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domingo, 17 de fevereiro de 2008

Os Maias - Disco 3




Maria Eduarda... Era a primeira vez que Carlos ouvia o nome dela. Maria Eduarda... Carlos Eduardo... Havia uma similitude nos seus nomes. Quem sabe se não pressagiava a concordância dos seus destinos? E Carlos sentiu, sem saber por quê, uma doçura nova penetrar-lhe o coração.

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26/10/2008 free counters

Os Maias - Disco 1




Não tardou que se falasse em toda Lisboa da paixão de Pedro da Maia pela negreira. Ele a namorou à antiga, plantado a uma esquina, os olhos cravados na janela dela. Paralizado de êxtase.

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26/10/2008 free counters

Luxo fora de série, Os Maias

Globo investe um caminhão de dinheiro
para adaptar o romance Os Maias,
de Eça de Queiroz

Marcelo Marthe



Ana Paula e Betti: dose extra de melodrama para seduzir o público


Um folhetim que fala de decadência moral e incesto abre a temporada de estréias da Rede Globo em 2001. No ar a partir desta terça-feira, às 22 horas, a série Os Maias traz Ana Paula Arosio e Fábio Assunção na pele de dois irmãos que vivem um trágico caso de amor na Portugal do século XIX. Adaptado do romance homônimo de Eça de Queiroz (1845-1900), o programa reproduz em minúcias o ambiente aristocrático descrito pelo mestre realista português. Nunca se viu tanto esmero em uma produção de época da emissora carioca. Em parceria com a rede lusitana SIC, da qual é acionista, a Globo enviou a Portugal uma equipe de setenta pessoas, além de um enorme aparato de produção. Só de figurinos, levou 3 toneladas. Durante seis semanas, entre outubro e novembro do ano passado, foram filmadas cenas em palácios e nas ruas de várias localidades. Na cidade medieval de Óbidos, gravou-se uma procissão com 250 figurantes e, em Lisboa, uma seqüência de tourada teve a participação de 1.000 pessoas. Umonado de 1788 foi alugado e teve sua fachada restaurada para ser o Ramalhete, a célebre mansão da família Maia. Nas próximas semanas, haverá uma segunda rodada de gravações na Europa. No Rio de Janeiro, a emissora gastou 1 milhão de reais em aluguel de mobília antiga, para recriar os interiores dos salões lusitanos em estúdio. O orçamento total bate na casa dos 11 milhões de reais.

Lançado em 1888, Os Maias é considerado a pedra angular na obra de Eça de Queiroz, um dos maiores escritores de seu país, que soube como ninguém aliar a crítica social a uma ironia cortante, muitas vezes próxima do sarcasmo. O romance está para a literatura portuguesa assim como o clássico Dom Casmurro, de Machado de Assis, para a brasileira (veja quadro). A idéia de transformá-lo numa série é antiga, e sua estréia é a chance de a Globo redimir-se do fiasco de audiência da insossa Aquarela do Brasil. O sucesso de O Primo Basílio, doze anos atrás, demonstrou que os livros do autor, com suas tramas repletas de intrigas e descrições ricas, são um prato cheio para adaptações. "O Eça é o nosso diretor de arte. Tudo está no livro", afirma o diretor da série, Luiz Fernando Carvalho. As "receitas" do autor foram seguidas desde os penteados até as tapeçarias.


Foto: Assunção, com Selton Mello: externas em Portugal

Tanto a produção quanto o elenco de 52 atores tiveram de assistir a palestras com especialistas na obra de Eça. A autora da adaptação, Maria Adelaide Amaral, tomou várias liberdades para tornar a trama mais palatável ao espectador. Entre outras providências, acentuou os elementos melodramáticos do enredo, por crer que essa é a chave para seduzir o público. Por exemplo: a paixão de Carlos da Maia (Assunção) e Maria Eduarda (Ana Paula), às costas do marido dela (Paulo Betti), ganhou cores ainda mais fortes. Além disso, a autora enxertou na série vários personagens de outros livros de Eça. Para criar um núcleo cômico pastelão, colocou em cena Teodorico (Matheus Nachtergaele), o malandro que posa de beato para enganar a tia em A Relíquia. Também surge Artur Corvelo (Rodrigo Penna), de A Capital. Essas liberdades despertaram a desconfiança dos estudiosos da obra do escritor, conhecidos como "queirozianos". "Já existe humor bastante em Os Maias, ainda que seja um humor sutil", critica a professora de literatura Isabel Pires de Lima, da Universidade do Porto, uma das palestrantes contratadas pela Globo. "Nós, queirozianos, estamos reticentes, pois achamos que os personagens extras eram desnecessários." Mas há argumentos a favor de Maria Adelaide. Numa adaptação da obra para teatro, Eça em pessoa modificou inúmeros detalhes de Os Maias. Além disso, à moda do francês Balzac, ele chegou a projetar uma série romanesca chamada Cenas da Vida Portuguesa, em que personagens de um livro migrariam para outro. "Não inventei nada, mas sei que não escaparei da fogueira dos fundamentalistas", conforma-se Maria Adelaide.



O português bom de tela



Reprodução/Álbum das Glórias



Eça: melhor sorte que Machado nas versões televisivas


Num texto de 1878, Machado de Assis registrou suas diferenças em relação a Eça de Queiroz. Inquietava ao brasileiro "o realismo sem condescendência" de seu colega português. Esse realismo teria duas faces: o despudor no tratamento dos "ardores físicos" e o acúmulo de descrições. Machado assustava-se com o erotismo de certas passagens, enojava-se com personagens que cuspiam e reclamava do detalhismo de Eça na criação de cenários. Embora ainda estivesse a três anos de publicar Memórias Póstumas de Brás Cubas, primeiro livro de sua fase áurea, Machado já indicava suas preferências: o ambíguo, em vez do explícito, e o psicológico, no lugar do físico.

Essas preferências ajudam a entender por que, nas telas, Machado tem ficado atrás de Eça. Nos últimos anos, diretores brasileiros descobriram o português. Em 1988, a Rede Globo fez uma ótima série a partir de O Primo Basílio. Há três anos, foi a vez de Helvécio Ratton inspirar-se em Alves e Cia. para filmar o divertido Amor e Cia. Machado teve menos sorte. Por suas qualidades cômicas, a novela O Alienista até que rendeu adaptações curiosas, como a da Globo de 1993. Mas nenhuma de suas obras-primas, como Brás Cubas ou Dom Casmurro, teve o que merecia. O cineasta Júlio Bressane filmou o primeiro em 1985. Procurou traduzir a ironia de Machado em termos cinematográficos, mas não deu certo. "Eça é linear e visual, e tem uma veia cômica acentuada", diz o crítico português Carlos Reis. "Machado é mais preso à linguagem literária." A crítica Beatriz Berrini concorda. "Livros como Os Maias parecem trazer embutidas marcações para a filmagem", diz ela.

Fonte: Veja Online

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26/10/2008 free counters

Nação Crioula é relançado depois de dez anos

Ubiratan Brasil
da Agência Estado

A Gryphus relança o livro Nação Crioula do escritor angolano José Eduardo Agualusa. O livro, que homenageia o escritor português Eça de Queiroz, a partir da correspondência do português Carlo Fradique Mendes


17/02/2007 01:34
JOSÉ Eduardo Agualusa, escritor angolano, criou, no final do ano passado a editora Língua Geral/ FOTO DIVULGAÇÃO
JOSÉ Eduardo Agualusa, escritor angolano, criou, no final do ano passado a editora Língua Geral/ FOTO DIVULGAÇÃO

O livro Nação Crioula completa dez anos de publicação, para surpresa de seu próprio autor, o angolano José Eduardo Agualusa. "Nem dei conta de que já passou tanto tempo (é uma idéia um pouco assustadora)", comentou ele, em entrevista por e-mail. Sexto livro em uma carreira que já soma 15 volumes, o relançado Nação Crioula (Gryphus, 160 páginas, R$ 35) presta uma homenagem a Eça de Queiroz.

Trata-se da história de um amor secreto: a misteriosa ligação entre o aventureiro português Carlo Fradique Mendes - cuja correspondência Eça de Queiroz recolheu - e Ana Olímpia Vaz de Caminha, que, mesmo nascida escrava, tornou-se uma das pessoas mais ricas e influentes de Angola, no fim do século 19. Desenvolvido no formato epistolar (uma troca de cartas que envolve Ana Olímpia, Eça de Queiroz e outros personagens), o livro promove a mistura entre personalidades históricas do movimento abolicionista, escravos e escravocratas, além de lutadores de capoeira e pistoleiros, em uma luta mortal por um mundo novo.

Nascido em Huambo, Angola, em 1960, José Eduardo Agualusa é colaborador do jornal português Público desde a sua fundação: na revista dominical desse diário assina uma crônica quinzenal. Realiza o programa A Hora das Cigarras, sobre música e poesia africana, difundido aos domingos, na Antena 1 e RDP África.

Pergunta - Você é um admirador confesso de Eça de Queiroz e Nação Crioula tem como subtítulo A Correspondência Secreta de Fradique Mendes. Assim, é possível dizer que Queiroz é o ponto de partida para Nação Crioula? Como, de fato, surgiu esse livro?
José Eduardo Agualusa - O livro pretende ser uma homenagem a Eça de Queiroz, que foi quem me conduziu à literatura, isto é, foi a minha primeira grande paixão literária A idéia ocorreu-me numa ocasião em que, viajando pelo Nordeste do Brasil, comprei uma edição antiga d'A Correspondência de Fradique Mendes. Logo nas primeiras páginas, Eça explica ter conhecido Fradique Mendes depois de este ter regressado de uma prolongada viagem pela África Austral, mas não acrescenta nada sobre essa aventura. Na mesma época, eu andava muito entusiasmado com uma referência que encontrara, no diário de viagem de um médico inglês, a uma tal dona Anna Ubertali, que tendo chegado a Luanda como escrava veio a ser uma das pessoas mais ricas do país enquanto escravocrata. Juntei uma coisa à outra e deu a Nação Crioula.

Pergunta - A opção de uma escrita epistolar foi imediata? Ou surgiu depois de algum tempo? Isso tornou o trabalho mais difícil?
Agualusa - Agradou-me o desafio. Queria escrever um romance epistolar que, não obstante, fosse também um romance de ação. Claro que tornou tudo mais difícil, mas, por isso mesmo, muitíssimo mais interessante. A própria noção de tempo é diferente, porque o leitor tem a ilusão de que conhece tanto quanto o narrador - o breve tempo de uma carta. Para mim, cada novo romance é um desafio. Escrevo livros que, a princípio, me parecem impossíveis de ser escritos.

Pergunta - Fradique Mendes era essencial para o surgimento de Nação Crioula?
Agualusa - Não, essencial não era, mas vinha a calhar. Eu queria um olhar como o dele, de um europeu, carregado dos preconceitos próprios da época, mas ao mesmo tempo interessado no outro. O Fradique do Eça já é assim. O meu, evidentemente, é ainda mais aberto, quase um anacronismo.

Pergunta - O que lhe parecem as críticas que apontam o livro como uma defesa do colonialismo português?
Agualusa - Nunca ouvi essas críticas. Assim, não sei como se sustentam. Parece, à partida, uma completa imbecilidade. O livro não é apenas uma crítica ao sistema colonial, ou à escravatura - o que seria tão tolo quanto espancar um cadáver -, o livro pretende ser sobretudo uma crítica irônica à atual sociedade angolana, que em muitos aspectos é herdeira direta da sociedade escravocrata. Em Angola, muitos leitores reconheceram certos personagens e situações. O livro abriu uma polêmica sobre a questão da crioulidade e do seu alcance em Angola. A acusação que me fazem em Angola, isso sim, é a de defender um modelo crioulo para o país, o que também não corresponde à verdade. O que eu defendo é a existência de um segmento crioulo, de língua materna portuguesa, uma minoria muito expressiva de angolanos brancos, mestiços e negros, que têm o direito de exprimir a sua cultura, a par com todas as outras. Na época, esta posição era polêmica. Hoje é muito mais pacífica. O próprio presidente angolano, que aliás integra essa minoria crioula de língua portuguesa, produziu um importante discurso, no fim do ano passado, defendendo que a língua portuguesa deveria ser considerada língua nacional. Há dez anos isso seria algo impossível de defender publicamente - não obstante constituir-se uma evidência.

Pergunta - Esse tema, colonialismo, leva, aliás, a outros assuntos, como escravatura e, aproximando-se mais no tempo, a crueldades como as que se praticam nas guerras. Como você relaciona seu livro com essas questões?
Agualusa - Como lhe disse anteriormente, só é possível compreender o presente angolano compreendendo o passado. Tal como o Brasil, Angola mantém ainda muitas distorções que resultam diretamente do seu passado escravocrata.

Pergunta - Você tem dificuldade, por ser angolano, em tocar em questões de identidade nacional de seu país? O fato de ter vivido em Portugal e no Brasil lhe confere mais conforto para tratar desse assunto?
Agualusa - Essas questões estão no centro de todos os meus romances, como estão no centro de quase toda a moderna ficção africana. Isso é natural em literaturas que representam países jovens. Contudo, é preciso dizer que eu, como hoje a maioria dos jovens escritores africanos, reivindico o direito a me debruçar sobre qualquer território. Nós, africanos, reivindicamos o nosso direito à universalidade. Estive há poucos dias num encontro de escritores africanos, em Turim, na Itália, e esse foi o tom dominante. Por exemplo, Sami Tchak, do Togo, escreve romances ambientados em países da América Latina. Durante o encontro, ele manifestou a sua indignação pelo fato de lhe perguntarem por que um escritor africano escreve sobre a América Latina: "Um escritor europeu pode escrever sobre qualquer território - por que não um escritor africano?" Tem toda a razão. Há nisso uma forma encoberta de racismo - os europeus querem o mundo para eles, mantendo-nos a nós na senzala A um escritor europeu que escreva um romance sobre Angola elogia-se a capacidade de abertura em relação ao outro; mas se um escritor africano ou sul-americano decide escrever um romance sobre, eu sei lá, Maquiavel, logo aparece alguém a acusá-lo de alienado.

Pergunta - Comente, por favor, sobre a importância do humor em Nação Crioula.
Agualusa - Em toda a moderna literatura angolana, você vai encontrar o riso, vai encontrar a ironia, e creio que isso reflete a própria sociedade. Se existe algum traço comum ao caráter dos angolanos, é essa capacidade de troçar da própria desgraça e de fazer a festa mesmo em pleno luto.

Pergunta - O livro está para completar dez anos de publicação. Como o observa hoje, com essa distância temporal? Reescreveria algo?
Agualusa - Reescreveria, naturalmente. Aliás, tenho vontade de o reescrever. Só o não fiz até agora porque me encontro sempre com outros projetos novos nas mãos, e todos eles são muito interessantes.

Pergunta - Em qual livro está trabalhando agora? Pode adiantar um pouco da trama e o título, se já os definiu?
Agualusa - Estou a terminar um romance de viagens. A história de um músico angolano, Faustino Manso, que viveu em seis cidades da África Austral, desde Luanda, a capital de Angola, à Ilha de Moçambique, no norte de Moçambique. É um romance que mostra a África feliz, e festiva, a África que está a renascer depois de décadas de violência e má governança, e não obstante a terrível pandemia da aids. É um livro muito diferente dos anteriores, sobre música, magia, mulheres, a condição da mulher em África e mestiçagem. Estou a divertir-me muito. Acho que os leitores também se vão divertir. É uma viagem, este livro

Pergunta - Como você avalia a atuação da sua editora Língua Geral, primeira do País voltada exclusivamente a obras escritas em português, fundada no ano passado? Quais os próximos projetos? No que o público pode ter ajudado a apontar os caminhos da editora?
Agualusa - A Língua Geral ainda está em fase de afirmação. Creio que ganhamos a primeira aposta, a da visibilidade, num meio muito competitivo, graças sobretudo ao dinamismo e à alegria das minhas sócias, Fátima Otero e Conceição Lopes. Falta agora conseguir que os nossos livros cheguem a todos os seus leitores. Os próximos meses vão ser decisivos. Vamos lançar uma coletânea de contos sobre o carnaval outra de contos sobre homossexualismo, uma biografia de Amílcar Cabral, que foi uma espécie de Che Guevara, para melhor, muito melhor, africano e, mais para o meio do ano, alguns romances de novos autores portugueses, brasileiros e africanos. Acredito que alguns deles vão dar muito o que falar. Resumindo, estou entusiasmadíssimo. Além do mais, a Língua Geral dá-me um pretexto para passar mais tempo no Rio de Janeiro. E o Rio, apesar da violência, continua a ser a capital mundial da alegria Eu acredito que na mesma exata medida em que a mulher é o futuro do homem, como proclamou Aragon, também o brasileiro é o futuro da humanidade.


SERVIÇO
Nação Crioula. A Correspondência secreta de Fradique Mendes. De José Eduardo Agualusa. Editora Gryphus. R$ 35

Fonte: Jornal O Povo

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Meu Nome Não é Johnny (Selton Mello - Cléo Pires)



Trailers
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A história de João Guilherme Estrella, carismático carioca de classe média que se tornou o maior vendedor de drogas do Rio de Janeiro e depois lidou com o sistema carcerário do país. Com Selton Mello, Cléo Pires, Cássia Kiss, Júlia Lemmertz, Eva Todor e Ângelo Paes Leme

Ficha Técnica
Título Original: Meu Nome Não é Johnny
Gênero: Drama
Tempo de Duração:
Ano de Lançamento (Brasil): 2008
Site Oficial: www.meunomenaoejohnnyfilme.com.br
Estúdio: Atitude Produções / Sony Pictures Entertainment / Globo Filmes / TeleImage / Apema
Distribuição: Sony Pictures Entertainment / Downtown Filmes
Direção: Mauro Lima
Roteiro: Mariza Leão e Mauro Lima, baseado em livro de Guilherme Fiúza
Produção: Mariza Leão
Música: Fábio Mondego
Fotografia: Uli Burtin
Direção de Arte: Cláudio Amaral Peixoto
Figurino: Reka Koves
Edição: Marcelo Morae



Elenco
Selton Mello (João Guilherme Estrella)
Cléo Pires (Sofia)
Júlia Lemmertz (Mãe de João)
Rafaela Mandelli (Laura)
Eva Todor (D. Marly)
André di Biasi (Alex)
Giulio Lopes (Pai de João)
Cássia Kiss (Juíza)
Ângelo Paes Leme (Julinho)
Orã Figueiredo (Oswaldo)
Hossen Minussi (Wanderley)
Luís Miranda (Alcides)
Gillray Coutinho (Advogado)
Kiko Mascarenhas (Danilo)
Flávio Bauraqui (Charles)
Aramis Trindade (Taínha)
Neco Vila Lobos (Carlos)
Charly Braun (Felipe)
Felipe Martins (Fernando)
Roney Villela (Hércules)
Wendell Bendelack (Sininho)
Ivan de Almeida (Carcereiro)
Flávio Pardal (Boneco)
Rodrigo Amarante


Sinopse
João Guilherme Estrella (Selton Mello) nasceu em uma família de classe média do Rio de Janeiro. Filho de um diretor do extinto Banco Nacional, ele cresceu no Jardim Botânico e frequentou os melhores colégios, tendo amigos entre as famílias mais influentes da cidade. Carismático e popular, João viveu intensamente os anos 80 e 90. Neste período ele conheceu o universo das drogas, mesmo sem jamais pisar numa favela. Logo tornou-se o maior vendedor de drogas do Rio de Janeiro, sendo preso em 1995. A partir de então passou a frenquentar o cotidiano do sistema carcerário brasileiro.















Curiosidades
- O diretor Mauro Lima teve contato com Meu Nome Não é Johnny através da Columbia Pictures do Brasil, distribuidora pela qual estava lançando Tainá 2 - A Aventura Continua (2005). Ele soube que a produtora Mariza Leão estava à procura de um diretor para o filme e resolveu se candidatar ao cargo.

- Cléo Pires entrou nos sets de filmagens apenas 5 dias após concluir as gravações da novela "Cobras & Lagartos".

- As filmagens ocorreram nas cidades do Rio de Janeiro, de Barcelona e de Veneza.

- O orçamento de Meu Nome Não é Johnny foi de R$ 6 milhões.

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26/10/2008 free counters

CAPA DO JORNAL EXTRA DE HOJE



EU processaria "em efeito dominó" a Jovem Pan e outros jornais ( tem jornais de grande circulação por ex: O Estadão e outros, emissoras de tv e seus respectivos "programas" e apresentadores) e etc... que veicularam essa mentira toda sobre a familia , internação , enfim tudo o que não existe e não aconteceu !
Tem que pagar pela infamia, danos morais, danos materiais...
Não pode haver injustiça!

Obs :Só para lembrar aqueles ,que moram no Brasil, o caso em que uma escola infantil de São Paulo foi acusada de abuso sexual de crianças, causando grande repercussão, e a imprensa massacrou o casal com notícias sensacionalistas, e depois se comprovou que eram inocentes? Pois é, o casal ficou arruinado ( o que não é caso do Fábinho). Não tiveram mais condições de continuar com a escola ( que foi pichada e depredada) e tiveram que se mudar para o interior. Além dos danos financeiros e morais, houve problemas de saúde, por parte de um dos cônjuges.
Pois é!!!!!!!

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26/10/2008 free counters

sábado, 16 de fevereiro de 2008

MOVIMENTO PELA CRIAÇÃO DO ALERTA AMBER NO BRASIL.


ASSINE A PETIÇÃO:
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http://www.petitiononline.com/amber_br/petition.html
.

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26/10/2008 free counters

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Erotismo Queirosiano:

Erotismo Queirosiano: a construção
ideológica e simbólica no discurso não-ficcional


Ana Luísa Vilela
Universidade de Évora (Portugal)

1. Da vasta publicação não-ficcional de Eça de Queirós pode emergir, dialogando com a obra romanesca, a construção simbólica de um imaginário erótico. Essa construção é veiculada pela abordagem de uma série temática, de motivação fortemente afectiva, que pode constituir um conglomerado de motivos e uma enunciação de princípios valorativos que terão um elevado poder estruturante, tanto na ficção como no discurso não-ficcional.

Constituíram o material de análise os textos deliberadamente não ficcionais publicados na Imprensa, como as crónicas jornalísticas ou os prefácios, ou os textos não publicados pelo autor, como as cartas, recolhidas e publicadas sem a sua presença. Se a motivação jornalística é real em grande parte dos textos, o certo é que, na sua ampla diversidade, todos os textos analisados possuem uma mesma e singular condição de enunciação: a do lugar de mediação e interferência entre as instâncias disjuntas do homem e do autor, do escritor e do leitor. O registo não-ficcional queirosiano traduz, pois, nos seus diferentes modos, o fluente devir de uma subjectividade enunciativa, profunda e ostensivamente comprometida.

Assim, a fixação e encadeamento de uma simbólica do eros nestes textos, que actualizam as transformações figurativas e retóricas da subjectividade, poderá mostrá-los, igualmente, como uma reorganização sintagmática de estados de alma - a tradução movente da competência passional de um sujeito enunciador.

Também por isso, a análise destes textos integra uma geral indagação do processo queirosiano de enunciar o desejo.

2. Deste vasto conjunto textual, destacam-se, desde a década de 67, pela sua recorrência e global coerência, dois conjuntos temáticos cuja unicidade simbólica tentarei elucidar: a representação da figura feminina, caracterizada por uma saturação mítica e por uma central dissociação; e a representação da decadência, caracterizada pela perda de um sentido original, pela perturbação de uma ordem e pela aniquilação do vigor consciente. Ambos os conjuntos mantêm cingidas relações entre si e com a crítica literária e social; a desordem feminina e a decadência são as figuras em que, de forma sistemática, se encarna o investimento dos valores, quer estéticos, quer ideológicos.

A quase totalidade da produção não-ficcional de Eça de Queirós, no início da sua actividade literária, materializou-se na sua colaboração n’ O Distrito de Évora, jornal de que foi, entre Janeiro e Agosto de 1867, director e principal redactor. Da variada temática desta sua extensa colaboração avulta, e talvez predomine, o discurso do moralismo social, em que é insistente a referência reprobatória à prostituição e à obscenidade.

Integram a preocupação morigeradora três outros veios temáticos: a representação sarcástica das mulheres, a crítica à decadência literária e a rejeição da "vida moderna". De facto, este último constitui o tema englobante e como que explicativo, contextual. Assim, prevalece desde logo uma aguda consciência da decadência que caracteriza o tempo presente. A leitura de Cheiros de Paris, de Louis Veuillot (simultânea aliás à de Taine e à de Victor Hugo) é talvez o ponto de partida factual para a sistemática representação da actualidade cultural como uma época crepuscular e degenerescente.

Já presentes nesta época, a artificialidade da cultura urbana e o seu afastamento em relação à Natureza consubstanciam, neste momento, uma fusão curiosa de reflexões e leituras: o romantismo de Heine e Hugo, o áspero e apocalíptico catolicismo de Veuillot, o sentimento de indigenato e a aguda observação de Taine em Voyage en Italie. Será particularmente marcante a imagem de Paris, tipificação da vertiginosa e decadente cidade-civilização, à qual se opõe a doce, indolente e voluptuosa vida meridional. Assim, a representação de Lisboa recupera traços da vã agitação do Paris de Veuillot e traços da preguiça da Nápoles de Taine.

A crítica literária constitui outro domínio íntima e explicitamente associado ao moralismo social. Um mesmo quadro da decadência, de que a literatura é um dos mais efectivos sintomas, integra tanto a banal e amaneirada literatura romântica (CDE I:237) como a literatura "exclusivamente retórica" de Mallarmé, de Baudelaire, Leconte de l’Isle, Catulle Mendès.

O sexo mercantil, a emancipação feminina, a desagregação dos valores matrimoniais ("amor livre"), o rebuscamento formal e a consagração literária da paixão ilícita constituem pois, desde 1867, motivos da representação da decadência, integrando uma série simbólica caracterizada pela inversão e artificialidade: isto é, pela perda. Inquieto e ressentido, o discurso da perda processa duas noções básicas: a noção de que o curso da História está inflectido por uma falsificação, uma perversão irremediável; e a noção da aproximação assimptótica de uma catástrofe - que está sempre iminente, mas nunca mais chega: "Hoje em quase toda a Europa se dá o mesmo: na véspera de grandes factos sociais, de terríveis transformações, por toda a parte, na França, na Espanha, na Inglaterra, em Portugal, a literatura decai." (sublinhados meus)

Enquanto a desejada catástrofe não chega - e Eça encenou, por várias maneiras, a sua chegada - a representação do presente enquanto véspera da catástrofe caracteriza-se pelas figuras da estagnação e do torpor que, sempre de uma forma ou de outra associado à languidez e à lascívia, atravessando como um leit-motiv toda a ficção queirosiana, está no Distrito de Évora já plenamente configurada.

A reflexão sobre esse vazio interior abre de resto caminho à representação deliciada da influência do clima meridional - a qual, muito provavelmente, terá encontrado uma impressiva sugestão em Taine e nas suas descrições da indolência sensual dos lazzaroni napolitanos.

Finalmente, a representação queirosiana do erotismo integra ainda, neste período, associados a esta componente lírica e intimamente aliados a uma latente misoginia, dois outros campos de imagens: a representação idealizada da mulher e a apologia do amor natural. A sobrecarga simbólica da figura feminina acentua-se com a introdução, nos textos deste período, da fantasia erótica, inspirada quer pela mitologia germânica quer pela etnografia do Sul. Todo um sincretismo de figuras encantatórias e clandestinas incorpora subitamente a evocação saudosa de uma noite alentejana de S. João. São seres luminosos e etéreos, de beijos vampíricos, provocam encantamentos, delícias e mortes.

Fulcro da tematização de um universo decadente, o erotismo - de cuja essencial desordem são sinais a prostituição, os audaciosos costumes femininos, a literatura da paixão, a ociosidade, a voluptuosidade aérea e luminosa - invoca insidiosamente a catástrofe. Uma catástrofe perversamente desejada como um beijo mortífero.

Entre a abjecção da obscenidade e a sedução da fantasia, estrutura-se afinal, nestes textos do primeiro Eça, um discurso ideológico-erótico cujas raízes, profundamente afectivas, denunciam uma ambiguidade essencial: a ambiguidade constitutiva da figura feminina. A mulher queirosiana de 1867 é um ser irresistível e repulsivo: absolutamente romântico. O incessante processo que Eça lhe moverá será a resposta a uma intuição básica - a de que o desejo fluidifica e desvanece as fronteiras entre a realidade e a fantasia.

3. Os folhetins d’ As Farpas (1871-72), que Eça depois reuniu em Uma Campanha Alegre, fornecem uma explícita síntese daquilo que podemos considerar a fase seguinte da ideologia erótica queirosiana, precisando e aprofundando noções que já vinham de 1867, e sobretudo reformulando-as no interior do paradigma que constituiu sempre para Eça a referência axial mais segura - a moral proudhoniana.

As características fundamentais do "erotismo positivista " queirosiano - o discurso que, repitamo-lo, articulou a sua reflexão de forma mais estruturada e mais consistentemente formulada em termos ideológicos - cifram-se no desenvolvimento de duas noções nucleares que já conhecemos: a misoginia ambivalente e a angústia da decadência - que terão encontrado em Proudhon um eco tranquilizante, uma caução filosófica e um discurso organizado e convincente.

Por um lado, os temas eróticos continuam a inscrever-se na ampla figuração decadente, servidos por um discurso que genericamente designámos por discurso da perda. Este discurso, agora, adquire uma espécie de consciência crítica e articula-se em ideologia: trata-se de responder à angústia pela indagação racional das causas objectivas da decadência - e, quanto possível, de lhes apontar soluções. Por outro lado, consideremos que uma das pretensões do Naturalismo é a de "libertar" o homem da mulher e do sentimento amoroso. O próprio eros positivista se enraíza assim na noção da perda. A supressão da dimensão transcendente da figura feminina, a tradução da paixão pela fisiologia e a redução do eros ao instinto, acompanham a recusa da poética romântica e definem a mulher pela sua exclusiva materialidade - equivalendo à sua proscrição.

No discurso assumidamente pedagógico d’ As Farpas, esta tendência manifesta-se pela abordagem de quatro temas correlativos: a educação feminina, o problema do adultério, a concupiscência do discurso eclesiástico, a influência nefasta do sentimentalismo romântico.

A languidez, a moleza, a preguiça, a debilidade, a fraqueza, a fadiga, são traços da imagem da menina lisboeta. Esta é a imagem dissolvente da feminilidade invertebrada, oposta precisamente às estruturas típicas do imaginário da virilidade - vigor, dureza, verticalidade, racionalidade, soberania. Uma virilidade física, justamente, com os seus traços solares de pureza e energia, é o que caracteriza a figura contrastiva da distante jovem anglo-saxónica:"Veja-se o andar de uma inglesa, elástico, firme, direito, sério: sente-se ali a saúde, a decisão, a coragem, a personalidade bem afirmada." (UCA: 328)

Este regime figurativo dominado pela antítese, pela exclusão e pela disjunção - consignada no aforismo de Proudhon sobre a mulher: "courtisane ou ménagère" - constitui o núcleo duro da imaginação erótica queirosiana. De facto, assentando este regime discriminativo numa perfeita sistematização simbólica, em que os planos físico e moral se correspondem, resulta clara a construção de uma tendência racionalizante e positiva, de reforço e apologia da identidade viril - uma tendência que unirá Eça a, por exemplo, Ramalho Ortigão.

A essencial perversidade do eros, intuída muito cedo por Eça, tem agora uma explicação positivista - a idealização do mal e da infracção pela criminosa poesia romântica.

A devoção religiosa, cuja iniquidade na formação feminina foi já denunciada, e que convoca, aliás, aspectos semelhantes aos do erotismo - emotividade, imaginação, irracionalidade e ociosidade - é também visada n’ As Farpas através, por exemplo, da caricatura do "sermão obsceno" e pela intuição da recíproca contaminação entre o erotismo e o misticismo.

A questão do casamento, associada à do adultério, surge logicamente num quadro de preocupações morais dominado pela questão feminina - e tão insolúvel, parece, como esta. Numa Farpa datada de Outubro de 1872, Eça dedica muitas páginas à análise minuciosa do traição conjugal - a que " apenas a revolução, pela ciência de Proudhon, começa a dar uma solução racional e positiva". De qualquer forma, a disponibilidade das mulheres para o amor - disponibilidade orgânica e cultural - constitui o principal factor do adultério. A aprendizagem exclusiva da sedução, aliada à inacção física e à desocupação intelectual, desenvolve, nestas Circes quietas e perigosamente imaginativas, as pérfidas artes de adormecer e seduzir. E se, de facto, é na moral convencional um chique ter tido amantes casadas, e o sedutor se torna mais sedutor pela sua auréola perfumada, o autor apressa-se a declarar que, em Portugal - "Satanás anda longe". Ou seja: a virilidade não tem, para sossego dos maridos, representantes condignos em Portugal.

A visão genérica de uma cultura dominada pelo omnipresente erotimo feminino será justamente a súmula temática do opúsculo de Proudhon, publicado em 1875, La Pornocratie ou Les Femmes dans les Temps Modernes. A aliança da misoginia à reflexão política e social, no intuito justiceiro de farpear a tolice - com o seu "Proudhon mal lido debaixo do braço" - antecipa-se nestas Farpas de Eça. A sua exuberância e simetria simbólica, o reportório figurativo que mobiliza, revelarão o prodigioso efeito seminal da leitura do filósofo, e constituirão uma chave interpretativa que a leitura da ficção de Eça de Queirós não pode dispensar.

No entanto, duas questões ficaram por responder: - pela ciência de Proudhon, qual é a solução "racional e positiva" para o adultério? E, se o adultério acontecer e for descoberto pelo marido, como pode este reagir-lhe? A resposta à primeira pergunta é simples: "Colocar a mulher nas ocupações da família, eis o que achamos de mais genérico para evitar a dissolução do casamento" (UCA:401) A actividade, mesmo lúdica, deserotiza a mulher, é um antídoto da idealização:"Toda a mulher que se não cansa, idealiza." (UCA: 397)

Em todo o caso, ao desprevenido marido, resta a reacção mais conforme ao seu temperamento: "Todos estes infelizes se desesperaram; mas - com a lógica do seu carácter - o bárbaro generoso mata, o civilizado infame faz assinar a letra." (UCA: 392). Apraz-nos observar, nas várias representações de maridos enganados de Eça, a hegemonia absoluta de "civilizados infames". Em suma: no adultério em Portugal, à inferioridade do sedutor e à debilidade da seduzida, corresponde a frouxidão do ofendido.

4. Pelo menos durante os quinze anos seguintes às Farpas, praticamente todo o discurso não-ficcional de Eça reitera, especifica e dilata as teses de 1871, e as subsequentes aplicações nos dois romances que entretanto publica: O Crime do Padre Amaro (1875 e 1880) e O Primo Bazílio (1878). Da mesma forma, falando sobre o seu próprio casamento, em 1885, Eça não resiste a normalizá-lo ideologicamente, colocando-o sob o signo anti-romanesco do amor-amizade.

A partir de 1872, o discurso crítico firma-se na opção ideológico-estética do Realismo-Positivismo, estabelecendo-o como um discurso da verdade - iluminador, justiceiro e redentor. Trata-se agora de entranhadamente investir o discurso literário de um mandato cívico: o de coadjuvar a Revolução - tudo revelar, para tudo mudar. E este tudo insidiosamente se especializa na verdade do sexo, uma verdade que o idealismo mascarou de sublimidade. Por outro lado, sendo o novo movimento progressivamente revestido dos valores fulgurantes da virilidade vigorosa, é, assim, perfeita a simetria com a feminizante e corruptora decadência literária, cuja temática amorosa, num curioso processo de denegação, exaspera sempre Eça de Queirós.

Um tema tipicamente naturalista, a dominação do padre na família pela sua influência na mulher, surge nas suas crónicas de Londres, em Julho de 1877. Suscitado igualmente pela recensão literária, é particularmente revelador o juízo de Eça de Queirós sobre uma obra de divulgação de métodos anti-concepcionais:" um manual cómodo e à mão de desmoralização e de deboche." (4 de Julho de 1877, CICL: 234)

A persistente tendência misógina; esta terminante condenação do amor não procriativo; as referências algo galhofeiras às criadas chantagistas londrinas e ao escândalo da prostituição; duas alusões jocosas (uma das quais bastante desenvolvida) ao lesbianismo - compõem, nestes textos jornalísticos, uma atitude de distância simultaneamente folgazã e moralista em relação ao prazer e à irregularidade erótica, inconsequentes mas sintomáticas anedotas de um quotidiano pré-catastrófico.

A novidade é que este quotidiano seja o de uma Inglaterra que Eça, agora, sente conhecer do interior - tal como no tempo em que, falando de Lisboa, se dirigia aos seus leitores do Distrito de Évora. É agora Londres a cidade em véspera de catástrofe. Mesmo a mulher inglesa também desgosta Eça de Queirós, justamente pelo excesso daquela qualidade que, n’ As Farpas, o atraía - a virilidade:

Basta observar um pouco as maneiras da inglesa moderna para se ver que ela poderá ser tudo - uma hábil cavaleira, uma excelente atiradora à pistola, um óptimo companheiro de viagem, um atrevido parceiro para uma partida de bacarat - tudo, menos uma esposa e uma mãe. (1 de Agosto de 1877, CICL: 248)

A tendência para a dissociação entre o prazer e a família, a emancipação institucional do prazer (os quais estiveram provavelmente na raiz da feroz condenação, por Eça, dos meios contraceptivos), que, para o autor, a mulher inglesa agora prefigura, torna-o aqui um crítico violento do vigor e da excessiva afirmatividade feminina - a desordem erótica da mulher é meio caminho andado para a catástrofe moral inglesa.

Quando, nos Ecos de Paris, em 6 de Junho de 1880, a propósito da morte súbita de Flaubert (que ocorrera cerca de um mês antes), Eça de Queirós comenta Madame Bovary, é para sublinhar ainda esta identificação entre a decadência e o essencial desequilíbrio do eros feminino. E, da mesma forma, quando define o projecto de L’ Education Sentimentale, é fácil ler nesta representação uma projecção ideológica clara, encontrando numa geral síndrome feminizante da cultura pós-romântica a causa central de todas as instabilidades da vida social. (cf. CP:16)

A representação de uma actualidade em decomposição, dominada por uma sensualidade desorganizada, terá, num efeito de contraponto que já conhecemos, reconvocado em Eça a nostalgia de uma ordem ideal e de uma harmonia superior, valores cuja rarefacção conceptual seja uma forma de pureza. E, por outro lado, o apego desiludido aos valores simples e humanos, como a solidariedade.

Um agape democrático - eis a forma sucedânea, na sua última década de vida, desse amor natural, suavemente abençoado por Deus nas noites de S. João, evocada trinta anos antes. E o louvor irónico-lírico da doce atmosfera do sul - aqui, como já o fora no Distrito de Évora - pode igualmente integrar-se no esquema ascensional desta nostalgia da brandura, regida por uma instância superior e benfazeja.

Esta tendência refluente da sua última fase determina, também, a evocação cada vez mais insistente dos primeiros românticos, e dos valores da naturalidade e simplicidade artísticas. Não se estranha portanto que, chegado o momento crepuscular do Naturalismo, Eça de Queirós possa, com desenvoltura, reconhecer em "Positivismo e Idealismo" que, provavelmente, o romance experimental nunca existiu. E, mais uma vez, as novas formas - já não as do decadentismo, mas do idealismo - primam pela irregularidade. Agora que a alma está na moda, a poesia e as artes plásticas diluem a representação da realidade física, esbatendo-lhe a consistência. Ou seja: mais uma vez, para Eça, a nova arte comunga do crepúsculo e do caos: os traços que ela privilegia, os do incorpóreo, resolvem-se numa global representação do inorgânico.

A representação marcadamente virilizante do Positivismo-Razão vai adensar-se, sublinhando por contraste o cariz feminizante do polo oposto, o do Idealismo-Imaginação. A este regime exclusivo da oposição e da disjunção dos dois elementos, seguir-se-á agora, segundo Eça, uma espécie de conjunção alternada e regimental, que não parecerá deslocado designar por adultério ideal:

A causa é patente, está toda no modo brutal e rigoroso com que o positivismo científico tratou a imaginação, que é uma tão inseparável e legítima companheira do homem como a razão. O homem de todos os tempos tem tido (se me permitem renovar essa alegoria neoplatónica) duas esposas, que são ambas ciumentas e exigentes, o arrastam cada uma, com lutas por vezes trágicas e por vezes cómicas, para o seu leito particular (…) O positivismo científico, porém, considerou a imaginação como uma concubina comprometedora, de quem urgia separar o homem; - e, apenas se apossou dele, expulsou duramente a pobre e gentil imaginação, fechou o o homem num laboratório a sós com a sua esposa clara e fria, a razão. O resultado foi que o homem recomeçou a aborrecer-se monumentalmente e a suspirar por aquela outra companheira tão alegre, tão inventiva, tão cheia de graça e de luminosos ímpetos, que de longe lhe acenava ainda, lhe apontava para os céus da poesia e da metafísica, onde ambos tinham tentado voos tão deslumbrantes. (NC: 193)

Afinal, para Eça de Queirós, não foi sempre a tendência idealizadora a causa magna do adultério?

A reconciliação simbólica com a feminilidade, resolvendo essa "mésalliance" defensiva e ambígua, consuma-se, num texto de 1898, significativamente dedicado à Rainha D. Amélia, pela glorificação explícita de um ideal feminino.

5. O resgate do feminino e a sua integração na consciência terá determinado, assim, o sentido e a evolução final do imaginário de Eça de Queirós. A busca desse equilíbrio simbólico tem uma dimensão simultaneamente ideológica, afectiva, literária e cultural. De facto, não é claramente esse desequilíbrio a "enfermidade incurável" do século, representada por uma Emma Bovary, ansiando por alguma coisa de melhor, oscilando entre a volúpia de Deus e a da carne, e sofrendo desse "conflito do ideal e do real" - dessa luta entre a imaginação e a razão?

A novidade da imagem que representa a mente humana como um homem com um ménage à trois, reside no facto de que, agora, se trata de um homem, e não de uma mulher adúltera. E esta substituição revela a extensão de uma síndrome "Madame Bovary, c’est moi" queirosiana: - a desordem romântica feminina é a projecção queirosiana, porventura crónica e ocidental, certamente oitocentista, de uma estrutura simbólica antitética bi-sexual, bi-polar, que encontra no campo do eros o ponto nevrálgico do seu desequilíbrio constitutivo. Segredo muito bem guardado, este, por uma defesa cerrada e vigilante. Será este o significado oculto do incesto fraternal d’ Os Maias?

Na imagem platónica, a fantasia e a razão - a forma e a ideia -buscam um equilíbrio que só se entrevê na Arte. Dessa forma, a reabilitação do sublime é, significativamente, servida pela figura reabilitada do adultério. Representação de uma mistificação sublimadora do real, esse adultério imaginário mais não constitui, afinal, do que a natureza e o sentido da Arte. O eros queirosiano é assim uma busca desenganada da totalidade - que só a contrafacção artística pode mimetizar.

Creio que a elevadíssima produtividade do esquema de motivos e valores organicamente ancorados ao campo simbólico do erotismo, precocemente fixados no discurso de Eça de Queirós, e segregando um discurso ideologicamente determinável - pôde encontrar, no matiz calculadamente espontâneo, nessa coloquialidade sofisticada dos discursos não-ficcionais, uma intimidade particular.

Deste modo se reata a afinidade orgânica entre a problemática da criação estética e a ambivalência profunda do eros. Preservada na sublimação estética, a substância sensual da beleza só encontra memória no manto diáfano da forma. A qualidade intrinsecamente erótica do Belo encontra afinal uma forma sinuosa de se perpetuar pecaminosamente, através desse "espectáculo dos ardores, exigências e perversões físicas", que Machado de Assis verbera em Eça.

E, entre a matéria e a ideia, essa "vocação sensual" da escrita queirosiana pode representar, contida e ordenada pelas regras da objectividade e da verosimilhança literárias, a memória do prazer.


Referências Bibliográficas

À excepção dos textos da Revista de Portugal, todas as referências das obras de Eça reenviam à edição Livros do Brasil. É a seguinte a chave da notação adoptada:

C - Correspondência

CDE - Colaboração n’ O Distrito de Évora

CICL - Cartas de Inglaterra e Crónicas de Londres

COE - Cartas e Outros Escritos

CP - Cartas de Paris

NC - Notas Contemporâneas

UCA - Uma Campanha Alegre

TI - Textos de Imprensa VI (da Revista de Portugal), Edição Crítica das Obras de Eça de Queirós, edição de Maria Helena Santana, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1995

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