Publicada em 14/05/2008 às 15h28m
O Globo Online
Entrevista com o Secretario Estadual do Ambiente Carlos Minc - Hipólito Pereira/O Globo
RIO - O secretário de estado do Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, 56 anos, novo ministro do Meio Ambiente, em substituição a Marina Silva , foi preso e exilado por participar da luta armada durante a ditadura militar. Em cinco mandatos como deputado estadual, transformou-se numa das mais ativas vozes de oposição no estado do Rio de Janeiro. A ministra pediu demissão na terça-feira.
Para ser ouvido, fez uso até de performances teatrais, como quando entupiu, com batatas, os canos de descarga de ônibus que despejavam fumaça negra, ou quando vestiu o obelisco da Avenida Rio Branco com uma gigantesca camisinha. Em janeiro de 2007 tomou posse na Secretaria estadual do Ambiente do governo Sérgio Cabral, quando deixou, pela primeira vez, o posto de estilingue para se transformar em vidraça. Apesar de garantir que continuaria nas ruas, como fazia nos tempos de deputado, Minc anda sumido, enclausurado no gabinete.
Minc começou na vida política aos 15 anos como líder estudantil do grêmio do Colégio de Aplicação da UFRJ. Um ano mais tarde, assumiu a vice-presidência da Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (Ames) e se engajou na resistência armada à ditadura militar, como integrante do Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8). Ele teria participado da famosa "expropriação" do cofre do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros, conhecido pelo lema "Rouba, mas faz". Minc não confirma:
- Há controvérsias a esse respeito. É uma história complexa. Diria apenas que eu participei da resistência armada à ditadura, fui preso e exilado por dez anos. Estudei e, com a anistia, voltei ao Brasil.
Minc foi professor-adjunto do Departamento de Geografia da UFRJ. Tem mestrado em planejamento urbano e regional pela Universidade Técnica de Lisboa e doutorado em economia do desenvolvimento por Sorbonne. Foi um dos fundadores do Partido Verde, com Fernando Gabeira, Alfredo Sirkis e outros.
Minc era chamado de 'xiita verde' e 'ecochato' na Alerj
Minc já foi chamado de "xiita verde" e "ecochato" ao longo de seus cinco mandatos na Alerj. Certo dia, no fim de 2006, o então governador eleito e amigo de tribuna Sérgio Cabral o chamou para o Executivo. Os velhos adversários torceram o nariz. Imaginaram um radical no poder, barrando o desenvolvimento econômico do estado. Pois que surgiu, no comando da Secretaria estadual do Ambiente, um Minc negociador, flexível, admirado até pelos desenvolvimentistas mais pragmáticos.
Entre as ações que elevaram o status de Minc no mundo empresarial está a desburocratização do licenciamento ambiental - processos que emperravam porque necessitavam de 20 procedimentos passaram a ter apenas seis - sem afrouxar as exigências:
Em tom de brincadeira, o senador Francisco Dornelles (PR), já sugeriu o nome de Minc para ministro do Meio Ambiente:
- Precisamos de um ministro que trabalhe, no Brasil, como o Minc no Rio - disse Dornelles, há um ano, em tom profético.
Panfleto com uma lista de "consequências" atribuídas aos "políticos do PT e associados"
Foto: Divulgação
Um grupo religioso de Pernambuco resolveu manifestar seu posicionamento político e escolheu como alvo a presidenciável Dilma Rousseff (PT) e os candidatos de seu partido. O Conselho de Pastores de Jaboatão dos Guararapes tentou, no último sábado (25), promover uma caminhada e distribuir um documento chamado "manifesto pela família". O grupo planejava divulgar panfletos com uma lista de "consequências" atribuídas aos "políticos do PT e associados" e projetos de lei que "um presidente da República ligado ao PT certamente assinará".
Entre os itens expostos no manifesto, a suposta intenção dos petistas é descrita no documento da seguinte forma: "determinar que pastores que forem presos por pregar práticas condenadas pela Bíblia Sagrada (homossexualismo, idolatria e espiritismo), não terão direito a defenderem-se em liberdade; igrejas que não realizarem casamento de homem com homem e mulher com mulher, estarão fazendo discriminação, poderão ser multadas e pastores presos e processados; obrigar as igrejas a pagarem impostos sobre dízimos, ofertas e contribuições".
O panfleto ainda cita projetos de lei de deputados federais petistas contra a homofobia. São citados os parlamentares petistas Iara Bernardi (SP), Paulo Pimenta (RS) e Fátima Bezerra (RN).
No entanto, a distribuição do panfleto com o manifesto elaborado pelo Conselho de Pastores foi barrada pela Justiça Eleitoral a pedido da coligação da Frente Popular, encabeçada pelo governador Eduardo Campos (PSB) e pelo próprio PT.
A denúncia de "propaganda difamatória" foi acatada pela juíza Patrícia Rodrigues Ramos Galvão, da 11ª zona eleitoral que determinou "a busca e apreensão do material impresso intitulado 'manifesto pela família'". No entanto, na internet e principalmente em redes de relacionamento, o material continua a ser difundido de maneira ampliada e com ataques diretos a Dilma Rousseff, afirmando que a petista, caso eleita aprovará "a lei do aborto e o casamento gay".
Um fato curioso é a ligação entre o Conselho de Pastores e o pastor Zacarias Vilharba, conhecido como Vilalba de Jesus da Igreja Universal, vereador de Jaboatão e candidato a deputado federal pelo PRB. Na página principal do site do grupo religioso, o parlamentar é citado como "fundador e presidente do movimento". Outra associação que chama a atenção: Vilalba é candidato da coligação Frente Popular de Pernambuco formada por nove partidos, entre eles o PT, os autores da ação contra o manifesto.
Por telefone, o pastor Vilalba de Jesus confirmou, nesta segunda-feira (27), que o seu posicionamento "é o mesmo" do manifesto, pois considerou que as leis propostas por petistas "realmente pegam pesado contra os evangélicos".
"São posicionamentos que, como pastor, não posso aceitar. Não posso me curvar diante de leis que não seguem o princípio bíblico". Sobre a ação da Frente Popular e do PT, o candidato evitou falar. "Estava viajando. Não acompanhei, então não posso dar depoimento e falar sobre isso".
Apesar do site do Conselho de Pastores ainda o indicar como presidente do grupo, o pastor Vilalba disse estar afastado e negou existir conotação política no manifesto. "Não há não (interesse eleitoral). Sou fundador e fui presidente do Conselho por dois mandatos, mas eu estou meio afastado. Ok? Deus o abençoe" disse o candidato, encerrando a ligação telefônica.
Além do Conselho de Pastores, assinam a lista do "manifesto pela família" os pastores das igrejas: Batista em Jaboatão, Batista em Cavaleiro, Assembleia de Deus Madureira, Batista da Batalha, Batista em Cavaleiro, Presbiteriana em Candeias, O Brasil para Cristo, Metodista, Anglicana do Espírito Santo, Batista Central em Jaboatão e Assembleia de Deus. A ação conjunta foi denominada "Movimento Acorda Igreja".



