O cantor Chico Buarque foi um dos agraciados com a
verba do Governo Federal destinada à tradução de livros brasileiros
para o mercado estrangeiro. A escolha gerou muita polêmica na classe
artística
A Comissão de Ética da Presidência aprovou a
concessão de subsídios do Ministério da Cultura para a tradução do livro
"Leite Derramado", de Chico Buarque. Chico é irmão da titular da pasta,
Ana de Hollanda. Junto com outros 28 livros, "Leite Derramado" havia
sido escolhido para receber US$ 4 mil (cerca de R$ 7 mil) dentro do
Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no
Exterior, da Fundação Biblioteca Nacional. No caso do livro de Chico
Buarque, a tradução seria feita para o francês, pelas mãos da editora
francesa Gallimard.
Constam da lista de livros subsidiados
autores como Lima Barreto, Luis Fernando Veríssimo e Clarice Lispector,
além de "Se eu fechar os meus olhos agora", de Edney Silvestre. No
prêmio Jabuti do ano passado, "Se eu fechar os meus olhos agora" havia
sido eleito o melhor romance, mas o troféu de livro do ano de ficção foi
para "Leite Derramado", segundo lugar na categoria - o que levou a
algumas mudanças no sistema de premiação para esse ano.
A
inclusão do livro de Chico na lista foi alvo de diversas críticas do
setor cultural, que acusaram a ministra de favorecer o irmão. Há duas
semanas, a questão foi submetida à Comissão de Ética e o subsídio foi
suspenso pelo Ministério.
De acordo com o órgão, a comissão
concluiu que "não via problemas na inclusão do livro do Chico Buarque na
lista". O MinC afirmou não ter ainda uma posição sobre o que será feito
diante da decisão favorável e que aguardará a volta de Ana de Hollanda,
em viagem pelo Maranhão.
Livro de Chico Buarque ganhará verba do Ministério da Cultura para ser traduzido
Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
02/12/2011 | 12h01 | Ética
O livro Leite Derramado, de Chico Buarque de Hollanda, será
novamente incluído na lista de 28 livros que receberão subsídios do
Programa de Apoio à Tradução e Publicação de Autores Brasileiros no
Exterior, da Fundação Biblioteca Nacional.
O subsídio havia sido suspenso pela ministra da Cultura, Ana de
Hollanda, irmã do autor, que consultou a Comissão de Ética da
Presidência da República sobre problemas éticos em relação à indicação
da obra para constar da lista.
O Ministério da Cultura informou que, após a avaliação divulgada na
quinta, pela comissão, que "não identificou conflito de interesses de
natureza ética" no processo de seleção promovido pela fundação, o
subsídio ao livro de Chico será retomado.
De acordo com informações do ministério, diferentemente do que foi
divulgado pela imprensa, não houve obras preteridas no programa. As 28
solicitações que chegaram à Fundação da Biblioteca Nacional foram
contempladas.
Além disso, a pasta informou que a suspensão feita pela ministra,
enquanto a comissão analisava sua consulta, atingia apenas o livro de
Chico Buarque e não as demais obras constantes no edital.
O programa de apoio ficará em vigor até 2020 e prevê a utilização de
R$ 2,7 milhões, provenientes do Fundo Nacional de Cultura. O valor do
subsídio para cada obra é US$ 4 mil, cerca de R$ 7 mil. O subsídio
servirá para que Leite Derramado seja publicado na França pela Editora Gallimard.
Por Luciana Lima, da Agência Brasil
José de Abreu denuncia: Chico Buarque fez lobby pela irmã no ...
O ator José de Abreu, da Globo, fez
campanha para Dilma Rousseff e, esteve ao lado da presidente no primeiro
discurso como presidente eleita. Deve ter lá seus contatos, não é mesmo?
E agora? Um único cidadão tem poder para
decidir o que acontece no Ministério da Cultura, e em favor de sua
PRÓPRIA IRMÃ? Ou José de Abreu mentiu? Qual a hipótese verdadeira?
Ainda que seja uma denúncia gravíssima,
apontando lobby direto de um familiar da ministra, não contem com alguns
dos militantes 2.0 para organizar “churrascos” ou algo assim. O partido
vem antes da causa, sempre. Qualquer causa.
Mas é curioso, de verdade, saber de que
lado ficarão. Dilma teria mesmo cedido ao lobby familiar de seu maior
cabo eleitoral no meio artístico (Chico, óbvio)?
Como se vê, a classe milionária também sofre.
implicante.org
Ana Buarque de Hollanda assume Cultura no governo Dilma
Indicada é irmã do compositor Chico Buarque de Hollanda e ex-diretora de Música da Fundação Nacional de Artes (Funarte)
20 de dezembro de 2010 | 18h 05
Beatriz Abreu, da Agência Estado
BRASÍLIA - Dilma Rousseff anunciou nesta segunda-feira,
20, a irmã do compositor Chico Buarque, Ana Buarque de Hollanda, para
assumir a pasta da Cultura em seu governo. Ana foi diretora de Música da
Fundação Nacional de Artes (Funarte).
A presidente eleita está fechando os últimos nomes para a conclusão de sua equipe ministerial.
Ainda nesta segunda, Dilma deve divulgar em nota oficial novos nomes de ministros.
Ana de Hollanda
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Anna Maria Buarque de Hollanda (
São Paulo,
12 de agosto de
1948) é uma cantora e compositora
brasileira, mas que se notabilizou sobretudo por trabalhos burocráticos na
Funarte. Empossada por
Dilma Rousseff, é a atual
Ministra da Cultura do
Governo Dilma.
[1][2][3][4] Anna é irmã de
Chico Buarque.
Cresceu no
Pacaembu (bairro de São Paulo). Filha da pianista Maria Amélia Alvim e do historiador
Sergio Buarque de Holanda, cresceu numa casa frequentada pelos nomes mais expressivos da vida cultural e política do Brasil.
Estudou no
Colégio Des Oiseaux. Aos 16 anos, estreou nos palcos no Teatro do
Colégio Rio Branco, no show Primeira Audição, como integrante do conjunto
Chico Buarque
e as Quatro Mais, com seu irmão Chico, as irmãs Cristina e Maria do
Carmo (Piií) e a amiga Helena Hungria, todas do mesmo colégio.
Em
1968, participou do III
Festival Internacional da Canção, interpretando o frevo "Dança das Rosas". Em
1980, gravou o primeiro disco solo: "Ana de Hollanda", pelo selo
Eldorado.
Ana participava das reuniões do bar Riviera, no centro de São Paulo,
ponto de encontro de artistas e intelectuais. Foi nesta época que entrou
para o Partido Comunista Brasileiro. No entanto, o nascimento dos
filhos Sérgio e Ruth a impediram de dedicação maior à política (Fonte:
Valor Econômico). Atualmente, Ana não é filiada a nenhum partido.
Em
1982, compôs e gravou o jingle "Acorda meu povo" para a campanha de
Franco Montoro (
PMDB), candidato ao governo de São Paulo.
De
1983 a
1985, Ana de Hollanda chefiou o setor musical do
Centro Cultural São Paulo. Entre 1986 e 1988 foi secretária de Cultura do município de
Osasco, na gestão de
Humberto Parro (PMDB).
Depois de um ano de quimioterapia e radioterapia, curou-se de um
câncer na região do mediastino, entre os pulmões. Curada, voltou a
gravar. O segundo álbum solo, "Tão Simples", saiu pela MoviePlay em
1995.
Fez shows por todo o Brasil e também no Uruguai, em Angola e em Cuba, sempre com repertório da
MPB.
De 2003 a 2007, dirigiu o Centro de Música da
Funarte, durante a gestão do ator
Antonio Grassi.
Coordenou a Câmara Setorial de Cultura, reunindo representantes dos
fóruns estaduais de música, entidades representativas da sociedade civil
e setores do Poder Executivo. Segundo Grassi, todos os novos projetos
musicais da Fundação, bem como o renascimento do Projeto
Pixinguinha, foram de responsabildade de Ana.
Ana atuou como vocalista em discos de
Toquinho,
Vinicius de Moraes,
Fafá de Belém e
Tom Jobim. Trabalhou como atriz no espetáculo "Nunca te vi, sempre te amei", de
Guto Maia.
[editar] Ministra da Cultura
Em seu primeiro mês como ministra, foi retirado da página do Ministério da Cultura na internet a
licença Creative Commons, gerando críticas quanto à possível mudança de orientação no ministério no tocante à proteção dos direitos autorais.
[5]
Ministros da Cultura do PT:
Por Celso Arnaldo Araújo
Dos 37 ministérios do governo Dilma (quatro órgãos e oito secretarias
com status de ministério e 25 ministérios propriamente ditos), pelo
menos 10 não serão sequer notados ao longo de quatro anos, seja pela
insignificância da pasta ou de seu titular 196 ─ a menos que um ou
outro, entre notórios pintas bravas, coloque as manguinhas de fora e os
mangotes pra dentro.
O Ministério da Cultura – desmembrado do da Educação em 1985 por
iniciativa do então recém-empossado presidente Sarney, o acadêmico
Sarney – deveria estar na cota dos que precisam mostrar serviço, quando
nada pela nobreza de seu objeto.
Está certo que, ao longo desses 25 anos, a pasta foi ocupada por
inexpressividades culturais como José Aparecido de Oliveira, Aluisio
Pimenta, Hugo Napoleão e Juca Ferreira – nomes de indicação política
intercalados com intelectuais de nomeada, mas muito pouco à vontade na
administração pública, como Celso Furtado, Antonio Houaiss, Sergio Paulo
Rouanet e Francisco Weffort.
Fazendo um balanço de suas Bodas de Prata, o Ministério da Cultura
quase sempre foi uma miragem de boas intenções e muitas visões
distorcidas, como é próprio das miragens. Poderíamos, sim, ter vivido
sem ele todo esse tempo – a cultura erudita ou comercial sobreviveria
através de seus mecenas naturais; a popular, de raiz, pela
espontaneidade das manifestações da terra.
Mas a presidente Dilma não tem sido apresentada como contraponto à
tronchisse de seu mentor Lula? Como a devoradora de livros, artes
plásticas, Bach e Mozart? Ao aceitar de bom grado essa pecha de
refinamento – que os frequentadores desta coluna sabem ser tão falsa
quanto a nova cabeleira do Eike Batista – ela estaria obrigada a fazer
do Ministério da Cultura, pelo menos na aparência, um dos pontos de
honra de seu governo. E o que fez Dilma? A resposta inequívoca, sem
margem a dúvidas ou interpretações, está neste vídeo estarrecedor. A
ministra da Cultura de Dilma, Ana de Hollanda, é apenas a metade de um
sobrenome ilustre. Seria essa sua única credencial para o posto? Tudo
indica.
No começo do ano, em homenagem a Dilma Rousseff, o “artista pop
brasileiro” Romero Britto, há anos radicado nos Estados Unidos, onde
realiza trottoir permanente pelo universo das celebridades, fez um
retrato da presidente – naquele estilo “meio Andy Warhol/meio Picasso
depois de um estágio no ateliê de José Antonio da Silva”. E comprou uma
página inteira no
New York Times para anunciar o feito e bajular Dilma.
Há duas semanas, em audiência no Palácio do Planalto, acompanhado
pela ministra Ana, o cubista pop levou o presente à presidente Dilma –
como costuma fazer, em sua bem-sucedida estratégia de marketing, quando
pinta poderosos: entrega em domicílio, sob holofotes. Na saída,
abordados pelos jornalistas, Romero e a ministra protagonizaram um
momento que, num país sério, causaria o lacramento do Ministério.
O vídeo começa – sem fala, para não ser ainda mais estupefaciente –
com retratista e retratada posando (ou pousando, diria Emir Sader) ao
lado do retrato. De início uma confirmação: os críticos dizem que todos
os retratos feitos por Romero Britto – de Madonna ao Príncipe Charles –
parecem-se com…Romero Britto. De fato, ele e o retrato de Dilma foram
separados ao nascer. E agora reunidos com a própria Dilma. Mas o vídeo
se torna um documento histórico – prova da seriedade que Dilma Rousseff
pretende emprestar à Cultura em seu governo – quando entram em cena, aos
26 segundos, a ministra e o artista. Ele, num terno marca-texto e
sapatos caneta Pilot. Ela, bem, ela é a irmã do Chico – até a bolsa
descomunal, completamente fora de mão, deve ter seus fãs.
Talvez por incultura minha, não sabia da existência de Ana Buarque de
Hollanda até sua indicação para o ministério – portanto nunca a tinha
ouvido falar. Parece que fazia carreira como cantora e professora de
música. Leio em seu currículo que, ano após ano, ministra oficinas,
sempre sobre o mesmo tema: “O Cantor e a Segurança Interpretativa na
Música Popular”.
Com base neste vídeo, a oficina “A Ministra e a Segurança Expositiva
no Governo Dilma”, ministrada por Ana de Hollanda, é um retumbante
fracasso. Ela explica aos repórteres o que Romero foi fazer no gabinete
de Dilma:
“Uma audiência com a presidenta, é, vocês até fotografaram, é, deu um
presente maravilhoso para ela, um retrato lindo”, explica a ministra,
62 anos mas carinha de menina encabulada encarregada de fazer a
apresentação do trabalho da turma, naquela sem-jeitice que se confunde
facilmente com despreparo, descrevendo para a imprensa o que, como ela
mesmo diz, todos tinham acabado de ver e fotografar. Prossegue, ainda
fora de prumo:
“Nossa presidenta ela conheceu seu trabalho no Hospital da Mulher, né
Romero, ficou encantada. Tava contando isso, e aí ele apresentou várias
propostas de trabalho, e eu vou deixá o Romero contá, acho que foi um
assunto direto com ele, mas eu sou testemunha de que ela ficou
apaixonada, o trabalho dele é muito alegre, muito colorido, muito,
algumas marcas que são muito a cara do Brasil, essa coisa jovem, essa
coisa cheia de energia, cheia de ideia, cheia de colorido, e umas ideias
muito boas que ela gostou demais, né Romero? Então fala aí para eles”.
Então, a ministra da Cultura, que se expressa como a ginasiana que se
senta no fundo da sala para não ser notada pelo professor, se recolhe e
se encolhe, deixando restos de um sorriso que teima nervosamente em
permanecer onde já não cabe.
Mas antes que Romero “fale aí pra eles” – hello: num estranhíssimo
sotaque luso-americano para um pernambucano da gema – talvez fosse o
caso de esclarecer o que seriam essas “várias propostas de trabalho” e
“umas ideias muito boas” que a presidenta (arghh) gostou demais.
Romero gostaria de uma boquinha no Planalto como retratista oficial,
uma espécie de Velázquez de Filipe IV na corte de Dilma I? Para tentar
descobrir a verdadeira intenção do retrato de Dilma, eu precisaria ter
assistido ao restante do vídeo – tarefa de que abro mão gostosamente,
repassando-a aos pacientes colaboradores
Mas, pensando bem, nenhuma surpresa: Dilma Rousseff tem uma ministra da Cultura à sua altura.
E pensando o pior: no fundo, quem transformou Ana de Hollanda em ministra de Estado foi José Sarney, em 1985…