela, o negócio não levou o nome de Erenice porque, na ocasião, a ministra estava se separando. Ela afirma que a empresa está fechada, mas o negócio continua “ativo”, de acordo com a Junta Comercial.

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#politica : Ministra usou 'laranja' ao criar firma de arapongagem com filho




Família omitiu o nome de Erenice no papelório da empresa - que, segundo Junta Comercial, faz 'investigação particular'

13 de setembro de 2010 | 0h 00
Luiz Alberto Weber e Rosa Costa / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

A ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, patrocinou a abertura de uma empresa de arapongagem em nome de seu filho, Israel Guerra, acusado de cobrar propina de empresários interessados em fazer negócios com o governo. Para abrir a firma, em 1997, a família Guerra recorreu a uma "laranja" para omitir o nome de Erenice no papelório da empresa.

Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE

Situada na cidade-satélite de Santa Maria, em modesto endereço residencial, a Conservadora Asa Imperial tem como atividade econômica, segundo documento da Junta Comercial do Distrito Federal, "atividades de investigação particular", "monitoramento de sistemas de segurança" e "vigilância e segurança privada".

Localizada ontem em sua casa a 40 quilômetros de Brasília, na suposta sede da empresa, Geralda Amorim de Oliveira, uma professora desempregada casada com auxiliar de bombeiro hidráulico que aparece como sócia-gerente da Asa Imperial, confidenciou ao Estado que seu nome foi "usado" para abrir a empresa.

À época, Erenice alegou que estava se separando e não gostaria de registrar a empresa em seu nome. A professora nega qualquer ligação com a Asa Imperial. Conta que seus documentos e dados cadastrais foram repassados na ocasião à sua irmã mais velha, Geralda Claudino, amiga de décadas de Erenice. "Só emprestei os documentos", diz a professora. Ouvida pelo Estado, Geralda Claudino diz que não abriu a empresa em seu nome e de Erenice porque ambas estavam se separando.

A Asa Imperial serviu para "dar uma ocupação a Israel". A empresa foi aberta em 1997, quando Israel tinha 19 anos, mas continua "ativa", de acordo com a Junta Comercial. Mas Geralda Claudino diz que a empresa está fechada.

Formalidade. Procurado, Israel Guerra não foi localizado. A ministra confirmou ontem a abertura da empresa Asa Imperial em nome de seu filho, Israel. Disse, por meio de sua assessoria, que a empresa está localizada na cidade-satélite de Santa Maria porque, em 1997, não possuía escritório para ser sua sede em zona mais central de Brasília. Erenice afirmou que a Asa Imperial nunca operou nem teve atividade econômica e, segundo ela, consta como ativa na Junta Comercial por mera formalidade e inércia dos sócios.

Braço-direito da candidata petista Dilma Rousseff, Erenice é apontada como autora da ordem para montar dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Ruth Cardoso e ministros da gestão tucana. Foi feito para intimidar a oposição que, em 2008, integrava a CPI dos Cartões Corporativos.


O CASO DO CONTRATO COM OS CORREIOS

Lobby
Israel Guerra, filho da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, defendeu interesses de duas empresas aéreas privadas junto a órgãos do governo, segundo reportagem da revista Veja.

Pagamento
A atuação de Guerra como lobista, de acordo com a revista, teria rendido um pagamento de cerca de R$ 5 milhões por parte da empresa MTA Linhas Aéreas. A quantia estaria relacionada a uma "taxa de sucesso" de 6% na obtenção de contratos com o governo. A MTA fechou contratos no valor de R$ 84 milhões com os Correios para transporte de cargas.

Objetivos
A contratação de Israel Guerra como consultor tinha como objetivo, de acordo com a Veja, a mudança de regras dos Correios na contratação de empresas de carga. As companhias aéreas queriam poder levar cargas de outros clientes, além da estatal, o que não era permitido.

Empresa
O pagamento da MTA teria sido feito à empresa Capital Assessoria e Consultoria, de propriedade de Saulo Guerra, outro filho de Erenice Guerra, e Sônia Castro, mãe de um assessor jurídico da Casa Civil.

Encontros
O representante da MTA nas negociações com Israel Guerra foi o empresário Fábio Baracat. Ele relatou à revista ter se reunido com Erenice Guerra no apartamento funcional onde ela morava até março deste ano.

Nota
Em nota após a publicação da reportagem, Baracat negou ter "qualquer relacionamento pessoal ou comercial" com a ministra Erenice. "Embora tivesse tido de fato a conhecido, jamais tratei de qualquer negócio privado ou assuntos políticos com ela", afirmou.


Presidente Lula, o vice-presidente José Alencar e a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, durante reunião ministerial na Granja do Torto
Presidente Lula e o vice-presidente José Alencar durante reunião ministerial na Granja do Torto
Presidente Lula e o vice-presidente José Alencar durante reunião ministerial na Granja do Torto
Presidente Lula, o vice-presidente José Alencar e a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, durante reunião ministerial na Granja do Torto



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26/10/2008 free counters

#dilma : Irmã de ministra deu aval a contrato sem licitação com o governo

Família de Erenice também operou no Ministério de Minas e Energia

Escritório de advocacia do irmão da ministra foi contratado sem licitação com aval de outra irmã, que tem cargo de confiança

13 de setembro de 2010 | 0h 00
Leandro Colon / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Uma irmã da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, autorizou o governo a contratar sem licitação o escritório do próprio irmão delas. No centro do contrato está a área de Minas e Energia, um setor que tem a influência de comando de Erenice e da ex-ministra Dilma Rousseff.

Dida Sampaio/AE-13/07/2010
Dida Sampaio/AE-13/07/2010

Erenice foi consultora jurídica da pasta no período em que a hoje candidata do PT dirigiu o Ministério de Minas e Energia no governo Lula.

Erenice saiu de lá com Dilma em 2005, mas sua irmã, Maria Euriza Alves Carvalho, entrou como consultora jurídica da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao mesmo ministério. No dia 1.º de setembro de 2009, Maria Euriza autorizou a EPE a contratar, sem licitação, o escritório Trajano e Silva Advogados, com sede em Brasília, por um valor de R$ 80 mil. Entre os advogados do escritório está Antônio Alves Carvalho, irmão de Maria Euriza e da ministra Erenice Guerra.

Segundo reportagem da revista Veja desta semana, esse mesmo escritório é usado pelo filho de Erenice, Israel Guerra, para despachar, fazer lobby e cobrar propina de empresários que tentam negociar contratos com o governo. Para oficializar seu serviço, Israel usa uma empresa de consultoria em nome de um irmão e que tem sede na sua própria casa no Distrito Federal.

A contratação sem licitação do escritório do irmão de Erenice pelo governo foi publicada em setembro de 2009 no Diário Oficial da União. Está lá escrito: "Aprovada por Maria Euriza Carvalho - Consultora Jurídica." Até abril deste ano, pelo menos, a irmã da ministra aparecia como consultora da EPE, segundo o Diário Oficial da União.

Veja também:

link Denúncia de esquema na Casa Civil faz oposição pedir saída de ministra

link Marina diz que Brasil enfrenta 'barbárie administrativa'

link 'Ministério da Casa Civil é o centro da maracutaia no Brasil', afirma Serra

O escritório foi contratado para representar a EPE numa ação judicial movida por uma empresa que brigava para participar de um leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) naquela época. Segundo o edital de contratação do escritório do irmão de Erenice, o contrato era de seis meses e por um valor global de R$ 80 mil.

"Às pressas". Ontem, o Estado conversou com o advogado Márcio Silva, um dos donos do Trajano e Silva Advogados e amigo dos irmãos Erenice, Maria Euriza e Antônio Carvalho. Márcio Silva, que também representa a campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) na Justiça Eleitoral, confirmou a contratação sem licitação pelo governo. Alegou que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) teve que recorrer a um escritório às pressas em Brasília para resolver uma pendência judicial em 24 horas.

"Foi feito um convite direto porque era o único contato que tinham em Brasília e a EPE tem sede no Rio de Janeiro", explicou. "Você até pode achar que há algo antiético, mas não houve nenhuma ilegalidade", ressaltou. Segundo Márcio Silva, o valor de R$ 80 mil era uma previsão se o processo chegasse ao Supremo Tribunal Federal. Mas, de acordo com ele, o serviço ficou em R$ 25 mil.

A área de energia elétrica faz parte do rol de temas em que o irmão de Erenice atua dentro do escritório. Ao lado do advogado Alan Trajano, Antônio Carvalho cuida de processos ligados à infraestrutura.

Oficialmente, ele se afastou em abril da banca, mas ainda continua prestando consultorias, segundo Márcio Silva. Ontem, o Estado procurou o advogado e sua irmã Maria Euriza, mas os dois não foram localizados para comentar o assunto.

Reportagem da revista Veja desta semana aponta ainda a existência de um esquema de tráfico de influência na Casa Civil e isso levou a oposição a pedir a demissão da ministra Erenice Guerra. Documento obtido pela revista mostra que a empresa de transporte aéreo Via Net Express contratou firma de lobby pertencente a filhos de Erenice, para garantir contratos com os Correios.

Na ocasião, a Casa Civil era chefiada por Dilma Rousseff e Erenice ocupava o posto de secretária executiva, atuando como principal auxiliar da hoje candidata do PT ao Planalto.


Justificativa

MÁRCIO SILVA
REPRESENTANTE DA CAMPANHA DE DILMA NO TSE E EX-SÓCIO DO IRMÃO DE ERENICE
NO ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA BENEFICIADO POR CONTRATO NO MINISTÉRIO DE
MINAS E ENERGIA

"Foi feito um convite direto porque era o único contato que tinham em Brasília e a Empresa de Pesquisa Energética tem sede no Rio de Janeiro. Você até pode achar que há algo antiético, mas não houve nenhuma ilegalidade"



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26/10/2008 free counters

#Dilma evita nocaute e ganha o semblante de ‘vítima’


O debate presidencial ‘Folha-Rede TV’ foi o mais encarniçado da atual campanha. Uma espécie de luta de boxe de todos contra uma. Dilma Rousseff foi levada às cordas. José Serra socou para derrubar. Marina Silva distribuiu jabs.

Guarda levantada, Dilma esquivou-se do nocaute. E desceu do ringue como queriam seus treinadores: sem hematomas novos. E com cara de vítima. Sabia-se que o ‘Fiscogate’ e a denúncia de lobby na Casa Civil a converteriam em sparring.

Treinada, a pupila de Lula fez o que lhe cabia fazer. No caso da Receita, defendeu a apuração –“Doa a quem doer”. E refutou o vínculo com sua campanha. Quanto ao lobby, tomou distância. Esquivou-se de levar as mãos ao fogo pela ex-assessora Erenice Guerra, herdeira da cadeira dela na Casa Civil.

Disse que, por enquanto, Erenice merece sua confiança. Se houve malfeito, afirmou, é preciso adotar as “medidas mais drásticas”. Servindo-se da meia-verdade, alegou que a encrenca envolve apenas o filho de Erenice, Israel Guerra.

E saiu do corner com frases de efeito: "Não vou aceitar, que se julgue a minha pessoa com o que aconteceu com o filho de uma ex-assessora minha. [...] Isso cheira a manobra eleitoreira, sistematicamente feita contra mim e contra minha campanha”.

Mesmo no comitê de Serra, a tática da pancadaria é vista como recurso extremo. O objetivo é “produzir” um segundo round. Mas a equipe de marketing reconhece, em privado, que o excesso de punhos sujeita o candidato tucano ao “efeito bumerangue”.

O histórico das últimas campanhas mostra que ataque não costuma render votos. Pior: sujeita o “agressor” à rejeição. A candidatura de Dilma sofreria avarias se ela tivesse escorregado. Não foi o que aconteceu, contudo. Ao reagir, passou a impressão de segurança.

Dilma e o zunzunzum que a rodeia instilam dúvidas no eleitor de classe média, minoritário. O resto do eleitorado não costuma assistir a debates. É gente que precisa dormir cedo, para não perder o ônibus que a levará ao batente.

A certa altura, Serra dirigiu à antagonista uma pergunta sobre o “amor e afeição” que o governo Lula dedicara à ditadura do Irã. Dilma deu uma resposta protocolar. E Serra: “As pessoas sabem que eu não sou nem caluniador nem evasivo. Minha vida pública é bem conhecida. No seu caso, realmente não dá para dizer. Está ficando claro que é evasiva. Não responde...”

Na réplica, Dilma teve o seu melhor momento: “As pessoas não podem ser pretensiosas e acharem que são a dona da verdade. Lamento a tentativa sistemática do meu adversário de me desqualificar”.

Fez uma analogia entre a campanha e a guerra entre entre EUA e Vietnã. Um conflito em que os soldados americanos foram postos para correr por um inimigo que julgavam inferior. “Não subestime ninguém, candidato. O senhor não é dono da verdade. O senhor não é melhor do que ninguém”.

Serra tenta injetar uma dose de 2006 na disputa de 2010. O problema é que, na sucessão de quatro anos atrás, o escândalo era maior e as digitais petistas mais evidentes. O caso dos aloprados compradores de dossiê ganhara as manchetes em 15 de setembro de 2006. O placar do Datafolha de então era semelhante ao atual.

Lula ostentaria, uma semana depois da "alopragem", os mesmos 50% que Dilma tem hoje. Geraldo Alckmin tinha dois pontos a mais que Serra: 29%. A imagem do R$ 1,7 milhão apreendido pela Polícia correu os telejornais associada à cena dos petistas presos.

Para completar, Lula cometeu o erro de faltar ao último debate do primeiro turno. Tudo somado, Alckmin foi ao segundo turno. Agora, os petistas pilhados nas violações da Receita frequentam a periferia da legenda. Não há o monte de cédulas. E Dilma vem dando as caras nos principais debates.

O marqueteiro de Serra, Luiz Gonzalez, respondeu também pela campanha de Alckmin. Traz na memória a cena de um debate parecido com o deste domingo. Era início do segundo turno de 2006. Contra o conselho de Gonzalez, Alckmin fora à jugular de Lula.

O marqueteiro saiu do estúdio da TV Bandeirantes festejado. Em análise posterior, Gonzalez diria, a portas fechadas: “O Alckmin perdeu a eleição ali”. De fato, o tucano teria no segundo round menos votos do que colecionara no primeiro. É esse Alckmin do segundo turno que Serra se arrisca a repetir no primeiro.

Não se pode dizer que todos os eleitores estejam alheios aos escândalos. Dilma decai em duas faixas específicas e minoritárias do eleitorado. Mas, por ora, quem se beneficia é Marina, não Serra.

Dilma deslizou cinco pontos entre os eleitores de maior renda. Marina ganhou quatro. A petista despencou sete pontos entre os mais escolarizados. A verde abocanhou seis. São movimentos que não afetam ainda os grandes números da pesquisa.

O PT aposta que a onda de classe média não contaminará o grosso do eleitorado. Serra confia no contrário. O debate deste domingo, de audiência limitada, não se revelou capaz de produzir movimentos bruscos.



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26/10/2008 free counters

Órgãos público esculhambam dados sigilosos

10/09/10 - 11h34
Publicado Por: Gabriel Mandel


Fernando Rodrigues

Os Bastidores do Poder
O jornalista Fernando Rodrigues traz as informações e os bastidores de Brasília.


Fernando Rodrigues
Download - Podcast
Um levantamento do TCU, feito neste ano com 265 órgãos, incluindo universidades, hospitais e ministérios, revela que 65% destas instituições não cuidam corretamente dos dados, algo que foi comprovado pela quebra do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB, incluindo o vice-presidente do partido, Eduardo Jorge, e a filha de José Serra.


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26/10/2008 free counters

Polícia e política estão produzindo mesmo material

11/09/10 - 14h51
Publicado Por: Mariana Riscala


José Nêumanne

Direto ao assunto
Fique por dentro do que realmente acontece nos bastidores da política e economia, acompanhando "Direto ao Assunto", com o comentarista Jovem Pan, José Nêumanne Pinto.


José Nêumanne
Download - Podcast
A PF prendeu o governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP) e mais 15 pessoas na manhã de sexta-feira, no resultado da “Operação Mãos Limpas”.

Essas pessoas presas são suspeitas de integrar uma quadrilha de desvio de verba pública, o que não é uma novidade no Brasil.

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26/10/2008 free counters

Maus PMs são uma praga


Veja - 13/09/2010

Mário Sérgio Duarte

O comandante da Polícia Militar do Rio defende linha dura contra desvios de conduta na tropa - passo decisivo para combater os traficantes armados com fuzis de guerra

Com pouco mais de um ano no comando da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o coronel Mário Sérgio Duarte. 52 anos, já vivenciou algumas das mais graves e violentas crises provocadas por traficantes cariocas. Para se ter uma ideia. a última delas, no mês passado, culminou na invasão de um hotel de luxo por bandidos que fizeram hóspedes de reféns e espalharam o terror. Desde os 20 anos na polícia, em que chegou a ocupar o posto número 1 do Batalhão de Operações Especiais (Bope), unidade de elite da PM, Duarte reconhece que, para obter êxito no combate à bandidagem, é preciso conseguir atrair os bons policiais e banir de vez aqueles que praticam os mais variados crimes de posse da farda. Casado, pai de três filhos e também estudante de filosofia, ele deu a VEJA a seguinte entrevista.

O capitão da PM que investigava os dois policiais suspeitos de receber propina no caso do atropelamento do filho da atriz Cissa Guimarães foi preso, ele próprio, por roubo. Os desvios de conduta são comuns na corporação?

Esse é um problema que alcançou níveis sufocantes nos últimos anos. Basta dizer que 300 PMs foram expulsos dos batalhões em 2009 por ter praticado atos criminosos como corrupção, extorsão, roubo e até assassinato. É um drama enfrentado pelas polícias de todo o país. Casos como o desse capitão só vêm reforçar uma antiga convicção que tenho sobre esse ofício. Trata-se de uma profissão para bem poucos.

Por que o senhor diz isso?

A experiência mostra que a maioria dos que trajam o uniforme oficial e portam uma arma de fogo não sabe lidar com o poder que isso traz. Eles perdem a cabeça e acabam tirando proveito da farda para obter vantagens pessoais. Quando não passam, eles próprios, a cometer os crimes. Os maus PMs causam enorme estrago a uma instituição da qual se espera justamente o melhor exemplo possível de conduta. Estou certo de que a única maneira de reverter essa situação é acabando de vez com a impunidade na polícia.

Os policiais corruptos não são punidos como deveriam?

Nem sempre. Os mecanismos de punição a esses maus PMs ainda precisam ser bastante aperfeiçoados. A começar pela velocidade no julgamento dos processos que tramitam contra eles - lentíssima. A situação já foi pior. Quando assumi o comando da instituição, no ano passado, encontrei casos que estavam parados na corregedoria da polícia havia quase uma década. Eles ficaram perdidos no emaranhado de instâncias administrativas. Meu esforço é para acelerar a apuração desses casos de desvio de conduta, o que não é exatamente fácil. Ainda hoje, alguns processos bem antigos continuam a aguardar julgamento, sem sequer uma previsão para saírem da gaveta. O mais perverso disso é que os policiais suspeitos permanecem na ativa, livremente nas ruas. Pode-se dizer que a burocracia pesa a favor da impunidade, assim como o corporativismo da classe - outro mal a ser combatido.

Como exatamente o corporativismo na polícia atrapalha a punição àqueles PMs que praticam crimes?

Há uma distorção no julgamento desse tipo de caso. Por décadas, todos os processos disciplinares têm tramitado no próprio quartel aos quais os policiais investigados estão vinculados. Uma aberração. Como os PMs encarregados de julgar tais casos convivem diariamente com os colegas acusados, e às vezes até mantêm laços de amizade com eles, a avaliação fica naturalmente comprometida. Não tem como dar cerro. Daí minha decisão de retirar dos batalhões e transferir para a corregedoria a função de investigar esses crimes. A ideia é que os PMs infratores comecem a ser julgados, enfim, com a isenção e o rigor que a gravidade da situação requer. Em alguns casos, eles acabam minando a própria eficácia das operações policiais.

De que maneira isso ocorre?

De forma perversa. Os chefões do tráfico nas favelas cariocas não contam apenas com uma ampla rede de apoio nos morros, mantida por outros bandidos que os protegem ostensivamente, com seus fuzis em punho. É preciso reconhecer que eles têm ainda a cobertura dos maus policiais dos quais estamos falando. Olhe o caso do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, hoje no comando do crime na Rocinha. No mês passado, durante o confronto entre um bando de criminosos e a polícia num bairro nobre do Rio. ele conseguiu escapar de novo. Em tantas outras ocasiões, o chefão da Rocinha só pôde fugir porque havia sido informado antes da operação pelos próprios agentes encarregados de sua captura. É uma dura constatação. Por dinheiro, um grupo de policiais tem facilitado constantemente a vida deste e de outros criminosos na cidade.

Por que a polícia do Rio não consegue impedir que um bando de traficantes imponha o terror?

Estamos falando de bandidos que foram constituindo um poder paralelo à medida que iam acumulando armas de guerra nos morros, livremente. Ao longo de pelo menos vinte anos, calculo que eles tenham conseguido juntar algo como milhares de fuzis. É essa absurda peculiaridade do Rio que deixa a cidade vulnerável a um tipo de violência característica dos conflitos armados. Os confrontos entre a polícia e os criminosos tendem a ser sempre brutais. No episódio da invasão do hotel em São Conrado, próximo à Rocinha, os PMs enfrentaram sessenta bandidos munidos com as tais armas de guerra. Assim, é difícil evitar o confronto.

O senhor vê alguma saída para isso?

A única maneira de combater os traficantes é indo à raiz do problema: antes de qualquer coisa, eles precisam ser desarmados. É condição básica reaver aqueles territórios dos quais os criminosos foram se apoderando, sob os olhos complacentes das autoridades que se revezaram no comando do estado. O atual objetivo da polícia é retomar essas áreas, com a implantação de bases permanentes nas favelas para coibir a bandidagem (as chamadas Unidades de Polícia Pacificadora, UPPs). Esse trabalho já começou.

Mas os bandidos expulsos das favelas por essas unidades permanentes da polícia não continuam a atuar no crime, só que em outro endereço?

Isso é verdade. Tenho informações de que os líderes do tráfico estão fugindo para o Complexo do Alemão, QG da facção criminosa Comando Vermelho, onde seguem, sim, na criminalidade. Mesmo nas favelas em que a polícia está no comando, há traficantes ativa. O que acabou foi aquela história de bandido desfilando com fuzil e impondo suas próprias leis, num sistema completamente à margem do estado. É só um começo, Conforme a polícia vai avançando sobre os territórios dominados pelos traficantes, a ideia é que eles percam espaço para suas atividades criminosas, até chegar a um ponto em que não tenham mais onde atuar. Não é utópico. A estratégia já deu certo na Colômbia. Pode funcionar aqui também.

Só que os colombianos fizeram uma limpa na polícia, varrendo da corporação os policiais ineficazes e corruptos.

De fato, a Colômbia não teria obtido sucesso sem a radical modernização que empreendeu na polícia. Ao longo desse processo, os agentes envolvidos com o crime foram sumariamente excluídos da corporação e, no lugar deles, gente de mais alto nível passou a ser atraída pela oferta de salários melhores. Contar com essa mão de obra especializada foi a chave para a transformação da realidade em áreas até então conflagradas. Queremos seguir o mesmo rumo.

O que concretamente está sendo feito para melhorar o nível geral na instituição?

Estamos tentando justamente formar os policiais de modo a lhes imprimir uma mentalidade mais moderna. Hoje, só são recrutados para a tarefa-chave de policiar os morros, por exemplo, aqueles PMs que acabaram de ingressar na corporação. São jovens profissionais que não carregam na biografia o desgaste de anos a fio trocando tiros com traficantes em favelas cariocas. Portanto, eles não têm esse padrão como uma norma de conduta. Apenas com menos força bruta. mais inteligência e, sobretudo, longe dos péssimos hábitos é possível almejar uma transformação. Ainda predomina nos batalhões uma visão antiquada dos métodos de policiamento.

Que visão é essa?

Muita gente que se pretende lúcida no Brasil acha que a política de segurança deve se basear em armas e viaturas. E só. A experiência reforça a ideia de que é preciso também colocar os PMs na rua e a pé, em contato direto com a população. Pode parecer idealista, ingênuo, mas só assim o policial tem realmente condições de diagnosticar os fatores específicos que contribuem para a ocorrência de crimes em cada local. Funciona. Claro que, infelizmente, num lugar com as especificidades do Rio de Janeiro, é ainda preciso que parte da tropa trabalhe munida de fuzis, por mais ofensivo que isso pareça. É como numa guerra.

Como a situação chegou a esse ponto?

Foram décadas de erros grosseiros por parte dos políticos, que acabaram dando sinal verde aos bandidos. Nos anos de 1980 e 1990, disseminou-se no Rio a ideia de que bastava resolver o problema social nas favelas que o tráfico sumiria como consequência da diminuição da pobreza. O pensamento então dominante era que a polícia trazia mais problemas do que solução. E os PMs simplesmente deixaram de subir os morros cariocas. Veja o absurdo. Essa complacência com os criminosos sempre foi motivada pelos interesses eleitorais. Mas, é preciso que se diga, ela não vem só dos políticos. Passou a ser propagada também por certos movimentos sociais atuantes nas favelas. Eles acabam sendo um obstáculo ao trabalho dos policiais.

Que tipo de dificuldades esses movimentos impõem à polícia?

Enquanto há ONGs que desempenham função de algum relevo na área social, outras estão mais preocupadas com a pura demagogia. Elas criticam a atuação da polícia, alegando que a corporação é preconceituosa, que trata todos os pobres como criminosos, indiscriminadamente. É um discurso ideológico e falacioso, que acaba, no final, beneficiando os traficantes. Pois as ONGs colocam os bandidos no papel de vítimas, e não no de algozes. Sem dúvida nenhuma, uma completa inversão de valores.

A segurança pública aparece hoje em destaque nos programas dos candidatos à Presidência. Em sua opinião, como o governo federal pode contribuir mais?

Torço para que o governo federal passe a desempenhar melhor uma função vital que é sua e certamente demanda mais empenho - o controle das fronteiras. É por ali que chegam os fuzis e as drogas que alimentam não só os morros cariocas como centenas de outras favelas no Brasil inteiro. Outro ponto em que, a meu ver, o país precisa avançar diz respeito à legislação, muitas vezes condescendente com esses bandidos que andam para cima e para baixo com armas de guerra em punho, praticando seus crimes bárbaros.

Em que sentido a legislação beneficia esses criminosos?

É uma anomalia o fato de um sujeito flagrado portando um fuzil receber a mesma pena de um bandido qualquer. Ninguém sensato vai discordar de que ele precisa ter uma punição mais severa. Não dá para aceitar que traficantes que incendeiam ônibus e atiram em helicópteros, algo que infelizmente ainda se vê no Rio de Janeiro, sejam beneficiados pela progressão de regime. E venham a cumprir uma parte da pena longe da prisão.



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Um barraco bilionário


Veja - 13/09/2010


Uma ação judicial expõe os detalhes da guerra entre Eike Batista e Rodolfo Landim - o ex-homem de confiança que o ajudou a ganhar fortunas nos leilões de petróleo

Por alguns anos, o empresário Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, não tomava nenhuma decisão sem antes ouvir a opinião do executivo Rodolfo Landim, a quem gostava de apresentar como o seu "braço direito". Ex-presidente da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, Landim atraiu da estatal para a empresa de Eike técnicos que conheciam a fundo o mapeamento dos campos de petróleo no litoral brasileiro. Assessorou-o na compra de lotes em leilão e foi peça-chave na própria concepção da OGX - a petrolífera que hoje representa 73% do império do bilionário. Em 2006, durante o voo de volta de uma viagem a trabalho que haviam feito juntos a Londres, eles falavam com entusiasmo sobre o que viria a ser a nova empresa. Num arroubo típico de sua personalidade, Eike arrancou a capa de um caderno e escreveu no verso a Landim: "Gostaria de convidá-lo a fazer parte da minha holding, como cavaleiro da távola do sol eterno, fiel guerreiro e escudeiro. Em vez de uma bela espada, você receberá 1% da minha holding.

Passados três anos, a relação entre os dois perdeu o calor fraterno dos primeiros momentos. Segundo diagnóstico comum de ambos, a convivência entre eles tornou-se "intolerável". Mas Landim guardou a capa do caderno e os rabiscos de Eike feitos a 35000 pés de altitude sobre algum ponto do Oceano Atlântico, quando as ambições conjuntas de ambos voavam ainda mais alto. Uma ação judicial movida por Landim contra Eike quer enxergar nas palavras escritas naquela capa de caderno mais do que juras de amor eterno. Com base nas anotações, Landim cobra agora 1% de todo o patrimônio do rei da "távola do sol eterno". Pelo preço médio das ações das empresas de Eike, isso daria algo em torno de 270 milhões de dólares. Já é, de longe, o mais alto valor exigido na Justiça brasileira por um executivo.

A disputa entre Eike Batista e Rodolfo Landim é também uma guerra de egos, orgulhos profissionais. "Eike absorveu o meu conhecimento, me usou e depois me descartou", é o bordão que Landim repete aos amigos. O empresário rebate: "Ninguém aguenta o complexo de grandeza dele. Para mim, é um executivo como qualquer outro". A disputa na Justiça promete elevar ainda mais o tom. Landim sustenta que havia entre os dois uma sociedade, e não uma relação trabalhista. Nos tempos áureos, Landim chegou a ocupar cadeiras em todos os conselhos de administração do grupo. Palpitava em tudo. Com a OGX, não foi diferente. Seis meses depois de criada, sob seu comando, a empresa captou 4 bilhões de dólares na bolsa de valores. Hoje vale 37,5 bilhões de dólares, sem ainda ter extraído uma gota de óleo. Eike acha que já remunerou suficientemente Landim. Ele diz: "Não faço acordo. Já paguei tudo o que devia a ele em ações, como remuneração por desempenho".

A relação começou a ruir em abril de 2009, quando Eike se reuniu com seus dez principais executivos avisando que seria necessário injetar 200 milhões de dólares no caixa da holding para sanar prejuízos acumulados com apostas equivocadas no mercado de câmbio. Na ocasião, Eike pediu a cada um dos presentes que contribuísse com uma parte do próprio bônus. Justificava: "Quando eu ganho, todos ganham. Mas, se eu coloco a mão no bolso, todos têm de pôr também". Seis executivos discordaram. Landim foi o mais veemente, abrindo uma ardente discussão com o empresário, seguida de semanas de gelo, sem que eles trocassem uma palavra. Logo Landim foi substituído na presidência da OGX pelo próprio Eike. No jargão do mundo dos negócios, Landim fora "colocado na geladeira". Em maio passado, deu-se o desfecho inevitável, a demissão de Landim. Um dos diretores ainda no grupo traduz o desfecho melancólico: "Quando ele chegou aqui, fazia os discursos de Natal da firma. Na hora de sair, nem o boy o cumprimentava mais".

Mesmo que não consiga o dinheiro que pleiteia, Landim sabe que uma ação judicial dessa natureza tem o potencial de provocar estrago na imagem do ex-chefe ou ex-sócio - um de seus objetivos declarados. Para um empresário como Eike Batista, cujas empresas estão em estágio inicial de operação, manter a credibilidade em alta é um dos fatores essenciais para garantir o desempenho das ações na bolsa. Os investidores que compram papéis de companhias como as de Eike - que vendem o potencial futuro de suas atividades e não o lucro imediato - precisam ter certeza de que o comando está unido e o líder tem visão e capacidade reconhecidas. Eike sempre soube atrair os melhores executivos, a quem faz ofertas tentadoras, com repasse de ações. Ele chama isso de "kit felicidade". Foi assim que tirou Landim e mais de meia centena de profissionais de alto nível de concorrentes de peso, como a Vale e a Petrobras. A pecha de descumpridor de promessas não lhe cairia bem. Em seu plano de vingança, Landim quer montar uma nova empresa de petróleo para concorrer com a OGX, com o dinheiro que viria da ação que move contra Eike. Disposto a levar a guerra com seu ex-braço direito até o fim, o bilionário diz: "Só lamento não tê-lo demitido antes".



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26/10/2008 free counters

Metalúrgicos podem entrar em greve nesta semana


Autor(es): Sergio Lamucci
Valor Econômico - 13/09/2010

Um total de 47,8 mil metalúrgicos paulistas pode entrar em greve nesta semana, a partir de quarta-feira. Em assembleias realizadas no sábado, os trabalhadores das montadoras do ABC e de Taubaté e região rejeitaram propostas de aumento de 7% feitas pelas empresas. As companhias deverão receber hoje o aviso de greve por parte dos sindicatos, e terão 48 horas para se manifestar.

Com data-base em 1º de setembro, os trabalhadores das montadoras buscam obter um reajuste pelo menos igual ao alcançado por outras categorias de metalúrgicos, de 9%. No ABC, por exemplo, empregados de quatro grupos de negociação, ligados a segmentos como os de máquinas aparelhos elétricos e eletrônicos, fundição, autopeças, trefilação e refrigeração, conseguiram esse percentual, que significa um aumento de 4,52% acima da inflação acumulada em 12 meses, de 4,29%. No ABC, além dos cerca de 32 mil funcionários das montadoras, podem cruzar os braços outros 8 mil empregados de setores como iluminação, prensas e equipamentos odontológicos.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, observa que mesmo em 2009, um ano de crise, os trabalhadores conseguiram um abono salarial e um reajuste médio de 6,53%, índice superior à inflação de 4,43% acumulada em 12 meses. Num ano em que as empresas têm um desempenho "espetacular", a expectativa dos trabalhadores é de um aumento mais forte, diz ele.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Taubaté e Região, Isaac do Carmo, acredita que os empregados das montadoras conseguirão um aumento de pelos menos 9%, o percentual que se tornou referência, já que outras categorias o obtiveram. Ontem, por exemplo, os trabalhadores do sindicato das empresas de máquinas e eletrônicos aprovaram em assembleia o reajuste salarial dessa magnitude. "Foi o maior aumento real dos últimos 10 anos." Segundo Carmo, os empregados estão preparados para intensificar as mobilizações nos próximos dias caso as montadoras não aceitem um reajuste mais gordo. O sindicato representa cerca de 7,8 mil trabalhadores das fábricas da Ford e da Volkswagen.



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26/10/2008 free counters

Estrangeiros avançam na aquisição de terras


Autor(es): Jamil Chade
O Estado de S. Paulo - 13/09/2010

Compras em países em desenvolvimento foram de 46,6 milhões de hectares em menos de um ano, diz Banco Mundial


O Brasil tem quase 15% das terras no mundo ainda não exploradas para a agricultura e deve ser um dos alvos de investidores internacionais nos próximos anos. A avaliação é do Banco Mundial, que constata que, de olho em uma população cada vez maior e com uma renda cada vez melhor, investidores estrangeiros e governos saem em busca de terras pelo mundo.


Segundo a entidade, 46,6 milhões de hectares de terras foram adquiridos por estrangeiros nos países em desenvolvimento entre outubro de 2008 e agosto de 2009 - área superior a toda a região agricultável do Reino Unido, França, Alemanha e Itália.

Os dados fazem parte do primeiro levantamento feito pelo Banco Mundial sobre as terras compradas no mundo por investidores nos últimos anos com a meta de produzir alimentos para abastecer seus próprios mercados. Desse total, 70% foi negociado com países africanos. Entre 2004 e 2008, o Sudão transferiu para estrangeiros cerca de 4 milhões de hectares. Na Libéria, a área chegou a 1,6 milhão, contra 1,2 milhão na Etiópia.

Dos 46,6 milhões de hectares vendidos, 3,6 milhões de hectares estavam no Brasil e Argentina. Há ainda o fenômeno de empresas brasileiras e argentinas adquirindo terras no Paraguai, Bolívia e Uruguai.

Mas a projeção é de que a América Latina (em especial o Brasil) seja alvo dessa estratégia de investidores nos próximos anos. Dos 464 projetos de investimentos identificados no último ano, 21% deles ocorreram já no Brasil e Argentina.

O Banco Mundial estima que existam hoje no mundo 440 milhões de hectares de terras agricultáveis que poderiam ser aproveitadas, sem a destruição de florestas - cerca de 45 milhões de hectares no País. Se usada, a terra disponível representaria uma expansão de 72% na área cultivada no País. Contando a área florestal e a que já não conta com a vegetação, o Brasil teria quase 15% do território ainda disponível no planeta para agricultura.

Cana-de-açúcar. Pelas estimativas do Banco Mundial, a produção de cana-de-açúcar no Brasil pode saltar de 8,1 milhões de hectares para quase 18 milhões de hectares. O país com a possibilidade de chegar mais perto da área plantada no Brasil para a cana seria a República Democrática do Congo, com uma área potencial de 6,5 milhões de hectares. A instabilidade política e as recentes acusações de crimes contra a humanidade dificultam qualquer tipo de investimento no país africano.

Na produção de soja, a estimativa é de que o Brasil tem espaço para dobrar a área plantada, com mais 22,1 milhões de hectares a disposição. Na Argentina, a produção poderia ser incrementada em 9,7 milhões de hectares.

Origem. Grande parte dos investidores são de origem chinesa e dos países árabes, ávidos para encontrar um fornecimento confiável de alimentos a suas populações. O governo chinês, no fim do ano passado, já indicou que estava negociando a compra de terras no Brasil. Líbia e outros países árabes já entraram em contato com produtores no Brasil em busca de acordos.

Mas, por enquanto, o grande safári esta mesmo ocorrendo na África, com países sem recursos e um setor privado incapaz de investir na terra disponível.



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