[Valid Atom 1.0]

domingo, 25 de maio de 2014

Traficantes brasileiros têm ligação com máfia italiana, diz polícia federal



Alex Rodrigues
Da Agência Brasil
Investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) expuseram as relações de uma das mais poderosas organizações criminosas do mundo, a 'Ndragueta [Andrângueta], com grupos criminosos locais. Entre especialistas em segurança, a presença de pessoas ligadas à máfia italiana em território brasileiro já é discutida há anos, mas as menções à organização criada na Calábria ganharam as páginas policiais depois que a PF deflagrou, em março deste ano, a Operação Monte Pollino, que desarticulou um esquema de envio de cocaína sul-americana para a Europa.
Na quarta-feira (21), o MPF denunciou seis pessoas investigadas por supostamente integrarem uma quadrilha que usava o porto de Santos, o maior da América Latina, para enviar toneladas da droga para a Europa.
Convencidos de que todos os investigados na operação Monte Pollino "integram uma ampla rede criminosa, com ramificações em diversos países e ligações com a máfia italiana Ndrangheta", procuradores da República em Santos já anunciaram que vão denunciar pelo menos outras 14 pessoas.
Segundo o instituto italiano Demoskopika, a máfia calabresa, também conhecida como Família Montalbano, movimentou cerca de 53 bilhões de euros (cerca de R$ 160 bi) em 2013. O instituto garante ter chegado a essa cifra a partir dos dados de documentos oficiais a que teve acesso. O montante é quase o mesmo que a rede de lanchonetes McDonald's e do Deutsche Bank movimentaram, juntos, no ano passado.
A maior fonte de renda da organização calabresa seria o tráfico de drogas, com o qual obteve 24,2 bilhões de euros (cerca de R$ 73 bi) . Os tentáculos da ´Ndragueta, contudo, se estendem para a reciclagem ilegal, extorsão, desvio de recursos públicos, jogos de azar, venda de armas, prostituição, falsificação de documentos e imigração clandestina. Ainda de acordo com o instituto, a ´Ndragueta conta com cerca de 60 mil associados que atuam em pelo menos 30 países. 
Ao deflagrar a operação Monte Pollino, em março, o delegado federal Osvaldo Scalezi Júnior revelou que as investigações brasileiras começaram em fevereiro de 2013, a pedido da Itália, que já apurava o envio de cocaína do Peru e da Bolívia para a Europa desde 2010. No mesmo dia em que, no Brasil, cerca de 70 policiais federais saiam às ruas para cumprir os mandados de prisão e de busca e apreensão, na Itália a Guarda de Finança deflagrou a operação Bongustaio. Em um grande esquema de cooperação internacional, também foram cumpridos mandados na Espanha, em Portugal, no Reino Unido, na Holanda, na Sérvia, em Montenegro e no Peru.
No total, foram detidas 12 pessoas, sendo dez no Brasil, uma na Itália e uma na Espanha. Além disso, outras seis pessoas já tinham sido presas antes no Brasil. Ao longo de um ano de investigação, foi apreendido mais de 1,3 tonelada da droga negociada pelo grupo. Os principais destinos da cocaína eram os portos de Gioia Tauro, em Nápoles, na Itália, e de Porto de Leixões, em Portugal, onde, em outubro de 2012, foram apreendidos 330 quilos de cocaína. Grandes quantidades do entorpecente também foram apreendidas ao longo das investigações em portos da Espanha, Alemanha e da Bélgica. Segundo estimativas da polícia italiana, só o valor do volume apreendido pode chegar a 10 milhões de euros (R$ 30,3 mi).
A cocaína era trazida ao Brasil por terra e armazenada principalmente na região de Campinas, no interior paulista. Em Santos, era embarcada em navios de carga com a colaboração de ao menos dois funcionários terceirizados corrompidos pelos suspeitos de fazer a cocaína chegar a Europa. O destinatário do produto era a ´Ndragueta. Depois que a droga chegava aos portos europeus e era recolhida, representantes do braço financeiro da máfia calabresa que vinham frequentemente ou moravam no Brasil se encarregavam de pagar os integrantes dos grupos criminosos, sobretudo brasileiros, que adquiriam a cocaína pura, transportavam até os portos brasileiros e a acondicionavam nos contêineres. O dinheiro costumava ser entregue em lugares movimentados, como praças de alimentação de shoppings e hipermercados da capital paulista.
Entre as pessoas presas em março está uma brasileira detida na Espanha. Segundo Scalezi, era ela a principal responsável por enviar ao Brasil os dólares com que a ´Ndragueta pagava os intermediários do esquema. "A brasileira presa na Espanha é a principal responsável pelo braço financeiro da organização calabresa", disse Scalezi em março. De acordo com o delegado federal, a brasileira foi identificada e detida graças a troca de informações entre Brasil e Itália e a cooperação internacional. Ainda segundo Scalezi, após o início das diligências e das primeiras apreensões, os criminosos passaram a operar em outros portos brasileiros.
Na quinta-feira (22), ao ser questionado sobre o que o governo brasileiro vem fazendo para coibir a atuação de organizações criminosas internacionais em geral e da ´Ndragueta em particular, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse não poder comentar o assunto. "A PF tem um trabalho intenso de cooperação e troca de informações com policias do mundo inteiro. Há muitas linhas de investigação em curso, mas eu jamais poderia dizer o que está ou não está sendo investigado. Primeiro porque é sigiloso. Segundo porque seria um erro colossal, pois nunca se diz o que está investigando".
Ampliar

Conheça esconderijos usados por traficantes para transportar drogas53 fotos

46 / 53
9.set.2013 - Mulher tentou embarcar com dois quilos de cocaína escondidos em uma barriga falsa e foi presa em flagrante por policiais federais no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, no Mato Grosso. Ela e outra mulher estavam embarcando para a Itália quando foram abordadas pelos oficiais, que atendiam a uma denúncia anônimaPF-MT/Divulgação


COMENTÁRIOS 11

  1. Avatar de obsglobal

    obsglobal

    2 horas atrás
    Perguntas que não podem calar: a cocaina vem da onde? E a politica do Brasil para os nosso vizinhos?????????
  2. Avatar de Nezinho do Jeque

    Nezinho do Jeque

    2 horas atrás
    Ta explicado por que o Pizzolato foi pra Itália, foi só fazer um acerto de contas rotineiro.
    1. Avatar de Narr

      Narr

      1 hora atrás
      Raciocínio brilhante. Poderia complementar com Mantega, Toffoli, Tombini, Palocci, Chinaglia, dona Marisa, Stédile, Vaccarezza, Agnelli, Antonio Gramsci, as conexões são claras.
  3. Avatar de robertorcp

    robertorcp

    2 horas atrás
    Naturalmente que existem exceções, mas pelos noticiários da mídia, a respeito dos numerosos inquéritos policiais, depreende-se que os doleiros dos políticos, dos funcionários públicos de alto escalão, dos padres, dos pastores, das facções criminosas, dos industriais, dos grandes empresários e dos movimentos terroristas, são os mesmos...
  4. Avatar de RaymondRoger

    RaymondRoger

    2 horas atrás
    Sera que eles já não sabiam o que qualquer cidadão um pouco esclarecido sabe?
  5. Avatar de Shadyraidy

    Shadyraidy

    2 horas atrás
    Pra onde foi o Henrique Pizzolato ????
  6. Avatar de Soni

    Soni

    3 horas atrás
    Todas as nossas quadrilhas são bem organizadas,neste ponto, os nossos dirigentes de Brasília, de colarinho branco,também não deixa a desejar,são bons também
  7. Avatar de PAULISTA SP

    PAULISTA SP

    5 horas atrás
    Parabéns Polícia Federal. O povo todo sabe e vê o trabalho árduo, perigoso,de vocês. Agradecemos.
Os comentários não representam a opinião do portal; a responsabilidade é do autor da mensagem. 
Leia os termos de uso








LAST







Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

Jovem é espancado pela família da namorada, após vídeo íntimo vazar

Um jovem foi espancado dentro de uma escola, no Paraná, após um vídeo íntimo dele com a namorada vazar na internet. A família da jovem entrou na escola e agrediu o garoto dentro da sala de aula









LAST







Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

terça-feira, 22 de abril de 2014

Ouça gravação de coletiva com a Delegada responsável pelo Caso Bernardo



http://www.portelaonline.com.br/site/audios/c978b903eb26b9464e31cc34ce2b2045.mp3







LAST







Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

3.000 pessoas foram enterradas como indigentes tendo RG em SP




Investigação revela que, mesmo identificados, 3 mil mortos foram mandados para a vala comum em 15 anos em SP; Ministério Público quer saber por quê

ROGÉRIO PAGNAN
;REYNALDO TUROLLO JR.
;DE SÃO PAULO

Nos últimos 14 anos, a rotina do técnico em telecomunicação Cláudio Rocha, 53, inclui a procura desesperada pelo pai, desaparecido.



Desde 15 de janeiro de 2000, ele visitou um sem-número de hospitais, unidades do IML e delegacias de São Paulo, mas nunca mais teve notícias do aposentado João Rocha, que tinha 72 anos quando sumiu de casa.



Na semana passada, Cláudio recebeu um telefonema que pôs fim à sua procura.



As notícias não poderiam ser piores: o pai estava morto e, apesar de ter se identificado ao dar entrada no hospital, foi enterrado como indigente em março de 2000.



Quatorze anos de procura em vão. "Eu esperava encontrá-lo vivo até hoje. Isso é um descaso muito grande", afirmou ele à Folha
.


A família Rocha foi vítima de uma falha na burocracia estadual, que, revela-se agora, mandou para a vala comum cerca de 3.000 pessoas que possuíam identificação quando morreram nos últimos 15 anos na capital paulista.



Os "indigentes com RG" foram descobertos numa investigação do Ministério Público de São Paulo, coordenada pela promotora Eliana Vendramini, que se dedica a descobrir o paradeiro de desaparecidos em São Paulo.



Ela custou a acreditar, mas descobriu que o próprio sistema funerário estatal pode ter sido responsável pelo "desaparecimento" de milhares de pessoas na capital.



Isso porque o Estado manda para as valas públicas os corpos não reclamados por parentes num prazo de 72 horas, mesmo se o morto estiver com o RG no bolso. Vale-se de norma estadual de 1993, criada no governo Fleury (PMDB).



Faz isso sem tentar avisar qualquer parente, embora tenha dados de todos os mortos. Assim, deixa famílias numa busca sem fim.



Os enterros são realizados em parceria com o Serviço Funerário Municipal nos cemitérios 1 e 2 da Vila Formosa, na zona leste da cidade --onde os corpos chegam nus em caixotes de madeira com tampas de papelão.



Antes, também eram enterrados no cemitério Dom Bosco, em Perus, na zona norte.



A responsabilidade pelos casos investigados pelo Ministério Público é do SVO (Serviço de Verificação de Óbitos), órgão ligado à Faculdade de Medicina da USP.



O órgão atende casos de mortes naturais, em que não há suspeita de violência, mas que necessitam de investigação da causa do óbito.



Agora, o Ministério Público quer saber por que o Estado não procurou as famílias dos mortos identificados.



Ao contrário da Promotoria, a direção do SVO entende que a lei não o obriga a procurar os familiares.



Diz ainda que não tem equipes para executar essa tarefa e que está disposto a colaborar com a investigação do Ministério Público (leia texto na página ao lado).



À Promotoria, o SVO afirmou que não tinha informações suficientes para chegar aos parentes. "Mas é tão possível localizar as famílias que nós estamos conseguindo", contesta a promotora.



Vendramini diz ainda que, além da Constituição Federal, que em seu artigo 1º trata da "dignidade da pessoa humana", o Código Civil obriga o serviço a fazer essa comunicação, porque o corpo pertence à família.



"É uma questão óbvia. Vai ter uma lei para dizer o óbvio? Vai ter uma lei para dizer: Não enterre um corpo identificado sem avisar a família?'", questiona.



Outro problema é o fato de o SVO ser desconhecido da maioria da população, que, em geral, procura familiares desaparecidos apenas no IML --que é encarregado de lidar exclusivamente com mortes violentas ou com corpos sem identificação.



O Ministério Público quer acabar com as procuras desnecessárias das famílias e pôr fim aos enterros sem aviso.



Primeiro, está cruzando a lista dos cerca de 3.000 "indigentes identificados" que passaram pelo SVO com a lista de desaparecidos do Estado de São Paulo.



O objetivo é saber quantas famílias ainda estão buscando seus familiares para dar-lhes a notícia da morte e limpar os nomes que inflam a lista de desaparecidos.



João Rocha estava nessa lista e faz parte da primeira família avisada.



Nas últimas duas semanas, a Folha
localizou outras quatro famílias. Nenhuma delas foi procurada pelos serviços do Estado e os parentes foram enterrados como indigentes.



NAS DELEGACIAS



O Ministério Público também vê problemas no trabalho da Polícia Civil.



Segundo a legislação, a polícia é obrigada a registrar boletins de ocorrência das mortes antes de enviar os corpos para o SVO. Da mesma forma, a polícia registra o desaparecimento quando as famílias dão queixa numa delegacia.



Porém, em todos os casos analisados pela Folha
, os dados dos boletins de ocorrência --de morte e de desaparecimento-- não foram cruzados, o que teria encerrado as buscas das famílias.


Três das cinco famílias procuradas pela Folha
, que tiveram parentes ou amigos desaparecidos, disseram desconhecer a existência do SVO. Nesses casos, os reclamantes ou ainda procuravam os desaparecidos ou já tinham desistido da busca.


Em um caso, o parente havia morrido também. Em outro, a filha encontrou o pai 20 dias após a morte, já enterrado como indigente. Buscou ajuda até de um pai de santo.



Há ainda um número desconhecido de pessoas identificadas e enterradas como indigentes pelo IML, vítimas de violência ou de acidente.







LAST







Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters

domingo, 20 de abril de 2014

2 FOOT Bat Boomerang flight and giveaway for Feruary 2014 COSPLAY















LAST

Sphere: Related Content
26/10/2008 free counters