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domingo, 28 de novembro de 2010

Sem alternativa aos cortes salariais


Entrevistas
  • 2010-11-27

Margarida Proença, economista da Universidade do Minho, afirma que a redução dos salários dos funcionários públicos e das prestações sociais é o único remédio para combater, no imediato, a actual crise económica e financeira. A vice-reitora, em entrevista ao programa ‘Primeiro Plano’ da rádio ‘Antena Minho’, lamenta que os políticos tenham deixado de colocar limites ao funcionamento dos mercados e antevê ainda mais desemprego no distrito de Braga.

P - Escreveu num artigo de opinião no ‘Correio do Minho’, no final de 2009, que Portugal poderia ir para bancarrota, que o défice era muito alto e o desemprego também. Recordou um ‘slogan’ dos anos 70: ‘Pão, paz, saúde e educação’. Ainda se mantém válido esse objectivo?
R - Esta questão que me está a colocar é muito difícil. Quando fiz referência a esse slogan era para indicar que as questões fundamentais são aquelas que precisam de ser resolvidas. Têm mesmo de ser resolvidas. A economia é uma área muito complexa, tem a ver com escolhas, e muitas vezes esquecemo-nos disso. Todos os dias temos de fazer escolhas sobre o que vamos produzir, como vamos produzir, como é que vamos contratar, como vamos pagar, o que é que vamos comprar. A política também é uma escolha que se suporta sobre uma actividade económica. A economia portuguesa. Reage mais devagar quando é atingida pela crise e também demora mais tempo a sair dela.

P - Aquelas questões que são essenciais para o cidadão continuam por resolver? Uma greve geral como a desta semana é uma chamada de atenção, um sinal de protesto?
R - A greve, sendo um direito dos trabalhadores, não a devemos sequer questionar. Se vai resolver alguma coisa, eu acho que não vai. É uma manifestação de preocupação dos trabalhadores. Eu vou ter um corte salarial de 11 por cento a partir de 1 de Janeiro. Se me pergunta se estou satisfeita, não estou.

P - Mas concorda com essa decisão do Governo?
R - Acho que não há outro remédio. Temos a consciência clara de que não há outra solução.

P - Quando diz que a economia e a política têm a ver com escolhas, isso contraria a ideia que vai passando nestes tempos de que os mercados é que mandam. Cada cidadão por si tem algum poder de decisão?
R - O mercado é feito de pessoas, de organizações, de empresas. O mercado é uma figura que, de facto, não existe, o que existe é a confluência dos interesses de nós todos. Aquilo que complica muito a situação que nós vivemos a uma escala global. Podemos ficar convencidos de que o problema que se passa em Portugal é só nosso, que esta crise é provocada por decisões erradas dos políticos no passado recente ou menos recente, mas o problema é que isso não é verdade.

P - O chanceler alemã diz que o que está em jogo é o primado da política que não tem de estabelecer limites aos tais mercados. Isto é uma capitulação do poder político perante os tais mercados de que ninguém conhece o rosto?
R - Eu acho que um dos problemas que nos faz sair mais lentamente das crises é o nosso pessimismo. É preciso ter algum grau de optimismo face ao funcionamento do mercado. Quando estamos a subir a montanha, quanto tudo nos corre bem, acreditamos que o futuro é azul e tem flores. Na década de 90, os mercados financeiros foram crescendo à vontade, havia cada vez mais dinheiro a circular, dinheiro que não correspondia a nada. O mundo crescia, os países emergentes cresciam a uma taxa extraordinária e todos nós nos convencemos que tudo isto acontecia porque o mercado funcionava muito bem. Portanto, devíamos deixar o mercado funcionar livremente. Esse foi o erro político. Se nós imaginarmos que há um mercado em que todas as pessoas têm informação completa e verdadeira e que todos nós tomamos decisões perfeitamente racionais, não precisamos dos políticos. Só que esse mundo não existe. Os políticos deixaram de colocar limites ao funcionamento dos mercados, deixou de haver regulação. Nós imaginámos que o crescimento económico seria sempre cada vez maior. Hoje, confirma-se que sem regulação os mercados não funcionam bem. Nós todos, que somos os agentes do mercado, não tomamos sempre as decisões correctas.

P - O que é os portugueses têm que os leva a reagir lentamente aos problemas? Lembramo-nos dos escritos de Eça de Queirós sobre Portugal e parece que o país não mudou?
R - Eu acho que Portugal muda. Se olharmos para aquilo que era Portugal nos anos 60... Lembro-me de demorar 11 horas de comboio de Castelo Branco a Lisboa. Portugal muda, mas tem mudado sempre devagar. O nível educacional de Portugal ainda é dos mais baixos da União Europeia, apesar do crescimento muito significativo do número de licenciados e de a investigação científica ter dado um salto notável nos últimos três, quatro anos. Mas nós partimos de muito atrás. Se nós temos um nível educacional baixo, a produtividade é baixa.

P - A tendência não é para mantermos esse nível educacional baixo?
R - Nós vivemos num mundo que é marcado cada vez mais pelo progresso tecnológico. Também em Portugal a estrutura produtiva tem mudado. As nossas exportações, hoje, já são de tecnologia média e alta. Já estamos com processos produtivos significativamente mais avançados do que há 10, 15 anos atrás, o que exige trabalhadores mais bem preparados.

P - As exportações são apontadas como um aspecto importante para equilibrar as nossas contas. Essa área das exportações tem peso suficiente para fazer esse equilíbrio, ou os sectores mais tradicionais como o têxtil e o calçado têm ainda muito peso?
R - Para equilibrar as contas não tem peso suficiente. Portugal precisa de importar. Portugal não tem matérias-primas, precisa de importar máquinas para o sector produtivos e produtos alimentares. Com o crescimento económico que houve em Portugal e com a globalização, queremos ter todas as coisas que os outros têm em todo o mundo. A importação de produtos de luxo e de outros menos necessários é muito significativa em Portugal. Tradicionalmente, a balança comercial portuguesa é deficitária. O que importamos é mais caro do que o que exportamos. As nossas exportações têm um valor acrescentado mais baixo do que as importações. Essa situação está a alterar-se ultimamente.

P - Afirmou recentemente que em 2011 haverá uma quebra significativa na nossa economia, que poderemos ter uma recessão. Isso quer dizer que o FMI é inevitável?
R - A recessão não é certa. Os sinais em Portugal são, apesar de tudo, positivos. O problema são os indicadores de confiança. Se o tecido empresarial não acredita, se as notícias são todas muito más, não se investe e não se consome. Tudo isto é areia que faz funcionar mal a máquina. Era bom que houvesse mensagens de maior optimismo na economia. Com as indicações publicadas há oito dias não podemos falar em recessão, agora o desemprego é mais lento a reagir. Acho que o desemprego ainda vai aumentar.

P - Fala da necessidade de mensagens positivas, mas o que recebemos todos os dias são mensagens que dizem que Portugal vem a seguir à Irlanda...
R - Isso é muito gerado aqui em Portugal.

P - Por responsabilidade da nossa classe política?
R - É responsabilidade de toda a classe política.

P - É o nosso pessimismo de que falava atrás?
R - Nós somos pessimistas. Nós gostamos muito de fazer grandes debates e só depois é que começamos a actuar.

P - Diz que o desemprego vai continuar a aumentar. Como é que se pode estancar uma situação dessas, se o país tem dificuldades em crescer, se as exportações não conseguem aliviar muito o peso do défice?
R - As exportações são a grande possibilidade das nossas empresas. O mercado português não tem dimensão para absorver a maior parte do que se produz em Portugal. Acho que não fazia mal haver alguma preocupação em comprar português. Dava algum sentido, passava uma mensagem de alguma confiança aos empresários e podia tender a diminuir as importações. Mas isto tem de ser muito controlado, porque vivemos num mercado aberto.

P - Estamos num distrito que é particularmente afectado pelo problema do desemprego. Não escaparemos ao agravamento do desemprego nos próximos tempos?
R - Neste momento, são as empresas mais tradicionais, com valor acrescentado mais baixo, que concorrem no preço, aquelas que são confrontadas pela concorrência da China e da Índia. Será em empresas desse tipo que o desemprego poderá aumentar.

P - Temos exemplos no distrito de Braga de empresas tecnológicas com crescimentos notáveis.
R - As exportações portuguesas que têm aumentado são exactamente as dos sectores com média e alta tecnologia incorporada.

P - Mas essas são empresas com menor expressão em termos de volume de mão-de-obra.
R - Exactamente.

P - O que quer dizer que o crescimento absoluto do desemprego continuará a acontecer.
R - Nós estamos a alterar a nossa estrutura produtiva. Parte do desemprego é quase estrutural: temos muitas pessoas com níveis educacionais baixos, que perderam o emprego e que vão ter alguma dificuldade em recuperá-lo.

P - Considera que a nossa legislação laboral é demasiado rígida?
R - Alguns autores dizem que sim, ou-tros dizem que ela é rígida, mas que é flexível na forma como é aplicada. É capaz de ser assim. Quanto mais mobilidade as pessoas tiverem, mais fácil é a saída de uma situação de desemprego. Em Portugal, porque temos um nível muito elevado de habitação própria, temos um nível muito baixo de mobilidade.

P - A mentalidade empresarial no distrito de Braga não ainda um pouco a dos anos 60 e 70?
R - Fala-se de Braga como um potencial ‘Silicon Valley’ à escala portuguesa. Houve aqui uma capacidade muito grande de criar empresas tecnologicamente avançadas. Acho que isso é inegável e que a Universidade do Minho teve um papel importante porque formou os potenciais trabalhadores e os potenciais novos empresários. O que acontece em Braga e no resto do país é que o empresário médio, com 50 ou 60 de idade, não fez formação. É um empresário muito esforçado, mas que tem um nível educacional baixo, que não alterou muito as suas estruturas produtivas.

P - E que pratica baixos salários.
R - Obviamente. Se ele tem uma produção de valor acrescentado baixo, não tem escolha. Produz um produto que é potencialmente produzido por qualquer empresa em qualquer parte do mundo.

P - Também tem apontado a burocracia e o nosso sistema de Justiça como entraves ao surgimento de empresas mais inovadoras...
R - Absolutamente. Imagine que eu faço um contrato com uma empresa sua para a compra de uma máquina e não pago porque sei que se você for para tribunal só daqui a meia dúzia de anos é que tenho o problema resolvido. Quanto mais lentamente funcionar a Justiça, maior é o interesse potencial para o não cumprimento. Está comprovado que os atrasos no funcionamento do sistema judicial estão directamente relacionados com dificuldades no funcionamento da actividade económica e induz menos crescimento económico. A reforma da Justiça é aquela grande reforma que faz grande falta.

P - Concorda com as medidas tomadas pelo Governo no que respeita ao corte nas prestações sociais?
R - Tudo isto é inevitável. Nós não tínhamos um sistema de segurança social eficaz. O sistema começou a ser montado verdadeiramente em finais da década de 70. Depois de recebermos fundos da União Europeia e de termos um crescimento económico significativo, cresceu muito a despesa. Nós temos um sistema de reformas que era extremamente simpático na Função Pública. A par disso, todo o sistema de educação e saúde é gratuito. Segundo as últimas estatísticas, a esperança média de vida aumentou 2,44 anos desde 2000. No sector público, neste período de tempo, aumentou o número de funcionários porque os sistemas de educação e saúde explodiram. Nada disto é grátis.

P - Escreveu recentemente que as prestações sociais e os salários dos funcionários públicos representam 90 por cento da despesa primária do Estado. É uma percentagem incomportável?
R - É incomportável porque a estrutura não tem tendência a diminuir. Nós protestamos, mas os cuidados de saúde que recebemos são muito bons, são prestados com qualidade. Hoje temos uma saúde que é muito cara e a tendência é para se tornar cada vez mais cara.

P - Até que nível é admissível reduzir os gastos do chamado Estado Social?
R - Nós falamos de contribuintes, os ingleses falam de ‘tax payers’. Eu acho que a educação é um bem público, que a saúde é demasiadamente importante para estar apenas no sector privado. As pessoas não podem voltar ao tempo de vender o ouro para ir ao médico. Temos também de ter condições para assegurar que as pessoas saiam da pobreza. E, na minha opinião, só se sai da pobreza com educação. O Estado tem de assegurar a saúde, a educação e a parte social. Mas vamos pensar assim: É possível continuar a dar tudo a tanta gente? Não é.

P - Há algum tempo subscreveu um manifesto a favor das obras públicas como saída para a actual crise. Continua a manter essa posição quando parecem ser agora poucos os que defendem o TGV e o novo aeroporto de Lisboa?
R - A função do Estado, para além de fornecer os serviços públicos, é também investir em infraestruturas que mais ninguém vai fazer. Eu acho que o TGV é muito importante. Nós estamos num mundo global, Portugal é um país periférico. Se toda a Europa tiver comboio de alta velocidade e se nós não o tivermos, ficaremos ainda mais periféricos. E a periferia paga-se muito, muito, muito cara.

P - Concorda com uma ligação entre Porto e Lisboa?
R - Não. Entendo como importantes todas as ligações para o exterior.

P - Incluindo Porto-Vigo?
R - Exactamente. Porto-Vigo e Lisboa-Madrid.

P - E o argumento dos que dizem que o financiamento do TGV vai ‘secar’ o financiamento das pequenas e médias empresas...
R - Do ponto de vista económico, tem sido comprovado que o excesso de investimento público reduz o investimento privado. No que diz respeito ao TGV, grande parte desse investimento ia ser feito com fundos comunitários muito condicionados a essa utilização e que não podem ser transferidos. Eu creio que Portugal poderá vir a ter problemas com a devolução de fundos comunitários.

P - Qual é o resultado da aplicação do dinheiro que recebemos de Bruxelas nestes anos?
R - Infra-estruturas. Hoje temos um rácio de estradas e auto-estradas verdadeiramente impressionante. A educação mudou lentamente alguma coisa.

P - Quer dizer que investimos muito em infraestruturas e menos na qualificação. Fomos comparados, negativamente, com a Irlanda que está agora na situação que está.
R - Tem toda a razão, mas em Portugal, apesar de todas as críticas que fazemos ao sector bancário, este é mais conservador do que o sector bancário irlandês. O problema da Irlanda é o sector bancário.

P - A Universidade do Minho não irá escapar às medidas de austeridade anunciadas para o próximo ano. Quais serão as consequências dessas medidas para a vida da Universidade?
R - A Universidade do Minho pertence ao sector público e, por isso, iremos sofrer os cortes salariais que estão orçamentados. A Universidade vai também ter de pagar uma comparticipação maior para a ADSE: 2,5 por cento, o que é significativo. O orçamento que a Universidade vai receber este ano é menor que o do ano passado. Vamos ter de ser mais eficientes na utilização dessas verbas, sendo certo que isso não pode pôr em causa a qualidade daquilo que é oferecido.

P - A preocupação das pessoas que trabalham na Universidade do Minho é saber o seu futuro. Vai haver uma diminuição dos quadros de pessoal?
R - Não está em cima da mesa essa hipótese. O Orçamento de Estado só foi aprovado agora e as últimas discussões que estão a ser feitas podem produzir algumas alterações. Uma das coisas a que estamos a assistir é que as coisas mudam muito rapidamente todos os dias. Neste momento, a informação que temos é que não haverá possibilidade de abertura de novos concursos para trabalhadores não docentes, mas não há risco nenhum de despedimentos. A mesma coisa para os docentes. A questão é de massa salarial.

P - A Universidade do Minho tem, a partir deste ano lectivo, um conjunto de novos cursos. Está a leccionar esses cursos com o mesmo número de docentes e funcionários?
R - É preciso ser mais eficiente. A eficiência significa apenas que as mesmas pessoas vão ter de ser cada vez mais produtivas. Vamos conseguir manter todas as pessoas que temos a trabalhar.

P - Para o investimento em infraestruturas, as coisas estão mais complicadas?
R - Este ano já se conseguiram fazer algumas melhorias efectivas no que diz respeito a infraestruturas. Vamos agora concorrer a programas comunitários para termos outras fontes de financiamento para projectos infraestruturais. Em cima da mesa está uma hipótese que a Universidade do Minho está a discutir, que é a passagem a Fundação.

P - A Fundação permitirá outras possibilidades de financiamento?
R - Exactamente.

P - O chamado ‘contrato de confiança’ assinado com o Governo e que prevê uma verba à margem do orçamento da Universidade do Minho está a ser cumprido?
R - A Universidade do Minho recebeu em 2010 quase mais nove milhões de euros por essa via. Foi bom e foi importante.

P - É um apoio que se vai manter?
R - Para 2011, já sabemos qual é o orçamento que a Universidade do Minho vai ter. Tem alguma redução relativamente a 2010. Neste momento, o contrato de confiança já está dentro do orçamento global.

P - A aposta dos novos cursos em horário pós-laboral foi uma aposta ganha pela Universidade do Minho?
R - Sem dúvida alguma que os resultados que a Universidade do Minho teve, quer de procura, quer de inscrição nos novos cursos, foram absolutamente notáveis.

P - E vamos ser claros: esta é uma forma de financiamento da Universidade do Minho.
R - Com certeza. A Universidade do Minho não se financia de forma alguma apenas com o orçamento que recebe da administração central. A Universidade do Minho tem receitas próprias que são significativas e as propinas são importantes.

P - Qual é o peso das receitas próprias no orçamento da Universidade do Minho?
R - Andará pelos 40 por cento.




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"Portugal é Lisboa, tudo o resto é paisagem"!

A greve geral afinal não era tão geral!

"Portugal é Lisboa, tudo o resto é paisagem"!

Faranaz Keshavjee (www.expresso.pt)
15:04 Sábado, 27 de Novembro de 2010





O título do artigo de opinião de Miguel Sousa Tavares é sugestivo e real. Não havendo greve massiva dos transportes públicos, a greve não seria a mesma coisa. Que é um direito constitucional e que nos manifestemos contra as politicas de uma democracia falhada, estou de acordo. É preciso mostrar o descontentamento e o desacordo contra um conjunto de políticas iníquas, onde os pobres vão ficar mais pobres, e os muito ricos vão continuar a ter as suas benesses de um capitalismo de estado dependente da banca e dos grandes grupos financeiros.

Ainda procurei onde começaria a manifestação, para me juntar a ela. Tinha até pensado em levar os meus filhos, mesmo à chuva, para que cresçam lembrando-se que mesmo que a eles não lhes falte tanto como aos outros, não podem viver assistindo passivamente à injustiça social e às mentiras e corrupções de uma democracia imperfeita como é a do nosso país. Em vão fiz a pesquisa; não havia nenhuma 'manif' na agenda do dia.

Durante o café da manhã, assisti a bocados de relatos televisivos do estado da nação. Algum caos no trânsito já esperado. Comércio aberto; uns a favor de não parar para recuperar a produtividade e competitividade; outros tabalhando para salvar o amanhã dos filhos, que augura coisas piores; outros porque acham que nem vale a pena perder um dia de salário, sabendo que nada vai mudar.

Eis que a repórter fala de Vila Real! O pasteleiro e padeiro mais conhecido da zona diz que tudo parece igual; que não há nada de diferente a registar. O café segue a sua rotina normal; nas ruas também.. Mas, 'sabe', dizia o senhor, ' aqui também não temos transportes (públicos)... por isso, continua tudo como sempre; igualzinho! Só notou que estava mais frio, isso sim.

Aha! Afinal, 'Portugal é Lisboa', como dizia Eça de Queiroz, 'tudo o resto é paisagem'! E lá os pobres vão passar a ser mais pobres, sem serviços de saúde à altura de uma democracia nacional; a educação... dela sabemos pouco lá de Vila Real. E não precisamos saber mais. A greve geral, afinal de contas, não era tão geral!





LAST

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EARTHCAM






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Rearrange your living space


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#NEWS #RIO COMPLEXO , BOPE (CAPAS)

34 minutes ago from Twitter







37 minutes ago from Tw

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26/10/2008 free counters

#Protest full-body airport scans with 4th Amendment underclothes



The full-body scanners currently in use across airports are seen as an invasion of privacy, and possibly a health hazard too. You can opt for a pat down instead, but new rules with those means they can be quite intrusive.

So rather than opting out, why not protest while your scan is being carried out? You can do so by wearing some 4th Amendment underclothes.

It’s a simple yet effective idea. Print the 4th Amendment to the United States Constitution in metallic ink on a shirt or underwear. The scanners pick up any metal objects on your person, so the Transportation Security Administration (TSA) employee viewing the scan images will get a face full of text which reads:

Amendment IV – The right of the people to be secure in their persons, houses, papers, and effects, against unreasonable searches and seizures, shall not be violated, and no warrants shall issue, but upon probable cause, supported by oath or affirmation, and particularly describing the place to be searched, and the persons or things to be seized.

The message on underwear can be the same or something is a little less subtle, but just as informative:

Read the 4th Amendment Perverts

It looks as though stock is limited through supplier 4th Amendment Wear, but these are sure to be popular with travelers not happy with these intrusive scans.

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LAST

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26/10/2008 free counters

#RIO #NEWS RJ desrespeita recomendação da ONU sobre efetivo nas ruas



28 de novembro de 2010 02h38



27 de novembro - policial vigia a rua Paranhos, uma das entradas do Complexo do Alemão . Foto: Reinaldo Marques/Terra

Só 5 das 41 áreas de batalhões do Estado obedecem a critério internacional, que recomenda pelo menos um PM para cada 250 moradores
Foto: Reinaldo Marques/Terra


A onda de ataques a carros, ônibus e vans registrada em diversos pontos do Rio de Janeiro na última semana evidenciou um problema no policiamento ostensivo do Rio: o déficit de contingente. A Organização das Nações Unidas (ONU) aconselha que haja um policial militar para cada 250 habitantes. No Estado do Rio, só 5 dos 41 batalhões estão adequados à recomendação.

Ainda assim, quatro dessas 5 unidades são centrais - 1º BPM (Estácio), 4º (São Cristóvão), 5º (Praça da Harmonia) e 13º (Praça Tiradentes) -, onde a população volante (não levada em consideração no cálculo) chega a ser maior do que a residente. A outra é o 29º BPM (Itaperuna). De acordo com especialistas, a ausência de PMs nas ruas foi facilitador aos ataques de incendiários. "A prioridade é consolidar o domínio das áreas conquistadas, como a Vila Cruzeiro. Mas o aumento do efetivo da tropa da PM será fundamental para que a sociedade conquiste um patamar civilizado. Sem dúvida, o reduzido número de PMs facilitou a vida dos criminosos", avalia o sociólogo José Augusto Rodrigues, da UERJ.

O 20º BPM (Mesquita), na Baixada, registra a pior relação policial por habitantes do estado: são 1.961,90 moradores para cada agente, numa área de atuação de 581,5 km², número quase 8 vezes maior que o recomendado pela ONU. No Leblon, há um PM para cada 337,06 pessoas dentro dos 21,5 km² cobertos pela unidade.

"O Rio precisa de melhoria urgente no policiamento ostensivo e de qualificação. Homens bem treinados e de bom nível, o que poderia até ajudar a evitar a corrupção", analisa Gilberto Velho, professor titular de Antropologia do Museu Nacional da UFRJ.

A PM informou que, em julho, abriu concurso para contratar 3.600 PMs, mas não precisou se parte do efetivo reforçará batalhões de área ou se todos irão para a implantação de UPPs, onde a proporção de polícia por habitante recomendada pela ONU é cumprida em 11 das 12 unidades.

Violência
Os ataques tiveram início na tarde de domingo, dia 21, quando seis homens armados com fuzis abordaram três veículos por volta das 13h na Linha Vermelha, na altura da rodovia Washington Luis. Eles assaltaram os donos dos veículos e incendiaram dois destes carros, abandonando o terceiro. Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer) que andava em velocidade reduzida devido a uma pane mecânica. A quadrilha chegou a arremessar uma granada contra o utilitário Doblò. O ocupante do veículo, o sargento da Aeronáutica Renato Fernandes da Silva, conseguiu escapar ileso. A partir de então, os ataques se multiplicaram.

Na segunda-feira, cartas divulgadas pela imprensa levantaram a hipótese de que o ataque teria sido orquestrado por líderes de facções criminosas que estão no presídio federal de Catanduvas, no Paraná. O governo do Rio afirmou que há informações dos serviços de inteligência que levam a crer no plano de ataque, mas que não há nada confirmado. Na terça, a polícia anunciou que todo o efetivo foi colocado nas ruas para combater os ataques e foi pedido o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para fiscalizar as estradas. Foram registrados 12 presos, três detidos e três mortos.

Na quarta-feira, com o policiamento reforçado e as operações nas favelas, 15 pessoas morreram em confronto com os agentes de segurança, 31 foram presas e dois policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) se feriram, no dia mais violento até então. Entre as vítimas dos confrontos, está uma adolescente de 14 anos, que morreu após ser baleada nas costas. Além disso, 15 carros, duas vans, sete ônibus e um caminhão foram queimados no Estado.

Ainda na quarta-feira, o governo do Estado transferiu oito presidiários do Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio, para o Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná. Eles são acusados de liderar a onda de ataques. Outra medida para tentar conter a violência foi anunciada pelo Ministério da Defesa: o Rio terá o apoio logístico da Marinha para reforçar as ações de combate aos criminosos. Até quarta-feira, 23 pessoas foram mortas, 159 foram presas ou detidas e 37 veículos foram incendiados no Estado

Na quinta-feira, a polícia confirmou que nove pessoas morreram em confronto na favela de Jacaré, zona norte do Rio. Durante o dia, 200 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) entraram na vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, na maior operação desde o começo dos atentados. Os agentes contaram com o apoio de blindados fornecidos pela Marinha. Quinze pessoas foram presas ao longo do dia e 35 veículos, incendiados.

Durante a noite, 13 presidiários que estavam na Penitenciária de Segurança Máxima de Catanduvas, no Paraná, foram transferidos para o Presídio Federal de Porto Velho, em Rondônia. Entre eles, Marcinho VP e Elias Maluco, considerados, pelo setor de inteligência da Secretaria Estadual de Segurança, diretamente ligados aos atos de violência ocorridos nos últimos dias. Também à noite, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, assinou autorização para que 800 homens do Exército sejam enviados para garantir a proteção das áreas ocupadas pelas polícias. Além disso, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, anunciou que a Polícia Federal vai se integrar às operações.

Na sexta-feira, a força-tarefa que combate a onda de ataques ganhou o reforço de 1,1 mil homens da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército e da Polícia Federal, que auxiliaram no confronto com traficantes no Complexo do Alemão e na vila Cruzeiro. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a polícia permanecerá nas favelas por tempo indeterminado. A troca de tiros entre policias e bandidos no Complexo do Alemão matou o traficante Thiago Ferreira Farias, conhecido como Thiaguinho G3. Uma mulher de 61 anos foi atingida pelo tiroteio na favela e resgatada por um carro blindado da polícia. Foram registrados quatro mortos e dois feridos ao longo do dia. Um fotógrafo da agência Reuters foi baleado no ombro e hospitalizado.

Na parte da noite, o Departamento de Segurança Nacional (Depen) confirmou a transferência de 10 apenados do Rio de Janeiro para o presídio federal de Catanduvas (PR). Também à noite, a Justiça decretou a prisão de três advogados do traficante Marcinho VP e a Polícia Civil anunciou a prisão de sua mulher por lavagem de


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