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sábado, 29 de novembro de 2008

Inimigo íntimo


Um alerta da ciência condena um hábito
que, em geral, começa em casa: o consumo
exagerado de álcool na adolescência pode
causar danos em regiões do cérebro ligadas
à memória e ao aprendizado, além de aumentar
a propensão dos jovens ao alcoolismo


Ronaldo Soares

Montagem com fotos de Pedro Rubens e Reginaldo Teixeira


NESTA REPORTAGEM
Quadro: O alerta da ciência
Quadro: Por que álcool e direção não combinam
Quadro: Os estragos no organismo

Quando tinha 11 anos, o carioca Fabrício tomou seus primeiros goles de cerveja. Estava na companhia do irmão e de um primo em uma festa. Com 15 anos, acompanhado do pai, embriagou-se pela primeira vez. Aos 16, munido de uma carteira de motorista falsa, ele saía para dirigir – quase sempre bêbado – e volta e meia se metia em brigas de rua. A presença marcante do álcool na adolescência de Fabrício (nome fictício), hoje um DJ de 27 anos, não é um caso isolado. Poderia ter se dado na imensa maioria dos lares brasileiros, em que o consumo de bebida alcoólica por menores de idade é uma prática não só tolerada como às vezes incentivada pelos próprios pais. Sempre foi assim. O que começa a mudar agora é que esse tipo de comportamento, normalmente encarado como uma das muitas transgressões típicas da adolescência, às quais as famílias não dão grande importância, vem assumindo os contornos de calamidade no meio científico. As pesquisas dedicadas ao tema se intensificaram nos últimos dez anos. A principal constatação dos cientistas é que o consumo de álcool na adolescência e na juventude deixa marcas indeléveis no cérebro. Beber é muito mais danoso para o cérebro jovem do que para o dos adultos. Os efeitos a longo prazo são bastante indesejáveis. Eles variam de déficits de aprendizagem, falhas permanentes de memória, dificuldade de autocontrole a ausência de motivação. Além disso, o abuso de álcool na juventude faz com que o jovem fique cinco vezes mais propenso a se tornar alcoólatra na idade adulta.

Atenção! A esta altura da reportagem entra em funcionamento o sistema de defesa de todo adulto perfeitamente normal hoje que se lembra de seus porres homéricos na juventude. "Eu enchi a cara na juventude e não me tornei alcoólatra" é uma reação tão pouco científica quanto outras duas clássicas chicanas mentais: "Eu apanhei muito de meus pais na infância e nem por isso tenho traumas ou os odeio" ou "Bati muito racha a 100 quilômetros por hora nas madrugadas e estou aqui vivo e forte – além de ter me tornado um motorista muito responsável". Do ponto de vista pessoal, essas reações devem ser vistas como a fala de sobreviventes, de pessoas que desafiaram o perigo e saíram vivas, intactas, para contar a história. Do ponto de vista da ciência, os sobreviventes são apenas a prova de que o perigo é real e de que não vale a pena fechar os olhos a que os filhos corram os mesmos riscos. A boa sorte, infelizmente, não é hereditária.


Oscar Cabral
DELINQÜÊNCIA
Documentos falsos: adolescentes como os cariocas André, Arlindo e Maurício usam identidades fabricadas para burlar o controle na portaria de estabelecimentos que não permitem a entrada de menores

Os estudos nessa área ainda precisam ser aprofundados, mas as descobertas feitas até agora são alarmantes. Um dos maiores especialistas no assunto, o pesquisador americano Aaron White, anunciou que existe um "sentido de urgência" na investigação científica sobre uso de álcool na adolescência. Diz ele: "Estamos na mesma situação em que nos encontrávamos há trinta anos, quando se tornou evidente o risco que corriam os bebês de gestantes que ingeriam álcool. Era urgente advertir todas as grávidas o mais rápido possível". As pesquisas (veja quadro) são unânimes em apontar que o uso exagerado de álcool na adolescência afeta principalmente habilidades cognitivas do cérebro, como memória e aprendizado. Um dos estudos mais completos é o da equipe da psiquiatra americana Susan Tapert, na Universidade da Califórnia. Tapert estudou o cérebro de jovens menores de idade com histórico de consumo de álcool. Ela descobriu em todos eles um dano variável mas permanente em uma região cerebral conhecida como hipocampo. Essa estrutura neuronial é parte do chamado sistema límbico. Ela aparece nos dois hemisférios cerebrais e, de forma pouco conhecida pelos cientistas, é responsável pela navegação espacial e pela memória. Não por acaso, as doenças degenerativas do cérebro, como Alzheimer, são mais cruéis quando destroem as células nervosas do hipocampo. A exposição do hipocampo ao álcool em tenra idade é uma temeridade que os cientistas sustentam que deve ser evitada a todo custo. Disse Susan Tapert a VEJA: "O cérebro do adolescente tem grande plasticidade e teoricamente poderia se recuperar naturalmente de alguns dos danos provocados pelo álcool. Isso, no entanto, precisa ser provado de modo científico".

As principais descobertas feitas até agora revelam que:

• O álcool pode causar danos ao hipocampo, cujo desenvolvimento mais acentuado ocorre a partir do fim da adolescência. Testes em cobaias mostraram que o álcool deixa mais lentos os neurônios envolvidos na formação de novas memórias, o que pode ser a explicação para lapsos em jovens humanos.

• Adolescentes de 15 a 16 anos que haviam se embebedado pelo menos 100 vezes na vida se saíram pior em testes de memória do que seus equivalentes sóbrios. Além disso, apresentavam hipocampo menor que o dos que não bebiam.

• O nível de atividade cerebral durante testes de memória e atenção realizados com uso de ressonância magnética funcional (que mede a alteração dos níveis de oxigênio no cérebro) foi menor em adolescentes com histórico de bebedeiras.

• Dos adultos que haviam começado a beber antes dos 14 anos, 47% se tornaram dependentes; entre os que iniciaram o consumo a partir dos 21 anos, o porcentual de dependência foi de 9%.


Fabiano Accorsi
SALTO PARA A MORTE
Alessandra: fugindo da polícia para não ser detida por andar de moto embriagada, ela se atirou às margens do Rio Tietê e não morreu por milagre, mas até hoje sente os efeitos do tombo

Dois fatores em especial chamam a atenção dos pesquisadores e tornam esse cenário ainda mais sombrio. Primeiro, a iniciação ao álcool se dá cada vez mais cedo. No Brasil, ela ocorre aos 12 anos e meio, enquanto nos anos 90 acontecia aos 14. Nos Estados Unidos, o primeiro uso se dava entre os 17 e os 18 anos até meados da década de 60. Atualmente, está na faixa dos 14 anos. O outro motivo de apreensão – justamente por ser o que expõe os jovens a possíveis danos cerebrais – é que eles estão adotando como hábito beber exageradamente, e não apenas nos fins de semana. Essa prática, descrita em inglês como binge drinking, é a famosa bebedeira, ou suas variantes país afora para designar consumo excessivo de álcool, como "encher a cara", "tomar todas", "meter o pé na jaca" ou "enxugar o copo". Apesar das inúmeras referências jocosas criadas pelo anedotário popular, não há nada de engraçado nesse comportamento, principalmente entre os mais jovens. Porque, além dos danos neurológicos a longo prazo, o adolescente fica exposto a riscos mais imediatos, como envolvimento em acidentes de trânsito, casos de violência sexual, brigas e sexo sem proteção.

Quem circula por locais onde adolescentes costumam se reunir para beber percebe a gravidade da situação. Embora seja proibida a venda de bebidas a menores de 18 anos, meninos e meninas bebem quanto querem e nos mais variados locais: postos de gasolina, bares próximos a escolas, boates, clubes e festas. Se o local restringe a entrada de menores, a solução é simples: os adolescentes pegam carona com grupos de amigos maiores de idade para iludir o controle na portaria. Ou então partem para a delinqüência mesmo, falsificando documentos. O carioca Maurício, 16 anos, se orgulha de ter mais de vinte documentos falsos, entre diferentes versões de RG e carteirinhas de universitário. Um de seus amigos de bebedeiras, André, também de 16 anos, conhece os macetes para "envelhecer" uma carteira de identidade postiça. Diz ele: "É só passar borra de café para escurecer o papel, amassar um pouco e morder a borda do plástico para parecer que o documento não é muito novinho. Tem boate em que a pessoa olha e até percebe que é falso, mas deixa entrar assim mesmo".

Oscar Cabral
DIREÇÃO PERIGOSA
Paulo Victor: o estudante perdeu a conta de quantas vezes bateu o carro dirigindo bêbado quando era adolescente; no mais grave dos acidentes, ele perdeu a consciência, só acordou no hospital e teve de ficar dois meses de cama


O repertório de bebidas é mais amplo do que os truques para burlar o frágil controle na entrada. As preferidas dos adolescentes são as de sabor adocicado, como os coquetéis de frutas cujos nomes são de péssimo gosto e não têm nenhuma relação com o potencial etílico de suas composições – sex on the beach (vodca com groselha, laranja e pêssego) e anjo mexicano (tequila com absinto), entre outros. Nesse quesito, um dos mais apreciados é o gummy, mistura de vodca com suco em pó que costuma ser usada como chamariz em boates, já incluída no preço da entrada. Outra febre entre os adolescentes são as chamadas alcopops, bebidas gasosas que contêm essência de fruta adicionada a algum destilado. Também conhecidas como bebidas ice, as alcopops possuem teor alcoólico semelhante ao da cerveja e, por seu sabor adocicado, são mais atraentes para quem está começando a beber. Tornaram-se tão populares na Europa e nos Estados Unidos que alguns locais decidiram sobretaxá-las para conter seu avanço.

No Brasil, elas também ganharam terreno. Pesquisa do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) detectou no ano passado o hábito de adolescentes misturarem destilados (em geral, vodca e uísque) a bebidas energéticas. Foi a primeira vez que a mistura foi mencionada desde que o Cebrid começou, em 1987, a série de pesquisas entre alunos dos ensinos médio e fundamental do Brasil. "Essas alcopops se destinam claramente ao segmento de mercado dos menores de idade e são muito perigosas, pois têm um sabor agradável que a cerveja não tem. Muitas vezes os supermercados as expõem na seção de refrigerante, o que é um absurdo", afirma a psiquiatra Analice Gigliotti. Segundo ela, a introdução das ice no mercado é uma das explicações para o número cada vez maior de meninas consumindo álcool. Para o presidente da Associação Médica Americana (AMA), J. Edward Hill, as alcopops são "difundidas como alegres, sexy e bacanas, como se fossem menos arriscadas de beber, mas suas conseqüências para a saúde são tudo, menos sexy ou bacanas". O estudante Arlindo, 17 anos, descobriu isso da pior maneira possível. Em uma de suas investidas noturnas com os amigos André e Maurício, alternou copos de vinho com bebidas ice. "Já cheguei carregado. Comecei a dançar, subi num tablado, caí num vão e cortei o braço todo", relata.


André Fossati/1º Plano
COMPORTAMENTO DESTRUTIVO
Adolescentes que têm as bebedeiras como hábito ficam sujeitos a acidentes, brigas e sexo sem proteção

Arlindo teve sorte. As noitadas nem sempre terminam bem. Em um episódio que comoveu o Rio de Janeiro em setembro, um carro com cinco jovens que haviam passado a noite em uma boate capotou e bateu numa árvore. Todos os ocupantes morreram. As vítimas eram de famílias de classe média ou média alta e tinham entre 16 e 22 anos de idade. O rapaz que estava ao volante, um jovem de 18 anos, havia bebido mais do que duas vezes o permitido para dirigir. O episódio está longe de ser um caso isolado. No Brasil, metade dos acidentes automobilísticos fatais está ligada ao consumo de álcool entre jovens de 18 a 25 anos. A paulista Alessandra Érica Elias, 33 anos, que participa de um programa de desintoxicação para dependentes químicos, diz que por milagre não se tornou uma vítima da combinação de álcool com direção na adolescência. Aos 17 anos, pilotando embriagada uma moto em alta velocidade, tentou escapar de uma perseguição policial e se atirou às margens do Rio Tietê, em São Paulo. "Fiquei horas desacordada e até hoje sinto dores na perna por causa do acidente", conta. O estudante carioca Paulo Victor Mombach, 23 anos, por pouco também não entrou nas estatísticas. Ele perdeu a conta de quantas vezes na adolescência se envolveu em acidentes ao dirigir embriagado. No mais grave deles, acordou no hospital, todo imobilizado, e ficou dois meses de cama. "Meus pais me davam bronca, botavam de castigo, tiravam a mesada, mas não adiantava. Eu não tinha maturidade para enxergar que estava exagerando", diz.

A combinação de álcool com direção torna-se especialmente mortal com a chegada das férias e das festas de fim de ano, quando ocorre um verdadeiro banho de sangue nas rodovias. Nos Estados Unidos, por exemplo, o período entre o Natal e o réveillon é conhecido pelas autoridades como "a temporada mortal". Das mortes no trânsito ocorridas na noite de Natal, 47,4% estão relacionadas ao consumo de álcool, acima da média dos dias comuns (39%). No Ano-Novo, o índice de óbitos associados ao consumo de bebida é ainda mais impressionante: salta para quase 70%. O álcool começa a afetar a habilidade do motorista a partir de uma taxa de concentração no sangue bem abaixo dos limites legais estabelecidos (veja o quadro).


Oscar Cabral
EXEMPLO CASEIRO
Fabrício: o DJ carioca começou a beber com 11 anos de idade e aos 15 tomou seu primeiro porre, em companhia do pai. Segundo os especialistas, o comportamento dos adultos é fundamental para definir a relação dos filhos com o álcool. Atitudes negativas dos pais podem levar os filhos a atos destrutivos como se envolver em brigas, matar aula e mentir

O Brasil pode se orgulhar de ter um limite mais rígido do que o dos Estados Unidos na tolerância ao teor de álcool no sangue do motorista, mas essa é nossa única vantagem. Enquanto os americanos têm mais de 2.000 leis que regulam o beber e dirigir – lá, a infração é punida até com prisão –, no Brasil nem o simples teste do bafômetro o motorista é obrigado a fazer. "Isso mostra que uma das principais causas de acidentes de trânsito no Brasil é simplesmente ignorada. Aqui, beber e dirigir não é considerado crime, é um comportamento tolerado", diz Ronaldo Laranjeira, coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad). Também nesse caso, os jovens são as vítimas potenciais. Estudos americanos indicam que, quanto mais jovem o motorista que consumiu álcool, mais risco ele corre de se envolver em acidentes fatais.

A dificuldade de entender o perigo da associação entre bebida e direção é algo típico da adolescência. Nessa fase da vida, a pessoa passa por intensas mudanças físicas e emocionais. Mapeamentos do cérebro mostram que as estruturas responsáveis pelo controle dos impulsos e que ajudam os indivíduos a definir o que é certo e o que é errado ainda não estão completamente formadas. Portanto, o adolescente, por natureza, não tem condições de avaliar as conseqüências de seus atos e vive se metendo em encrenca – daí a noção, muito comum, de que se trata de uma fase problemática. "Na adolescência, ocorre uma série de transformações que fazem com que a pessoa fique confusa. É uma confusão boa, de descobrir o que ela vai fazer da vida. Mas, se nessa confusão entram álcool e drogas, fica tudo mais difícil", afirma a psicóloga Ilana Pinsky, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Não há como definir o momento exato em que começa e em que termina a adolescência. Sabe-se que seu início se dá ao longo de uma mudança ocorrida entre os 7 e os 11 anos de idade, quando crescem certas regiões cerebrais ligadas à linguagem. A transformação maior acontece por volta dos 18 anos e pode avançar até os 25, quando o córtex pré-frontal amadurece, consolidando o tal senso de responsabilidade que em geral falta aos adolescentes. Cientistas acreditam que esse longo período de desenvolvimento do cérebro pode ser a explicação para comportamentos típicos da adolescência, como a busca por situações novas e potencialmente perigosas, entre elas experimentar álcool e outras drogas.


Mirian Fichtner/Pluf Fotografias
O PAPEL DA ESCOLA
Porto Alegre: a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead) está coordenando um trabalho pioneiro no país. Em parceria com escolas da cidade, passou a orientar os pais de alunos a deixar de servir bebidas alcoólicas a menores em festas de família. A corrente antiálcool formada pela iniciativa já conseguiu evitar a presença de bebidas em festas de 15 anos promovidas por pais que aderiram ao programa

Como, no caso do álcool, em geral a primeira experiência se dá em casa e com a anuência da família, o problema torna-se particularmente difícil de ser enfrentado. O fato de o álcool ser uma droga legalizada gera interpretações equivocadas por parte dos pais. Especialista em adolescentes dependentes químicos, o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, da Unifesp, diz que existe "uma grande preocupação da sociedade em torno das drogas ilícitas, mas um descuido completo em relação às drogas legalizadas". Ele já se acostumou a atender pais desesperados quando descobrem que o filho consome maconha. "Quando você vai ver, o menino fuma maconha uma vez por mês, mas tem um irmão que bebe três vezes por semana, e os pais não estão nem aí. A questão não é a legalidade ou a ilegalidade da substância, e sim o padrão de uso", afirma. Os especialistas advertem que o exemplo da família é decisivo para definir a relação dos filhos com o álcool (veja quadro). Para a americana Susan Tapert, a palavra-chave é moderação. Diz ela: "Os pais devem estar atentos a quanto e de que maneira eles bebem na presença das crianças".

A influência dos pais no comportamento dos filhos é tema controverso na psicologia. Há quem considere desprezível o peso do pai e da mãe na personalidade juvenil, que seria influenciada muito mais pelo convívio com pessoas alheias ao ambiente doméstico, como amigos e colegas de turma. Outra corrente prega a hegemonia dos genes para explicar a maioria das características pessoais, da timidez à propensão à violência. Um dos maiores estudos já feitos sobre adolescentes no Brasil reforça a tese de que os pais têm, sim, peso fundamental na definição do tipo de adulto que o filho vai ser. Nos últimos dez anos, a psicóloga Lidia Weber, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), ouviu mais de 10.000 adolescentes de várias classes sociais em todo o país. O objetivo era medir a associação entre os relacionamentos em casa e a incidência dos chamados comportamentos de risco. A pesquisa concluiu que há relação direta entre atitudes negativas dos pais – bater nos filhos, xingar ou ser omisso na educação – e o comportamento destrutivo dos jovens, como se envolver em brigas, faltar a aulas, usar drogas e mentir. Constatou-se que cerca de 96% dos filhos com bom relacionamento em família nunca haviam se drogado. Já entre os que relataram problemas em casa, 59% usavam regularmente drogas como maconha, crack ou heroína.

Apesar disso, não se pode atribuir aos pais toda a culpa pelo descontrole no consumo de álcool entre adolescentes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o álcool um problema de saúde pública e, como tal, é preciso enfrentá-lo a partir da formulação de políticas governamentais. No caso do Brasil, a OMS sugere que se adote nessa área uma política inspirada na do controle do tabaco, em que o país virou referência mundial. As práticas implantadas aqui reduziram de 39% para 19% o número de fumantes em 25 anos, o que significou menos 36 milhões de brasileiros consumindo nicotina. A principal bandeira dos especialistas que tentam incluir a discussão sobre o álcool na agenda nacional é a proibição total da propaganda de bebidas. Países que adotaram essa medida reduziram em 30% os acidentes fatais de carro.

Embora a ciência venha mostrando que é preciso fazer algo urgentemente para frear o abuso de álcool na adolescência, o alerta parece não ter se transformado ainda em um clamor da sociedade. "Normalmente existe um intervalo de vinte, trinta anos entre o que a ciência estabelece e o que as pessoas passam a praticar. Foi assim, por exemplo, com as doenças circulatórias", diz Dartiu Xavier da Silveira. O alerta só vai ganhar contornos de clamor social quando as descobertas da ciência sobre os efeitos do álcool em excesso no cérebro dos mais jovens forem tão propagadas quanto os riscos a que se expõem as gestantes que bebem ou fumam. Isso demora. Até lá a regra de ouro é: menor não toma bebida alcoólica. Se tomar, que beba pouco e só em algumas ocasiões.



Com reportagem de Daniela Pinheiro

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26/10/2008 free counters

Saiba como ajudar as vítimas da chuva em Santa Catarina

Brasil - 28/11/2008


As chuvas intensas em Santa Catarina já fizeram mais de uma centena de vítimas e deixaram quase 80 mil pessoas desabrigadas. Um dos principais destinos turísticos do país, o estado agora precisa de sua ajuda.

A Secretaria Nacional de Defesa Civil aceita doações no Brasil inteiro. Antes de encaminhar qualquer material para a Defesa Civil, é recomendável entrar em contato com os representantes da entidade no seu estado ou município (veja a lista de postos aqui) para saber que tipo de material é mais necessário no momento. A mesma regra vale para quartéis dos Bombeiros ou da Polícia Militar que também estejam recebendo doações.

Atenção: a Defesa Civil alerta que não envia mensagens eletrônicas, como e-mails ou mensagens por celular, com pedidos de auxílio.

Veja abaixo como fazer doações de outras formas:


EM TODO O BRASIL

Dinheiro

Quem deseja doar dinheiro pode depositar a quantia escolhida em uma das contas abertas em nome da Defesa Civil.

Depósito em agências ou transferência pela internet (em nome de “Fundo Estadual da Defesa Civil”, CNPJ 04.426.883/0001-57):

- Bradesco S/A: Agência 0348-4, Conta Corrente 160.000-1
- Caixa Econômica Federal: Agência 1877, operação 006, conta 80.000-8
- Itaú: Agência 0289, Conta Corrente 69971-2.

Somente depósito em agências:

- Banco do Brasil: Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7
- Besc: Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0


Remédios, mantimentos etc.

A Cruz Vermelha Brasileira está recebendo doações em diversos estados. Os endereços estão no site da entidade.


EM SÃO PAULO

Água

Para doar água potável, um dos itens de que os catarinenses mais necessitam, é preciso ir a qualquer posto da Polícia Militar (a lista completa dos postos em São Paulo está no no link Unidades PM) ou dos Bombeiros, que funcionam 24 horas por dia.

Remédios, mantimentos etc.

A Coordenadoria Municipal da Defesa Civil -SP (Comdec - Rua Afonso Pena, 130, Bom Retiro, 11/ 3313-5726) está aceitando doações 24 horas por dia. O mesmo ocorre na sede da Cruz Vermelha Brasileira (Avenida Moreira Guimarães, 699, Saúde, 11/ 5055-3211). Em outros postos, a Cruz Vermelha está recebendo doações em horário comercial:

- Colégio Santo Ivo
Rua Passo da Pátria, 1705, Alto da Lapa, 11/3837-0566.

- ACM - Associação Cristã de Moços
Avenida das Flores, 453, Jd. das Flores, Osasco, 11/3685-8900.

- Restaurante Mostarda
Av. Luis Carlos Berrini, 483, Brooklin Novo

- Escola Oriental de Massagem e Acupuntura,
Avenida Diederichsen, 1000, Jabaquara (próximo ao metro Conceição), 11/5592-1444

- Felicita Beauty
Rua Dr. Cesário Mota Jr, 383, Vila Buarque

- Supermercado Papini
Avenida Professor Papini, 232, Cidade Dutra

- Condomínio Jd. Office Tower
Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 881, Jardins

O São Paulo Futebol Clube (Praça Roberto Gomes Pedrosa, 01, 11/ 3749-8000) arrecadará doações até sábado (29), no portão 1 do Estádio do Morumbi, das 8h às 20h. No domingo (30), dia do jogo entre o São Paulo e o Fluminense, todos os portões de acesso ao estádio receberão doações, desde a abertura até o intervalo da partida.

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (0800- 055-0121) recebe doações de alimentos não perecíveis, roupas e cobertores nas estações de trem de maior movimento em São Paulo: Luz, Brás, Barra Funda, Osasco, Santo Amaro e Santo André. Elas podem ser depositadas nas caixas instaladas nas estações ou entregues a um agente operacional.


EM SANTA CATARINA

Doação de sangue

O horário de atendimento nos postos da Secretaria de Estado da Saúde é das 7h30 às 18h30. Para doar sangue é preciso ter entre 18 e 65 anos, estar saudável e evitar alimentação gordurosa e bebidas alcoólicas nas horas anteriores à doação.

- Hemoesc Florianópolis
Rua Othon Gama D'eça, 756, Centro, Florianópolis, 48/3251-9711

- Hemocentro Regional de Chapecó
Rua São Leopoldo, 391, Quadra 1309, bairro Esplanada, Chapecó, 49/3329-0550

- Hemocentro Regional de Joaçaba
Avenida 15 de Novembro, 23, centro, Joaçaba, 49/3522-2811

- Hemocentro Regional de Lages
Rua Felipe Schmidt, 33, Lages

- Centro Hemoterápico de Blumenau
Rua Marechal Floriano Peixoto, 300 (anexo ao hospital Santa Isabel), Centro, Blumenau.

Remédios, mantimentos etc.

O Parque Beto Carrero (Rua Inácio Francisco de Souza, 1597, Praia de Armação, Penha, 47/3261-2354) recebe doações de agasalhos, alimentos, colchões, água potável e medicamentos.

Os postos catarinenses da Polícia Rodoviária Federal recebem doações de alimentos não-perecíveis, roupas e colchões.

Em Balneário Camboriú, a Univali está confeccionando roupas de cama e camisetas para as vítimas e precisa de voluntários para ajudar na produção. Não é preciso saber costurar. A instituição também recebe doações de matérias-primas como malhas, tecidos, elásticos e embalagens plásticas. O laboratório de Modelagem e Vestuário fica no bloco 9 do Campus Balneário Camboriú (Quinta avenida, s/n) e funciona das 8h30 às 20h. Mais informações pelo telefone 0800-723-1300.

As secretarias regionais da região do Vale do Alto Itajaí (Blumenau, Brusque, Itajaí, Jaraguá do Sul, Joinville e Timbó) criaram postos para receber doações:

- Blumenau: Colégio Victor Hering
Rua Antônio Cândido Figueiredo, 399, Vila Nova

- Brusque: Fenarreco
Rodovia SC-486 (próximo à Havan), Centro

- Itajaí: Parque da Marejada
Av. Vicotr Konder, s/n, Bairro Fazenda

- Jaraguá do Sul: Arena Multiuso Jaraguá

Por Juliana Couto

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26/10/2008 free counters

O horror diante dos olhos



As causas, o desespero e os prejuízos do dilúvio que
atingiu o coração de Santa Catarina, um dos estados
mais prósperos e desenvolvidos do Brasil


Igor Paulin e Duda Teixeira, de Santa Catarina, e José Edward

Moacyr Lopes Júnior/Folha Imagem

Salvação pelo ar
Uma família de desabrigados da área de Alto Baú, em Ilhota, é resgatada por helicóptero da Força Aérea








Na era das grandes navegações, a palavra "procela" entrou para o vocabulário da língua portuguesa. Procelas são as fortes tempestades que se formam em alto-mar. Na semana passada, uma procela se adensou, não sobre o oceano, mas nos céus da próspera Santa Catarina. Quando ela despencou sobre as cidades, foi com uma fúria e constância jamais vistas, mesmo numa região historicamente sujeita a precipitações caudalosas e enchentes. Apenas na Blumenau dos laboriosos imigrantes alemães, caíram, em cinco dramáticos dias, 300 bilhões de litros de água. Sim, bilhões – o suficiente para abastecer a cidade de São Paulo durante três meses. Outra comparação é ainda mais impressionante: se esse volume hídrico fosse despejado dentro de uma torre com uma base de 1 metro quadrado de área, a construção teria de ter 300.000 quilômetros de altura – quase a distância entre a Terra e a Lua. A primeira das mais de 100 vidas ceifadas por tamanho horror foi a da menina Luana Eger, de 3 anos. No sábado 22, um barranco deslizou sobre a casa em que ela morava, soterrando-a. A mãe de Luana, Virgínia, e seus irmãos Juan, de 7 anos, e Rafael, de 5, escaparam da morte. Seu pai, o comerciário Evandro Eger, estava fora da cidade quando soube do desastre. Restou-lhe comprar num supermercado o vestido cor-de-rosa com o qual enterrou a filha no dia seguinte. "Era a cor preferida dela", disse ele. Evandro e Virgínia ainda conseguiram dar um funeral razoavelmente digno à menina. Muitas das vítimas foram enterradas em caixões improvisados, e nem sempre em cemitérios, mas em quintais. Até sexta-feira, dezenove pessoas continuavam desaparecidas. Boa parte delas pode ter sucumbido em decorrência de afogamentos e dos 4.000 deslizamentos registrados no estado. Somados, desabrigados e desalojados chegam a 79.000. Dos 293 municípios do estado, 49 foram atingidos. Catorze deles decretaram estado de calamidade pública. Nessas cidades, os sobreviventes lutam contra a fome e doenças pestilentas. E, como se não bastasse a desgraça, tentam evitar saques no que sobrou de suas casas e negócios.

Foi a maior calamidade já ocorrida em Santa Catarina, que registra grandes enchentes desde 1852. Em que pese o que possa ter havido de desídia ou incompetência por parte das autoridades na prevenção da tragédia, ela foi, sobretudo, resultado de uma combinação catastrófica de dois fatores – um meteorológico e outro geográfico. O primeiro começou a tomar forma no dia 20 de novembro, quando um anticiclone estacionado em alto-mar, na altura do Rio Grande do Sul e do Uruguai, levou chuvas para o litoral catarinense. Anticiclones são sistemas de alta pressão que, no Hemisfério Sul, originam ventos em sentido anti-horário. Eles são comuns no litoral catarinense e no gaúcho, de onde sopram ventos do Oceano Atlântico em direção ao continente. Isolados, não têm a força de causar grandes estragos e sua duração numa mesma região não costuma ultrapassar três dias. Só que, desta vez, por causa de um bloqueio atmosférico, isso não ocorreu. Até sexta-feira, o anticiclone permanecia no mesmo lugar. Ainda que extraordinária, sua longa permanência não teria causado a tragédia não fosse o fato de um segundo fenômeno – o vórtice ciclônico – ter ocorrido simultaneamente a ele. Ao contrário do anticiclone, o vórtice ciclônico é um sistema de baixa pressão que atrai ventos e gira no sentido horário. Como indica o nome, ele funciona como um redemoinho em altitudes médias, e também não é um fenômeno estranho à região. O problema surgiu da combinação com o anticiclone: o vórtice ciclônico suga os ventos imediatamente abaixo dele, levando-os para cima, resfriando-os e – de novo – provocando chuvas. Foi assim, por meio da ação extraordinariamente simultânea de dois fenômenos ordinários, que os índices pluviométricos na região atingiram patamares de dilúvio.

Fotos Moacyr Lopes Júnior-Folha Imagem e David J. Phillip-AP

À SEMELHANÇA DO KATRINA
Vista aérea do município catarinense de Itajaí, um dos mais castigados pela chuva. No destaque, a cidade americana de Nova Orleans, na Louisiana, um dia depois da passagem do furacão Katrina, em 2005. Lá, os mortos passaram de 1 300

O perfil geográfico era o detalhe que faltava para desenhar a tragédia. A camada superficial que recobre o solo do Vale do Itajaí, a região mais afetada pelas chuvas, é de composição argilosa – o que faz com que se desloque mais facilmente. Encharcada pela chuva forte e constante, essa camada ficou mais pesada. Somem-se a isso a declividade das encostas, os desmatamentos, as ocupações desordenadas e o resultado são deslizamentos destruidores, o principal causador das mortes no litoral catarinense e no Vale do Itajaí. O risco passou despercebido das autoridades. Já sob chuva grossa, pouco antes da morte da menina Luana, a Defesa Civil garantiu à população de Blumenau que não havia perigo. No fim da tarde daquele sábado, porém, o nível dos córregos que cortam a cidade começou a subir rapidamente. O Rio Itajaí-Açu transbordou as barragens e, em poucas horas, elevou-se 12 metros acima de seu nível normal. As chuvas provocaram deslizamentos e desmoronamentos. Como 40% da população local reside em encostas, todas as classes sociais foram afetadas.

A tormenta levou vidas e deixou, em seu lugar, histórias pungentes. No domingo 23, o operário André Oliveira, de 29 anos, deixou a família na casa de um parente, no município de Gaspar, e foi ao mercado. A poucos passos do portão, ouviu um estrondo. Ao olhar para trás, viu a mulher na varanda e os filhos no quintal. "Saiam daí", gritou. Não deu tempo. O morro próximo veio abaixo soterrando, além da sua casa, uma dezena de outras. Oliveira ainda ouviu o choro da filha de 3 anos, Ester. Tentou tirá-la dos escombros, mas dois novos desabamentos se sucederam. Quando resgatou os corpos, viu que sua mulher morrera abraçada à menina. "Ainda não parei de chorar", disse ao repórter Duda Teixeira.

Jonathas Cesario/Reuters

ARCA DE NOÉ
Gado procura abrigo na sede de fazenda alagada perto de Itajaí-Açu, localizada na foz do Rio Itajaí. A cidade teve 80% do seu território inundado: a subida das marés bloqueou o escoamento da água do rio para o mar, causando o seu transbordamento para as margens

Na cidade de Ilhota, mais especificamente no bairro do Baú, registrou-se o maior número de óbitos: 32. Foi lá que o caminhoneiro Zairo Zabel, de 37 anos, perdeu a mulher e os dois filhos, de 13 e 7 anos. Também no domingo passado, Zabel voltava para junto da família quando soube da enchente. Largou o caminhão no meio da estrada e arrastou-se por 12 quilômetros com água na cintura, até descobrir que sua casa havia sido tragada por uma avalanche. O corpo de seu filho mais velho, Marques, foi encontrado boiando pelos vizinhos. O do mais novo e o de sua mulher ainda estão possivelmente debaixo dos destroços. "Só sobrei eu", chorou Zabel, em conversa com o repórter Igor Paulin. No dia seguinte, a catástrofe aniquilou outra família na cidade de Rodeio. Um morro desfez-se sobre a propriedade mantida há mais de um século pelos descendentes dos Eccel, italianos que chegaram ao Brasil em 1885. Sob uma viga da casa, morreram abraçados o casal Dario e Giacomina e suas filhas Kendy, de 15 anos, e Kelly, de 7. Kevin, de 13, conseguiu escapar, mas ainda se lembra da mãe gritando "Aiuto!", socorro em italiano. Da família, além do garoto, só restou Keylla, de 5 anos, que se salvou do desastre.

Os prejuízos econômicos da catástrofe ainda não podem ser calculados em toda a sua extensão. O governo estadual estima que precisará, por baixo, de 280 milhões de reais apenas para reconstruir estradas, pontes e outras obras de infra-estrutura. A conta não inclui a reparação do Porto de Itajaí. Maior do país no setor pesqueiro e vice-líder em movimentação de contêineres, o Itajaí perdeu três de seus quatro berços. Estão parados lá 100 dos 450 contêineres que a Embraco, líder mundial na produção de compressores herméticos, exporta por mês. Outros sessenta contêineres de matérias-primas importadas esperam para ingressar no país. Só para recompor o porto são necessários 300 milhões de reais. Enquanto seus cais estão interditados, o país perde 77 milhões de reais por dia em exportações. A empresa estadual de gás de Santa Catarina ainda terá de gastar 50 milhões de reais para sanar o rompimento da tubulação num dos trechos do gasoduto Brasil-Bolívia. Levará três semanas para que o fornecimento desse ramal seja restabelecido. Até lá, as indústrias de cerâmica do estado, que dependem de gás para produzir, perderão 7 milhões de reais por dia. Os agricultores projetam prejuízos de 200 milhões de reais, a indústria têxtil, de 136 milhões, e o turismo, de mais de 120 milhões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobrevoou as áreas destruídas quatro dias depois de a calamidade se abater sobre o estado. Afirmou que liberaria 2 bilhões de reais para socorrer Santa Catarina. Quando as águas baixarem de vez, os catarinenses precisarão secar as lágrimas para reconstruir sua linda terra.

Fotos Hermínio Nunes/Ag.RBS/AE, Patrick Rodrigues/Ag. Rbs, Marco Gamborgi/Mafalda Press, Piero Ragazzi/Mafalda Press/EFE e Artur Moser/Ag. RBS/AE

Lama, destruição e fome
Carros esmagados, casas soterradas e água por toda parte. À direita, moradores de Itajaí saqueiam supermercado

Fotos Marcos Porto/Ag. RBS, Moacyr Lopes Júnior/Folha Imagem e Fernando Donasci/Folha Imagem

Uma ilha de corpos
Cenário de 32 mortes, o bairro do Baú, em Ilhota, foi evacuado por ar. No alto, o resgate de um bebê. À esquerda, o corpo de uma das vítimas sobre um teto. À direita, uma mulher chora a perda de sua casa

Reprodução

A primeira vítima
Luana Eger, de 3 anos, morreu na tarde do dia 22, soterrada nos escombros de sua casa, em Blumenau. Seu nome encabeça a lista de mais de uma centena de pessoas que sucumbiram na tragédia

Guto Kuerten/Ag. RBS

NEGÓCIOS PARADOS
O Porto de Itajaí teve três de seus quatro berços destruídos: perda de 77 milhões de reais por dia em exportação

Flávio Neves/Ag. RBS/AE

Fila de túmulos
Acima, as covas abertas na cidade de Gaspar para os que morreram soterrados. O presidente Lula observou uma área atingida pelos alagamentos em um vôo de helicóptero no quinto dia da calamidade

Ricardo Stuckert/PR

Tarcisio Mattos/Tempo Editorial

O pior dos pesadelos
Zairo Zabel perdeu a família. Seus vizinhos encontraram o corpo de seu filho mais velho boiando na enchente. O de seu caçula e o de sua mulher aindaestão soterrados

Com reportagem de Naiara Magalhães, Kalleo Coura e Liliani Bento


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26/10/2008 free counters

Santa Catarina, Equador


Qua, 26/11/08
por gmfiuza |

Até hoje se discute o quanto a devastação de Nova Orleans pelo furacão Katrina teve da mão de Deus e da mão do homem (Bush). Lula já está afinando o discurso para não virar o culpado da enchente em Santa Catarina.

Uma penca de governantes já levou a culpa pelas inundações na região do Tietê e da Praça Mauá. Todos devem ter tido um pouco de culpa, mas, fora a parte de São Pedro, é um pouco como reclamar com o prefeito de Veneza que a cidade está afundando. Esse julgamento teria que remontar à Idade Média.

Há carência de infra-estrutura em todo o território brasileiro. A tragédia homeopática das estradas arruinadas mata mais que todas as enchentes e secas juntas. Mas é homeopática, choca menos…

Nessa hora, não adianta a opinião pública ficar olhando para os governantes como assassinos. Melhor examinar a complacência geral com a má administração – um crime homeopático.

As tais “obras do PAC”, por exemplo, viraram uma entidade, um bordão, um mito da aceleração do crescimento. É o país da sigla e do slogan. Uma salada orçamentária de gaveta gera a cifra cabalística de 500 bilhões de reais e o brasileiro já sente a pança forrada. Viva o PAC, seja lá o que ele for.

E o que ele for, em qualquer hipótese, não é aumento de investimento público. É aí que o debate nunca chega: a relação entre os cabideiros do governo e os buracos nas estradas. O que falta nas benfeitorias estruturais é o que sobra nas benfeitorias políticas.

É essa orientação que faz o governo Lula enterrar com o BNDES 250 milhões de dólares no Equador, para brincar de revolução com o populista local. Os calotes sofridos com a aventura cocaleiro-bolivariana ao lado do companheiro Evo Morales não ensinaram nada.

Não adianta partir de uma tragédia natural para crucificar o governo. A tragédia antinatural da administração pública desfila diariamente na cara de todos.

PS (Pausa para o Sacoleiro): este signatário autografa o livro “Amazônia, 20º andar” (Record) nesta quinta-feira, 27, no Rio de Janeiro (Travessa do Shopping Leblon, 19h).

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26/10/2008 free counters

'Tenho medo até de cozinhar', diz vizinha de tubulação de gás que explodiu


No domingo, tubulação de gás explodiu no quilômetro 41 da BR-470.
Rodovia permanece interditada no trecho.

Luciana Rossetto Do G1, em Blumenau (SC)


Tubulação de gás explodiu no quilômetro 41 da BR-470, no domingo (Foto: Luciana Rossetto/G1)

O cheiro de gás na altura do quilômetro 41 da BR-470, entre Gaspar e Blumenau, em Santa Catarina, é forte. E é isso o que mais assusta Cleonice Miranda, de 25 anos, que passou a vida na casa ao lado do local onde explodiu uma tubulação de gás na madrugada de domingo (23). A explosão ocorreu em dois pontos da rodovia, distantes 200 metros entre si, e destruiu uma casa e fez com que a estrada desmoronasse.




Foto: Luciana Rossetto/G1 Foto: Luciana Rossetto/G1

Cleonice Miranda, de 25 anos, mora ao lado do local da explosão (Foto: Luciana Rossetto/G1)

"Eu tenho medo até de cozinhar. Não sei se ainda pode explodir. É tanta tragédia que não sei mais onde é seguro porque ou temos enchentes, ou desmoronamentos ou explosões", diz a jovem, que vive com mais 11 pessoas da familia.

Cleonice conta que não foi procurada pela Defesa Civil, mas acha que pode continuar ali. "Afinal, se não fosse seguro, não haveria homens trabalhando aqui. Meu receio é depois, quando eles forem embora, porque então, quem garante que não vai explodir tudo de novo?", diz.

A jovem afirma que, por vontade própria, a família não pensa em sair no local, já que eles não têm para onde ir. A casa onde moram foi herança dos avós e a propriedade também tem animais. Eles só vão deixar o local se este for declarado área de risco.


Ainda segundo Cleonice, na casa ninguém consegue mais relaxar. "Qualquer barulho mais forte logo achamos que é uma explosão", diz.

Desespero

De acordo com a jovem, ela dormia quando acordou com o barulho da explosão, por volta das 3h da manhã de domingo. "Saimos correndo pela estrada com medo de voltar, sem entender o que aconteceu. Depois que os bombeiros controlaram o fogo, estávamos voltando quando, de repente, apareceram novas labaredas. Só quando amaneheceu eles controlaram as chamas", diz.

O despero também bateu em Zenilda Regina da Silva, de 42 anos, dona de uma lanchonete vizinha da obra. Ela também vive no local. "Quando instalaram o gasoduto, falaram que não tinha risco e que nunca iria explodir, então quando explodiu não sabíamos o que fazer, porque nunca foi falado. Entramos em desespero", afirma.

Zenilda conta que na hora da explosão pensou que fosse ter o restaurante e a casa destruídos. "Meu marido ficou para tentar salvar alguma coisa do fogo. Fui com meu pai e minha filha direto para o hispital porque ele começou a passar mal. Por sorte, não perdemos nada", conta Zenilda.

Com o bloqueio da BR-470, o movimento do restaurante praticamente acabou. "Naõ sei como vou pagar os funcionários, eu espero que eles entendam". Homens do Departamento Nacional de Infra-Estrutura (Dnit) estão construindo um desvio na estrada para permitir o acesoo entre Gaspar e Blumenau. Não há previsão de quando esse desvio ficará pronto.

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26/10/2008 free counters

Veja, em três dimensões, áreas atingidas por chuva em SC


Mais de 78 mil pessoas tiveram que deixar suas casas.
Defesa Civil confirma 100 mortes.

Do G1, em São Paulo



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26/10/2008 free counters

Patrick Swayze empieza a despedirse



El protagonista de 'Dirty Dancing' anuncia que el cáncer que padece ha empeorado


El cáncer de páncreas que padece el actor estadounidense Patrick Swayze parecía haberle concedido una tregua y el protagonista de 'Dirty Dancing' anunciaba incluso hace unos meses que el tratamiento estaba dando buenos resultados. Sin embargo, ha sido todo un espejismo. Los médicos han anunciado a Swayze que la enfermedad se ha extendido al hígado, por lo que le queda poco tiempo de vida.


Según ha informado la publicación estadounidense National Enquirer, el actor, de 56 años, se ha quedado destrozado tras recibir la noticia y ya ha empezado a despedirse de sus seres más queridos, como su esposa, con la que lleva casado 33 años.

Actor y bailarín

Bailarín profesional desde muy joven, Patrick Wayne Swayze comenzó su carrera en el mundo del espectáculo en el teatro, donde participó en musicales como Grease. Su primera oportunidad en el cine llegó de la mano de Francis Ford Coppola, que le incluyó en la película Rebeldes (1983), cinta que lanzaría a la fama a toda una generación de actores: Tom Cruise, Matt Dilon o Rob Lowe.

En España se dió a conocer poco más tarde con su papel de soldado cojo en la serie de televisión Norte y Sur (1985), pero fue entre 1987 y 1990, con el musical Dirty Dancing y Ghost cuando se convirtió en una estrella.

En la actualidad Patrick Swayze se encuentra filmando la serie de televisión La Bestia, rodaje había retomado hace unos meses después de notar una aparente mejoría en su estado de salud. "¿Cómo consigues mantener una buena actitud cuando todas las estadísticas te dan por muerto? Vas a trabajar", decía el actor hace tan solo un mes al diario The New York Times, y añadía : "Al final del día, cuando voy camino a casa, muchas veces me sorprendo a mí mismo con una sonrisa en la cara. Estoy orgulloso de lo que estoy haciendo".

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26/10/2008 free counters

Detenidos los padres de un bebé muerto en Zaragoza tras una circuncisión ilegal



Un matrimonio de nacionalidad nigeriana fue detenido ayer en Zaragoza por la muerte de su bebé, al que se le había practicado una circuncisión ilegal. El padre y la madre se enfrentan ahora a una causa penal que les puede llevar a prisión, después de haberse quedado sin su hijo por una imprudencia temeraria.
El padre tiene 38 años y la madre 33. La familia residía en una modesta vivienda del barrio zaragozano de La Jota, en la margen izquierda del Ebro. Ellos mismos llevaron ayer por la mañana al pequeño en estado muy grave a un centro sanitario de la capital aragonesa, desesperados al temer por su vida.
El bebé ingresó en estado crítico y los facultativos no lograron salvarle la vida. No se ha detallado el tiempo que había transcurrido desde que el bebé sufrió esa circuncisión carente de las más elementales condiciones de higiene y seguridad sanitaria. Una intervención, además, que la Sanidad pública practica de forma gratuita y que, realizada bajo el adecuado control médico, es de muy bajo riesgo.
La policía sigue con las diligencias para tratar de determinar diversos extremos. Entre ellos, quién fue el autor material de la circuncisión. Cabe la posibilidad de que pudiera haber más implicados, pero fuentes jurídicas consultadas por ABC indicaron que la responsabilidad penal de los padres existirá de cualquier modo, fueran o no los autores materiales de esa circuncisión ilegal. Salvo que se demostrara lo contrario, los padres aparecen al menos como cooperadores necesarios por estos hechos. Las mismas fuentes han indicado que la pena a la que se enfrentarían por lo ocurrido puede situarse en torno a los cuatro años de prisión.
Llamada de aviso a la Policía
Los padres fueron detenidos por efectivos de la Brigada de Seguridad Ciudadana de Zaragoza, que dieron con ellos en el centro de salud al que habían acudido con el pequeño. La Policía fue alertada por una llamada telefónica que avisó de la presencia de un bebé en estado grave. Cuando los agentes acudieron a la dirección que les habían indicado, comprobaron que ya no había nadie. Le preguntaron a un vecino y les explicó que los padres se habían marchado con el bebé a un ambulatorio.
Mientras la Policía trataba de dar con el centro sanitario en el que estaban, el 091 recibió otra llamada de un ambulatorio de Zaragoza en el que los sanitarios informaron del fallecimiento de un bebé. Los agentes se desplazaron y dieron con los padres, que quedaron detenidos de forma inmediata.

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26/10/2008 free counters

El Ejército indio acaba con el último reducto terrorista en Bombay


Un comando de élite dice que los enfrentamientos con varios terroristas atrincherados en el interior del hotel Taj Mahal han acabado - Hay al menos dos islamistas muertos - Liberados todos los rehenes del hotel Oberoi, incluidos dos españoles - El saldo de víctimas asciende a 160

ELPAÍS.com / AGENCIAS - Madrid / Bombay - 29/11/2008


La policía y el Ejército indios han dado por concluidas las operaciones para acabar con los terroristas que el miércoles sembraron el caos y el pánico en Bombay, además de causar al menos 160 muertos y otros 300 heridos, en lo que es ya el ataque terrorista más salvaje que ha sufrido India. Según declaraciones emitidas por la televisión india de un jefe de uno de los comandos de élite, los enfrentamientos con los terroristas que seguían atrincherados en el lujoso hotel Taj Mahal han acabado. Según esta fuente, dos islamistas han muerto, recoge Reuters, pero se desconoce el estado de los rehenes o clientes del hotel.

Liberación del hotel Oberoi
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Una de las rehenes liberada del secuestro en el hotel Oberoi de Bombay- EFE

El ejercito indio abre fuego contra los terroristas

VIDEO - AGENCIA ATLAS - 27-11-2008

Los comandos del ejército indio han abierto fuego en tres lugares distintos en los que se han registrado los atentados. En el Taj Majal ya no quedan rehenes, pero buscan terroristas ocultos en el interior del edificio. - AGENCIA ATLAS

India

India

A FONDO

Capital:
Nueva Delhi.
Gobierno:
República.
Población:
1,147,995,898 (est. 2008)
Audio

Primera entrevista de Álvaro Rengifo tras ser liberado del hotel

AUDIO - Cadena Ser - 28-11-2008

Hemos hablando con uno de los liberados, que momentos antes nos anunciaba con un mensaje su estado de salud. Junto a él también se encontraba el empresario español Alejandro de la Joya. Ambos están en perfecto estado -


Mientras el hotel Oberoi ha quedado este viernes "completamente bajo control" y "libre de terroristas", así como el centro judío Nariman House, por la noche (sobre las 23.30 hora peninsular española) se han registrado unas cinco explosiones en el Taj. Esta madrugada, el Ejército ha comenzado un intenso tiroteo con los islamistas atrincherados en el establecimiento y las imágenes de televisión mostraban un incendio declarado en la planta baja.

Asalto al centro judío

Este viernes, un comando de élite asaltó el centro judío Nariman House. Murieron dos terroristas, pero los soldados no pudieron salvar a cinco rehenes, que fueron hallados muertos. Al tiempo que los soldados entraban en el Oberoi, efectivos especiales saltaron desde un helicóptero al tejado del centro judío.

Durante toda la mañana del viernes, se oyeron disparos y explosiones en este centro judío. La operación finalizó sobre las 14.00 hora española peninsular, aunque con éxito relativo. Según J. K. Dutt, director general de la Guardia Nacional de Seguridad, sus hombres volaron un muro exterior del centro e irrumpieron en él, "neutralizando" a dos terroristas. Sin embargo, no pudieron evitar la muerte de cinco rehenes.

El que ha quedado liberado completamente es el hotel Oberoi, donde el viernes por la mañana aún había varias decenas de huéspedes atrapados, entre ellos dos empresarios españoles, Álvaro Rengifo y Alejandro de la Joya, que han salido sanos y salvos. Los comandos lograron liberar a 93 detenidos. En el asalto habrían sido abatidos al menos nueve terroristas, informó J. K. Dutt. Cuando la policía entró horas más tarde a despejar el establecimiento, se encontró con 24 cadáveres, informa Georgina Higueras.

Confusión sobre la autoría de los ataques

En un principio, la autoría de los atentados se atribuyó a la organización islamista Deccan Muyahidiny, que había reivindicado las acciones. Sin embargo, tres de los terroristas detenidos en el transcurso de la contraofensiva del ejército indio han confesado ser miembros de la célula rebelde con base en Pakistán, Lashkar-e-Taiba (Ejército de los Puros), según el diario Hindu. Lashkar-e-Taiba, uno de los grupos de milicianos islamistas más influyentes en Asia, había negado este jueves su implicación en los atentados.

Según el periódico británico London's Evening Standard, que alude a declaraciones de fuentes gubernamentales indias, algunos de los terroristas son pakistaníes nacidos en el Reino Unido, pero el primer ministro británico Gordon Brown ha declarado que todavía es pronto para aceptar esta conclusión.

Además, este sábado se han conocido más detalles sobre los terroristas. Algunos de los islamistas atacantes visitaron Bombay meses antes y han vivido allí durante todo este tiempo fingiendo ser estudiantes, recoge el Times of India. El grupo habría visitado en varias ocasiones los dos hoteles de lujo asaltados, el Taj Mahal y el Oberoi. Los terroristas procederían la mayoría de Pakistán, pero durante estas visitas de reconocimiento se habrían hecho pasar por malasios.

El primer ministro indio, Manmonah Singh, en una comparecencia ante la nación, condenó los ataques y manifestó que su Gobierno tomará "las medidas necesarias para defender la seguridad" de los ciudadanos. Además, señaló a terroristas llegados de fuera del país como responsables de la matanza.

En este sentido, el ministro de Asuntos Exteriores indio, Pranab Mukherjee, ha señalado directamente a militantes paquistaníes como responsables de la cadena de atentados y ha pedido al país vecino que desmantele la infraestructura que los cobija. Ahmed Shuja Pasha, el jefe del espionaje paquistaní, ha viajado hasta Bombay para aliviar tensiones.

Víctimas de varias nacionalidades

Entre el más de centenar de muertos en esta oleada de ataques hay varios extranjeros. Se ha confirmado la presencia de un ciudadano británico, cuatro australianos, un italiano y un japonés. Además, el Gobierno de Estados Unidos ha confirmado la muerte de cinco ciudadanos estadounidenses. El Departamento de Estado no ha facilitado las identidades de las víctimas, pero, según el portavoz Gordon Duguid, el personal consular se ha puesto ya en contacto con sus familias. Entre las víctimas estadounidenses, hay un hombre de 58 años y su hija de 13, y un rabino de Brooklyn, Gavriel Holtzberg. También ha muerto su mujer.

Entre los heridos hay un matrimonio español, formado por Rafael Deaux y María Rosa Romero. Ambos continúan hospitalizados con pronóstico leve y su salud no corre peligro. Se prevé que permanezcan en la ciudad aún unos días.

En los sucesos se vieron envueltos la presidenta de la Comunidad de Madrid, Esperanza Aguirre, y la delegación que la acompañaba en su visita, junto a un grupo de parlamentarios europeos entre los que se encontraba el español Ignasi Guardans (CIU). Aguirre, que ha salido ilesa -así como Guardans-, fue evacuada de la zona de conflicto y llegó este jueves por la mañana a Madrid.

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26/10/2008 free counters

El jefe de los comandos militares da por concluida la operación en el Hotel Taj Mahal

Las operaciones militares que se estaban desarrollando en el último foco de conflicto que quedaba en Bombay, el hotel Taj Mahal, concluyeron alrededor de las 08: 00 hora local (03: 30 en España), según confirmó a los medios de comunicación locales el jefe de los comandos, quien dio por concluido el desalojó de los terroristas y confirmó la muerte de al menos tres milicianos.
Acto seguido, la autoridades trasladaron al lugar a perros policía, mientras las ambulancias comenzaban a llegar y, poco a poco, las fuerzas de seguridad que llevaban horas agolpadas alrededor del lujos establecimiento, comenzaban a moverse de sus posicione

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26/10/2008 free counters