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domingo, 28 de março de 2010

Você faria tudo de novo?


Francenildo, o caseiro. Foto: Orlando Brito

A pergunta do título acima foi feita a quatro cidadãos brasileiros comuns que fizeram denúncias contra políticos poderosos ou órgãos públicos suspeitos de corrupção.

Anos após o ato, eles relatam as pressões e ameaças que sofreram em consequência das atitudes. Falam dos momentos de fama e do posterior esquecimento.

Dois deles, funcionários públicos, sofreram perseguições, enfrentaram sindicâncias, viram as famílias abaladas, até chegaram ao estado de profunda depressão.

Os mais conhecidos são Francenildo Costa, o caseiro do Palocci, e Eriberto França, que prestou depoimento fundamental para o impeachment de Collor. “Eu não faria de novo”, responde Eriberto, hoje desiludido com os políticos.

“Eu faria”, afirma Francenildo (foto acima), que cursa segundo grau e se prepara para uma nova profissão. Um dos servidores assegura que faria de novo. O outro não quis nem aparecer na reportagem. “Por favor, me desculpe, mas tenho medo”, disse ele.

Um quinto personagem não pôde responder a pergunta. Nem ouvi-la. Foi morto com dezenas de facadas seis meses após denunciar um esquema de corrução em prefeituras do Maranhão, com verbas de emendas parlamentares.

Dois meses após fazer a denúncia, que não deu em nada, ele avisou: “Estou marcado para morrer”. Estava mesmo.

Os quatro cidadãos entrevistados reagiram de forma diferente à pressão que sofreram. Alguns mantiveram a tranquilidade, mas outros sucumbiram às ameaças, entraram em depressão e permaneceram meses sob medicação e tratamento psiquiátrico.

Todos repetem que fizeram a coisa certa, mas alguns dizem que fariam diferente em outra oportunidade, ou não fariam mais. “Rapaz, eu sou um cara que não volta atrás. Não faria nada diferente, mas procuraria fazer melhor. Porque ficou a minha palavra contra a dele (Antônio Palocci, ex-ministro de Lula). Faria igual a esse cidadão, o Durval (Barbosa, que denunciou o mensalão do DEM no DF). Teria gravado tudo”, afirma o caseiro Francenildo.

Ele avalia que a sua história teve “o lado bom e o lado ruim”. “O lado bom porque eu fiz uma coisa certa. Mas eu sabia que a coisa ia pesar. Mas tem gente boa aqui em Brasília também.”

A vida pessoal de Francenildo não mudou muito. “Trabalho na mesma coisa que eu fazia. Sou caseiro, mas agora ganho por dia. Estou puxando salário mínimo. E vou tocando os estudos para ver se sou alguém na vida.” Hoje com 29 anos, ele conta que passou dos 7 aos 14 anos ouvindo a mãe mandando: “Filho, estuda, estuda”. “Agora, eu sei que ela estava certa”, reconhece.

Já está cursando o segundo ano do segundo grau. Não se mostra incomodado nem surpreso com a absolvição de Palocci no Supremo Tribunal Federal (STF). “Isso eu já esperava, mas, para mim, a vitória foi minha. Um caseiro, analfabeto, vai lá no STF e ganha quatro votos. Bom demais! Eu sou um vitorioso.”

Ele também aguarda o julgamento das ações que ingressou contra o Caixa Econômica Federal e contra uma revista semanal por danos morais. O valor solicitado é de R$ 30 milhões.

O servidor Alexandre Amaral denunciou desvio (1)de recursos e desmandos administrativos que teriam sido praticados pela diretoria do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), onde trabalhava.

Os diretores passavam o fim de semana em casa com passagens pagas pelos cofres públicos, por exemplo. Após a publicação da denúncia, no Correio, em novembro de 2004, a direção do CNPq abriu sindicância para apurar não a denúncia, mas a autoria do vazamento das informações.

“Respondi a três comissões de sindicância e a dois processos administrativos disciplinares. Resultado: duas advertências”, relata Amaral, que hoje está cedido ao Ministério Público Federal. Ele também respondeu a uma ação por suposto dano moral, mas foi absolvido em primeira instância.

O servidor lembra que se julgava preparado para enfrentar as prováveis retaliações: “Mas eu não estava, ninguém está. É um jogo muito pesado. Eles mentiam, até diante de uma juíza federal. Diziam que eu era louco, desequilibrado. Eu chorei muitas vezes, na sindicância e na Justiça. Depois, entrei em depressão, fiquei dois anos afastado do serviço, em tratamento médico”.

O apoio dos colegas não veio: “De fato, fiquei sozinho. Mas estar isolado não quer dizer estar errado”.

O que Amaral mais lamenta é que os processos dos órgãos federais de investigação e de controle não andaram. “O inquérito da PF está no sétimo delegado. As tomadas de contas engatinham no Tribunal de Contas da União (TCU). Contra os corruptos, tudo anda a passos de tartaruga paraplégica.” Mas de uma coisa ele tem certeza: “Faria tudo de novo”.

Com uma ressalva: “Eu usaria ternos da polícia secreta israelense, com câmeras escondidas. Teria gravado as ameaças que me fizeram a portas fechadas”.

Um servidor que fez denúncias contra o próprio órgão público em que trabalhava falou ao Correio, mas não quis ser identificado.

“Não tenho vergonha de dizer: tenho medo de aparecer e perder o pouco de vida que consegui reconstruir. Apenas para ilustrar um pouco do inferno pelo qual passamos, após as denúncias, fiquei desempregado, me desfiz de diversos bens para manter o mínimo possível para nossa subsistência. Todos os que antes se diziam meus amigos me abandonaram. Passei e ainda passo por tratamento médico e só agora estou conseguindo estabilizar minha vida”, relatou o servidor.

Questionado se faria tudo de novo, respondeu: “Não faria como foi feito (ele passou informações para o Ministério Público e foi identificado). Bastava que eu tivesse colocado os documentos e informações espalhados na mídia sem me identificar. O efeito seria o mesmo, ou seja, não daria em nada no final das contas”.

Ele se mostra desiludido com os poderes públicos. “Na época, acreditava que o país precisava saber que existem pessoas comuns que querem lutar contra a impunidade, a corrupção, mas não temos mais em quem confiar. A corrupção é uma característica de todo o poder público.”

Ele afirma que esse tipo de experiência é única: “A partir do momento em que você se lança em uma aventura destas, de alguma forma você se mata ou é morto”.

Esquecimento e desilusão

O esquecimento incomoda, a falta de reconhecimento machuca. Eriberto França fala com amargura de tudo o que viveu depois de ter prestado o depoimento que derrubou o ex-presidente Fernando Collor, em 1992.

Após 18 anos, a certeza de que nada mudou, apesar do sacrifício pessoal, leva o motorista a responder com convicção quando questionado se faria tudo de novo: “Não faria. Quem quiser acreditar em história de políticos bonzinhos e honestos, acredite. Fiz meu dever de cidadão. Fiz tudo isso e está tudo do mesmo jeito.”

Hoje com 47 anos, grisalho, olhar firme, ele responde sem vacilar a qualquer pergunta. Mantém a simplicidade do cidadão comum que foi um dos principais atores do maior escândalo político após a redemocratização.

Quando relata as tentativas de falar com integrantes da cúpula do governo petista, as palavras são de revolta: “Será que eles têm medo do Eriberto porque sou honesto? Quero ver passarem o sufoco que passei. Um cidadão simples, para enfrentar o que eu passei, com coragem e dignidade. Os amigos me dizem: ‘Não era para você estar esquecido’. Mas estou”.

Diz que, no governo petista, houve “falta de reconhecimento, porque tenho uma parcela nisso. Pode ser um grão de areia, mas ajudei”.

A expressão fechada se desfaz quando ele fala dos momentos de glória, quando percorria o país recebendo homenagens. O que incomodava era a proteção dos agentes federais. “Às vezes, pisava em metralhadora dentro do carro. Para tomar uma cervejinha, tinha que despistar os caras.”

Quando pediu demissão da Radiobrás (atual EBC), logo após prestar depoimento na CPI do PC, em julho de 1992, ficou desempregado. Partiu, então, para a iniciativa privada. Vendia nas ruas de Brasília toalhas bordadas que comprava em Ibitinga (SP). Mas levou “cano” e desistiu.

Passou por apertos até conseguir um emprego no Ministério dos Transportes em 1995, na gestão do ministro Odacir Klein (PMDB). Ficou lá por todo o governo Fernando Henrique.

Foi sondado por vários partidos para ingressar na política, mas rejeitou. “Não dá certo. Eu entro no esquema dos caras ou vou morrer cedo. Tem que fazer o jogo dos caras”.

Para sua surpresa, foi demitido logo após a posse do ministro Anderson Adauto, no início do governo Lula. “Aquele ministro, investigado por corrupção, exonerou eu e minha esposa”. Ele reconhece que, logo após a sua demissão, foi recontratado pela Radiobrás, com a ajuda do senador Aloisio Mercadante (PT-SP).

Eriberto procura deixar claro que não planejou nada do que ocorreu na época. “Não procurei ninguém. Fui procurado pela IstoÉ no Cruzeiro, onde morava. Depois, fui convocado para testemunhar (na CPI do PC). Fui lá para falar a verdade, que eu não podia esconder”.

Ele começou a trabalhar para Collor na campanha, contratado por uma locadora de veículos. “Eu era um boy de luxo. Fazia saques e depósitos. Transportava valores. Faziam até depósito em meu nome para eu sacar”, lembra. Ele contou tudo na CPI e mostrou o caminho que levou aos “fantasmas” de Collor. Foi o ponto de partida para a queda do presidente. “Espero não passar mais isso na minha vida.



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26/10/2008 free counters

Nardoni: um julgamento e um linchamento


O que me impressionou realmente nesse julgamento do caso Nardoni foi a existência de, digamos, dois juízos.

Um se realizava lá dentro e desse eu não entendo bulhufas.

O segundo, e mais impressionante, andou pela televisão, e diz respeito ao lumpesinato que ficou na porta do tribunal, ora aplaudindo o promotor, ora agredindo o defensor, ou ainda xingando os réus etc.

Uma coisa meio circense, não há dúvida, mas muito sintomática da exasperação das pessoas e do tipo de percepção que se tem da Justiça.

Em poucas palavras: o que se pensa é que não há justiça. Ponto.

Não há como dizer que estejam muito errados, nesse particular.

Ao mesmo tempo, não era justiça que pediam, era vingança. Ou seja, aparência de justiça.

Não se tratava de julgar os réus, mas de condená-los.

O linchamento é um pouco isso. Está no "Fúria" do Fritz Lang.

À custa de instituições que não funcionam, que são cheias de desequilíbrios, à custa de exasperação, acabamos virando um povo de linchadores.

E o linchamento é a massa solta com toda irracionalidade solta.

O que significa, hoje em dia, uma massa que cultua as aparências, a epiderme, aquilo que aparece na TV.

Um que seria linchado, se pudessem: o matemático russo que resolveu a Hipótese Poincaré e nem por isso mostrou a cara, não foi receber seu milhão, mandou todo mundo plantar batata, não aceitou empregão. Esse foge ao padrão. Total.

Por Inácio Araujo


Inácio Araújo é crítico de cinema do jornal Folha de S.Paulo, autor de dois livros sobre o assunto: "Hitchcock, o Mestre do Medo" e "Cinema, o Mundo em Movimento". É escritor, autor do romance "Casa de Meninas" (prêmio APCA de autor revelação, 1987, em 2a. ed. pela Imprensa Oficial do Estado/SP), do romance juvenil "Uma Chance na Vida".

Entre os anos 1970 e 1980, foi montador, roteirista e assistente de direção e montagem em diversas produções. Escreveu, montou e dirigiu "Aula de Sanfona", episódio do filme "As Safadas" (1982).



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26/10/2008 free counters

Sarney vai passar por cirurgia nesta terça-feira em São Paulo

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), vai passar por uma cirurgia para retirar um sinal no lábio superior --espécie de tumor benigno-- na próxima terça-feira (30) em São Paulo. O parlamentar vai completar 80 anos no dia 24 de abril.

A informação foi confirmada pelo filho do senador, José Sarney Filho, o Zequinha Sarney, neste domingo. Segundo ele, o presidente do Senado já está na capital paulista e escolheu a data para poder se recuperar durante o feriado da Semana Santa.

"Acho que é uma cirurgia bem simples. Na segunda-feira (5) ele deve voltar a trabalhar", afirmou Zequinha. A assessoria de imprensa do Hospital Sírio-Libanês, provável local da cirurgia, não confirmou o agendamento da operação do senador.

Zequinha não informou desde quando o senador sabe do problema no lábio superior nem se a cirurgia exigiria a remoção do bigode de Sarney.





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26/10/2008 free counters

Após condenação, defesa do casal Nardoni pedirá novo julgamento



ALITA BEDINELLI
ESTÊVÃO BERTONI
da Folha de S.Paulo

A defesa de Alexandre Nardoni, 31, e Anna Carolina Jatobá, 26, vai pedir que seus clientes sejam julgados novamente.


A solicitação vai se basear em lei, em vigor na época do crime, que previa novo júri popular automático em casos de condenações iguais ou superiores a 20 anos de detenção. A nova legislação cancelou essa possibilidade cinco meses após a morte da menina, ocorrida na noite de 29 de março de 2008.




A sentença do casal foi proferida pouco depois da meia-noite de ontem. Ao chegar ao quarto voto pela condenação, o juiz deixou de ler os três demais.

Ela foi condenada a 26 anos e 8 meses de prisão, acusada de ter esganado Isabella. Ele pegou 31 anos e um mês por, segundo a Promotoria, ter jogado a própria filha, ainda viva, pela janela do sexto andar do prédio. A defesa informou ao juiz que recorrerá. O casal diz ser inocente.

De acordo com Roselle Soglio, advogada dos réus, no decorrer desta semana a defesa apresentará por escrito um recurso ao juiz Maurício Fossen pedindo o novo júri automático. "O crime foi cometido antes da mudança do Código Penal e eles têm esse direito", disse.
Segundo ela, já há casos no Tribunal de Justiça de SP de julgamentos recentes refeitos com base na antiga legislação.

O advogado criminalista Romualdo Sanches Calvo Filho, presidente da Academia Paulista de Direito Criminal e autor do livro "Manual Prático do Júri", concorda com a defesa. "A lei mais benéfica da época do crime é a que deve ser aplicada, ainda que o júri ocorra depois."

Para o advogado e professor da Faap Sergei Cobra, porém, o direito de novo júri automático é uma questão ainda em aberto e depende de interpretação do juiz. De qualquer forma, independentemente da alteração da lei, ele diz que o casal pode pedir novo julgamento. "A apelação também pode dar essa oportunidade aos réus, se achar que a decisão foi contrária às provas."

O promotor Francisco Cembranelli, que conduziu a acusação, não foi encontrado.

Julgamento

O júri do casal durou cinco dias e reuniu centenas de pessoas na porta do Fórum de Santana (zona norte). A sentença foi transmitida ao vivo por um telão para a multidão, que comemorou com fogos de artifício -o blog da Folha Online sobre o júri (folha.com.br/100813) registrou pico de acessos (275 mil) naquela noite.

Durante todo o júri, Alexandre e Anna Jatobá esboçaram poucas reações, mas choraram antes do anúncio da pena.

Apesar de ter sido condenado a 31 anos de prisão, Alexandre, por lei, só poderá cumprir 30. Depois de permanecer dois quintos da pena em reclusão, o casal tem direito ao benefício da progressão penal, podendo solicitar o regime semiaberto. Para isso, Alexandre tem que cumprir pelo menos 12 anos de prisão em regime fechado e Anna Carolina, ao menos dez anos de detenção.

Como ambos já estavam presos, terão descontados dois anos desse tempo.




Manifestantes colocam cartazes em frente ao fórum de Santana, onde  ocorre o júri do casal Nardoni
Manifestantes colocam cartazes em frente ao fórum de Santana, onde ocorre o júri do casal Nardoni



(VAI SER NO SAMBODROMO, NUM ESTADIO DE FUTEBOL OU LA NA AV PAULISTA???)
( QUERO SABER SE ALGUEM QUE REALMENTE LEVE ESSE JULGAMENTO A SÉRIO, VAI DEIXAR ESSE CIRCO, ESSA PALHAÇADA DE MANIFESTÇÃO PUBLICA, PARA QUE OS JURADOS SE SINTAM INTIMIDADOS, PRESSIONADOS, SIM , QUALQUER AMEBA QUE TENHA UM MINIMO DE Q.I. VAI FICAR ATERRORIZADO COM OS GRITOS, COM BADERNA, DURANTE DIAS E AINDA CONFINADOS FEITO LIXO, CLARO QUE ESSES JURADOS SE SENTIRAM ACUADOS , AMENDRONTADOS, ATERRORIZADOS PELA MULTIDÃO DE DESOCUPADOS, FRUSTADOS COM A PROPRIA VIDA, QUE ACHARAM UMA VALVULA DE ESCAPE PARA A MERDA DE VIDA QUE LEVAM, QUEM COM PINGO DE SAÚDE MENTAL IRIA ASSITIR A ISSO, NÃO ME REFIRO AOS REALMENTE INTERESSADOS, COMO FAMILIARES, ESTUDANTES, IMPRENSA..., QUE TIPO DE PESSOA SE PRESTA A ESSA IRA MANIPULADA, FABRICADA?
DUVIDO QUE O PROMOTOR JÁ ESTAVA CONTANDO COM ESSE ESPETACULO ABSURDO, ESSA BARBARIDADE PRÉ HISTORICA! ACREDITO QUE UM PROFISSIONAL SERIO E COMPROMETIDO COM A JUSTIÇA E A VERDADE ESTARIA DESFENDENDO A VITIMA, ISABELLA, NÃO O QUE É CONVENIENTE A SEI LÁ QUEM E A POPULAÇÃO, ACHO TUDO ANTI ÈTICO, SEM SERIEDADE E SEM RESPEITO COM A VERDADE!
QUE ASSISTIMOS ALI, FOI A VINGANÇA DE UM MULHER QUE ENGRAVIDA E É DESCARTADA POR UM HOMEM , QUE CASA COM OUTRA, TEM FILHOS COM OUTRA E A PROPRIA FILHA GOSTA MUITO DOS IRMÃOS E DA RIVAL , QUE ALIAS CUIDAVA DA MENINA VARIAS VEZES. VIMOS A VAIDADE DE MUITOS DANDO ENTREVISTAS E ETC...
QUANTO OPORTUNISMO EM CIMA DA MORTE DE UMA CRIANÇA !
NESSE CASO NÃO SE BUSCOU A VERDADE, CROU-SE, FABRICOU-SE UMA VERDADE QUEFOI REPETIDA "N" VEZES EM ENTREVISTAS APARIÇOES EM TV E ETC... FO UM MARKETING MARTELADO NA CABEÇA DE PESSOAS QUE TEM PREGUIÇA DE PENSAR DE QUESTIONAR E COMPROU A IDÉIA!)



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26/10/2008 free counters

Os equívocos que matam novamente Isabella



12/04/2008


Por: HELDER CALDEIRA - Estudante de Direito


O que faz o assassinato da menina paulistana, Isabella de Oliveira Nardoni, ganhar tamanha projeção (e comoção) no cenário nacional? Em um país onde a mortalidade infantil ainda é alta e que crianças assassinadas são cenas comuns (e não menos chocantes)..


O que faz o assassinato da menina paulistana, Isabella de Oliveira Nardoni, ganhar tamanha projeção (e comoção) no cenário nacional? Em um país onde a mortalidade infantil ainda é alta e que crianças assassinadas são cenas comuns (e não menos chocantes) do cotidiano das cidades brasileiras, qual é a “pedra de toque” que faz de Isabella e seu trágico destino um verdadeiro folhetim policial e com impressionante apelo popular? Será que a pergunta real “quem matou Isabella?” irá eternizar-se como as novelescas “quem matou Odete Roitman?” ou “quem matou Taís?”?

Em meio à totalidade das machetes dos principais jornais de grande circulação do país e da disputa entre emissoras de TV pela audiência (umas com extremo sensacionalismo; outras com certa cautela), uma pessoa já tornou-se o grande protagonista dessa tragédia urbana: o promotor Francisco Cembranelli. Desde os primeiros momentos do caso, Dr. Cembranelli já mostrou a que veio: quer ser o mais novo galã da TV brasileira! Na sede de tornar-se mocinho e o mais novo “herói nacional”, o promotor tratou criar os antagonistas e desenhá-los como os grandes vilões e, assim, deu-se o início da nova novela “ecumênica” e de grande audiência no Brasil.

No entanto, uma pergunta começa tornar-se maior que a própria “novela” criada: o promotor Francisco Cembranelli é um herói ou quer apenas aparecer e valorizar seu “cachê”? A segunda opção, apesar de ser a menos óbvia, é a que mais se aproxima da verdade e coloca em xeque a credibilidade e a decência do Poder Judiciário e da Polícia de São Paulo. Incauto e midiático, Cembranelli comprometeu (e continua a fazê-lo) toda a estrutura central das investigações e está servindo de névoa para ocultar os grandes e sucessivos equívocos da Polícia no Caso Isabella Nardoni.

No olho do furacão, o pai da menina, Alexandre Nardoni, mais parece o mordomo das célebres obras de Agatha Christie: sempre o principal suspeito, todas as pistas levam a ele e, mesmo com todos os destacados bons antecedentes, já ganhou o cartaz de “monstro” e pode ter de carregar o rótulo pelo resto de sua vida. Já a jovem Anna Carolina Jatobá tornou-se a encarnação viva das grandes madrastas da ficção, a revelação de todos os nossos medos infantis quando o assunto é a “stepmother” da Branca de Neve ou da Bela Adormecida.

Culpar (e condenar, por pré-conceitos) o casal Alexandre e Anna Carolina é a prova final de que o Poder Judiciário e a Polícia de São Paulo são muito mais frágeis que a própria vítima, a pequena Isabella. Ambos comentem erros grotescos e, ao lado do promotor Francisco Cembranelli, devem ser responsabilizados, sob todos os aspectos, caso a integridade física do casal seja violada de alguma forma por um cidadão, levado pela irresponsabilidade desses Poderes instituídos e pelo absurdo sensacionalismo de alguns meios de comunicação, muito mais preocupados em alavancar suas audiências e faturar alguns milhões do que realmente prestar um serviço digno à população.

Para se ter uma idéia, uma apresentadora de programa de TV vespertino, sentiu-se agredida com o fato de o Departamento Policial ter criado um esquema especial para retirar Alexandre Nardoni do prédio onde estava preso, após a sábia decisão do Desembargador Caio Eduardo Canguçu de Almeida de acatar o pedido de Habeas Corpus. Para a apresentadora, a “encenação” foi absurda e “colocar tantos carros de polícia à disposição da situação é uma afronta numa cidade violenta como São Paulo, que precisa desses carros na rua, no combate à criminalidade”. No mínimo, a apresentadora vibraria mais se Alexandre fosse agredido pela grande massa que cercava a Delegacia e as cenas a fizessem ganhar mais dinheiro com a elevação de sua audiência e o “merchandising” infinito que assola seu programa. Ela é apenas mais uma que antecipa-se em condenar Alexandre e Anna Carolina pelo assassinato de Isabella.

Por falar em antecipação, o que são as declarações do Dr. Francisco Cembranelli? Logo nas primeiras horas do Caso, o promotor do Ministério Público Estadual de São Paulo tratou de colocar os pais de Isabella no centro das investigações. Repete sua imprudência agora, quando ambos receberam o Habeas Corpus, insistindo em classificá-los como assassinos e dizendo que a Polícia já tem provas reais que ligam as agressões físicas sofridas por Isabella ao casal Alexandre e Anna Carolina. Cembranelli, com essa última declaração, questiona e coloca em dúvida a capacidade e a seriedade do Desembargador Canguçu, que afirmou estar concedendo o Habeas Corpus devido ao fato de a Polícia não dispor de provas que incriminem o pai e a madrasta e de os mesmos terem sido submetidos à constrangimentos ilegais. Ou seja, será que um renomado Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo foi incapaz de visualizar as ditas provas que o promotor diz ter ou está “levando uma grana por fora” para expedir a soltura do casal? Na verdade, mais parece é que o Dr. Cembranelli anda assistindo demasiadamente as telenovelas.

Em meio à essa sucessão de absurdos, os equívocos cometidos pela Polícia de São Paulo passam ao largo de toda história e acabam não ganhando a dimensão que deveriam ter. Um exemplo é o fato de a equipe que chegou ao local do crime, não ter isolado imediatamente todas as imediações e feito uma varredura milimétrica em todo prédio, inclusive nos apartamentos, mesmo nos vazios. O tenente responsável pela operação primeiro afirmou ter vistoriado todos e, depois das declarações do advogado Antônio Nardoni, avô da vítima, se auto-desmentiu e revelou que não teve acesso à algumas unidades. Da mesma forma, após um “disse-que-disse”, a Polícia não se presta a investigar a denúncia de que o prédio ao lado fora arrombado na noite do crime. O pedreiro responsável pelas obras primeiro afirmou que houve o arrombamento, e, após comparecer à delegacia para depoimento, disse que não houve nada. Alguns dias após, volta a dizer que houve arrombamento.

Aliás, desse prédio é possível ter acesso com grande facilidade ao Edifício London, local do crime, através da churrasqueira, localizada na área de lazer e em um “ponto-cego” às câmeras de segurança. A imprensa já divulgou imagem de pegadas no telhado da churrasqueira e já está confirmado o fato de que a cerca elétrica estava desligada na noite do crime. Apesar disso, a Polícia insiste em não investigar mais a miúde essa hipótese, afinal, fazê-lo seria um “mea culpa” de que não estão realizando um bom trabalho desde o início das investigações (nada) sigilosas. Enquanto isso, a delegada Renata Pontes, responsável pelo caso, inspira-se na matemática para elaborar percentuais que margeiam a comicidade. Há alguns dias afirmou que tinham 70% da cena do crime revelada; atualmente é categórica ao dizer que tem 99% do caso solucionado, mesmo sem os resultados técnicos das perícias.

Partindo dessa tosca matemática da delegada, nós, da classe dos cidadãos comuns, podemos chegar a apenas três conclusões: ou a delegada é mais uma a antecipar-se no pré-julgamento de Alexandre e Anna Carolina como assassinos (até por ser mais prático, mostrar uma falsa eficiência e ocultar os grandes erros de sua equipe); ou a delegada já sabe que o crime foi cometido por uma terceira pessoa e tem provas disso, tais que levaram o Desembargador Canguçu a conceder o Habeas Corpus; ou, ainda, o empenho no sigilo do caso é tanto, que essas provas que apontam os 99% de solução da delegada foram ocultadas até mesmo do Desembargador e, ironicamente, só são repassadas à imprensa!

O “grand finale” dessa epopéia pode ser cruel. Com a forte pressão da imprensa e o apelo popular pela imediata conclusão do caso, a Polícia de São Paulo pode sentir-se obrigada a encontrar um “bode expiatório” para chamar de assassino. Para o bem e para o mal. Nesse fim incrédulo, Alexandre e Anna Carolina podem terminar atrás das grades, independente da real culpabilidade que carregam. Outrossim, um “bobão” qualquer pode ser acusado do crime e ser levado aos tribunais sem tê-lo cometido, apenas para saciar a sede de solução da população e da imprensa, chocados e tontos com os rodopios desse caso.

A escritora Agatha Christie sempre dizia em suas entrevistas que seus livros que fizeram mais sucesso, guardavam para o final o grande assassinato. O leitor perde-se nos mistérios de quem foi o assassino e qual o motivo que o levara ao crime e, nas últimas páginas, é derrubado com o verdadeiro assassinato que moveu a autora a conceber sua obra. Assim é neste caso da vida real: com seus esdrúxulos equívocos, a Polícia de São Paulo e o promotor Francisco Cembranelli matam novamente a pequena Isabella Nardoni. Na verdade, são eles os grandes assassinos: da verdade, da cautela, da responsabilidade, da credibilidade e da segurança. E o fazem com requintes de crueldade.




Comunidade  Justiça para Isabella Oliveira www.orkut.com.br Programa Fantástico-  Rede Globo de Televisão- 27/09/2009- Nova teoria sobre o caso: acidente.  Imagens internas do apartamento. Declarações do promotor Dr.  Cembranelli e do advogado de defesa, Dr. Podval JIO- ISABELLA...













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